Não espere o dia dos namorados

Anota aí: 2013. É esse o ano em que o dia dos namorados, pela primeira vez, passará batido e sem doer pela minha vida.

Será que os grandes capitalistas que inventaram (ou pelo menos moldaram) o dia dos namorados tem noção da quantidade de sofrimento que ele proporciona? Já passei tenebrosos dias 12, de vários junhos e junto comigo inúmeras mulheres (e homens? Será? Sei que essa sensação do “abandono junino” afeta muito mais a nós do que a eles. É uma questão cultural dessa sociedade patriarcal, fortemente arraigada e que de tão profunda e chata me faz dormir instantaneamente, então não vou me pegar com ela porque preciso terminar a crônica).

Olhando para trás chego a quase não entender o por que de tanto sofrimento. Puxo pela memória, esfrego sentimentos antigos na lâmina do microscópio e, com muito esforço, tudo começa a voltar. A sensação de ficar por último na hora de escolher o time do queimado (ou do futebol), sabe como? Só que ao invés do capitão dizer “Droga, vem você mesmo” ele diz “Você? Feia desse jeito? Magricela? Sem peitos? Sem bunda? Ninguém te quer não! Você não serve nem pra trave do gol, minha filha! Volta pra casa que eu prefiro ficar com um a menos!”. É isso que cada outdoor, propaganda de tv, entregador levando flores pela rua, esfregam na cara de quem não está carregando o rótulo certo nessa data.

Mas o que há de tão especial no dia dos namorados? Além do fato de ser a terceira melhor época do ano para o comércio (perde apenas para Natal e dia das mães; sua data foi escolhida, inclusive, levando em conta a lacuna que se faz entre o dia das mães e o dia dos pais)… tirando isso,pode-se dizer que… bom… não há nada de especial no dia dos namorados.

Sempre me perguntei como é possível o romantismo sobreviver a previsibilidade de uma data marcada.

E, agora, estando casada há sete anos e com dois filhos, ironicamente percebo que a espontaneidade não é o único trunfo neste quesito. Para garantir momentos de romantismo a essa altura do campeonato é preciso planejamento. Data marcada, sim, e até hora. Precisa esquemão mesmo! Mas não no dia 12 de junho! O romantismo resiste sim a previsibilidade, nessas condições, mas morre lentamente naquela hora e meia de espera na fila do restaurante (imagina do motel…).

Toda a idealização do amor (que alguns autores afirmam ser o novo “Deus do Ocidente”) culminando em uma data, não pode fazer bem nem mesmo a quem foi contemplado com um par. E é assim que se cria uma horda de pessoas com vidas maravilhosas que se sentem incompletas na maior parte do tempo.

Então, aqui vai um conselho de um milhão de dólares (favor pagar na saída):

NÃO ESPERE O DIA DOS NAMORADOS.

Não espere o dia dos namorados para ser feliz (muito menos para ser infeliz!). Se você está sozinha, aproveite para exorcizar todos os ex’s, faça uma fogueira santa com as fotos daquele canalha, comece um relacionamento sério consigo mesma. E não espere o dia dos namorados para se dar um presente. Leve-se para passear. Leve-se de leve. Devagar. Nice and easy, baby.

Se está com alguém, celebre o amor numa terça-feira, 24 de qualquer mês. Duas ou três vezes ao ano, uma vez por mês, talvez; mas não mais que isso, porque pra ser sempre especial, não pode ser banal.

Celebre o dia dos namorados amando sem medida, mesmo que o seu amado não seja o seu namorado. Permita-se, vez por outra, entregar-se sem poréns, mas e entretantos. E faça isso – entregue-se – sabendo voltar para si mesmo, porque quem sabe de onde vem, nunca está perdido.

Se o que move o mundo é o amor, se é ele a energia vital, não haveria como não ser crônico, repetitivo (como o próprio dia dos namorados), mas também renovável!

Feliz dia dos namorados hoje, amanhã, ou quando for mais inadequado. Celebre o amor da maneira mais indisciplinada possível.

Doze é apenas um número e sua vida tem outros, muito mais urgentes e interessantes. Tenha certeza disso.

Fundamental é mesmo o amor que você tem pra dar, mesmo quando não tiver alguém específico para receber.

(Desculpa aí, poeta… Felicidade às vezes precisa de adaptações)

linhaAna Márcia Cordeiro

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2 pensamentos sobre “Não espere o dia dos namorados

  1. algumasgarotas disse:

    Republicou isso em Algumas Garotas e Um Bloge comentado:
    Tem Gente que é “tipo assim …”

  2. Pessoalmente, nunca sofri ou liguei muito para a data. Aliás, se você não conta que é amanhã, vapt, passaria batido. Com marido e 2 filhos, que legal que ainda comemoram.

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