Nem papel, nem aliança, nem o tempo…

Quando estava grávida de meu primogênito, um aluno (ao notar a protuberância abdominal despontando) ficou na dúvida se era gravidez mesmo ou apenas efeito colateral de alcoolismo. Depois de muito me observar, desferiu sua pergunta.

Primeiro eu disse que era chopp da Brahma, claro. Depois confirmei a gravidez (não sem antes desmentir o chopp). E ele retrucou de forma bem natural: “e quem é o pai, fessôra?”.

Hein? Oi? Cuméquié?

Passados alguns segundos de constrangimento, respondi (com bem menos naturalidade): “É o meu marido, né, filhão?”. ( “Filhão” é meu jeitinho carinhoso de chamar os alunos de filho da… bom… de filhos)

Não compartilho detalhes pessoais com qualquer turma (e com aquela certamente só falava o estritamente necessário). Até por isso, a confusão do gremlin, digo, aluno (e antes dele, vários outros) era até compreensível.

Estado civil sempre foi um assunto confuso por aqui. Chamo de “pseudomarido”, de “bofe” ou de “respectivo” àquele um com quem divido a casa, a cama, a vida, mas que nunca me levou ao altar e nunca me deu uma aliança (nem daquelas de pirulito).

E sem aliança, até que eu abra a boca e diga o contrário, assume-se que sou solteira.

Aff, que bagunça. Mas afinal, nesse tópico “estado civil”, importa o quê?

O papel? A aliança? A festa? A bênção divina?

Na dúvida, digo timidamente que sou casada, sim.

Papel que comprove, eu não tenho. Nem aliança. Festa e vestido branco de princesa nunca tive (e nunca me fizeram falta).

Mas se o que contar for a bênção divina, certamente nós a recebemos. Duas, aliás: uma de cinco, outra de dois.

Uso desses apelidos carinhosos porque nunca sei que efeito a falta da aliança na mão casada pode provocar. E (no caso do blog) também porque o “dito cujo” (ah é. Chamo assim também!) vive me pedindo para não ficar expondo-o na internet.

Pai dos meus filhos, meu companheiro de intimidade, aquele cabra que ronca ao meu lado toda noite, que atura minha TPM e é macho o suficiente para sair vivo dela, mês após mês, ano após ano…

Este sobrevivente de minha fúria hormonal, com nome de deus grego, simplesmente acumula as insubstituíveis funções de HOMEM DA MINHA VIDA e MELHOR AMIGO DO MUNDO TODO.

Pode até ser que um dia nada disso seja suficiente para nos manter juntos. Mas tudo bem, também. Porque se esse dia chegar e eu tiver sido tola o bastante para ter feito aquela tatuagem com seu nome (minha ameaça preferida), seus possíveis “sucessores” teriam que conviver com você, meu amor, indelével em mim; pois eu não teria nenhuma vergonha ou vontade de apagá-lo.

Uma vidente uma vez nos disse que nosso encontro estava marcado há muito tempo.

Alma gêmea ou não. Casada ou não. Que diferença faz?

Nem o tempo importa quando é pra sempre.

escovas

linhaAna Márcia Cordeiro

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2 pensamentos sobre “Nem papel, nem aliança, nem o tempo…

  1. Giselle disse:

    Nooooossa senhora… Isso sim é uma declaração de amor… Por acaso ele já leu?

  2. Depois dessa declaração, põe a aliança, filhão

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