Rolezinho pelo Facebook

Esse Facebook é uma caixinha linda, cheia de inspiração, não é verdade? Eu aqui reclamando que não tenho mais inspiração para escrever, e o Facebook só floresce. Diariamente temos toda qualidade de frases, pensamentos, indiretas, política, estupidez, ostentação, cada um dono da mais perfeita verdade. E o que nos sobra? Falar de tudo isso, claro.

Entretanto, este não é um texto sobre redes sociais. Mas, é tanta gente falando de amor, felicidade, sorte… é tanta fórmula pronta, que você já não faz a menor ideia onde elas se encaixam. O passado nos ensina, o passado deve ser deixado para trás, não dê prioridade para quem te tem como opção, felicidade é o caminho, o mundo é injusto para quem é bom, Deus está no comando, o gigante acordou, o gigante dormiu, e eu aqui me perguntando o que faço de mim com tanta informação.

Pra começar, gosto de organizar minha vida de modo que ela me proporcione o que mais prezo: a paz. As pessoas que me conhecem normalmente têm a impressão de que eu não preciso de coisa alguma. Não sou de reclamar de nada além do óbvio: o calor, atendimento de telemarketing, bancos, dificuldades no trabalho, algum problema doméstico, enfim. Há milhares de coisas que eu gostaria de fazer, comprar, realizar, mas o fato de (ainda) não conseguir, não é um problema. Preciso mudar de casa, porque não estou satisfeita aqui, mas isso também não é um problema. Minha falta de sorte com os homens também não é um problema. Por que nada parece um problema? O que está dentro de mim ninguém sabe, mas a minha vida não tem que ser um problema. Pra ninguém. Claro que minha mãe discorda dessa minha última frase.

Um montão de coisas me entristece. Outras milhares que tiram o meu sono. Outro dia a minha filha estava chorando, e eu tentei consolá-la dizendo que eu estava aqui pra cuidar dela. E ela me perguntou: “E quem vai cuidar de você?”. Bem, minha família cuida de mim, da gente… Mas, no preto e branco, somos eu e ela. Mudar de casa se torna um problema quando eu deito na cama e não consigo dormir pensando nisso. Quando meu orçamento não dá e tenho que arrumar um jeito de me virar. Quando tenho que discutir com aquele atendente da minha TV por assinatura, porque a empresa está me roubando dinheiro, quando pago por um serviço e não tenho. Minha falta de sorte com homens vira um problema quando me sinto no meio do insípido vazio. Acho que, no final das contas, os problemas da minha vida são problemas apenas meus. Então, quando inevitavelmente preciso usar a velha frase “isso é um problema meu” é porque é verdade.

Há dois olhares aqui, e o que eu escolhi foi o primeiro. No entanto, uma escolha não anula a outra. As duas existem. Para você que me vê nas redes sociais, a minha vida é ótima. E é. E isso não tem nada a ver com dinheiro, status, vida amorosa ou essa aparente anestesia diante aos fatos. Ela é ótima a partir do momento que eu sei lidar com tudo isso, simplesmente porque é assim que tem que ser. Eu estou onde a paz me permite ficar. Não finjo felicidade. Não ensaio um sorriso. Talvez haja alguém que me ache triste. Há os dias que me acho triste, mas há pessoas que também só olham o que querem ver.

 

linhaDanielle Means .

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3 pensamentos sobre “Rolezinho pelo Facebook

  1. Não te acho nem de longe triste. Ser feliz o tempo todo é para os idiotas, mas boa parte do que nos faz chegar perto “dessa tal felicidade” é essa capacidade de saber lidar com aquelas pequenas (ou médias e até grandes) tragédias do cotidiano (que aliás, vc me ensinou que não devem ter mesmo muito espaço nas redes sociais).

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