Casamento: entre o eu e o nós

A maior parte das pessoas deseja encontrar um amor para dividir a vida e construir, mais do que um lar, uma família. Eu acho isso lindo. De verdade. A paixão é uma coisa boa. Amar e ser correspondido é maravilhoso e a vida pode ser melhor quando compartilhada. Mas tenho algo a dizer: a nossa jornada é individual e solitária, por mais que tenhamos pessoas ao nosso lado.

Podemos ter muitos amigos, uma família incrível, filhos extraordinários e um parceiro dos sonhos, mas a nossa vida é um problema nosso. E a vivenciamos sozinhos. Digo isso depois de ver muitas pessoas depositando no outro a responsabilidade pela sua felicidade. Esperando que os filhos cuidem deles, que o marido ou a mulher adivinhe seus desejos, que os amigos ajam como eles querem.

Muitas pessoas crescem convencidas de que a pessoa que escolheram para casar é responsável pela sua felicidade e depositam nela todas as expectativas. Depois, claro, se frustram pela incompetência do outro. Certamente nos preocupamos com a alegria e felicidade de quem amamos e fazemos o que está ao nosso alcance para manter uma relação feliz, saudável e satisfatória. E desejamos que seja recíproco.

Viver uma relação amorosa e feliz, no entanto, é perceber que um casal é composto do Eu e do Nós. Cada um dos membros do casal é um mundo inteiro e deve alimentar interesse individuais e em dupla. Ter momentos consigo mesmo e momentos a dois. Pode parecer loucura, mas o casal que cultiva interesses além da relação conjugal tem mais o que compartilhar e não responsabiliza o outro pela sua felicidade.

Ter momentos individuais não significa se envolver com outras pessoas, fazer coisas às escondidas ou algo que o parceiro desaprove. Significa continuar sendo você mesmo. Significa cultivar um hobby, ver os amigos, manter sua opinião mesmo que divergente, ir em algum lugar que o outro não gosta. Manter a individualidade mantêm a chama acesa.

Ao longo da vida amadurecemos, mudamos e aprendemos com as pessoas com as quais convivemos, inclusive o cônjuge. Mas isso não faz com que o casal vire uma só pessoa. E não há nada de mal nisso. Amor é para somar, não diminuir.

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  1. […] publicada no Amor Crônico em 01 de outubro de […]

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