Arquivo do autor:Giseli Rodrigues

O que não é amor

É difícil definir o que é amor. Já escrevi centenas de crônicas tentando, mas tenho a sensação de que não consegui descrever com exatidão, porque explicar, denominar e definir sentimentos não é algo simples e varia de pessoa para pessoa. Então hoje eu vou explicar o que não é amor. Mesmo quando parece.

Quando as pessoas precisam estar em algum relacionamento, pois têm medo de ficar sozinhas, acham que o correto é viver em uma relação amorosa e não gostam de fazer atividades sozinhas, provavelmente elas não amam o parceiro. Só são carentes mesmo. Da mesma maneira que se permanece ao lado de alguém por pensar que a é pior ficar sozinho, ela pode ser apenas insegura e dependente, não necessariamente amar o outro.

Sentir atração sexual é importante em uma relação amorosa, mas se vocês combinam apenas sexualmente, não há amor nessa relação. Há desejo. E, se por outro lado, você não tem o mínimo desejo pelo outro, apenas prazer em estar em sua companhia, pode ser que haja apenas amizade.

Coração disparado, voz ofegante, mãos trêmulas e suadas quando vai encontrar a pessoa, ou ouve sua voz, ou vê o nome dela no visor, não é amor. É paixão. Pode ser que um dia vire amor, alguns amores começam assim, mas ainda não é.

Se qualquer coisa vira uma briga interminável, seja dar uma notícia, exprimir sua opinião ou dividir um plano, por exemplo, provavelmente há ausência de amor. Pessoas que se amam não vivem constantemente com medo da reação do outro ou nem sabem como vai reagir.

Quando a pessoa não demonstra atenção, não se preocupa, não tem cuidado com o outro, nunca está presente para ajudar, ela não ama. Pode parecer clichê e talvez seja mesmo, mas quem ama se importa.

Se a pessoa com quem você está não se alegra com as suas conquistas, não torce pelo seu sucesso e quando algo bom acontece ainda se sente por baixo, ela não te ama. Talvez uma das mais genuínas demonstrações de amor seja ficar feliz pela felicidade do outro. Como se fosse sua.

É preciso aceitar também a realidade de que violência não é apenas agressão física. Conviver com alguém que te obriga a utilizar certas roupas, vigia seus passos, utiliza expressões pejorativas para se dirigir à você, diminui a sua autoestima, te obriga a manter relações sexuais são exemplos de violência.

Relacionamentos doentios e tóxicos são mais comuns do que imaginamos. Mas eu estou aqui para dizer que o amor é uma coisa boa. Se por alguma razão o que você está vivendo não é, vale pensar se é por uma situação pontual – doença, desemprego, problemas familiares – ou se o comportamento do companheiro sempre foi ruim, negativo e destrutivo.

Para viver e conhecer o amor que você merece, antes vai precisar se livrar de tudo o que não é amor.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

Faça a mágica durar

No início do relacionamento tudo é fantástico. As pessoas querem ficar juntas o tempo todo, mandam mensagens, compram presentes, escrevem cartões, dão um jeito de se encontrar apesar da louca rotina, fazem elogios, acham lindo (quase) tudo o que o outro faz, admiram o outro como ele é.

Passada a fase da conquista, a paixão vai dando lugar ao amor. O relacionamento vai se transformando, as pessoas não precisam mostrar apenas o seu lado bom nem se preocupar em agradar e conquistar o outro. E, com o passar do tempo, muitos casais começam a reclamar da rotina e sentem falta da magia do início de namoro.

O tempo não volta e o início de namoro nunca irá ser vivido novamente. Por isso mesmo é preciso curtir cada fase. Do relacionamento e da vida. Olhar para trás e ver o quanto caminharam, o que conquistaram, os planos que se realizaram, outros que mudaram no meio do caminho é algo tão bonito!

Perceber o quanto vocês mudaram como pessoas, que não são mais as mesmas de quando se apaixonaram, mas que escolhem estar juntos a cada dia é motivo de orgulho. E uma linda demonstração de amor. Sinal de que estão crescendo juntos, contribuindo um com o desenvolvimento do outro, que são parceiros e companheiros de vida.

Há beleza na rotina e amor nas coisas cotidianas. O amor permite que a gente olhe o outro com lentes de realidade. Enxergamos suas qualidades, mas conhecemos seus defeitos. Diferente da paixão, não vemos apenas o lado bom do outro nem o endeusamos.

Infelizmente muitas pessoas reclamam da rotina, do dia a dia, da convivência e preferiam viver sempre como se o amor estivesse começando. Sentem faltam das mãos geladas, do coração disparado, das surpresas. E reclamam que isso acabou, que o outro mudou, que o relacionamento não é como esperavam.

Será que essas pessoas se lembram das inseguranças, dos desencontros e dos desacertos que viveram até encontrar prazer em ser quem são ao lado de quem amam? Será que entendem que o amor se transforma, que as pessoas mudam e que mudamos também ao longo do tempo?

Por outro lado, viver ao lado de alguém durante muito tempo deve ser algo prazeroso. Não é porque conquistou que não vai mais se importar com que o outro pensa, com o que ele faz, deixar de elogiar ou não se declarar, por acreditar que o outro já sabe o que você sente. Em meio a tantos afazeres, obrigações e responsabilidades sempre dá para ser amoroso, afetivo e presente.

Independentemente do tempo que estão juntos, é possível fazer a magia durar. Nas pequenas coisas, como um café de manhã preparado com cuidado, uma mensagem enviada no meio do dia, um presente sem que seja dia de nada, uma declaração de amor.

O cuidado diário com a relação faz com que o dia a dia se torne mais leve, que os desentendimentos sejam tratados de maneira mais civilizada, que a rotina não seja um fardo e que viver junto de alguém seja algo que valha a pena.

Não reclame dos dias que não voltam mais. Experimente fazer com que os atuais sejam ainda mais bonitos, alegres, leves, cheios de significado e muito amor.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

Todo dia é dia dos namorados

Quando nos conhecemos eu seria capaz de jurar que o nosso relacionamento não seria nada além de um passatempo e alguns encontros casuais. Tenho certeza que você teria jurado o mesmo. Tudo que eu menos queria era me envolver com alguém naquele momento. E você também. Não levávamos muita fé na gente e ficamos ali, sem criar expectativas sobre um futuro a dois.

Como não temos controle sobre as coisas do coração, estamos juntos. Contrariando a expectativa de amigos, familiares e, principalmente, de nós mesmos. E hoje é o nosso oitavo dia dos namorados. Lembro-me do primeiro, em Santa Catarina. Naquele dia ainda não tínhamos assumido um namoro, não houve troca de presentes e não podemos dizer que foi um jantar romântico. Mas a viagem foi divertida e o jantar também, você lembra?

Aliás, naquele dia não poderíamos imaginar muitas outras coisas que estariam por vir. Quem de nós iria prever que aquela seria a primeira viagem de muitas? Que faríamos listas dos lugares que queremos visitar? Que iríamos viver sob o mesmo teto e teríamos uma casa decorada com vários objetos comprados em viagens? Nenhum de nós. Aquela viagem foi um prenúncio que não tivemos maturidade de compreender.

Já tivemos a oportunidade de comemorar o Valentine´s Day em Londres, lembra? Comemoramos por acaso, é verdade. Percebemos que tinha corações espalhados pela cidade, o restaurante estava todo decorado e tinha um cardápio especial. Foi uma noite alegre, divertida, teve boa comida e o melhor presente que poderíamos dar um ao outro: a felicidade de conhecer mais uma cidade do mundo em boa companhia.

Alguns dizem que o Dia dos Namorados é uma data meramente comercial, que não serve de nada, que é desnecessário, que é puro capitalismo. Eu respeito a opinião de cada um e a decisão de cada pessoa comemorar a seu modo. Ou não comemorar. Cada casal, sem dúvida alguma, tem suas próprias regras, seus rituais, seus acordos e suas próprias comemorações. Só que hoje em dia eu vejo graça e beleza na possibilidade de comemorar qualquer dia com você. E o Dia dos Namorados ganhou um significado para mim.

A data é importante para as pessoas que elas devem ser gentis, dar presentes, elogiar, agradar e surpreender quem se ama. E quem não tem oportunidade de fazer isso com frequência pode fazer nesse dia. Essas mesmas pessoas podem perceber que, ainda que exista uma data específica, podem fazer de vários outros dias do ano um dia especial, feliz e dos namorados.

Podem comemorar o Dia dos namorados aqueles que ainda não sabem se estão namorando ou não, como não soubemos um dia. Aqueles que já sabem que estão namorando. Os que estão noivos. Os que são casados. Porque cada 12 de junho é diferente um do outro e ganha um significado quando estamos com quem é importante para nós.

Existe dia dos namorados em todos os meses e em qualquer dia da semana. Quer exemplos? Quando você faz um jantar à luz de velas para me receber cansada, depois de uma aula estressante. Quando se arrisca a fazer um prato novo, pois sabe que eu adoro. Quando compramos algo que o outro gosta. Quando fazemos um elogio inesperado. Quando nos divertimos. Quando escrevemos um para o outro. Quando decidimos mais um destino de viagem. Quando eu resolvo assistir um filme que não gosto e fico lutando contra o sono.

Namorar é fazer pacto com a felicidade, independente do estado civil. E sabemos: a felicidade está nas pequenas coisas, o amor só floresce quando plantamos e o melhor lugar do mundo é ao lado de quem amamos, em qualquer dia do ano.

Feliz Dia dos Namorados!

Crônica publicada em 12 de junho de 2016.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , , , , ,

Eu não queria, mas…

Lembro com perfeição do dia em que nos conhecemos (e o achei super sério!), do dia em que esbarramos no banco enquanto íamos pagar contas (cena digna de novela!), do dia em que me convidou para sair (e o achei tão cara de pau!), do dia em que resolvi aceitar seu convite, do dia em saímos pela primeira vez.

Protagonizamos muitas cenas. Lindas, divertidas, alegres, cômicas, inflamadas, românticas, singelas. Só não sei em qual delas eu, tão dona de mim, não resisti e me entreguei. Hoje, aonde quer que eu vá, eu não quero ir sozinha – mesmo que saiba o caminho. E, quando não sei, tenho certeza de que será mais divertido me perder, para logo me encontrar, em sua companhia.

Você fez com que eu perdesse o medo. Medo de me envolver. Medo de amar. Medo de me entregar. Medo de me comprometer. Medo de sofrer. Um monte de “pequenos” medos que juntos, eram um só: medo de viver. Aprendi que evitar a dor e o sofrimento é possível, sim, mas dessa forma evitamos, também, o prazer e a felicidade.

Não sei o momento exato em que meu coração baixou a guarda e isso já não importa. Importa que gosto da sua voz. Das suas palavras. Do seu bom humor. Do seu senso de responsabilidade. Do seu sorriso. Da sua mania de organização. Do seu romantismo nada convencional. Da sua inteligência. Do seu beijo. Dos verbos que conjuga no plural. Da maneira como me acorda. Da forma como trata os amigos. Do modo educado e firme com que fala com as pessoas. Da sua objetividade. Da sua praticidade. Da sua espontaneidade.

Mas sabe do que eu mais gosto? Jura que não vai rir? Eu gosto mesmo é da pessoa que sou quando estou com você. De qualquer jeito. Do jeito que for. Porque você me entende. E me aceita. Bagunçada. Estabanada. Desastrada. Bem humorada. Mal humorada. Tepeêmica. Indecisa. Decidida. Implicante. Animada. Cansada. Preguiçosa. Ignorante. Intelectual. Sensata. Insensata. Equilibrada. Desequilibrada. Alegre. Triste. Menina. Mulher.

Ao seu lado eu posso ser eu mesma. De salto alto, sandálias havainas ou descalça. Penteada ou com cabelos desgrenhados. De biquíni ou vestido longo. Calma ou nervosa. Lendo Saramago ou revista Caras. Falando feito uma louca desvairada ou concentrada feito uma autista. Há maior felicidade de ser quem se é, sem medo de parecer ridículo?

Com você aprendi que não existe metade da laranja, tampa da panela, príncipe encantado, alma gêmea, mas, sim, pessoas que se completam – e se somam. Que decidem estar juntas, acreditam que se relacionar é possível, são verdadeiras com os seus sentimentos e se respeitam.

Por tudo isso, repenso a vida, a maneira como vejo o mundo, o modo com que me relaciono com as pessoas e fico com uma vontade enorme de ser cada dia melhor, porque você merece que eu seja o melhor de mim mesma. O que pode ser isso, se não o amor?

…agora quero cada dia mais!

P.S.: Esta crônica foi publicada no dia 20 de outubro de 2009, no Mulé Burra, site em que escrevia na época. Sete anos se passaram, a paixão virou amor, o namoro virou casamento e eu estou aqui para afirmar que o amor sempre vale a pena.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

A beleza está no bem querer

Quando criança minha avó costumava dizer frases das quais lembro até hoje e às vezes repito: “o saber não ocupa lugar”, “seguro morreu de velho”, “quem ama o feio bonito lhe parece”, “vão os anéis, ficam os dedos”, “beleza não põe mesa”, “a beleza está no bem querer”. Não quero escrever sobre ditados populares. Quero falar de beleza, atração física e amor.

É difícil explicar o porquê as pessoas se interessem umas pelas outras, o que faz com que olhem alguém e sintam atração. Quando desconhecidos se veem pela primeira vez é provável que o que chame atenção é a beleza, a aparência física. Mas isso não é só. Alguns admiram a voz, o jeito de andar, se encantam por alguém que nada tem a ver com o seu padrão de beleza e nem sabem explicar a razão.

Química? Sintonia? Estava escrito nas estrelas? Amor de outras vidas? São tantas as justificativas que dão a atração que as pessoas sentem umas pelas outras… talvez estejam todas corretas. Talvez estejam todas erradas. Talvez cada um de nós tenha a sua própria explicação. Mas eu acredito que o amor não nasce instantaneamente de um olhar e nem brota à primeira vista.

Às vezes nos deparamos com pessoas que conhecemos há anos em companhia de outras que jamais imaginaríamos. Totalmente diferentes do padrão de beleza que dizem gostar ou com comportamentos que não imaginávamos que fossem admirar. E elas estão lá apaixonadas, felizes, radiantes, transbordando felicidade. E, claro, ficamos felizes por elas também.

Pela maneira como as pessoas se olham, se tocam, se tratam, percebemos o quanto se amam. Que estão apaixonadas. Que são felizes juntas. E, sobretudo, que acham a pessoa amada a mais linda do mundo. E aí eu entendo o que minha avó queria dizer quando afirmava que a beleza está no bem querer.

A beleza não está na cor dos olhos, no peso, na altura, na maquiagem perfeita, nas roupas de grife, nos cabelos de comercial de shampoo, nas unhas bem-feitas, na barriga negativa. Longe de mim dizer que não devemos cuidar do nosso corpo e da nossa aparência. Quero dizer que quem ama vê além de um corpo, além de uma imagem refletida no espelho.

Como são lindas as pessoas que amamos! Mesmo que não estampem capas de revistas, não desfilem para marcas famosas e passem despercebidas para muitas pessoas. Elas nos querem bem – e queremos o bem delas também.

Para quem ama a beleza está no amor. No querer bem ao outro, no cuidado, na gentileza, na delicadeza, na demonstração de afeto. O coração vê o mundo com outras lentes.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: