Arquivo do autor:Giseli Rodrigues

O que você faz nas horas vagas?

O que você responde quando perguntam o que você faz nas horas vagas? Se me fizessem essa pergunta agora eu responderia “ir ao cinema, ler, assistir séries, correr, escrever, pintar” e qualquer outra coisa deste tipo.

Mas a verdade é que esta semana eu preenchi os meus dias de folga com milhares de afazeres. Ir ao médico, comprar remédio, ir ao supermercado, resolver problema na faculdade, atualizar documentos, e cheguei em casa exausta.

Isso me levou a refletir: será que eu não agendei tantas atividades para não ter um dia inteiro para mim? Sinceramente ainda não sei a resposta, mas com os dias tão abarrotados de afazeres, ter tempo livre pode gerar culpa. “Eu não deveria ter feito isso ao invés de pintar ou resolver tal coisa enquanto tirava um cochilo?”.

O tempo livro é visto como se fôssemos improdutivos. Todo mundo está fazendo alguma coisa, correndo de um lugar ao outro, andando atrasado, com pressa, resolvendo um problema. Diante disso contemplar, parar, pensar e simplesmente não fazer nada com nossas horas livres parece um desperdício de tempo.

Não há nada de errado em aproveitar o tempo que se tem para resolver pendências. Mas é importante dedicar um tempo a si mesmo. Praticando algum hobby ou, simplesmente, não fazendo nada. Nada. Absolutamente nada.

Da próxima vez que tiver um tempo livre resista ao impulso de marcar mil compromissos e chegar ao fim do dia ainda mais cansada do que se tivesse cumprido sua rotina normalmente. Aproveite. As horas que você desperdiçou não voltam mais.

Crônica publicada no blog pessoal de Giseli Rodrigues no dia 20 de agosto de 2019.

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Olhos que condenam

Cinco adolescentes do Harlem são injustamente acusados de um estupro no Central Park. Essa é a história da minissérie Olhos que condenam, baseada em uma história real, lançada pela Netflix em 31 de maio de 2019.

A série é um soco no estômago. Eu, que costumo chorar assistindo filmes e séries, não derramei uma lágrima, porque não é uma série emocionante. É revoltante. Causa raiva e indignação a cada cena. Toda vez que os meninos são obrigados a confessar o que não fizeram, quando são torturados, quando são acusados, julgados e encarcerados.

A série retrata uma situação que realmente aconteceu, em 1989, em Nova York, e nos faz refletir sobre a invisibilidade dos jovens negros, que historicamente, estão entre os que mais morrem e são encarcerados no mundo. E não dá para ignorar a realidade brasileira e pensar em quantas pessoas são acusadas injustamente e cumprem pena pelo que não cometeram.

O pesadelo vivido pelos cinco jovens Antron, Yuseff, Raymond e Kevin, condenados injustamente e absolvidos 13 anos depois, nos leva a refletir sobre preconceito, justiça, sistema carcerário. A série é necessária, pois conhecer histórias do passado e evitar que se repitam no futuro. Ou deveria.

Crônica publicada no blog pessoal de Giseli Rodrigues no dia 28 de agosto de 2019.

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Relações que esgotam as energias

Quando estamos comprometidos e apaixonados fazemos tudo que está ao nosso alcance para agradar, satisfazer as necessidades e deixar o outro feliz. Mas, para algumas pessoas, nada é suficiente. Estão sempre a reclamar, exigir um pouco mais e, por meio de manipulação, fazem com que o outro se sinta culpado, insuficiente e desvalorizado.

Pode ser que você nunca tenha vivido uma relação assim, mas provavelmente, conhece alguém que passou (ou passa!) por situações como essa. Por que isso acontece? Fomos educados a acreditar que se amamos uma pessoa e ela diz que nos ama, apesar do sofrimento que suas atitudes e comentários provocam, estamos em dívida por não fazer o outro feliz.

Geralmente essas relações não são equilibradas, de um lado tem alguém comprometido e disposto a fazer tudo para manter o outro feliz enquanto do outro lado existe alguém mais preocupado consigo mesmo, pouco disposto a satisfazer as necessidades da pessoa que está ao seu lado.

Mas não é fácil reconhecer que a pessoa com quem convivemos só quer fazer as coisas à sua maneira, independentemente do nosso bem-estar. Que o ser amado não está preocupado em conhecer e valorizar as nossas necessidades nem com a felicidade do relacionamento.

Manipuladores são inteligentes, preservam uma imagem simpática, afável, que dificultam que a pessoa que a pessoa manipulada exponha seus sentimentos, pois corre o risco de ser desacreditada. Portanto, mais do que prestar atenção nos comportamentos do parceiro, saiba como se sente em relação a eles.

Sente-se sufocado? Sempre triste? Sem energia? Com medo de desagradar? Preste atenção nas suas emoções. Observe os seus sentimentos. Em uma situação de tensão tente se colocar no lugar do outro e responda: o que você diria, quais escolhas faria? Existe dois pesos e duas medidas?

Uma relação cheia de manipulações gera esgotamento emocional e não contribui para o bem-estar físico e mental. Se a pessoa com quem você está suga as suas energias, procure ajuda profissional. O amor, ainda que tenha momentos difíceis, precisa ser bom.

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Assuma a sua responsabilidade

Para mim relacionamento, qualquer que seja ele, é compromisso e responsabilidade. Nos primeiros dias de vida os bebês precisam de alguém que os alimente, faça a higiene, mantenha a sua sobrevivência. Os pais, claro, fazem com amor, mas fazem porque são responsáveis. No trabalho precisamos cumprir horários, realizar atividades dentro do prazo, cuidar do trabalho que nos foi delegado. Poderia citar diversas outras formas de interações, mas quero falar da minha preferida: relação amorosa.

É fácil bater no peito e afirmar que não somos responsáveis pelo que o outro entende, só pelo que dizemos, culpar o outro pelo rumo da relação e não se preocupar com o próprio comportamento. Mas o que vejo, rotineiramente, é um bando de adulto mimado, que quer ver satisfeitas as suas vontades e não se preocupa com o outro. Pior: acha que o outro tem que atender seus caprichos.

Vamos por partes. Ninguém é responsável pela felicidade de ninguém. Por mais pessoas que tenhamos ao nosso lado, por melhor que seja para a saúde física e mental cultivar relacionamentos, somos sozinhos. E somos nós os responsáveis pela nossa própria felicidade. O outro não tem que nos fazer felizes. Nós é que temos.

Embora pareça que estou fugindo do assunto, e talvez esteja, eu quero dizer que, se não precisamos de alguém do lado para sermos felizes e temos, qual a dificuldade de assumir compromisso e se responsabilizar por isso? Falou algo que o outro interpretou diferente não custa esclarecer. Não custa falar o que quer ao invés de ficar fazendo o outro adivinhar. Não custa fazer sua parte, desde lavar a louça a compartilhar sentimentos.

Uma relação amorosa não é feita sozinha, é claro. É necessário que ambos queiram estar juntos, preocupem-se um com o outro, tenham empatia. Mas existem pessoas que não sabem o que querem e iniciam relações sem qualquer compromisso. Iludindo, ludibriando, envolvendo o outro em confusões que não dizem respeito a mais ninguém e depois reclamam que seus relacionamentos sempre dão errado.

Assuma a sua responsabilidade, aja com verdade, demonstre o que sente, comprometa-se. Se não quer um relacionamento não finja querer. Não trate o outro como um objeto na estante que você pode usar quando bem entender. Esteja de coração. Ou não esteja. Isso é ser responsável e comprometido. Com você mesmo e com o outro.

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Trair dá muito trabalho

A infidelidade continua sendo um dos principais problemas dos relacionamentos amorosos, levando a separação de muitos casais e, em alguns casos, aos consultórios para terapia de casal. Conhecemos diversos casos de infidelidade. Ou já vivenciamos algum.

Esta semana uma mulher me contou a causa de sua separação, ocorrida há alguns anos: chegou em casa e viu o seu marido com outra. A outra era a sua melhor amiga, também casada. Os casais saiam juntos, frequentavam a casa um dos outros e ela não desconfiou que estava sendo traída.

Eu imagino a decepção, a raiva, a falta de confiança nas pessoas depois de ser duplamente traída. Mas não é sobre isso que desejo falar. Eu quero falar do trabalho que as pessoas têm para enganar a outra, esconder um relacionamento durante meses ou anos. Da falta de ética que existe em uma relação extraconjugal.

Tenho dificuldade em entender o que leva uma pessoa comprometida a se envolver com outra, porque isso envolve algo que não acontece instantaneamente: escolha. Trair não é como tropeçar no meio da rua. É uma escolha consciente. Tanto é assim que existe até aplicativo para pessoas casadas traírem os seus parceiros.

Muitas pessoas, mesmo amando os seus companheiros e tendo uma relação satisfatória, encontram prazer em viver aventuras. Mas pessoas éticas têm dificuldade em entender isso. Pessoas que levam uma vida reta, que gostam de estar em dia, que têm medo de dar um passo em falso, que apreciam uma vida tranquila, simplesmente não conseguem entender isso.

Nesta mesma semana eu assisti o vídeo “Trair dá muito trabalho”, de Leandro Karnal, um trecho da sua palestra “Ética e o Brasil” e eu adorei. Compreendi a minha incapacidade de compreender a traição. Pessoas verdadeiramente éticas não conseguem trair. E, se traírem, não vão conseguir esconder.

Algumas pessoas não têm talento para dizer que estão em um lugar quando estão em outro, em alugar carro para ir no motel para que sua placa não seja vista, sacar dinheiro ao invés de usar o cartão para que o outro não veja uma compra suspeita, apagar todas as mensagens do whatsapp o tempo todo, criar perfil falso em redes sociais, ir em eventos com amante e ter que fugir das fotos. Trair, como Karnal fala, dá trabalho. E por mais que o tempo passe, há sempre a possibilidade de ser pego.

Algumas pessoas gostam da sorte de um amor tranquilo. Gostam de uma vida tranquila. Enquanto outras gostam da aventura e de adrenalina. Querem sempre mais e nunca estão satisfeitas com o que tem, inclusive no amor. Preferem o jeitinho, o caminho mais curto, a conquista mais fácil, mesmo que na verdade, seja mais trabalhoso, porque viver mentindo e tendo que lembrar das mentiras que inventou não deve ser fácil.

Que tipo de pessoa você é? Quanto vale o relacionamento que você vive? O que você pensa sobre infidelidade?

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