Arquivo do autor:Giseli Rodrigues

“Seu marido não te atrapalha?”

Como a maior parte das pessoas, eu tenho uma rotina atribulada. Acordo cedo todos os dias, trabalho, estudo, faço atividade física, sou mãe, casada e tenho afazeres domésticos. Como todo mundo. Ou não. Constantemente tem alguém para me perguntar: seu marido não te atrapalha?

Não sei se todas as mulheres ouvem o mesmo. Ou se os homens já ouviram isso uma vez. Mas eu ouço sempre. “Seu marido não atrapalha sua dieta?”, “seu marido não atrapalha você a fazer atividade física?”, “seu marido não atrapalha seus estudos?”. E, sinceramente: por que eu ficaria com alguém que atrapalha minha vida ao invés de ajudar?

Infelizmente, no entanto, são muitos os maridos que atrapalham os objetivos de suas parceiras. Chegam com uma caixa de bombom em casa quando justamente no dia em que a mulher começou a dieta, criam empecilhos para a mulher estudar, inventam barreiras para que trabalhe, agendam compromisso quando a mulher vai iniciar na academia, se recusam a ficar com o filho do casal quando a mulher precisa cumprir um compromisso.

Atitudes como estas são vistas com normalidade pela maior parte das pessoas que esperam que as mulheres abdiquem de suas vidas em detrimento do casamento, satisfaçam as vontades do marido, aceitem tudo o que eles fazem e estejam à disposição deles. Muitas mulheres ainda têm obrigação de chegar em casa depois de um dia exaustivo e esquentar a comida do marido, sentado no sofá jogando Playstation.

Por que conviver com alguém que dificulta sua rotina, atrapalha seus planos, não incentiva nem apoia as suas iniciativas? Existe amor quando a pessoa só atrapalha? Que não incentiva as mínimas coisas? Sobrecarrega o dia a dia do outro? Toma decisões sem se importar (ou até comunicar) ao parceiro? O amor não é egoísta. Quem ama verdadeiramente quer ver o outro feliz e contribui para que isso aconteça.

Não julgue normal estar com alguém que te atrapalha. Não é. Não pode ser. E em algum momento, ainda que você se acostume, irá se sentir mal. Peça ajuda. Não ache bonitinho um homem com ciúme de você ir para academia ou te enchendo te vinhos e bombons quando você disse que quer emagrecer. Quem não te ajuda, incentiva e apoia nas pequenas coisas não se comportará de maneira diferente em momentos mais importantes.

Case com alguém que contribua com a sua vida. Que faça a salada no seu primeiro dia de dieta. Que vista o tênis para correr com você. Que diga que você está linda. Que compre o livro da faculdade. Que pede uma pizza no dia em que ambos estão exaustos. Que fica feliz com a sua felicidade. Que vibra com as suas conquistas.

Amor é para somar. Para alegrar. Para encher de vida o coração.

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Amor em banho-maria

Acredito que todo mundo conhece alguém que vive uma relação que não ata nem desata, que não sabe ao certo o que é, que quando pensa que acabou o outro ressurge ou que, por alguma razão, não acaba. Isso acontece mais na juventude, quando as paixões são mais fugazes e as pessoas, principalmente os homens, gostam de ter sempre alguém “na estante”.

Por alguma razão algumas pessoas continuam se contentando com menos do que merecem, se sujeitando a ser segunda opção na vida de alguém ou cedendo sempre às vontades do outro e não às suas. O amado desaparece, não liga, marca encontro e desmarca em cima da hora, mas a pessoa permanece à disposição dias, meses ou até anos.

Quem aceita uma relação que nunca vai adiante, a qual não é dada uma denominação, em que não se sabe o que pode ou não cobrar, que parece que chegou ao fim e recomeça, desperdiça a oportunidade de conhecer pessoas que têm interesse em viver um relacionamento sem altos e baixos, sem esconde-esconde, sem incertezas.

O problema da paixão é que ela não é algo simples e racional. Muitas vezes, apaixonadas, as pessoas aceitam coisas que jamais aceitariam em sã consciência. E em uma relação em banho-maria ficam esperando que o outro tome uma decisão, que mude de comportamento, que o status do relacionamento seja definido. Em vão.

Por pior que seja levar um não, ouvir que que o outro não tem interesse em construir um relacionamento ou que o amor chegou ao fim e deseja terminar, acredite: é melhor do que viver em uma eterna indecisão, a angústia da espera e viver estagnado em uma relação que não existe.

Se hoje você vive um amor em banho-maria, que você não sabe exatamente o que é, e está satisfeito com isso, tudo bem. Mas se não está permita-se desejar mais, colocar os pontos nos is, explicitar o que deseja. E, se tiverem interesses divergentes, ainda que sofra, termine e vá em busque do amor que merece.

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Viva o hoje

A maioria das pessoas tem dificuldade em viver o presente. Ou pensam demasiadamente no que fizeram ou deixaram de fazer no passado ou se preocupam com o futuro. Lidar com as responsabilidades do dia a dia, as consequências das próprias decisões e planejar o futuro exige um equilíbrio que não temos – ou não temos o tempo todo.

O excesso de passado ou de futuro talvez seja uma das razões de tanta depressão e crise de ansiedade, os males do nosso tempo. Se martirizar pelo que já aconteceu ou sofrer por antecipação pode ser mais comum para algumas pessoas do que para outras, mas, certamente, todos nós já vivemos essas experiências e sabemos que não é boa.

Sofrer por antecipação por algo que não temos controle e não depende exclusivamente de nós pode fazer com que a gente sofra duas vezes – uma antes e outra quando o que temíamos acontece – ou que soframos em vão. Quando nos imaginamos em determinada situação e nos preocupamos com ela estamos vivendo todas as sensações – positivas e negativas – como se fossem realmente reais.

Por que viver o hoje, o agora, o presente, é tão difícil? Muitas vezes deixamos de aproveitar a família, os amigos, cuidar da nossa saúde física e mental, prestar atenção ao que acontece a nossa volta e nos entregar de corpo e alma acreditando que daremos atenção a nós mesmos e a quem amamos quando conquistarmos nosso objetivo – seja ele qual for.

Sofrendo pelo passado ou tentando prever o futuro, deixamos de estar, de corpo e alma, no tempo presente. O único que realmente podemos viver integralmente. Que dia você quer viver hoje? Que lembranças deseja ter sobre o dia de hoje? Que experiência você está adiando? O que deixou de dizer?

Por mais que seja difícil, concentre-se no agora. Procure viver o hoje. Evite sofrer pelo futuro que ainda não chegou. Às vezes, dependendo do período que esteja vivendo, você não vai conseguir. E tudo bem. Mas se você nunca consegue procure ajuda profissional para conquistar o equilíbrio emocional necessário para não sofrer pelo que não pode mudar nem pelo que ainda não aconteceu.

O que você está vivendo hoje? O tempo que já passou ou aquele que nem chegou?

Crônica publicada no blog de Giseli Rodrigues no dia 27 de novembro de 2018.

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Comunicação no relacionamento amoroso

Por mais felizes e perfeitos que os casais possam parecer eles discutem, se desentendem, se magoam e se frustram. Quem faz uma crítica deseja resolver um problema, melhorar a relação, expor o que sente, constantemente acaba gerando desconforto, discussão e vontade, por parte do outro, de se defender.

A comunicação é muito importante em todo relacionamento, mas em uma relação amorosa é ainda mais. Como dizer o que desagrada sem ferir? Como ser claro em relação aos seus sentimentos? Como demonstrar insatisfação com alguma situação? De que forma apontar o que lhe magoa sem fazer exigências?

Quem ama discute. Não tem jeito.  Discutimos com os pais, irmãos, amigos, filhos e parceiro amoroso. Uns mais do que os outros, claro. E alguns vivem brigando constantemente, pois não conseguem compreender ou se fazer compreender, o que é muito desgastante, gera enorme tristeza e afasta ainda mais o casal.

Apontar os erros do outro e lançar mão de frases como “você faze sempre isso ou aquilo”, “nunca posso contar com você”, “sabia que você faria isso”, além de fazer com que a pessoa se defenda e o acuse de várias outras coisas, afinal, você não é o cúmulo da perfeição, contribui para que o desentendimento não seja resolvido. E se agrave ainda mais.

Transformar críticas em necessidades é uma ótima alternativa para expor seus sentimentos e demonstrar o que causa desconforto. Se o parceiro chega tarde toda sexta-feira, porque toma chopp com os amigos, por exemplo, ao invés de dizer “toda semana você me deixa sozinha”, experimente “sinto a sua falta, me sinto sozinha”.

Compartilhar sentimentos é muito difícil, pois muitas vezes nem os reconhecemos, mas expressá-los ao invés de exigir comportamentos é uma maneira de manifestar necessidades sem desrespeitar, ironizar e humilhar o companheiro.

Dificilmente somos assertivos em nossa comunicação e não expressamos bem nossas necessidades. Permitimos que a raiva nos domine, escondemos o que queremos e nos sentimos frágeis ao permitir que o outro olhe quem somos – verdadeiramente. Não aprendemos a falar e nos expressar adequadamente ao longo da vida e lidamos com a comunicação como fonte de poder, onde um fala e outro atende, um diz e o outro concorda ou não, onde sempre tem quem vença uma discussão.

A comunicação não precisa ser uma arma em meio a uma batalha. Dialogar, ouvir, aceitar as necessidades do outro e as nossas fazem com que os desentendimentos e momentos de discórdia proporcionem crescimento e aproximem ainda mais os parceiros.

Para quem deseja melhorar a comunicação indico a leitura do livro “Comunicação não-violenta”, de Marshall B. Rosenberg. O livro é um manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Ensina o leitor a transformar padrões de pensamento que conduzem a discussões, raiva e depressão; resolver seus conflitos com os outros pacificamente; criar relacionamentos interpessoais baseados em respeito mútuo, compaixão e cooperação.

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Os danos da impulsividade

Eu não sou e nunca fui uma pessoa impulsiva. Penso muito antes de agir, remoo um pensamento ou sentimento por muito tempo até tomar uma decisão e não escolho recompensas imediatas em detrimento de um bem maior ou uma responsabilidade que assumi. Tenho medo de me arrepender depois, tenho medo de correr riscos, medo de errar e falhar.

É claro que ser como eu também gera frustrações. Por medo de perder, errar e falhar já perdi algumas oportunidades e me arrependi do que deixei de fazer. Mas, ainda assim, prefiro as dores de ser comedida a lidar com os danos vividos pelas pessoas impulsivas, que não têm controle de suas ações, põe suas vidas em riscos, não medem as consequências dos seus atos e sofrem constantemente por não conseguir fazer o que queriam.

Pessoas impulsivas prejudicam suas relações afetivas e profissionais. Gastam mais do que ganham, não conseguem esperar o dia seguinte para resolver uma situação, não pensam no que falam, tomam decisões sem pensar nas consequências, bebem além do limite, estão em uma festa e não vão embora mesmo tendo um compromisso na manhã seguinte.

Geralmente perdem o compromisso e se arrependem, traem o parceiro e se arrependem, falam o que não deveriam e se arrependem, pedem demissão num rompante e se arrependem, adiam a conclusão de projetos e se arrependem, se envolvem em uma briga e se arrependem. O que traz uma sensação de fracasso, mal-estar, culpa e vergonha.

Pensar demais antes de agir pode ser ruim, mas não pensar é muito pior. Aprender a dominar impulsos, avaliar as consequências dos próprios atos e pensar antes de agir é muito importante para conquistar uma vida feliz, viver em harmonia e alcançar objetivos. Se você é uma pessoa impulsiva precisa compreender em que situações se deixa levar sem pensar, quando a impulsividade prejudica a sua vida e se ela é resultado de ansiedade, nervosismo, medo. Ou qualquer outro sentimento.

É possível se tornar uma pessoa ponderada e consciente. Mas isso requer um esforço diário. Nas pequenas situações do dia a dia. Não responder a uma provocação imediatamente, não comprar só porque está na promoção, sair cedo de uma festa para arcar com um compromisso no dia seguinte, vencer a preguiça de dormir mais um pouco para fazer atividade física tão prometida, não responder de forma grosseira um colega de trabalho petulante.

Às vezes pessoas impulsivas não conseguem encontrar um equilíbrio sozinhas e precisam buscar ajuda profissional. E estão certíssimas. O tempo não volta atrás. Tudo que foi feito não pode ser corrigido, mas é preciso lidar com as consequências das nossas decisões da melhor maneira possível. E isso pode ser aprendido.

Se suas decisões causam mais mal-estar do que prazer, se constantemente se arrepende de determinada ação e percebe que seus objetivos poderiam ser alcançados se agisse de maneira mais ponderada, mude. Sempre é tempo de parar e recomeçar a caminhada de uma maneira diferente.

Não seja sua própria destruição.

Crônica publicada em 18 de novembro de 2018 no blog de Giseli Rodrigues.

 

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