Arquivo do autor:Giseli Rodrigues

Amor e Carnaval

Eu não sou – e nunca fui – a mais animada das foliãs. O que não significa que não goste de Carnaval. Torço pela Portela e pela Viradouro, respeito todo o trabalho dedicado às escolas de samba durante o ano inteiro. Carnaval é arte, é crítica, é resistência, é cultura, é samba. Mas também é frevo, axé, funk. E o feriado é bom para todo mundo. Para quem gosta de se jogar nos blocos, desfilar nas escolas de samba, ficar em casa, viajar, ir para um retiro espiritual, colocar as séries em dia, estudar. Não importa.

Mas este texto não é uma crítica sobre carnaval nem sobre feriado. É uma tentativa de escrever sobre amor em tempos de carnaval. Conheço muitas histórias de casais que se conheceram nesta época, se apaixonaram e formaram uma família. Conheço outros que se separaram, algumas vezes por motivos fúteis, porque um deles queria curtir os dias a sós. Assim como conheço pessoas que curtiam Carnaval, desfilavam em escolas de samba, iam a blocos, mas deixaram de festejar por terem se casado com quem não, simplesmente, não gosta de “bagunça”.

Sobre terminar para festejar os dias sozinho não há muito o que dizer: falta interesse pela pessoa, não é mesmo? Que apaixonado abdica da oportunidade de ficar vários dias com quem faz seu coração vibrar? Conhecer alguém em meio aos festejos eu acho lindo. De verdade. Meu coração canceriano fica feliz com histórias de amor, ainda mais quando acontecem em momentos que a maioria diz ser improvável.

Já pessoas que deixam de curtir o Carnaval, porque o companheiro não gosta eu acho tão triste! Ouvi recentemente de uma senhora com mais de setenta anos: “eu gostava muito de carnaval, mas meu marido nunca gostou e desde então não fui mais”. Eu sei que a vida muda e muitas vezes não é possível colocar o bloco na rua, ou não como antes. Crianças pequenas, por exemplo, exigem um tipo atenção, tem uma rotina e, claro, deixam os pais cansados. Mesmo aqueles que sempre pularam dias seguidos podem curtir de maneira diferente neste período. Mas a vida toda?

Imagina: você gosta de chocolate, mas não pode comer nunca mais, porque seu marido não gosta. Não faz sentido. Seria bem mais fácil se as pessoas se apaixonassem por quem gosta das mesmas coisas, mas nem sempre isso acontece. Por que é tão difícil conciliar os gostos, respeitar as diferenças e fazer os dois felizes? Por que um tem que abrir mão totalmente do que sempre gostou para fazer a relação ir adiante?

Como você aproveita estes dias de folia? Se refugia bem longe das festas? Se enche de purpurina da cabeça aos pés? Torce por alguma escola de samba? Está buscando um amor no carnaval? Quer continuar sem um par ou já tem um há vários carnavais? Seja como for, aproveite com muita alegria e amor, porque, como todos sabem, “todo carnaval tem seu fim.”

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Alma gêmea

Alma gêmea, metade da laranja, nascidos um para o outro, destinos traçados na maternidade. A maior parte das pessoas, quando se apaixona, quer acreditar que o seu romance estava escrito nas estrelas, é mágico, especial e único. E isso torna tudo mais bonito, não é mesmo?

Não podemos negar que o amor é, sim, uma grande potência. Mas almas gêmeas são construídas dia a após dia. Toda empolgação do começo muitas vezes não dá em nada. E por diversas razões: havia só interesse de conquistar, as pessoas não estavam sendo verdadeiras, mas, sobretudo, muitas pessoas não estão dispostas a investir em uma relação.

Você até pode gostar de alguém à primeira vista e no primeiro encontro jurar que encontrou a pessoa certa, mas, para ter certeza, vai precisar encontrar outras vezes. Vai precisar investir seu tempo, abrir suas emoções, se envolver e permitir que o outro faça o mesmo.

Mas até que ponto as pessoas que reclamam que não encontram sua cara metade desejam viver um relacionamento longo? Somos educados a acreditar que vivemos melhor quando acompanhados, que todos devem se casar, ter filhos e constituir uma família. E por isso muitos procuram um grande amor. Não todos. Alguns, ainda que digam que sim, têm dificuldade de construir relações.

Por mais que o mundo tenha mudado, algumas pessoas permanecem casadas, ainda que infelizes, para não serem consideradas fracassadas diante de uma separação. E muitas nem chegam a criara vínculos duradouros com medo de dar errado. Ou porque não encontraram alguém que valha a pena compartilhar a vida.

Alma gêmea existe. Desde que você compreenda que ela é uma pessoa comum, com qualidades e defeitos, sem dons especiais e sem poderes mágicos. É uma dessas tantas pessoas loucas que, apesar de tanto ódio no mundo, apesar de tantas decepções e desilusões, continua acreditando que o amor vale a pena. E sempre valerá.

Você é uma alma gêmea?

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Deixe o amor entrar

A maior parte das pessoas quer encontrar um grande amor e viver um relacionamento duradouro, mas, depois de algumas decepções, ainda que não tenham desistido, o coração, cheio de cicatrizes, está mais endurecido.

Como confiar em alguém depois de ter sido traído? Como se entregar novamente depois de ter sido magoado? Viver deixa marcas, não tem jeito. E, infelizmente, momentos dolorosos também fazem parte da nossa história. E, se existe um lado bom nisso, quando se trata de relação amorosa, as experiências nos levam a errar menos das próximas vezes.

Não acredite que você “tem dedo podre”, que não sabe escolher, que se envolve somente com quem não presta, pois não merece coisa melhor e que relacionamento amoroso não é para você. E, se identificar que, realmente, escolhe sempre o mesmo perfil, procure terapia. Sério. Às vezes é importante saber o porquê nos sabotamos, inclusive no amor.

Cedo ou tarde, o amor vai surgir na sua vida novamente, mas você não irá perceber se não tiver aberto a isso. Se, cheio de mágoas e rancores, não der uma chance para conhecer alguém que está disposto a fazer parte da sua vida.

Eu sei que, em meio a tanto ódio e violência, é difícil acreditar nas pessoas e permitir conhecê-las. Mas existe muita gente boa nesse mundo. Gente disposta a amar, a compartilhar, a contribuir, a somar. A construir uma relação saudável e feliz.

Você não precisa insistir em relações infelizes nem aceitar qualquer tipo de relacionamento para por medo de ficar só. Ame-se. Aprecie sua própria companhia. Saiba o valor que tem. Faça programas que lhe agradem. Viva. É mais fácil identificar alguém que vale a pena quando não está buscando alguém para ser feliz. Ninguém é responsável pela sua felicidade a não ser você mesmo.

E, quando o amor chegar, deixe ele entrar.

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Os opostos se atraem?

Todos nós já ouvimos, em algum momento da vida, que os opostos se atraem e, possivelmente, muitas pessoas acreditam nessa crença. Mas a verdade é que quando se trata de relacionamentos amorosos, tendemos a fica com quem se parece conosco. E não sou eu que estou dizendo, mas a ciência.

Na série “Explicando o Sexo”, exibida na Netflix, há um capítulo que fala sobre isso, mas basta pesquisar no google que encontraremos diversos artigos e pesquisas mostrando que nos sentimos atraídos por pessoas com as quais compartilhamos características em comum, desde a aparência física a valores e comportamentos.

Quando se trata de amor não existe regras e pessoas completamente diferentes uma das outras podem construir laços duradouros. O mais comum, no entanto, é se envolver, se apaixonar e permanecer com quem temos afinidade, interesses e objetivos comuns. E não é difícil entender o porquê: confiamos em quem tem os mesmos valores, chegamos em consenso com mais facilidade com quem compartilha dos mesmos objetivos e o dia a dia se torna mais simples.

Com a convivência as similaridades aumentam e são descobertas novas semelhanças e, claro, algumas diferenças. Ninguém é cópia de ninguém e, em qualquer relacionamento haverá divergência. Mas, independente do número de diferenças e semelhanças, é importante cultivar os pontos em comum, criar rituais a dois e celebrar as conquistas.

Então, entenda: se você está procurando um mozão para chamar de seu, pode não ser boa ideia buscar pelo seu oposto. Dê uma chance a quem tem gostos, valores, ideais e objetivos de vida parecidos com os seus. E essa pessoa pode estar nos lugares que você mais frequenta: seu trabalho, faculdade, reunião de amigos.

Os apostos podem se atrair, mas os similares se conectam.

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Boas festas

Eu gosto da ideia de ciclos, de renovação, de ter esperança de que tudo vai ser melhor do que é – presentes nesta época do ano. Mas o choque de realidade que vivi em 2019 me ensinou que todos os dias são iguais. Depois de meia noite e o que muda? Nada. Absolutamente nada. Estamos ali diante dos mesmos problemas, dilemas, reflexões e esperanças.

Isso não é um texto pessimista. Ou não deveria. É uma tentativa de dizer que devemos celebrar mais a vida e não aguardar por datas festivas para marcar o encontro com as amigas, ver aquele parente distante, comer o que gosta, presentear quem você ama.

2019 não foi bom para quase ninguém e, claro, a maioria de nós quer se ver livre dele. Eu sou uma dessas pessoas. Creio, de todo coração, que não vou viver um ano tão ruim quanto esse e, que se fui capaz de sobreviver a este ano, darei conta de enfrentar os desafios que vão surgir. E isso é o que desejo a todos: força para enfrentar o que vier.

Desejo também que não façam confraternizações por obrigação, que não comprem roupas novas para desfilar para os outros, que não deem presentes e fiquem endividados, que não façam doações esperando reconhecimento. Que todos possam ser verdadeiros com os outros e consigo mesmo. Que deem e recebam abraços e beijos sinceros. E, se ganharem presentes, que tenham sido comprados com carinho e amor.

Feliz Natal e bom ano novo!

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