Arquivo do autor:Giseli Rodrigues

Desenvolvendo a resiliência

Eu queria ter coisas bonitas e frases amorosas para escrever, mas como todas as pessoas – se não a maioria – eu ando no limite. É difícil estar vivendo num país que se tornou o epicentro da pandemia no mundo, com milhares de pessoas morrendo diariamente, pessoas próximas doentes e sem perspectiva de que as coisas melhorem em breve.

Confesso que ficar em casa é a única coisa boa disso tudo. Sinto-me segura aqui. E, como boa canceriana, permanecer em casa não é um problema, e sim um verdadeiro prazer. Nem sei como vai ser para me adaptar de novo a uma rotina de transporte público diariamente. Sofro por antecedência. Mas isso é o de menos, né? Lá na frente eu me acostumo de novo.

Todas as pessoas passam por situações difíceis e hoje estamos todos juntos passando por essa pandemia. Cada um de uma maneira e, sem dúvida, é mais traumatizante para uns do que para outros. Perdi um tio e isso me faz ter muito medo da doença. Tem gente que ficou internada ou perdeu vários familiares. E, como se tão pudesse ser pior, num país onde governantes riem das mortes, minimizam a doença, indicam remédios sem comprovação científica, bradam contra a vacina, nossa única esperança concreta até agora.

Todo dia parece o mesmo dia. Vocês têm essa sensação? A pandemia tem testado a nossa resiliência, porque a gente precisa se adaptar, fazer um esforço e seguir em frente. E ser resiliente é a única coisa que precisamos neste momento, já que não podemos ir contra tudo e todos e mudar o que está acontecendo. Mas como desenvolver a resiliência em meio a esse cenário caótico?

  1. Desabafe sobre seus sentimentos

Estamos longe, fisicamente, dos familiares e amigos, mas nada impede de pedir apoio e contar com eles para desabafar, trocar experiências e confidências. É importante ter em quem confiar e pedir ajuda de vez em quando. É uma necessidade humana se sentir amado e amparado e, principalmente numa pandemia, não dá para ficar esperando que os outros percebam nossas fragilidades e medo se muitas vezes estão distantes.

  • Tenha flexibilidade

A verdade é: não podemos mudar o cenário que estamos vivendo. Diante disso, como podemos reagir? Eu não sou uma pessoa good vibes, não estou aqui para dizer que sairemos melhores depois dessa pandemia, que é um aprendizado, que estamos vivendo uma oportunidade. Milhares de pessoas morrendo por dia. Desemprego nas alturas. Pessoas próximas adoecendo. Ou morrendo. A única coisa que podemos fazer é a nossa parte: se puder, fique em casa. Se precisar sair se proteja. Estimule a vacinação dos idosos que conhece, se vacine quando chegar sua vez. E faça com que sua casa seja um bom ambiente para trabalhar, estudar, se exercitar e passar os dias com a sua família.

  • Controle a ansiedade

Cada pessoa tem a sua própria forma de lidar com a ansiedade, mas há comprovação de que é saudável ter uma rotina. A vida lá fora está um caos e incontrolável. Crie uma rotina possível e tente incluir a prática de exercício físico, meditação, realização de algum hobby para ajudar a abstrair os problemas e enfrentar as adversidades. Ter uma alimentação equilibrada e dormir bem também são fundamentais. Mas tudo bem não conseguir fazer tudo. Faça o que for possível dentro da sua realidade. Um dia de cada vez.

  • Reconheça a sua força

Pense que ao longo da vida você passou por outras situações adversas. E sobreviveu. Esse momento sombrio, triste, incerto e caótico irá passar. E continuaremos aqui, firmes e fortes. Tudo que vivemos hoje será transformado em passado, em história que contaremos aos mais jovens.

Eu sei que a pandemia tem sido um teste para a nossa resiliência, mas mas não há outra maneira a não ser seguir em frente. Do jeito que dá. Do jeito que conseguimos. Do jeito que pudermos. Uma hora vai passar.

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Almas gêmeas são construídas

Cada relacionamento amoroso oferece uma oportunidade de estabelecer uma união real e profunda, mas só iremos descobrir se somos capazes de construí-la depois que a paixão inicial termina. Quem vive uma relação duradoura (ou já viveu) sabe disso. Só a paixão, ou mesmo o amor, não é suficiente para manter as pessoas unidas.

Por isso eu gosto de falar sobre almas gêmeas. Há quem acredite que a pessoa amada está predestinada a ela, que o destino irá colocar alguém especial em seu caminho, que existe a tal metade da laranja, amor de outras vidas, alma gêmea. Eu acredito em parte:  acredito que almas gêmeas são construídas. Todos os dias.

Eu assistia The Good Place e em um dos episódios fala exatamente isso: que as pessoas se conhecem, têm uma boa sintonia e começam a trabalhar construindo um relacionamento. Começam a trabalhar. Amor não é mágica. É trabalho. Quando a gente ama se preocupa, está disponível, assume um compromisso.

O amor não é como nos sentimos em relação ao outro, mas como nos comportamos. E isso muda tudo. Mais do que dizer “eu te amo”, que para muitos é algo difícil, é demonstrar isso nas ações cotidianas, porque uma das principais tarefas do amor é prestar atenção no outro. Por ações não entenda dar presentes, mandar bilhetes, fazer surpresas. É mais do que isso.

Vemos muitas pessoas afirmando que querem um relacionamento duradouro, reclamando que hoje em dia ninguém quer um compromisso sério, mas que se comportam de maneira desrespeitosa, distante e descompromissada quando encontram a alguém. Ninguém sustenta uma relação sozinho, claro. Mas não dá para reclamar se você não faz a sua parte.

Sua alma gêmea não vai cair do céu. Ela está andando por aí distraída, até que vocês se encontrem, tenham uma boa sintonia e trabalhem muito para construir uma história de amor. E vai valer a pena.

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Cure-se para amar novamente

Nem todo amor dura para sempre. A maioria das relações amorosas são eternas enquanto duram, como já escreveu o poeta. E ainda bem. Hoje as pessoas são livres para permanecerem juntas ou não – o que é muito bom – e se responsabilizarem por suas escolhas. Estamos todos de acordo que não vale a pena viver uma relação que não faz bem.

Dito isso é importante dizer que, quando um amor acaba, não acaba da mesma forma para as pessoas envolvidas. Um ainda pode estar apaixonado, outro magoado, um deles já se envolveu com alguém e o outro não. Términos são sempre difíceis, mesmo quando acompanhado daquele papo “somo bons amigos, não estamos mais juntos, mas nos respeitamos.”

Terminar uma relação é, de certa maneira, viver um luto. A vida que construíram juntos deixa de existir e outra vai passar a existir. Algumas pessoas ficam perdidas, o que é compreensível e absolutamente normal, porque todo uma rotina precisa ser esquecida.  E como esquecer depois de tanto tempo compartilhando uma vida em comum?

Quem já terminou uma relação, e nem precisa ser um casamento, sabe o quanto é doloroso. Ou você ainda gosta da pessoa ou a pessoa ainda gosta de você ou aconteceu tanto coisa que só resta dor e tristeza onde deveria ser só amor e paixão. Não há nada de errado em chorar, dizer que nunca mais quer saber de ninguém, pedir colo aos amigos, sofrer comendo brigadeiro em frente a tv. Aliás, se você está vivendo a dor de uma relação que terminou, permita-se sofrer.

Não adianta ir para as redes sociais posar de alegre, fazer posts motivacionais, ir de bar em bar, frequentar todas as festas e resolver ficar com todo mundo para esconder seus sentimentos. Você não está escondendo seus sentimentos dos outros, mas de você mesmo. Até porque, gente recém-separada que apaga as fotos de ex e começa a publicar indiretas e exibir alegria é tão comum que às vezes nem conhecemos direito as pessoas e logo sabemos: terminou o relacionamento.

Cada pessoa lida com a dor de uma maneira, é verdade. Mas é preciso lidar com ela. Não tente fingir que ela não existe. Depois de um tempo as coisas se ajeitam. E se não se ajeitarem, procure ajuda profissional, mas se cuide. Se você não cuidar do seu coração, não refletir sobre a relação que viveu, não se permitir viver os seus sentimentos, provavelmente terá dificuldade para refazer sua vida e até se relacionar novamente.

E o que acontece quando um coração mal curado encontra um novo amor? A possibilidade de viver outra relação malsucedida, porque ninguém tem a obrigação de curar ninguém. Relações adultas são construídas por pessoas inteiras. Cure-se antes de se envolver com alguém que nem imagina as dores pelas quais você está passando.

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Quantas pessoas você inspirou e nem sabe?

Quando eu ainda fazia a minha primeira graduação, lembro que minha mãe chegou em casa toda feliz e orgulhosa, porque uma vizinha, que tinha feito o antigo curso Normal, dava aulas há anos, era mais velha, casada e com filhos, resolveu fazer vestibular (e passou!) depois de ter conversado comigo. Eu lembro da conversa que tivemos, ela dizendo que já era velha para iniciar um curso universitário, que fazer vestibular depois de tantos anos seria difícil e eu rebatendo suas frases sem imaginar que seria o estímulo que faltava para ela recomeçar os estudos.

Até hoje me pego pensando nessa história, porque, neste caso, eu tive a oportunidade de saber que incentivei alguém. Mas quantas pessoas inspiramos e nem sabemos? Quantas pessoas nos inspiram e nem contamos a elas? Um dos melhores educadores de educação física que conheço fala com frequência “a palavra convence, o exemplo arrasta”. Acho que a frase não é dele, mas pouco importa. Importa que ela é verdadeira.

Quem tem filhos sabe que o exemplo educa – ou deseduca. Mas somos exemplo para quem pouco convivemos ou nem sequer conhecemos. Um livro que você divulga nas redes sociais pode criar um leitor, suas fotos fazendo exercícios físicos pode estimular a alguém a deixar o sedentarismo, uma receita que compartilha pode estar sendo feita agora em outra casa.

Uma conversa despretensiosa pode despertar sentimentos que você nem imagina. Foi assim o meu reencontro com o Tae Kwon Do. Eu fazia hidroginástica com uma turma muito animada e uma senhora que admiro muito iniciou uma conversa sobre qual atividade gostava mais de praticar. Ela gosta de dançar, cada um falou o que mais gostava até que ela me perguntou: e você? Lembrei que, na adolescência, adorava praticar arte marcial e no mesmo dia entrei em contato com o professor para ver se tinha disponibilidade para me dar aulas.

Neste caso eu contei a ela que aquela conversa me incentivou a voltar a fazer Tae Kwon Do. Assim como falei para a tia de uma amiga, que me deu um gibi da turma da Mônica quando eu estava na alfabetização, que aquele gesto me fez gostar de ler e querer escrever. Mas nem todos dizem. Até porque as pessoas podem ser incentivadas por quem nem conhecem. Um bate-papo com desconhecido numa fila, a leitura de uma matéria de jornal, o post de alguém na rede social.

O que eu quero dizer é que todos os dias influenciamos e somos influenciados. Mesmo que a gente não se dê conta disso, pessoas são tocadas pelo que dizemos ou fazemos. Com maior ou menor intensidade. Podem ficar alegres ou magoadas, se sentirem acolhidas ou desrespeitadas, desestimuladas ou incentivadas.

O que você quer transmitir? Que tipo de comportamento ou atitude gostaria de incentivar? Como gostaria de ser visto pelo outro? Não estou dizendo que temos que nos preocupar com tudo que falamos e nos responsabilizar pelo que cada pessoa sente na nossa presença. Quero dizer que você pode nem saber, mas neste exato momento tem gente se inspirando em você.

Que modelo você quer ser?

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