Arquivo do autor:Danielle Means

Rolezinho pelo Facebook

Esse Facebook é uma caixinha linda, cheia de inspiração, não é verdade? Eu aqui reclamando que não tenho mais inspiração para escrever, e o Facebook só floresce. Diariamente temos toda qualidade de frases, pensamentos, indiretas, política, estupidez, ostentação, cada um dono da mais perfeita verdade. E o que nos sobra? Falar de tudo isso, claro.

Entretanto, este não é um texto sobre redes sociais. Mas, é tanta gente falando de amor, felicidade, sorte… é tanta fórmula pronta, que você já não faz a menor ideia onde elas se encaixam. O passado nos ensina, o passado deve ser deixado para trás, não dê prioridade para quem te tem como opção, felicidade é o caminho, o mundo é injusto para quem é bom, Deus está no comando, o gigante acordou, o gigante dormiu, e eu aqui me perguntando o que faço de mim com tanta informação.

Pra começar, gosto de organizar minha vida de modo que ela me proporcione o que mais prezo: a paz. As pessoas que me conhecem normalmente têm a impressão de que eu não preciso de coisa alguma. Não sou de reclamar de nada além do óbvio: o calor, atendimento de telemarketing, bancos, dificuldades no trabalho, algum problema doméstico, enfim. Há milhares de coisas que eu gostaria de fazer, comprar, realizar, mas o fato de (ainda) não conseguir, não é um problema. Preciso mudar de casa, porque não estou satisfeita aqui, mas isso também não é um problema. Minha falta de sorte com os homens também não é um problema. Por que nada parece um problema? O que está dentro de mim ninguém sabe, mas a minha vida não tem que ser um problema. Pra ninguém. Claro que minha mãe discorda dessa minha última frase.

Um montão de coisas me entristece. Outras milhares que tiram o meu sono. Outro dia a minha filha estava chorando, e eu tentei consolá-la dizendo que eu estava aqui pra cuidar dela. E ela me perguntou: “E quem vai cuidar de você?”. Bem, minha família cuida de mim, da gente… Mas, no preto e branco, somos eu e ela. Mudar de casa se torna um problema quando eu deito na cama e não consigo dormir pensando nisso. Quando meu orçamento não dá e tenho que arrumar um jeito de me virar. Quando tenho que discutir com aquele atendente da minha TV por assinatura, porque a empresa está me roubando dinheiro, quando pago por um serviço e não tenho. Minha falta de sorte com homens vira um problema quando me sinto no meio do insípido vazio. Acho que, no final das contas, os problemas da minha vida são problemas apenas meus. Então, quando inevitavelmente preciso usar a velha frase “isso é um problema meu” é porque é verdade.

Há dois olhares aqui, e o que eu escolhi foi o primeiro. No entanto, uma escolha não anula a outra. As duas existem. Para você que me vê nas redes sociais, a minha vida é ótima. E é. E isso não tem nada a ver com dinheiro, status, vida amorosa ou essa aparente anestesia diante aos fatos. Ela é ótima a partir do momento que eu sei lidar com tudo isso, simplesmente porque é assim que tem que ser. Eu estou onde a paz me permite ficar. Não finjo felicidade. Não ensaio um sorriso. Talvez haja alguém que me ache triste. Há os dias que me acho triste, mas há pessoas que também só olham o que querem ver.

 

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Ser ou não ser

A gente vive reclamando do que cobram da gente. E o namorado? E o casamento? E os filhos? E o emprego? E o cabelo? E a saúde? Vai vestir isso? Vai aceitar aquilo? Tanta gente se metendo na sua vida, sem você perguntar p*rra nenhuma… Mas, e você? O que você cobra de você? O que você precisa ser para se sentir você? Quem você é?

Eu preciso ser uma mulher de 40 anos, com carinha de 30. Ok, 35, no máximo, porque 90% das minhas amizades e 100% dos meus romances têm menos, ou bem menos, que meus lindos 40.

Preciso ser mãe solteira, com carinha só de solteira. Ter 40 anos, ser mãe AND solteira, envelhece.

Preciso me sentir atraente, porque ser mãe, solteira AND ter 40 anos, mexe com meu ego.

Preciso sair com a minha filha e fazer com que a mochilinha rosa, o band-aid de bichinho ou o lacinho da Barbie façam parte do visual, sem parecer ridícula.

Queria taaaanto ser uma mulher que veste 40, agora aos 40. Mas, esse é um exemplo de que nem sempre a gente consegue tudo o que quer, mas consegue ser feliz com os quilos a mais que tem.

Preciso ser uma mulher que saiba falar sobre tudo. E ouvir de tudo. Só não gosto de ouvir a mesma coisa várias vezes, e pela mesma pessoa.

Todos os dias preciso beijar, agarrar, abraçar, morder, apertar e dizer “mamãe te ama muuuuito”. Essa parte é assim, tipo, que nem respirar.

Tudo na minha vida precisa ser definido. Tudo precisa de um lugar. Aqui ficam as calças, aqui os sapatos, aqui a bagunça. Você é meu amigo, você é meu ex e você é eterno enquanto dure. Tudo assim na estante.

Preciso de pessoas diferentes de mim. Não há nada mais irritante do que lidar com meus defeitos.

Não preciso falar o que penso… Só o que sinto. Mas, acho que isso está mudando. O silêncio tem várias palavras.

Preciso não ser o centro das atenções.

Preciso escrever. Preciso de inspiração. Aliás, onde está você, linda? Sinto sua falta.

Preciso falar com Deus antes de dormir.

Precisada estou de dinheiro, de férias num lugar maravilhoso e de alguns mimos.

Já pararam de me cobrar tantas coisas. As tias já desistiram de ir ao meu casamento, consequentemente minha filha não precisa de um irmãozinho e ando pegando mais leve comigo mesma.

Ser eu não é nada fácil. Mas, já foi pior. Bem pior.

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Por que a gente é assim?

As mulheres quando se tornam mulheres amam Cazuza. Mulheres que têm necessidade de conciliar alma, corpo, coração. Mulheres sensíveis, frágeis, fortes, sensuais, pretensiosas. Mulheres que amam e desamam. Mulheres amadas, odiadas, verdadeiras, mentirosas, desbocadas, cínicas, amáveis, amigas, inimigas. Mulheres que dizem sim. Mulheres que brigam, que choram, que se lamentam, que sorriem, que beijam, que mordem, que gritam.

Cazuza canta para quem está vivo. Para quem tem defeitos. Para quem é rico. Para quem é pobre. Para os miseráveis. Para quem vive um dia de cada vez. Para quem o tempo não para.

Em linhas revelo minhas paixões, conto minhas histórias sinceras. Dias que nascem felizes. Amores de cinema. Versões novas, de velhas histórias. Problemas com um coração que não sabe falar. Desejos secretos. Dias de chuva. Dias de choro. Inconstâncias. Inconsequências. As perguntas que me faço. Que me respondo. E tudo aquilo que eu deveria esquecer, mas que o corpo ou o coração me fazem lembrar.

Amo Cazuza, e suas tantas formas de saber o que eu sinto. As vezes que preciso dizer que te amo, e aquelas que já não te amo mais.

Porque eu sou assim.

Meus textos não são poéticos. Eu não teria criatividade para ser tão bonita. Mas ando irremediavelmente sentimental, e incondicionalmente brega.

E sem o menor senso de direção.

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Means

É Marina
É eu
É Marina e eu
É eu e Marina
É Rio
É Cazuza
É ler
É escrever
É a lápis
É ouvir
É falar
É sentir
É amar
É saudade boa
É saudade que dói
É o mesmo de sempre
É o diferente
É a chuva
É a lua
É medo do mar
Mas é a Marina
É eu
É Marina e eu
É mãe e filha
É eu e Marina.

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Procura-se um amor que NÃO goste de cachorros

Porque eu não aguento mais essa alergia me mantando.
Passei os três últimos dias de cama, gripada, cheia de crise alérgica. Por causa de cachorros? Não, mas se eu tivesse um, seria muito pior. Muito.

Dentre tosse, nariz entupido, espirros e tudo mais, estávamos eu e minha solidão divagando sobre toda existência do planeta. A pia cheia de louça, o cesto de roupa suja transbordando e zero comida no fogão. Eu e minha enorme vontade de ficar sozinha, estávamos muito sozinhas, precisando de um amor para nos mimar, e, pelo menos, quem sabe, lavar a louça. Daí eu quis muito um amor. Ah, o amor…

Homens adoram cachorros com a mesma intensidade que eu não preciso deles. Dos cachorros. Eu não quero cachorros, não quero mais filhos, não quero mais louça pra lavar. Não quero mais roupa espalhada, não quero ter que arrumar mais bagunça e discutir afazeres domésticos. Não quero dividir contas. A casa é minha, a bagunça é minha e hoje não quero conversar. Ah! Também quero dormir sozinha. Por quê? Alguém precisa de motivo pra querer dormir sozinha?

Mas, ainda quero um amor. Ah, o amor… Um amor só para ser amor.

Os homens na minha vida se dividem entre: os chatos e os infiéis. Os chatos são que nem aqueles cachorros carentes, que precisam de você para tudo. Adoram chantagem emocional. Você tem que abdicar de tudo que ele abdicou por você, com o detalhe que você NÃO PEDIU. Ele não vai jogar bola com os amigos, não tem o dia do chopp, enfim, ele não tem nenhum outro brinquedo e só quer brincar com você. Consequentemente, você só pode brincar com ele. Já com os infiéis, Deus me faz pagar toda essa brincadeira. Eles não têm ética alguma. Tudo vira-lata. Têm vários dias de futebol, vários chopps, vários brinquedos novos. A gente fica lá no fundo da caixa, enlouquecendo, espumando de ódio.

Já me perguntei se na verdade eu não quero um amor pra hora que eu tiver com vontade de brincar. A gente vai lá, ama um pouquinho e depois guarda.

Quem vê até acredita que eu seja tão desprendida assim. Sou carente, me apaixono todo dia, sou chorona, dramática e acho que o amor vence todas as barreiras, inclusive alérgicas. Cachorros de raça, vira-latas, alergia, mau humor, chatice, dor na coluna… Acho que tudo o amor dá jeito. Sério. O problema é que amar alguém do nosso número tá, digamos, difícil pra caralho.

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