Arquivo do autor:Patrícia Rodrigues

Sê criativo: a mente brinca

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Muitos livros são convites para o leitor sair do papel de espectador e encher seus pulmões de energia necessária para brilhar, tomar posse de seu lugar no palco e integrar o espetáculo da loucura do viver. Dentre eles – Ser Criativo: O Poder da Improvisação na Vida e na Arte, de Stephen Nachmanovitch. Considero este livro uma poesia composta por pitadas de entusiasmos e o vejo como uma mão estendida que fala: não tenha medo, se joga!

Depois de ler e reler o Ser Criativo, pensei e repensei sobre o tema e, por fim, divaguei sobre tantos aplausos à miséria e aos ícones que se consagram, de tempos em tempos, enquanto muitos assopram suas próprias chamas, esquecendo-se, talvez, de suas originais cores vibrantes, temendo o brilho próprio e enaltecendo o alheio, que por sua vez também só é chama pelo enaltecer daquele que desistiu de subir no palco da vida, aceitando migalhas de uma vida morna, morta e bege.

Nachmanovitch relata que a mente criativa brinca com os objetos que ama. O pintor, por exemplo, brinca com a cor e o espaço. O músico brinca com o som e o silêncio. Eros brinca com os amantes. Para ele, brincar é ter o espírito livre para explorar, ser e fazer por prazer. A musa mais poderosa, que é a nossa criança interior, é lembrada neste livro. Essa musa é inquieta, questionadora. Indaga sempre: o que, de fato, faz seu coração bater mais forte? O que almeja e não faz? O que será que permanece na sombra?

O autor, que não esquece de discorrer sobre os bloqueios à criatividade, relata que “a lição mais simples desta vida – e ao mesmo tempo a que nos escapa com maior facilidade – é aprender a ouvir a voz da intuição”. E complementa que quando falamos de confiar em nossas vísceras, é de intuição que estamos a falar como base na tomada de decisões.

Numa vida criativa não há ponto de chegada porque é uma jornada para dentro da alma. O processo criativo é uma aventura que fala de nós, de nosso ser mais profundo, do criador que existe em cada um.

Será que se cada um respeitasse seu próprio brilho, enalteceria tanto o brilho alheio? Será que enriqueceríamos um mísero nicho? Divagações… inquietações… Falta o despertar dessa escuta à própria voz interior? Falta o reconhecimento do monstruoso potencial que habita cada um de nós, residentes do mesmo espaço insano? O que está sendo aplaudido com mais frequência?

Aqui o que cabe são perguntas para inesgotáveis respostas. Que há estrelas cintilantes que desfilam nessa terra não há incertezas. Essas são alimentadas cotidianamente. E Ser Criativo é deixar de aplaudir só porque os outros aplaudem, é deixar de ser bege, é ir de encontro ao que o próprio coração bate mais forte. Ser Criativo é ser original, viver em consonância com os próprios gostos. É não seguir a moda, é mudar a vírgula de lugar, é inventar palavras ou reinventá-las!

A arte da vida talvez consista em Ser Criativo e não descartar os poemas contidos em cada dia. Folheando as páginas desse livro encontrei uma citação de William Carlos Williams que diz: “Não é fácil encontrar novidades em poemas; mas os homens morrem miseravelmente todos os dias por falta do que neles existe.”

Carece-se de poesia, meu caro, repara! Repara bem antes de morrer miseravelmente pela falta de embriaguez que a poesia provoca e cria a tua vida!

Por Patrícia Rodrigues

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Entre laços e nós

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Entre tantos,

quanto nó virou laço,

quanto laço virou nó.

Quanto laço

não virou nós,

quanto nó

não virou nós!

Entre tanto laço e nó,

Embaraço e desembaraço!

Quanto nó que dói…

Entretanto, por enquanto, enquanto canto,

enquanto danço e enquanto vivo,

quero laço sem embaraço.

Enquanto choro de dó do nó,

quero desatar um nó pra virar nós!

Nós com laço de cetim dourado.

Por Patrícia Rodrigues

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