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Ligue para a amante dele

Pretty young woman using mobile phone

Após ler a crônica “Devo ligar para a amante dele?”, uma amiga minha contou que namorou durante um ano um cara super fofo e bonzinho, apresentou sua família, colocaram status de relacionamento sério no facebook e um ano depois descobriu que ELA era a outra. Ela só descobriu depois que a mulher com quem ele namorava terminou com ele, justamente por descobrir que ele a traía. Ele, obviamente, manteria relacionamento com as duas se uma não tivesse descoberto sobre a outra.

Chocada, decepcionada e estarrecida, a minha amiga ligou para a outra mulher. Descobriu que o homem bonzinho, apaixonado e que tinha conquistado todos os seus amigos e familiares namorava há dois anos quando se envolveu com ela. Como ele fazia para gerenciar dois relacionamentos simultâneos? Para minha amiga dizia que era dia de ficar com os filhos e para a outra que tinha trabalho ou curso.

Durante uma viagem ao exterior que ele fez com a primeira namorada, inventou para a minha amiga que tinha um curso para fazer. Mandava fotos todos os dias, escrevia mensagens apaixonadas dizendo que estava com saudades e gerenciava com maestria as opções de privacidade do facebook para eu as fotos com a namorada não fossem vistas por minha amiga e todos os contatos da sua rede.

Continuo defendendo a opinião de que a amante não é responsável pela traição. Mesmo quando sabe que o homem é comprometido, é ele quem deve respeitar o relacionamento que tem. Mas agora acho válido conversar com a outra mulher e saber exatamente o que aconteceu. Muitas vezes a amante é outra mulher iludida e enganada que desconhece ter se intrometido no relacionamento de alguém.

Quando querem trair os homens são mestres em mentira, teatro e simulação. Para que não se façam de vítimas, justifiquem seus atos inventando outras histórias para encobrir o que realmente aconteceu e você acabe por perdoar acreditando estar louca, ligue para a outra.

Não xingue, não ameace, não agrida. Converse. Pergunte. Esclareça as coisas. Na história da minha amiga, a primeira namorada, ao descobrir que tinha sido traída, acreditava que ela sabia do relacionamento deles. E ela nem desconfiava! Não se tornaram amigas, mas descobriram que ambas foram enganadas, que não tiveram culpa e deixaram para trás o romance com o homem que amavam.

Normalmente vemos mulheres se odiando, chamando umas às outras de vadias, destruidoras de lares, acusando que não podem ver um homem comprometido, enquanto os homens são perdoados e continuam infiéis. Enquanto as mulheres estão se estapeando – literalmente ou não – o homem já está feliz nos braços de outra, inventando histórias para a companheira atual.

Muitos homens administram vários relacionamentos ao mesmo tempo, têm mais de uma família, sem que uma mulher saiba da outra. Nem desconfie. Se continuarmos alimentando a rivalidade feminina, acreditando que o homem é fraco, tem mais desejo que a mulher, não consegue resistir a uma tentação e fica com outra porque ela se insinuou, criamos mentiras para nós mesmas.

O homem trai porque quer. E é sempre culpado por ter sido infiel a sua companheira.

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Devo ligar para a amante dele?

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Como mulher eu entendo o desespero feminino de querer saber quem é a amante, o que ela tem, como conheceu o seu marido/namorado/noivo, o que ele fala para outra a seu respeito, se é mais bonita, mais feia, mais inteligente, mais bem sucedida. Mas, se quer um conselho: não ligue. Não foi ela quem te traiu e quem deve explicações. É o seu companheiro.

A outra não é puta, não é destruidora de lares, não é vadia, não é caçadora de homens. E não obrigou o seu parceiro a ficar com ela. Ele ficou porque quis. Foi ele, não ela, que teve o sangue frio de lhe contar histórias mentirosas, marcar encontros às escondidas e se declarar para outra mulher enquanto se declarava para você também.

Independente da maneira que você descobriu, eu imagino a sua dor. Viu um e-mail, uma notificação no celular, alguém contou, você viu, desconfiou e foi atrás, não interessa. Dói igual. E não doeria menos se ele tivesse tido coragem de contar, colocar tudo em pratos limpos e conversar sobre a situação. Traição é falta de ética, de respeito, de consideração pelo outro. É egoísmo, é irresponsabilidade.

O que fazer com essa descoberta? Esfregar na cara dele, fazer um escândalo, terminar o relacionamento? Eu não sei. Pode ser tudo isso ou nenhuma das opções. Mas a menos indicada é, sem dúvida, ligar para a amante, xingá-la, acusá-la de ter dado em cima do seu marido. Porque, mesmo se ela tenha se insinuado, chamado para sair, mandado bilhetes, adicionado nas redes sociais, eles não teriam tido um caso se ele não quisesse.

Adoro os ditados populares e um deles diz que “quando um não quer dois não brigam”. Entendeu? Ela não é culpada. Ela não tem e nunca teve compromisso com você. É falta de empatia se relacionar com um homem comprometido? É sim. Eu acho pelo menos. Mas quem deveria te respeitar, antes de qualquer outra pessoa, era o seu marido. A pessoa que você escolheu para viver ao seu lado.

Então, não ligue para a amante dele. O que você vai falar? O que quer saber? Será que não vai se sentir ainda mais humilhada e dilacerada? Há alguma coisa que ela vai te dizer que seu marido não tem condições de responder? Mas, como se conselho fosse bom ninguém dava, vendia, quem quer ligar vai ligar e ponto.

Nesse caso, por gentileza: não xingue, não agrida, não ameace. Ela é apenas mais uma mulher, como tantas, que tem o direito de ficar com quem quiser. E você precisa aceitar isso. Já li e ouvi histórias de mulheres que terminaram os relacionamentos com o traidor, mas ficaram amigas da amante. No final das contas, as amantes também eram mulheres enganadas. Ou não sabiam que o homem era comprometido ou ele inventava que havia terminado ou que já estavam em vias de se separar. Tem de tudo neste mundo.

Mantenha a cabeça fria e tenha controle emocional. Que é tudo que a gente precisa para lidar com qualquer problema e situação adversa. E não faça nada na hora da raiva. A fúria nos impede de enxergar com clareza. Só traz mais dor e sofrimento. Respire. Pense. Espere. Respire e pense novamente.

Conheço pessoas que terminaram os relacionamentos depois de serem traídas e outras que resolveram dar uma chance para o companheiro e para si mesma. Mas só você, e mais ninguém, pode decidir o melhor caminho a seguir. Inclusive se deve ou não ligar para a amante antes de tomar uma decisão. Apesar de todas as minhas justificativas para que não faça isso.

Crônica publicada originalmente no blog de Giseli Rodrigues no dia 18 de janeiro de 2017.

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Alice, uma mulher traída

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Ela estava tão triste que sua alma doía. Não conseguia se concentrar em nada e foi andar sem rumo pela rua até que encontrou um bar aparentemente vazio e entrou. Sentou-se num canto, escondida, e lia mais uma vez aquelas folhas impressas, cujas mensagens já havia decorado.

“Sinto saudade do seu corpo, não vejo a hora de te encontrar, estou morrendo de saudades, penso em você todos os dias, não canso de olhar suas fotos, olho para o céu e imagino você aqui comigo, neste final de semana conseguiremos matar a saudade, me sinto cada vez mais ligado a você, mesmo distante estou sempre perto, você faz muita falta”, eram as frases contidas naquelas folhas já amassadas.

A cada palavra que lia ela chorava mais um pouco. As lágrimas molhavam as folhas, já enrugadas. Olhava o celular, lia o cardápio e se voltava para as folhas novamente, com as letras já borradas de tantas lágrimas. Mas, ainda que as palavras se apagassem, ela já tinha decorado cada frase, cada mensagem, cada declaração de amor.

Pediu uma caipirinha. Depois outra. Perdeu as contas de quantas bebera. Não sabia mais se era dia ou noite. O telefone tocava e ela ignorava. Lia novamente as folhas que trouxera e chorava. Cada vez mais alto. Cada vez mais profundo. E tanto que parecia não haver mais lágrimas. Mas ainda havia secreção nasal misturada ao seu desespero. Que caiam sobre as folhas, as suas companheiras.

Agora Alice sabia.

Tinha invadido a privacidade do seu namorado, mexeu nos e-mails e descobriu que tinha sido traída. Mais de uma vez. Estavam lá todas as mensagens de amor. Iguais as que ele muitas vezes escrevera para ela. E como ela muitas vezes respondera para ele. Mas não eram mensagens para ela. E não eram suas respostas para ele.

– Posso ajudar em alguma coisa?, perguntou aflito o garçom.

– Mais uma caipirinha, por favor. Hoje o meu namorado morreu, respondeu Alice.

– Sinto muito, disse ele enquanto virava as costas para pegar mais uma caipirinha.

Alice era só tristeza, incerteza e dúvida. “Quem procura acha” era a frase que martelava em sua mente. Já estava arrependida de ter vasculhado as coisas da pessoa que amava. Preferia não ter sabido. Assim estaria feliz agora, alienada, sem saber que dividia ele com outras. Mas já não tinha como voltar atrás.

Agora Alice sabia.

E, porque sabia não sabia o que fazer. Contar que invadiu o e-mail? Esfregar na cara dele aquelas folhas enrugadas? Exigir um pedido de desculpas? Terminar tudo sem que ele soubesse o por quê? Ou continuar com aquele homem mentiroso e infiel, mas que ela amava mesmo depois de ter lido tantas declarações de amor para as outras?

O rosto dela estava vermelho de tanto chorar e qualquer um que a visse poderia jurar que tinha morrido alguém que ela amava muito. E morrera. O homem carinhoso, que lhe fez juras de amor, prometeu fidelidade e com quem ela fez planos para o futuro deixou de existir desde o momento em que ela abriu o e-mail, se deparou com as mensagens e leu cada uma das frases de amor para as outras.

Agora Alice sabia.

E porque sabia não sabia o que fazer. A dúvida a atormentava, porque, independente da decisão que viria tomar, aquele homem que ela amava não existia. Não da maneira que ela pensou que existisse. Morreu. Mesmo que continuasse vivo. Mesmo que continuasse com ela.

Agora Alice sabia.

E descobriu que felizes são aqueles que preferem não saber.

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Não infernize a amante

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A verdade é que histórias de traição conhecemos aos montes. Ou pior: já vivenciamos. Quem se propõe a viver um amor monogâmico e foi enganado pelo parceiro sabe a dor que é. É perder um pouco a fé na humanidade. É ter sua autoestima abalada. É perder a confiança nas pessoas. É acreditar que o amor não vale a pena. É se culpar por ter se dedicado a uma pessoa que te desrespeitou.

É muito doloroso ouvir “eu te amo” num dia e descobrir uma traição no outro. E ficamos ali, atordoadas, com um monte de perguntas sem resposta. Por que fui traída? O que eu fiz de errado? Quem é essa mulher? É bonita? É feia? Inteligente? Como se conheceram? Ficaram juntos uma vez ou várias? O que gostam de fazer? Ela sabe que ele é comprometido?

Ainda que nenhuma resposta mude absolutamente nada do que aconteceu ou o sentimento de humilhação de quem foi enganado, compreendo que as mulheres, além de uma dor enorme, sintam uma vontade gigantesca de saber quem é a outra. A rival. A amante. A destruidora de lares. A puta. A vadia. Aquela que repentinamente veio descolorir seus sonhos de amor perfeito e esfregar na sua cara que o homem que você escolheu é um homem como qualquer outro. E que nós mesmas somos uma mulher como tantas, passíveis de serem traídas e enganadas.

Se você foi traída tenho um conselho: por mais raiva e tristeza que esteja sentindo direcione seus maus sentimentos para a pessoa que te traiu. Diferente do que deseja acreditar, a outra não é puta, não é destruidora de lares, não é vadia, não é caçadora de homens. E não obrigou o seu parceiro a ficar com ela. Ele ficou porque quis. E foi ele, não ela, que teve o sangue frio de lhe contar histórias mentirosas, marcar encontros às escondidas e se declarar para outra mulher enquanto se declarava para você também.

A outra pode ter sido enganada também, vale ressaltar. Ele pode ter escondido a aliança que vocês escolheram com tanto carinho. Pode ter inventado que o relacionamento de vocês estava muito mal. Ou ter dito que já estavam separados. Há a possibilidade de que ele tenha dito a verdade e a outra tenha aceitado embarcar nessa relação assim mesmo. Mas se ela não é sua melhor amiga, irmã ou mãe, só ele, e mais ninguém, tem culpa.

A amante é uma mulher como nós. Nem melhor, nem pior. Precisamos aceitar isso. E, assim, de uma vez por todas, parar de justificar os erros dos homens que amamos. Você não foi traída porque está acima do peso, porque deixou de fazer unha nessa semana, porque faltou com atenção, porque não comprou uma calcinha nova, porque não quis experimentar uma posição sexual diferente, porque foi grossa num dia, porque não comprou um presente, porque o relacionamento caiu na rotina. A culpa não é sua.

Arrisco afirmar que você estava sendo fiel, se dedicando ao relacionamento, acreditando que havia finalmente encontrado alguém digno de confiança e fazendo sua parte para que a história de amor tivesse um final feliz. Foi o seu companheiro que traiu você. Não a mulher com quem ele saiu – ou ainda está saindo.

Não são as amantes que nos faltam com respeito. É doloroso demais admitir isso quando já estamos machucadas e tudo que queremos é transferir a responsabilidade para alguém. Mas culpá-las é injusto, inútil e imaturo. Não foram elas que nos fizeram promessas, juras de amor e entre lençóis afirmaram que não teriam mais ninguém nessa vida.

A sociedade em que vivemos nos ensinou a justificar todos os erros dos homens. Fez com que pensássemos que eles são ingênuos, imaturos, agem por instinto, precisam mais de sexo do que as mulheres e se traiu foi culpa da companheira, que não deve ter dado amor suficiente, sexo suficiente, companheirismo suficiente.

Ou seja: quando um homem trai sua parceria a responsabilidade é sempre da mulher. Seja ela a companheira ou amante. E isso não está certo. Se quiser dar continuidade ao relacionamento, passar por cima do orgulho e dar um voto de confiança ao homem que foi desleal com você, faça isso. Se quiser dar um basta, pôr um ponto final e viver outra relação, faça isso. Cada um é livre para assumir suas escolhas e se responsabilizar pelas consequências.

Só não infernize a vida da amante. Não era ela que tinha – ou tem – um relacionamento com você.

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