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O amor cria raízes

Várias pessoas passam por nossa vida, mas poucas permanecem. Pessoas que dão sentido a nossa existência, fazem a nossa vida ganhar sentido, tornam nossos dias mais alegres, coloridos e especiais são raras. Aquelas que mesmo longe estão próximas, com as quais nos importamos verdadeiramente, que conhecem mais de nós do que nós mesmos devem ser preservadas. Podem ser familiares, amigos ou cônjuge. Porque para cada tipo de relacionamento há um tipo de amor.

É difícil descrever o amor e explicar como ele nasce dentro de nós. Mas quando a gente sente a gente sabe. E ele vai criando raízes cada vez mais profundas, nos faz sentir vivos e nos deixa dependentes. Uma dependência boa. Que faz com que a gente torça pela felicidade do outro, se preocupe com o seu bem-estar, queira comemorar as conquistas, compartilhe momentos alegres e tristes.

Nem todos os irmãos são próximos, nem todos os primos são amigos, nem todos os familiares se amam de maneira plena, sadia e enriquecedora. Laços sanguíneos não são suficientes para determinar laços de amor. O amor não tem tipo sanguíneo ou sobrenome. O amor é mais do que isso. É um encontro de almas. Nasce da similaridade, das ideias em comum, do respeito ao próximo, da convivência.

A cada momento compartilhado, encontro marcado, experiência vivida, ficamos mais dependentes do outro. Ficamos mais próximos de quem amamos e, independente de verbalizar o que sentimos, somos capazes de demonstrar e fazer com que o outro sinta. As raízes vão ficando cada vez mais fortes.

O amor é mais do que palavras. É ficar à vontade na presença do outro. É falar por horas ou estar em silêncio e ser compreendido. É sair correndo para atender um chamado. Ou falar que não vai e tudo bem. O amor é dependência, mas não sacrifício. Porque quando amamos somos dependentes por vontade.

Para o amor criar raízes, no entanto, é preciso cuidar. Não há amor que perdure quando as pessoas não se importam com ele.

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Quem te deu essa intimidade?

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Depois de um tempo, com a afinidade e convivência, vem a tão falada intimidade. É bom ser o que é.  Sem teatro, sem medo, sem frescuras. Compartilhar, conversar, falar o que lhe agrada ou não com todas as letras. E, sinceramente, avaliando sob este aspecto, não posso concordar que a intimidade seja algo ruim.

Quando se trata de um relacionamento amoroso, se não nos sentimos seguros, seja para pedir ajuda, manifestar uma opinião, compartilhar um segredo ou, simplesmente, contar as coisas do dia a dia, da TPM a um problema familiar, não há intimidade. E, desconfio, nem relacionamento.

A intimidade é, inclusive, um dos maiores estimulantes para a vida sexual. Intimidade essa que alguns casais conseguem imediatamente, outros não conseguem nunca, mas a maioria consegue com o dia a dia, a convivência e o passar dos anos. Porque não faz sentido, nem deve ter muita graça, dividir a cama com alguém com quem não nos sentimos à vontade.

Para tornar-se íntimo é preciso muito mais do que desejo ou paixão, é preciso coragem. Admitir fraquezas, se expor, manifestar os sentimentos e permitir que alguém nos conheça, quando o mundo insiste em dizer que devemos nos fechar em nós mesmos e não revelar nossos sentimentos para ninguém, é um ato de coragem. Intimidade é vínculo. E criar vínculo exige tempo, paciência, convivência e amor.

É compreensível que muitas pessoas temam a intimidade. Ela desnuda a alma. Os que nos são íntimos entendem nossa expressão facial, questionam a testa franzida, sabem o que nos arranca suspiros e gargalhadas ou o que nos debulha em lágrimas. Porque os íntimos nos conhecem.

A intimidade permite que, diante do outro, sejamos o que somos. E nada mais. Recitamos poesia e usamos termos chulos. Ouvimos música clássica e não escondemos a paixão por letras bregas. Lemos José Saramago e revista Caras. Usamos salto alto e sandálias havaianas. Comemos em restaurante chique e nos atracamos com um Big Mac sem culpa.

Portanto, quando julgar que vale a pena, dê intimidade. Se o relacionamento não resistir ao pijama, ao dia a dia, as manias e esquisitices que só aqueles que têm intimidade conhecem, esse amor não nasceu para durar. O amor precisa ser parceiro, amigo, simples e respeitar o outro como ele é.

O amor precisa dessa intimidade toda. 

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Como reconhecer um amigo

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Dizem que reconhecemos os verdadeiros amigos quando passamos por dificuldades. Realmente esperamos que eles estejam conosco durante as situações adversas pelas quais passamos na vida. Prestando apoio, incentivando e, principalmente, ouvindo nossas lamúrias. Pode ser uma briga com o amado, o fim de um relacionamento, uma dificuldade financeira, um problema familiar, uma doença, desemprego ou qualquer outra situação. 

Na minha cabeça amigos são aqueles que nos aceitam como somos e estão do nosso lado tanto nos momentos tristes quanto nos alegres. E também nos inesperados. Convidam para um chopp só para colocar as novidades em dia, marcam um cinema, preparam uma comida que você gosta, convidam para ser madrinha do casamento, dizem se terminaram ou começaram um novo relacionamento.

Ao longo da vida, no entanto, tenho percebido que amigos, amigos mesmo não são aqueles que estão enxugando nossas lágrimas, embora eventualmente façam isso também. Mas os que se entusiasmam, de todo coração, com as nossas conquistas. Isso porque geralmente as pessoas querem te ver bem, mas nunca melhor do que elas. Portanto, valorize as pessoas que ficam felizes com o seu sucesso.

O lançamento de um livro, uma promoção no trabalho, um aumento de salário, uma viagem incrível, o começo de um curso, a mudança de emprego, a compra de um imóvel, a troca do carro, um novo empreendimento. Não importa. Aquele que parabeniza, aplaude, encontra um tempo para estar presente e quer brindar as novas conquistas é amigo de verdade.

Amigos não duvidam da nossa capacidade e ficam felizes com a nossa felicidade. Não ficam curiosos para saber quanto custou, quem ajudou, se foi você mesmo que fez nem fazem comentários depreciativos e indelicados. Também não ficam dizendo o quanto são melhores, fazem mais bem feito e mereciam ter tido a mesma “sorte”.

Cuidado com quem está presente apenas nos momentos de tristeza. Convidar para beber, jogar conversa fora, contar meia dúzia de piadas ou dar uma volta por aí qualquer um pode fazer. Não precisa ser amigo, melhor amigo, amigo do peito. E pode ser muito divertido também. Mas não vale confundir camaradagem com amizade. 

Os amigos que valem a pena guardar do lado esquerdo do peito estão lá quando você vence. Quando você acerta. Quando você consegue. Quando você conclui uma etapa. Quando você está feliz. Porque quando a gente ama a felicidade do outro é a nossa também. E amizade é amor.

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Amigo é coisa para se guardar

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Amigos de infância, da época de faculdade, que conhecemos no ambiente de trabalho ou até mesmo numa entrevista de emprego (já aconteceu comigo!). Não importa quando nem como essas pessoas passaram a fazer parte da nossa vida, importa que hoje ocupam um lugar privilegiado em nossos corações.

O que seria da nossa vida sem nossos amigos? Amigos mesmo. Não colegas que se resumem a (boas) companhias em eventos. Amigo que repreende, aconselha, chora o seu choro e, principalmente, que se alegra com suas conquistas. Amigos, aqueles familiares que escolhemos ao longo da vida e nos fazem melhores do que somos.

Tem aquele com que temos o papo cabeça, aquele que nos conhece desde crianças, aquele que passou a morar muito longe (meninas, Manaus é covardia!), aquele que sempre morou muito longe, aquele que, na verdade é um grupo (alô luluzinhas!). Cada amigo com o seu jeito. E os meus têm estilos que variam de Dercy Gonçalves a intelectual da Academia Brasileira de Letras. Mas todos, de uma forma ou de outra, são responsáveis pelo que sou agora.

Desconfio que certas coisas a nosso próprio respeito quem sabe são eles, não nós. E mesmo conhecendo todos os nossos defeitos permanecem ao nosso lado. São incansáveis e tolerantes. Como somos com eles também, claro. Porque amizade, amizade mesmo é aquela em que não nos sentimos em débito, como se tivéssemos que retribuir alguma coisa e, em contrapartida, não esperamos nada em troca. Porque amizade é amor. Talvez a mais sublime forma de amor.

Coisa mais linda é ter um irmão amigo, sabe? Ou primo. Ou vários primos. Ou uma tia. Mas nascer na mesma família e ter laços sanguíneos não significa que haja amizade.  Amizade é um outro tipo de amor. Laços sanguíneos, sozinhos, não são capazes de determinar laços de amizade.

Então, para terminar:

A todos os meus amigos, que me aturam, me apoiam, me advertem e divertem, todo o meu amor. Sei que não sou boa para expressar sentimentos, mas deixo registrado aqui o quanto vocês são importantes em minha vida. Sou grata ao universo por tê-los colocado em meu caminho – e desejo que permaneçam nele.

(Senti vontade de dizer isso hoje. Diga aos seus amigos também!)

P.S.: Esse texto foi publicado em abril de 2014, mas hoje é Dia do Amigo e eu não poderia deixar de dizer aos meus o quanto são valiosos. Mesmo usando palavras repetidas. “Mas quais são as palavras que nunca são ditas?” ;)

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