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Fique onde você é querido

Somos constantemente estimulados a abandonar relações amorosas que nos fazem mal. E concordamos que precisamos nos desfazer de pessoas tóxicas, desrespeitosas, que causam dor e sofrimento. É preciso encontrar forças para seguir adiante e deixar para trás o que não nos serve.

Mas e as pessoas que nos valorizam, respeitam e fazem de tudo para nos fazer felizes? Não raro tem quem diga que é perda de tempo investir em uma relação, que se as coisas estão muito boas é sinal de algum problema está por vir, que a vida é melhor quando estamos sozinhos e relacionamentos amorosos são sempre complicados.

Quando somos jovens alguns defendem que precisamos curtir a vida antes de um envolvimento amoroso mais sério. Quando somos mais velhos dizem a hora de amar já passou. A verdade é que independente da sua idade sempre haverá quem diga que ela não é a ideal para amar e que relacionamentos amorosos não valem a pena.

Em um mundo onde as demonstrações de amor são consideradas ridículas, muitas pessoas se esforçam para não se apegar e a desconfiança em relação aos sentimentos dos outros é constante, encontrar alguém que insiste em ter a nossa presença é coisa rara. Que deve ser valorizada. E retribuída.

Ninguém completa ninguém, é verdade. Mas sempre há alguém que nos deixa alegre, feliz e tem prazer em estar na nossa companhia. Que demonstra carinho e está ao nosso lado – seja para ouvir lamúrias ou dar altas gargalhadas. Que acalma nosso coração, faz com que acreditemos em nós mesmos e nos estimula a lutar pelos nossos sonhos.

Precisamos nos desfazer das pessoas que nos fazem mal. Mas, sobretudo, valorizar as que nos fazem bem. Fique onde você é querido. Compartilhe momentos com quem acredita em você, quer a sua presença, se esforça para estar ao seu lado, fica feliz com a sua vitória e demonstra o que sente.

Abra o coração para quem te quer bem.

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Para amar é preciso parar de jogar

xadrez

Todo mundo já leu ou ouviu que não há bula, receita, fórmula mágica ou regras para construir e viver um relacionamento amoroso. Ainda assim, no entanto, vemos constantemente pessoas utilizando-se de jogos, artimanhas, interpretações, insinuações e ações premeditadas para conquistar alguém.

Quer exemplos? Não ligar no dia seguinte para não demonstrar interesse, não ter relações sexuais na primeira noite para não parecer fácil, não atender telefonemas para não parecer desespero, mandar mensagem em uma hora determinada para causar impacto, não apresentar a família para não insinuar relacionamento, não firmar relacionamento para não demonstrar que gosta da pessoa. E tantas coisas mais.

Ou seja: muitas pessoas lidam com o amor como se fosse um jogo. Em que um perde e o outro ganha. Em que um deles se apaixona depois de várias táticas. Em que se apaixonar é um ato de fraqueza. Em que é necessário deixar sempre alguém disponível, guardado na estante. Em que conquistar alguém é mais importante do que viver um relacionamento. Em que dizer o que sente é errado.

Basta olhar para os lados e observar que maior parte das pessoas deseja um amor, mas faz de tudo para não se envolver emocionalmente. Tentando manter o controle da situação, direcionando técnicas de conquista, evitando demonstrar seus sentimentos e se relacionando com mais de uma pessoa ao mesmo tempo para não se apegar a nenhuma.

Desde que ninguém esteja sendo enganado e não haja promessas, não há mal nenhum em “pegar sem se apegar”. É inclusive de uma honestidade admirável deixar claro que não quer ter um relacionamento naquele dado momento. Mas se você quer um amor, você está fazendo tudo errado. Para amar é preciso se apegar.

Atenda o telefonema, ligue no dia seguinte e perca o medo de fazer papel de ridículo. Porque amar é ser ridículo mesmo. Amar não combina com jogos de conquistas, ações predeterminadas, comportamentos ensaiados. Amar é não controlar os sentimentos. É se deixar levar por cada um deles.

Se você quer amar, pare de jogar. Pare de ensaiar. Pare de formular frases. Pare de dizer não quando quer dizer sim. Pare de fingir. Pare de demonstrar o que não é.  O amor não depende da leitura da arte da guerra. Depende de sentimentos. Depende de ouvir o coração.

O amor acontece quando menos se espera. Mas só para quem está convencido de que a lógica e a razão não combinam para as coisas do coração. Só para quem para de jogar.

“Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?”

Renato Russo

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