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A linguagem do amor

Amor é um tema inesgotável. Inúmeras publicações falam sobre relações amorosas, dão dicas para a construção de uma relação feliz e falam de sua importância para o bem-estar. Também lemos e ouvimos milhares de conselhos e sugestões. Mas o que fazer para que uma relação dê certo?

Há psicólogos e pesquisadores que se dedicam exclusivamente a estudar o amor e as relações amorosas.  Um dos maiores pesquisadores desta área, o psicólogo clínico John Gottman, que acompanhou milhares de casais ao longo de décadas, desenvolveu um estudo capaz de prever se um casal se divorciaria ou não nos anos seguintes analisando a maneira como se discutia.

O que ele descobriu que pode nos ajudar? Depois de desenvolver vários modelos e fórmulas para prever a estabilidade conjugal e o divórcio em casais, Gottman concluiu que existem quatro comportamentos negativos que predizem o divórcio: críticas à personalidade do parceiro, desprezo, postura defensiva e afastamento emocional.

Críticas à personalidade do parceiro: há uma diferença muito significativa entre dizer “não esqueça de trazer tal coisa do mercado” e dizer “sempre que vai ao mercado esquece tal coisa, é um imprestável mesmo!”. A segunda frase desvaloriza a pessoa e faz uma crítica a personalidade afirmando que o outro não presta para fazer as coisas direito.

Desprezo: mostrar que o outro não tem importância na sua vida, não ouvir atentamente o que diz, interromper constantemente sua fala, fazer piadas depreciativas, corrigir suas ações. É fazer com que a pessoa se sinta rejeitada e, muitas vezes, reduzida a nada.

Postura defensiva: é se defender quando criticado, sendo que nem toda crítica precisa ser defendida. Escute atentamente, entenda as necessidades do outro e controle a vontade de se explicar. Quando a situação exigir peça desculpas e assuma a sua responsabilidade.

Afastamento emocional: se caracteriza por uma espécie de muro invisível que é colocado entre as duas pessoas após uma discussão, é “dar o gelo”, dificultando a retomada do assunto e aumenta a distância física e emocional. Essa tática é destrutiva, pois faz com que a outra pessoa se sinta rejeitada e abandonada.

Todas as pessoas já tiveram esses comportamentos, aquelas que vivem relações estáveis e felizes. Mas é preciso ter consciência e evitá-los, pois as pesquisam de Gottman demonstram que as pessoas felizes no casamento lidam com os conflitos de maneira gentil e positiva, apoiam um ao outro e se reconciliam com sucesso após uma briga, prestam atenção no parceiro, estão sintonizadas, procuram responder às necessidades do outro, não só em assuntos complexos e importantes, mas em relação às pequenas coisas do dia a dia.

A linguagem mais importante do amor é ter um olhar amoroso para o outro. E só faz isso quem tem amor para dar.

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Lavando roupa suja nas redes sociais

A maioria das pessoas utiliza redes sociais e, provavelmente, já se deparou com desabafos de todo tipo. Há uma quantidade enorme de indiretas, de gente que se acha alvo de inveja, de críticas de todo tipo e, não raro, publicações que sabemos que são para o cônjuge, namorado ou até o crush.

Eu não tenho nada com isso, claro. E, como diz o ditado, se conselho fosse bom ninguém dava, vendia. Mas vou dar assim mesmo: não seja essa pessoa. Falando em ditado popular (adoro e conheço muitos!), roupa suja se lava em casa. É provável que essas publicações tragam ainda mais problemas para a relação.

Além disso: nem todos torcem pela sua felicidade. Há pessoas que pela frente demostram apoio e por trás fazem críticas e, mesmo aquelas que gostam de você não podem solucionar seus problemas. Cuidar do seu relacionamento e resolver as dificuldades é uma delas.

Quer desabafar? Procure um familiar ou amigo de confiança que realmente se interesse pelo seu bem-estar, que irá ouvir suas dificuldades e prestará o apoio que precisa. Nas redes sociais as pessoas nem têm tempo. E muitas vezes estão ali só para saber da vida alheia. Preserve-se.

Já vi muita gente fazer publicações sobre as crises amorosas e, tempo depois, publicar fotos lindas e românticas. Sem contar as pessoas que falam mal do ex e depois reatam o relacionamento. Antes de publicar alguma coisa negativa sobre o seu relacionamento nas redes sociais, respire. E reflita: é necessário? Vai ajudar em alguma coisa? Vou solucionar o problema? O outro vai se sentir invadido?

Se as coisas andam tão mal que a vontade de publicar nas redes sociais e dizer ao mundo o que está acontecendo é grande, vale pensar se não é hora de buscar ajuda profissional. Ou terminar a relação. Quando um relacionamento é saudável as pessoas querem fazer declarações, exibir fotos, não ficar enviando indiretas (ou diretas mesmo!), reclamando e brigando aos olhos de todo mundo.

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Discuta sem ferir

Diferente do que muitas pessoas pensam, não é a inexistência de conflitos e discussões que caracteriza uma relação feliz e saudável. Casais felizes não leem as mentes em do outro e não concordam em tudo, na maioria das vezes discutem para encontrar soluções que agradem a ambos e satisfaçam os anseios da relação.

Se todo mundo briga, o que difere os casais felizes dos infelizes? Os felizes não brigam a toda hora, não transformam tudo em motivo de discussão, não se agridem e não desrespeitam o companheiro. Mostram insatisfação sem humilhar e desprezar.

É importante expor os sentimentos, mostrar o que desagrada, falar de maneira clara sobre as insatisfações, mas não adianta fazer isso de qualquer maneira acreditando que depois tudo voltará a ser como antes. Não será. Palavras violentas, desrespeitosas e humilhantes também deixam marcas e, pouco a pouco, acabam com a relação.

Ninguém espera que na hora da raiva o outro faça juras de amor e use apelidos fofos, mas também não é admissível que jogue coisas para o alto, grite, agrida física e emocionalmente. Amar exige controle emocional, sabedoria e a certeza de que dos seus atos resulta a felicidade da relação. Se um relacionamento é a dois, é a dois que ele precisa ser construído.

Ouça o que o companheiro tem a dizer, procure se colocar no lugar do outro. Se não estiver em condições de discutir, acha que perderá a calma, peça para continuar a conversa depois. Mas volte a conversa. Não deixe situações pendentes. Por meio das discussões, divergências e conflitos temos a oportunidade de conhecer melhor um ao outro e encontrar soluções benéficas para ambos.

Não adianta achar que encontrou a alma gêmea e vão concordar em tudo. Não vão. As pessoas são diferentes umas das outras e vão mudando com o passar do tempo. Casais que nunca discutem não conhecem um ao outro verdadeiramente, pois não se revelam de maneira genuína. Aceitam tudo para agradar e, cedo ou tarde, não conseguirão suportar a dor de esconder o que sentem de si mesmos.

Ao entender que uma discussão não é uma disputa e dá a oportunidade de conhecer um ao outro, os conflitos passam a ser encarados de maneira positiva e madura. E isso faz com que os relacionamentos durem bastante, sejam saudáveis e felizes, porque ora um cede, ora outro. As conversas chegam a algum lugar – ainda que não exatamente onde um deles queria – e os dois pensam na felicidade um do outro.

É na hora da briga que o amor precisa ser demonstrado de maneira mais efetiva e clara. Colocando-se no lugar do outro, respeitando os sentimentos alheios, evitando julgar, parando de fazer acusações e renunciando, de uma vez por todas, o desejo de ganhar. Quando há um casal só há vitória se vencem os dois. Até numa briga.

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Infidelidade. A culpa é de quem?

Todos nós conhecemos alguma história de traição. Ou já vivenciamos uma. Todo dia mais uma história se revela. Numa revista feminina, num papo de salão de beleza, num almoço entre amigas, numa conversa familiar. Gente próxima e gente que você nem conhece sendo traída. Ao que parece, trair, enganar e mentir, infelizmente, fazem parte da vida desde que o mundo é mundo.

O que leva alguém a trair? Para viver experiências novas? Satisfazer o ego? Por que enjoou do parceiro(a)? Desejo de experiências sexuais? Verificar se ainda consegue conquistar alguém? Sentir o frisson de uma nova paixão? Não ama mais o companheiro(a) e não tem coragem de dizer? Cansou da rotina do relacionamento?

Nunca teremos respostas concretas sobre infidelidade, porque de tudo que li e já ouvi sobre o tema, algumas pessoas são, em sua essência, infiéis. Mentem com frieza e estão sempre em novos relacionamentos extraconjugais enquanto outras simplesmente se deixam envolver e sentem culpa depois. Não que a culpa amenize alguma coisa, mas há quem não ache errado enganar quem o ama.

Traição é uma escolha. Ninguém é obrigado a contratar um profissional do sexo ou se envolver com alguém do trabalho, por exemplo. As pessoas fazem essas escolhas, conscientemente, todos os dias. O problema é que os traídos vão ter que dar conta disso depois, embora não tenham tomado decisão nenhuma. O que fazer ao descobrir uma traição? Aceitar? Perdoar? Pagar na mesma moeda? Também não há respostas. Cada um vai escolher a opção que lhe convém. E não temos nada com isso, afinal.

O problema é que mesmo não tendo nada com a vida alheia, a tentação de se meter na vida dos outros é tão velha quanto a traição. As pessoas se metem sem terem sido chamadas. E, dia desses, li um post de uma dessas pessoas. Dizia, não lembro com quais palavras, que era engraçado ver a foto de casais, em que um deles se declarava, sabendo que a pessoa estava sendo traída.

Eu, sinceramente, não acho nada engraçado. A pessoa está ali apaixonada, faz de tudo pelo seu relacionamento, acredita que a fidelidade é recíproca e está sendo traída. Se bobear a amante ainda faz parte do perfil do companheiro e ri, acha graça e debocha. Como se fosse muito esperta e a outra idiota. Mas o que há de errado em confiar em quem se ama?

Então a minha crônica de hoje é para dizer que as pessoas traídas não são culpadas pelas mentiras que contam para elas, não são burras por acreditarem em seus companheiros, não são a causa, razão e motivo para que o companheiro(a) busca relações extraconjugais. A infidelidade é uma escolha que só denota a fraqueza de quem não consegue assumir de maneira verdadeira o relacionamento que tem.

Para terminar, você tem direito de rir de alguém que está sendo traído, fazer piada, ridicularizar. Mas não esqueça que um dia pode vir a ser motivo de piada também.

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Relações violentas

Recentemente me colocaram em um grupo, no facebook, sobre relacionamentos abusivos. Um grupo com milhares de mulheres e uma série de conteúdo sobre violência contra a mulher e, sobretudo, relatos sobre relacionamentos abusivos. Muitas mulheres pedem ajuda para analisar o modo como são tratadas e identificar se os seus companheiros são abusivos ou não.

Por que estou escrevendo sobre isso? Porque muitas vezes ouvimos que algumas mulheres gostam de apanhar, gostam de ser “mulher de malandro”, estão em relacionamentos violentos e abusivos porque querem e escolheram. Mas, dentro de uma relação doentia, muitas pessoas perdem o seu referencial, têm dúvidas se estão sendo respeitadas ou não, algumas vezes não viveram outras experiências e nem sabem como funciona uma parceria saudável.

Estou certa de que nenhuma mulher gosta de ser agredida, humilhada, destratada, insultada, traída, ameaçada, amedrontada. Nenhuma. Mas algumas nunca chegaram a conhecer o que é amor, nem mesmo dentro de suas próprias famílias. Outras se apaixonaram por homens que, inicialmente, eram amorosos, e aos poucos apresentaram suas faces manipuladoras, abusivas e violentas.

Pessoas são universos complexos e os motivos que as levam a continuar em relações que fazem mal são mais difíceis de julgar do que podemos imaginar. São inúmeros os motivos. Algumas mulheres não têm para onde voltar, dependem de seus companheiros financeiramente, suas famílias não as aceitam de volta, têm filhos e acreditam que uma separação será dolorosa demais para as crianças, acreditam que são culpadas pelas agressões que sofrem, acham que merecem passar por todo o sofrimento que vivem, pensam que o companheiro irá mudar e que elas são responsáveis pelo comportamento deles.

Cada pessoa tem a sua história. Que não nos cabe julgar. Aliás, todo o julgamento que temos feito ao longo do tempo, colocando nossos dedos em riste para afirmar que cada um tem o relacionamento que merece e sofre porque escolheu, afasta ainda mais a possibilidade dessas mulheres falarem abertamente sobre seus sofrimentos e procurar ajuda.

Então, toda vez que sentir vontade de julgar uma mulher que sofre – ou sofreu – qualquer tipo de agressão por parte do companheiro e comentar “como ela continua essa relação?”, “merece passar por tudo isso mesmo”, “como ela ainda corre atrás dele?”, “voltou para ele porque gosta de sofrer”, faça o exercício de se colocar no lugar do outro. Eu sei que é difícil, mas procure entender que tomar a decisão de se livrar de algo que faz mal também é doloroso – principalmente quando a violência é tanta que a pessoa envolvida nem sabe mais como é viver em paz.

Sobre violência é bom ressaltar que nem toda agressão é física. Se a pessoa com quem você se relaciona te ameaça, te impede de falar com os amigos, te isola, diz que você é incapaz de atingir seus objetivos, pede suas senhas, vigia o que você faz, te persegue, obriga a fazer sexo, se recusa a usar preservativo, retém seu dinheiro, não te deixa estudar ou trabalhar, lamento dizer: esse é um relacionamento abusivo.

O amor precisa fazer bem. Não pode deixar cicatrizes no corpo nem na alma.

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