Arquivo da tag: casal

O que não é amor

É difícil definir o que é amor. Já escrevi centenas de crônicas tentando, mas tenho a sensação de que não consegui descrever com exatidão, porque explicar, denominar e definir sentimentos não é algo simples e varia de pessoa para pessoa. Então hoje eu vou explicar o que não é amor. Mesmo quando parece.

Quando as pessoas precisam estar em algum relacionamento, pois têm medo de ficar sozinhas, acham que o correto é viver em uma relação amorosa e não gostam de fazer atividades sozinhas, provavelmente elas não amam o parceiro. Só são carentes mesmo. Da mesma maneira que se permanece ao lado de alguém por pensar que a é pior ficar sozinho, ela pode ser apenas insegura e dependente, não necessariamente amar o outro.

Sentir atração sexual é importante em uma relação amorosa, mas se vocês combinam apenas sexualmente, não há amor nessa relação. Há desejo. E, se por outro lado, você não tem o mínimo desejo pelo outro, apenas prazer em estar em sua companhia, pode ser que haja apenas amizade.

Coração disparado, voz ofegante, mãos trêmulas e suadas quando vai encontrar a pessoa, ou ouve sua voz, ou vê o nome dela no visor, não é amor. É paixão. Pode ser que um dia vire amor, alguns amores começam assim, mas ainda não é.

Se qualquer coisa vira uma briga interminável, seja dar uma notícia, exprimir sua opinião ou dividir um plano, por exemplo, provavelmente há ausência de amor. Pessoas que se amam não vivem constantemente com medo da reação do outro ou nem sabem como vai reagir.

Quando a pessoa não demonstra atenção, não se preocupa, não tem cuidado com o outro, nunca está presente para ajudar, ela não ama. Pode parecer clichê e talvez seja mesmo, mas quem ama se importa.

Se a pessoa com quem você está não se alegra com as suas conquistas, não torce pelo seu sucesso e quando algo bom acontece ainda se sente por baixo, ela não te ama. Talvez uma das mais genuínas demonstrações de amor seja ficar feliz pela felicidade do outro. Como se fosse sua.

É preciso aceitar também a realidade de que violência não é apenas agressão física. Conviver com alguém que te obriga a utilizar certas roupas, vigia seus passos, utiliza expressões pejorativas para se dirigir à você, diminui a sua autoestima, te obriga a manter relações sexuais são exemplos de violência.

Relacionamentos doentios e tóxicos são mais comuns do que imaginamos. Mas eu estou aqui para dizer que o amor é uma coisa boa. Se por alguma razão o que você está vivendo não é, vale pensar se é por uma situação pontual – doença, desemprego, problemas familiares – ou se o comportamento do companheiro sempre foi ruim, negativo e destrutivo.

Para viver e conhecer o amor que você merece, antes vai precisar se livrar de tudo o que não é amor.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

Ninguém é obrigado a casar

Quando mais nova não gostava de cerimônias de casamento. Mas a maturidade me fez enxergar o valor e a beleza dos rituais, das festas, dos marcos. E cerimônia de casamento é isso: um rito de passagem. Além de uma ótima oportunidade de reunir pessoas queridas, de perto ou de longe, compartilhar alegria e se divertir.

Ando um tanto emocional, acreditando que vale mais aproveitar o momento, celebrar a vida, do que poupar todo o dinheiro gasto em uma festa dessas. Deve ser emocionante olhar o álbum de fotografias anos depois, rever as cenas mesmo que na memória, contar aos netos e bisnetos os momentos vividos.

Até hoje não conheci ninguém que tenha se arrependido de fazer festa de casamento. Mesmo as pessoas que se separaram. É um momento da vida. Uma realização. Porque, convenhamos, encontrar alguém com quem a gente tenha interesse em compartilhar a vida é coisa rara. Que nos faça ter vontade de gastar um dinheiro considerável e dispor de tempo para ver tantos detalhes mais ainda.

No entanto, ninguém é obrigado a casar. Nem fazer festa. Cada pessoa tem o direito de estar só ou acompanhada e, se acompanhada, escolher a melhor forma de comemorar ou não o seu amor. Hoje em dia temos liberdade. De casar no cartório ou na igreja. De manhã, de tarde ou de noite. Na cidade ou numa ilha deserta. De adotar o sobrenome um do outro ou não. Ou simplesmente pegar suas coisas e juntar com as do outro.

É justamente a liberdade que temos hoje de estar ou não com alguém que me deixa um tanto enfurecida com algumas cerimônias de casamento. Parece que por mais que os tempos evoluam o casamento só serve a mulher, só ela se interessa pelo matrimônio, está desesperada para casar e o homem está ali obrigado. Pois bem: não está.

Já escrevi sobre isso, mas estou escrevendo novamente, simplesmente porque não consigo entender o que as mensagens de alguns casamentos querem dizer. Damas de honra e pajens com plaquinhas “não corra, ela está linda”, “corre, ainda dá tempo de fugir”, por exemplo, são deprimentes. Não acho nem um pouco engraçado. O noivo foi ameaçado de morte para aceitar casar?

Topos de bolo com os noivos sendo carregados, puxados ou amarrados e coisas do gênero eu acho ridículo. Para dizer o mínimo. Os dizeres “Game over”, em camisas, taças, copos, canecas e seja lá onde for, também são de extremo mal gosto. A vida não acaba quando as pessoas casam. Ou não deveria.

Quem aceitou casar, aceitou porque quis. Não faz o menor sentido fazer piada, ridicularizar a cerimônia e a noiva. Existem maneiras engraçadas e respeitosas de comemorar o dia, se divertir, dar risadas e eternizar o momento.

Portanto, por favor, parem. Simplesmente parem. Sei que ninguém me perguntou nada, mas não está bonito não.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

Respeite o sentimento alheio

Arrisco dizer que qualquer pessoa adulta já despertou o interesse de alguém pela qual não sentiu absolutamente nada. Ou se relacionou com alguém pela qual não se apaixonou, não gostou, não sentiu algo diferente, mesmo a outra parte morrendo de amores, demonstrando todo carinho do mundo e fazendo de tudo para construir uma relação bacana.

Ninguém é obrigado a ficar com quem não gosta só porque o outro está apaixonado. Para ser amor precisa ser recíproco. Os dois precisam estar felizes, gostar da companhia um do outro, sentir vontade de estar junto. Mas nem todo mundo pensa assim, tanto que não é difícil encontrar quem fique com quem não gosta ou continue um relacionamento que não é de seu agrado, pois prefere estar com alguém a estar só.

Há quem prefira continuar levando, dando esperança, encontrando quem esteja apaixonado por ela, só para passar o tempo. E não considera errado se isso for feito de maneira honesta, sincera e verdadeira, se for dito com todas as letras que a relação não vai passar de alguns encontros espaçados e não tem possibilidade de evoluir.

No entanto, eu tenho dificuldade de entender as pessoas que deixam outras na estante. Que ligam quando bem entendem, não desfazem o contato, não perdem o vínculo, não deixam o outro em paz para seguir seu caminho e, quem sabe, encontrar alguém que mereça o amor que tem para dar. Sabem que os apaixonados estão sempre disponíveis e se aproveitam disso.

Uma pessoa apaixonada que se coloca sempre à disposição, investe energia, doa seu tempo e aceita viver uma relação casual que não terá futuro nenhum é responsável pelas consequências dessa escolha. Principalmente nos casos em que foi avisado e concordou com os termos. Mas convenhamos: apaixonados não sabem bem o que fazem.

Na maioria das vezes eles aceitam migalhas, se contentam com qualquer oportunidade de estar junto de quem deseja, tentam se convencer de que é melhor qualquer tipo de relação a nenhuma. Mesmo que ela seja esporádica, dolorosa e unilateral. Porque o apaixonado sente saudade, sofre, manda mensagem, fica esperando um sinal de fumaça no dia seguinte enquanto para o outro foi uma noite e nada mais. Até ele sentir vontade de novo.

Se você é o apaixonado não correspondido eu preciso dizer que ao desperdiçar energia com quem não quer assumir um compromisso, você perde a oportunidade de conhecer alguém que valha a pena. Mas esta crônica não é para você. É para a pessoa pela qual você se apaixonou. E outras tantas como ela.

Essas pessoas precisam respeitar o sentimento alheio. Respeitar quando o relacionamento termina e o outro não quer mais, mas, sobretudo, quando ele ainda resiste, insiste, quer ficar junto – mas elas não desejam.

Está solteiro, quer só passar o tempo e não vê problema em ficar com alguém que já conhece e está disponível? Fique com quem não está apaixonado por você. Mesmo dizendo abertamente, com todas as letras, que não quer mais do que uma relação casual, quem está apaixonado se ilude. E você estará nutrindo falsas esperanças.

Com tantas pessoas no mundo disponíveis para encontros casuais, você não precisa ficar com quem vai ficar esperando uma ligação no dia seguinte. Não precisa brincar com o sentimento alheio. Siga em frente. E permita que os outros façam o mesmo.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , ,

Amor não se implora

insistir

Um dos piores “crimes” que as pessoas cometem no cotidiano é não se apaixonar pelo outro da mesma maneira que o outro se apaixona por ela. É uma frustração imensa perceber que o outro não quer a sua companhia, não quer seu carinho, não quer compartilhar o seu dia a dia, não quer manter uma relação estável e apaixonada.

Infelizmente, não existe muito o que fazer quando o sentimento não é correspondido. Por mais que doa o melhor é continuar o caminho sozinho. No entanto, muitas pessoas decidem insistir: ligam, mandam e-mails, aparecem de surpresa, compram presentes, chamam no bate-papo, enviam flores, fazem convites e uma série de outras coisas que afastam mais ainda o ser amado.

Quando a gente ama tudo que o outro faz é lindo, romântico e enche o nosso coração de alegria, mas quando não estamos a fim qualquer iniciativa é só chatice, perseguição e falta de bom senso. Persistir é uma atitude compreensível, mas saber a hora de desistir é louvável. Se a pessoa não agradece os presentes, não responde as mensagens e por mais que seja educada nunca aceita seus convites, desista.

Amor não se implora. Ninguém ama por obrigação. Ninguém ama porque o outro quer. O amor acontece. É simples, descomplicado, fácil, acessível, mútuo, correspondido e não precisa de desgaste e sofrimento. Se é preciso insistir, remoer, pedir e implorar não é amor. E é melhor aceitar isso.

Enfiaram na nossa cabeça que é preciso “lutar por amor”, mas se há necessidade de lutar por alguém não é amor. Amor é reciprocidade, parceria e união. Os dois precisam batalhar, cotidianamente, pelo relacionamento. Não dá para uma pessoa brigar pelos dois, amar pelos dois, viver um relacionamento pelos dois.

O fim de um amor é doloroso. Se interessar por alguém e não ser correspondido é frustrante. Mas é preciso entender que o outro tem o direito de não voltar atrás ou não tentar um relacionamento novo. E é necessário respeitar isso.

Portanto, aceite que não é não. Siga em frente. Percorra outros caminhos. E, quem sabe, descobrirá um novo amor por outras estradas.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , , , ,

Dê o próximo passo, nem que seja para trás

casal

As pessoas se conhecem, começam a se encontrar, ficar e uma hora se perguntam se estão namorando ou não. Ou perguntam para o outro. Ou ficam mesmo sem saber até que o romance ganhe status de namoro. Isso porque quando as coisas vão bem, desejamos estar constantemente ao lado da pessoa pela qual nos apaixonamos e o relacionamento é encorajado a progredir.

Na maior parte das vezes, no entanto, não é fácil saber se estamos prontos para seguir para a próxima etapa. De ficante para namorado, de namorado para noivo, de noivo para casado. Ou não dar uma definição tradicional, mas escolher morar sob o mesmo teto, por exemplo. Embora um relacionamento amoroso não seja um jogo, ele passa por várias fases. Qual é, afinal, o momento certo para avançar para a próxima?

Alguns casais podem estar juntos há anos e não terem tanta intimidade quanto àqueles que se conhecem há poucos meses. Pessoas que já foram casadas podem ser menos experientes e ter menos vontade de fazer com que o relacionamento dê certo do que aquelas que nunca viveram com alguém antes. Jovens podem ter mais maturidade do que os mais velhos. Como podemos identificar se, além do momento certo, a pessoa pela qual nos apaixonamos é a certa para nós?

Ninguém tem uma resposta para isso. Infelizmente amor não é uma ciência. Menos ainda uma ciência exata. Mas arrisco afirmar que a melhor maneira de verificar se o relacionamento está preparado para o próximo passo é avaliar se a nossa intimidade se mistura a do outro e o nosso coração se sente seguro para entregar a nossa vida para o amado.

Em um compromisso sério, independente da definição dada para o relacionamento, as atitudes de um afetam o outro. As famílias passam a fazer parte da vida do casal. E mais do que amantes em noites lindas e passeios agradáveis, se ganha um companheiro para enfrentar momentos difíceis, tomar decisões e dividir tanto os momentos tristes quanto os felizes.

Se as novas responsabilidades trazem leveza, colorido e alegria à vida, você fez a escolha certa em dar um passo adiante. Porque um casamento é mais do que um estado civil, é um projeto de vida a dois. Ninguém, claro, é responsável pela felicidade do outro, mas quando vivemos bem com quem amamos ficamos de bem com a gente e com a vida.

Agora, se o seu relacionamento causa mal estar, impede seu crescimento, te deixa com medo, não traz alegrias, é um fardo, faz você se sentir um lixo, traz mais tristezas do que alegrias, arranca mais lágrimas do que sorrisos e você faz muito mais esforço para que o amor dê certo, talvez tenha sido má escolha permanecer ao lado deste amor.

Todo relacionamento depende sempre do próximo passo. Ou de um passo para trás. Porque escolhas determinam a felicidade e não dá para ser feliz sem saber o que se quer. Portanto, um passo de cada vez.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: