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Comunicação no relacionamento amoroso

Por mais felizes e perfeitos que os casais possam parecer eles discutem, se desentendem, se magoam e se frustram. Quem faz uma crítica deseja resolver um problema, melhorar a relação, expor o que sente, constantemente acaba gerando desconforto, discussão e vontade, por parte do outro, de se defender.

A comunicação é muito importante em todo relacionamento, mas em uma relação amorosa é ainda mais. Como dizer o que desagrada sem ferir? Como ser claro em relação aos seus sentimentos? Como demonstrar insatisfação com alguma situação? De que forma apontar o que lhe magoa sem fazer exigências?

Quem ama discute. Não tem jeito.  Discutimos com os pais, irmãos, amigos, filhos e parceiro amoroso. Uns mais do que os outros, claro. E alguns vivem brigando constantemente, pois não conseguem compreender ou se fazer compreender, o que é muito desgastante, gera enorme tristeza e afasta ainda mais o casal.

Apontar os erros do outro e lançar mão de frases como “você faze sempre isso ou aquilo”, “nunca posso contar com você”, “sabia que você faria isso”, além de fazer com que a pessoa se defenda e o acuse de várias outras coisas, afinal, você não é o cúmulo da perfeição, contribui para que o desentendimento não seja resolvido. E se agrave ainda mais.

Transformar críticas em necessidades é uma ótima alternativa para expor seus sentimentos e demonstrar o que causa desconforto. Se o parceiro chega tarde toda sexta-feira, porque toma chopp com os amigos, por exemplo, ao invés de dizer “toda semana você me deixa sozinha”, experimente “sinto a sua falta, me sinto sozinha”.

Compartilhar sentimentos é muito difícil, pois muitas vezes nem os reconhecemos, mas expressá-los ao invés de exigir comportamentos é uma maneira de manifestar necessidades sem desrespeitar, ironizar e humilhar o companheiro.

Dificilmente somos assertivos em nossa comunicação e não expressamos bem nossas necessidades. Permitimos que a raiva nos domine, escondemos o que queremos e nos sentimos frágeis ao permitir que o outro olhe quem somos – verdadeiramente. Não aprendemos a falar e nos expressar adequadamente ao longo da vida e lidamos com a comunicação como fonte de poder, onde um fala e outro atende, um diz e o outro concorda ou não, onde sempre tem quem vença uma discussão.

A comunicação não precisa ser uma arma em meio a uma batalha. Dialogar, ouvir, aceitar as necessidades do outro e as nossas fazem com que os desentendimentos e momentos de discórdia proporcionem crescimento e aproximem ainda mais os parceiros.

Para quem deseja melhorar a comunicação indico a leitura do livro “Comunicação não-violenta”, de Marshall B. Rosenberg. O livro é um manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Ensina o leitor a transformar padrões de pensamento que conduzem a discussões, raiva e depressão; resolver seus conflitos com os outros pacificamente; criar relacionamentos interpessoais baseados em respeito mútuo, compaixão e cooperação.

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Seu relacionamento é uma prisão?

Escrever sobre relacionamento amoroso me fez mais observadora em relação ao comportamento das pessoas e, principalmente, dos casais. Eu ando na rua e presto atenção em como conversam, se olham, trocam confidências ou parecem distantes mesmo quando estão próximos. Também observo o que falam de seus parceiros quando estão longe. E como falam com ele ao telefone.

Transporte público é um bom local para observar as pessoas. Muitas falam sem nenhum pudor ao telefone, durante toda a viagem. Não ligam, portanto, se alguém presta atenção. Há casais apaixonados que se beijam, se abraçam, riem cúmplices. E há aqueles que brigam, ficam de cara de feia, trocam farpas e indiretas. Aos olhos de todos, sem constrangimento algum.

Mesmo não conhecendo as pessoas somos capazes de perceber a maneira como lidam com seus parceiros. Com respeito, amor, paciência, parceria. Ou o contrário. Vemos se, mesmo acompanhados, olham para outras pessoas ou dão em cima delas num momento de distração do parceiro.

Dos casais que conheço, infelizmente, na maior parte das vezes, vejo que o discurso não converge com a prática. Casais super apaixonados nas redes socais parecem desconhecidos quando vemos pessoalmente. Homem com foto da esposa e filhos na mesa de trabalho, com caso extraconjugal escancarado. Cônjuges que vivem falando mal dos seus parceiros e depois posam ao seu lado como se nada tivesse acontecido. Esses são apenas alguns exemplos.

Certamente você conhece casais que juram amor eterno e se desrespeitam. Pessoas que têm compromisso, mas vivem atrás de aventuras amorosas. Mulheres que vivem elogiando seus maridos, mas são menosprezadas por eles. Ou que vivem criticando e na sua presença parece que ele é a melhor pessoa do mundo.

A impressão que dá é que as pessoas vivem um mundo de mentiras, se escondem em uma relação, deixam de ser quem gostariam para demonstrar ao mundo que são confiáveis, têm uma família, possuem um casamento sólido. Dia desses ouvi de uma mulher recém-separada uma frase que me marcou: “eu me libertei!”.

Fiquei feliz que tenha se libertado, embora eu não a conheça e não saiba exatamente a quais correntes ela estava presa. Mas fui embora pensando que muitos relacionamentos são como prisões. Há uma crença de que casar é abandonar a própria vida, viver em função do outro e negar sua individualidade.

Relacionamento é um compromisso e exige responsabilidade. Cada escolha individual implicará numa consequência para o casal. Mas não pode ser uma prisão. Amar não é sofrer e abdicar de nós mesmos como nos ensinaram a vida toda – embora não seja um mar de rosas o tempo inteiro

O amor precisa revelar o melhor de nós mesmos, não o inverso. E amar se aprende amando. Buscando soluções diárias para o relacionamento e fazendo com que a relação seja enriquecedora todos os dias.

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“Os jovens casam pensando em separar”

Recentemente ouvi uma pessoa dizer que os jovens de hoje se casam já pensando em separar, que são desapegados, não constroem relações duradouras, temem compromissos e engatam um relacionamento no outro sem qualquer cerimônia. Imediatamente contestei, pois tenho uma percepção bastante diferente.

Eu vejo que os jovens querem relações verdadeiras, terminam quando não estão felizes e casam cada vez mais tarde depois de terem pensado muito a respeito. E pensam muito por acreditarem que o casamento não deve ser prioridade em suas vidas. Antes de firmarem compromisso eles querem realizar seus objetivos pessoais e profissionais. O que não considero errado.

Vejo jovens casais apaixonados, tendo filhos, fazendo planos juntos. E todos que conheci casaram pensando em ficar juntos para sempre. Até os que separaram. Mas, ainda que seja triste ver um relacionamento chegar ao fim, mais triste é ver um casal que se desrespeita, se agride, é infeliz, mas não tem coragem de separar. Ou não pode por alguma razão.

Romântica incorrigível eu adoraria que todos os casais do mundo fossem felizes para sempre. Mas sabemos: não são. E que bom que todos, ao menos no nosso país, têm a oportunidade de separar e começar de novo quando julgam que o casamento acabou. Isso ainda é um direito que devemos respeitar.

E, antes que culpem os jovens, há velhos que casaram e descasaram. Mais de uma vez. Esse não é um privilégio dos jovens, muito pelo contrário. Talvez as motivações para o casamento sejam diferentes de acordo com a época. Atualmente poucos apressam uma relação para ter sexo, para assumir uma gravidez não planejada, fazer a vontade dos pais casando com quem não gostam ou se relacionando para não ficarem sozinhos.

A maioria dos jovens se unem por paixão, por amor, por desejo de dividir o mesmo teto, compartilhar a vida, dormir e acordar juntos todos os dias, construir uma família, realizar sonhos em comum. Deve existir quem case por conveniência, por obrigação ou mesmo para dar um golpe – como mostram os livros, filmes e novelas. Afinal, existe de tudo nesse mundo. Mas isso não é regra, é exceção.

Não vejo pessoas colocando prazo de validade em seus relacionamentos e planejando separações. Vejo apenas que hoje em dia as pessoas têm a possibilidade de estar ou não com alguém e fazem uso do direito de se separarem quando não estão felizes. São outros tempos. E a possibilidade de pôr fim a uma relação, por exemplo, foi um grande avanço.

A maioria das pessoas põe o coração em suas relações e faz de tudo para que seu relacionamento dê certo. Mas às vezes não dá. Precisamos respeitar isso e aceitar “que seja eterno enquanto dure” – ainda que a gente fique torcendo para que dure para sempre.

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O que não é amor?

É difícil definir o que é amor, traduzir em palavras, identificar exatamente o que o outro sente, se certificar de que é correspondido na mesma proporção. O amor é subjetivo. É demonstrado diariamente e explicitado em gestos, palavras e comportamentos. Saber o que NÃO é amor, no entanto, é mais fácil.

Uma relação saudável não é uma relação perfeita. Todo relacionamento passa por momentos de turbulências, divergências, brigas, discussões, afastamentos, mágoas. Não há mar de rosas permanente, porque estar ao lado de alguém não é – e nunca será – uma tarefa fácil. Pelo menos não o tempo todo.

Como perceber, então, que a relação não é saudável? Ou que o amor não está presente? Responda honestamente: você pode contar com a pessoa que ama? Sente segurança, amparo e tem a sensação de que pode ser você mesmo? Ter certeza de que que a pessoa que escolheu para viver te incentiva, impulsiona, acolhe e faz parte do seu time é experimentar o amor.

Se, por outro lado, você tem medo de falar alguma coisa, esconde seus sentimentos, é desestimulado pelo parceiro toda vez que tem um novo objetivo, sofre chantagem emocional, é alvo de humilhações, é vítima de algum tipo de intimidação e nunca sabe como lidar com o outro por medo de suas reações, é hora de avaliar essa relação.

Gostar de alguém pode impedir de ver com clareza os comportamentos inadequados e abusivos do parceiro, mas quanto mais reparar na forma como as coisas são ditas, e não apenas o que é dito, aumenta a probabilidade de identificar se a relação é saudável ou não. Conviver durante muito tempo com quem lhe faz mal causa mal-estar físico e mental, além de trazer uma sensação de culpa pela desarmonia da relação.

Procurar o bem-estar na vida amorosa é fundamental para todas as áreas da vida. Por isso não aceite um relacionamento qualquer, invista numa relação que merece ser vivida. Que traga paz, amor e satisfação. Ame e sinta-se amado.

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Casamento: entre o eu e o nós

A maior parte das pessoas deseja encontrar um amor para dividir a vida e construir, mais do que um lar, uma família. Eu acho isso lindo. De verdade. A paixão é uma coisa boa. Amar e ser correspondido é maravilhoso e a vida pode ser melhor quando compartilhada. Mas tenho algo a dizer: a nossa jornada é individual e solitária, por mais que tenhamos pessoas ao nosso lado.

Podemos ter muitos amigos, uma família incrível, filhos extraordinários e um parceiro dos sonhos, mas a nossa vida é um problema nosso. E a vivenciamos sozinhos. Digo isso depois de ver muitas pessoas depositando no outro a responsabilidade pela sua felicidade. Esperando que os filhos cuidem deles, que o marido ou a mulher adivinhe seus desejos, que os amigos ajam como eles querem.

Muitas pessoas crescem convencidas de que a pessoa que escolheram para casar é responsável pela sua felicidade e depositam nela todas as expectativas. Depois, claro, se frustram pela incompetência do outro. Certamente nos preocupamos com a alegria e felicidade de quem amamos e fazemos o que está ao nosso alcance para manter uma relação feliz, saudável e satisfatória. E desejamos que seja recíproco.

Viver uma relação amorosa e feliz, no entanto, é perceber que um casal é composto do Eu e do Nós. Cada um dos membros do casal é um mundo inteiro e deve alimentar interesse individuais e em dupla. Ter momentos consigo mesmo e momentos a dois. Pode parecer loucura, mas o casal que cultiva interesses além da relação conjugal tem mais o que compartilhar e não responsabiliza o outro pela sua felicidade.

Ter momentos individuais não significa se envolver com outras pessoas, fazer coisas às escondidas ou algo que o parceiro desaprove. Significa continuar sendo você mesmo. Significa cultivar um hobby, ver os amigos, manter sua opinião mesmo que divergente, ir em algum lugar que o outro não gosta. Manter a individualidade mantêm a chama acesa.

Ao longo da vida amadurecemos, mudamos e aprendemos com as pessoas com as quais convivemos, inclusive o cônjuge. Mas isso não faz com que o casal vire uma só pessoa. E não há nada de mal nisso. Amor é para somar, não diminuir.

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