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O que você faz nas horas vagas?

O que você responde quando perguntam o que você faz nas horas vagas? Se me fizessem essa pergunta agora eu responderia “ir ao cinema, ler, assistir séries, correr, escrever, pintar” e qualquer outra coisa deste tipo.

Mas a verdade é que esta semana eu preenchi os meus dias de folga com milhares de afazeres. Ir ao médico, comprar remédio, ir ao supermercado, resolver problema na faculdade, atualizar documentos, e cheguei em casa exausta.

Isso me levou a refletir: será que eu não agendei tantas atividades para não ter um dia inteiro para mim? Sinceramente ainda não sei a resposta, mas com os dias tão abarrotados de afazeres, ter tempo livre pode gerar culpa. “Eu não deveria ter feito isso ao invés de pintar ou resolver tal coisa enquanto tirava um cochilo?”.

O tempo livro é visto como se fôssemos improdutivos. Todo mundo está fazendo alguma coisa, correndo de um lugar ao outro, andando atrasado, com pressa, resolvendo um problema. Diante disso contemplar, parar, pensar e simplesmente não fazer nada com nossas horas livres parece um desperdício de tempo.

Não há nada de errado em aproveitar o tempo que se tem para resolver pendências. Mas é importante dedicar um tempo a si mesmo. Praticando algum hobby ou, simplesmente, não fazendo nada. Nada. Absolutamente nada.

Da próxima vez que tiver um tempo livre resista ao impulso de marcar mil compromissos e chegar ao fim do dia ainda mais cansada do que se tivesse cumprido sua rotina normalmente. Aproveite. As horas que você desperdiçou não voltam mais.

Crônica publicada no blog pessoal de Giseli Rodrigues no dia 20 de agosto de 2019.

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Sê criativo: a mente brinca

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Muitos livros são convites para o leitor sair do papel de espectador e encher seus pulmões de energia necessária para brilhar, tomar posse de seu lugar no palco e integrar o espetáculo da loucura do viver. Dentre eles – Ser Criativo: O Poder da Improvisação na Vida e na Arte, de Stephen Nachmanovitch. Considero este livro uma poesia composta por pitadas de entusiasmos e o vejo como uma mão estendida que fala: não tenha medo, se joga!

Depois de ler e reler o Ser Criativo, pensei e repensei sobre o tema e, por fim, divaguei sobre tantos aplausos à miséria e aos ícones que se consagram, de tempos em tempos, enquanto muitos assopram suas próprias chamas, esquecendo-se, talvez, de suas originais cores vibrantes, temendo o brilho próprio e enaltecendo o alheio, que por sua vez também só é chama pelo enaltecer daquele que desistiu de subir no palco da vida, aceitando migalhas de uma vida morna, morta e bege.

Nachmanovitch relata que a mente criativa brinca com os objetos que ama. O pintor, por exemplo, brinca com a cor e o espaço. O músico brinca com o som e o silêncio. Eros brinca com os amantes. Para ele, brincar é ter o espírito livre para explorar, ser e fazer por prazer. A musa mais poderosa, que é a nossa criança interior, é lembrada neste livro. Essa musa é inquieta, questionadora. Indaga sempre: o que, de fato, faz seu coração bater mais forte? O que almeja e não faz? O que será que permanece na sombra?

O autor, que não esquece de discorrer sobre os bloqueios à criatividade, relata que “a lição mais simples desta vida – e ao mesmo tempo a que nos escapa com maior facilidade – é aprender a ouvir a voz da intuição”. E complementa que quando falamos de confiar em nossas vísceras, é de intuição que estamos a falar como base na tomada de decisões.

Numa vida criativa não há ponto de chegada porque é uma jornada para dentro da alma. O processo criativo é uma aventura que fala de nós, de nosso ser mais profundo, do criador que existe em cada um.

Será que se cada um respeitasse seu próprio brilho, enalteceria tanto o brilho alheio? Será que enriqueceríamos um mísero nicho? Divagações… inquietações… Falta o despertar dessa escuta à própria voz interior? Falta o reconhecimento do monstruoso potencial que habita cada um de nós, residentes do mesmo espaço insano? O que está sendo aplaudido com mais frequência?

Aqui o que cabe são perguntas para inesgotáveis respostas. Que há estrelas cintilantes que desfilam nessa terra não há incertezas. Essas são alimentadas cotidianamente. E Ser Criativo é deixar de aplaudir só porque os outros aplaudem, é deixar de ser bege, é ir de encontro ao que o próprio coração bate mais forte. Ser Criativo é ser original, viver em consonância com os próprios gostos. É não seguir a moda, é mudar a vírgula de lugar, é inventar palavras ou reinventá-las!

A arte da vida talvez consista em Ser Criativo e não descartar os poemas contidos em cada dia. Folheando as páginas desse livro encontrei uma citação de William Carlos Williams que diz: “Não é fácil encontrar novidades em poemas; mas os homens morrem miseravelmente todos os dias por falta do que neles existe.”

Carece-se de poesia, meu caro, repara! Repara bem antes de morrer miseravelmente pela falta de embriaguez que a poesia provoca e cria a tua vida!

Por Patrícia Rodrigues

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