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Viva o hoje

A maioria das pessoas tem dificuldade em viver o presente. Ou pensam demasiadamente no que fizeram ou deixaram de fazer no passado ou se preocupam com o futuro. Lidar com as responsabilidades do dia a dia, as consequências das próprias decisões e planejar o futuro exige um equilíbrio que não temos – ou não temos o tempo todo.

O excesso de passado ou de futuro talvez seja uma das razões de tanta depressão e crise de ansiedade, os males do nosso tempo. Se martirizar pelo que já aconteceu ou sofrer por antecipação pode ser mais comum para algumas pessoas do que para outras, mas, certamente, todos nós já vivemos essas experiências e sabemos que não é boa.

Sofrer por antecipação por algo que não temos controle e não depende exclusivamente de nós pode fazer com que a gente sofra duas vezes – uma antes e outra quando o que temíamos acontece – ou que soframos em vão. Quando nos imaginamos em determinada situação e nos preocupamos com ela estamos vivendo todas as sensações – positivas e negativas – como se fossem realmente reais.

Por que viver o hoje, o agora, o presente, é tão difícil? Muitas vezes deixamos de aproveitar a família, os amigos, cuidar da nossa saúde física e mental, prestar atenção ao que acontece a nossa volta e nos entregar de corpo e alma acreditando que daremos atenção a nós mesmos e a quem amamos quando conquistarmos nosso objetivo – seja ele qual for.

Sofrendo pelo passado ou tentando prever o futuro, deixamos de estar, de corpo e alma, no tempo presente. O único que realmente podemos viver integralmente. Que dia você quer viver hoje? Que lembranças deseja ter sobre o dia de hoje? Que experiência você está adiando? O que deixou de dizer?

Por mais que seja difícil, concentre-se no agora. Procure viver o hoje. Evite sofrer pelo futuro que ainda não chegou. Às vezes, dependendo do período que esteja vivendo, você não vai conseguir. E tudo bem. Mas se você nunca consegue procure ajuda profissional para conquistar o equilíbrio emocional necessário para não sofrer pelo que não pode mudar nem pelo que ainda não aconteceu.

O que você está vivendo hoje? O tempo que já passou ou aquele que nem chegou?

Crônica publicada no blog de Giseli Rodrigues no dia 27 de novembro de 2018.

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Comunicação no relacionamento amoroso

Por mais felizes e perfeitos que os casais possam parecer eles discutem, se desentendem, se magoam e se frustram. Quem faz uma crítica deseja resolver um problema, melhorar a relação, expor o que sente, constantemente acaba gerando desconforto, discussão e vontade, por parte do outro, de se defender.

A comunicação é muito importante em todo relacionamento, mas em uma relação amorosa é ainda mais. Como dizer o que desagrada sem ferir? Como ser claro em relação aos seus sentimentos? Como demonstrar insatisfação com alguma situação? De que forma apontar o que lhe magoa sem fazer exigências?

Quem ama discute. Não tem jeito.  Discutimos com os pais, irmãos, amigos, filhos e parceiro amoroso. Uns mais do que os outros, claro. E alguns vivem brigando constantemente, pois não conseguem compreender ou se fazer compreender, o que é muito desgastante, gera enorme tristeza e afasta ainda mais o casal.

Apontar os erros do outro e lançar mão de frases como “você faze sempre isso ou aquilo”, “nunca posso contar com você”, “sabia que você faria isso”, além de fazer com que a pessoa se defenda e o acuse de várias outras coisas, afinal, você não é o cúmulo da perfeição, contribui para que o desentendimento não seja resolvido. E se agrave ainda mais.

Transformar críticas em necessidades é uma ótima alternativa para expor seus sentimentos e demonstrar o que causa desconforto. Se o parceiro chega tarde toda sexta-feira, porque toma chopp com os amigos, por exemplo, ao invés de dizer “toda semana você me deixa sozinha”, experimente “sinto a sua falta, me sinto sozinha”.

Compartilhar sentimentos é muito difícil, pois muitas vezes nem os reconhecemos, mas expressá-los ao invés de exigir comportamentos é uma maneira de manifestar necessidades sem desrespeitar, ironizar e humilhar o companheiro.

Dificilmente somos assertivos em nossa comunicação e não expressamos bem nossas necessidades. Permitimos que a raiva nos domine, escondemos o que queremos e nos sentimos frágeis ao permitir que o outro olhe quem somos – verdadeiramente. Não aprendemos a falar e nos expressar adequadamente ao longo da vida e lidamos com a comunicação como fonte de poder, onde um fala e outro atende, um diz e o outro concorda ou não, onde sempre tem quem vença uma discussão.

A comunicação não precisa ser uma arma em meio a uma batalha. Dialogar, ouvir, aceitar as necessidades do outro e as nossas fazem com que os desentendimentos e momentos de discórdia proporcionem crescimento e aproximem ainda mais os parceiros.

Para quem deseja melhorar a comunicação indico a leitura do livro “Comunicação não-violenta”, de Marshall B. Rosenberg. O livro é um manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Ensina o leitor a transformar padrões de pensamento que conduzem a discussões, raiva e depressão; resolver seus conflitos com os outros pacificamente; criar relacionamentos interpessoais baseados em respeito mútuo, compaixão e cooperação.

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