Arquivo da tag: Cuidado

O amor precisa de cuidado

Amar uma pessoa não nos impede de magoá-la. Cometemos erros, somos mal compreendidos, às não entendemos as necessidades do outro, em alguns momentos negligenciamos o que para o outro é importante. Mas, diante de tudo isso, o que torna uma relação feliz é a capacidade de mostrarmos que nos preocupamos com os sentimentos do outro.

Relações amorosas são desafiantes, porque ninguém é capaz de fazer o outro feliz a não ser ele mesmo. E muitas pessoas se unem na esperança de que só o fato de estarem em um relacionamento trará felicidades. Ou ainda, que a pessoa irá mudar drasticamente o seu comportamento por assumir um compromisso.

Pessoas são diferentes, foram criadas de maneiras diferentes, veem o mundo de maneiras diferentes e, para que consigam uma relação feliz, cada um precisa cuidar de si. E do outro. Ter olhos atentos para perceber que algo não vai bem, um ouvido paciente para escutar, disposição para encontrar soluções que sejam boas para os dois.

Amar não tem que ser difícil – e não é. Desde que a pessoa se disponha, de todo coração, a cuidar da relação todos os dias. Aqui estou falando de relacionamento amoroso, pois muitos, depois de conquistarem a pessoa amada, não dão a mesma atenção, não valorizam as pequenas coisas, não se preocupam em fazer com que o outro se sinta especial. Mas qualquer tipo de amor exige cuidado.

Para que os relacionamentos sejam duradouros é preciso vontade e dedicação. Cuidado e atenção dia após dia. Mas, quando é amor, isso não é sacrifício, pois a alegria e felicidade de quem amamos é a nossa também.

Cuide-se bem. E cuide de quem você ama.

linhaassinatura_GISELI

 

Etiquetado , , , , , , ,

O cuidado não é tarefa das mulheres

Somos ensinadas, desde pequenas, a cuidar e a servir. Lembram da infância? Ganhávamos bonecas, panelinhas e tudo que fosse ligado ao universo doméstico. Quando os meninos queriam fazer parte das nossas brincadeiras, geralmente, eram desestimulados pelos adultos e incentivados a brincar de outra coisa. Não na minha casa, mas essa é outra história que pode virar texto em outro momento.

Quem nunca ouviu que toda mulher tem instinto maternal? Que afazeres domésticos é coisa de mulher? Que se cozinha bem já pode se casar? Que mulheres têm mais habilidades para trabalhos manuais? Que os filhos precisam mais das mães? Poderia citar outros milhares de exemplos, mas não é necessário, pois creio que todos compreenderam o que quis dizer.

Por que estou dizendo isso, afinal? Porque, quando nos tornamos adultos, somos levados a acreditar que o cuidado é tarefa das mulheres. Em um relacionamento, portanto, muitas vezes as mulheres se veem sobrecarregadas com os afazeres domésticos, cuidados com os filhos e com os maridos – que, segundo pesquisas, chegam a dar mais trabalho que os filhos!

Maridos não são filhos. Mulheres não são responsáveis, sozinhas, pelo sucesso da relação. Filhos não precisam só das mães. O cuidado não é tarefa exclusiva das mulheres, embora a todo momento sejamos levados a acreditar que sim. Está cada vez mais claro para mim que não dá para edificar uma casa sozinha. Carregar esse fardo é desumano e cruel – e leva muitas mulheres à exaustão e sobrecarga.

No mundo em que eu vivo alguns homens preparam almoços e jantares, planejam viagens, lavam louça, limpam a pia, lavam roupa, separam o lixo, cuidam dos filhos – que algumas vezes não são seus. Atribuir a capacidade de cuidar somente às mulheres é ultrapassado, mas ainda há quem viva no século errado, não é verdade?

Cuidar implica em assumir afazeres chatos, como lavar louça, ir ao supermercado, trocar fralda de criança. Mas quando a gente ama e faz isso em conjunto, ou faz pelo cuidado com o outro, essas atividades ganham outra dimensão e aprendemos que o melhor nos relacionamentos são as vivências diárias com as pessoas que amamos.

É no cuidado com o outro que os laços familiares são solidificados, as conexões emocionais são fortalecidas, as relações com os filhos se tornam mais próximas e a nossa existência mais enriquecida. Quem ama cuida. Não num dia de festa ou ocasião especial, mas diariamente.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Quem ama cuida

Sempre defenderei que o amor é bom, mas não posso negar que é, também, uma fonte inesgotável de deveres e responsabilidades. Quem ama cuida, protege, se responsabiliza. Eu não sei como seria a vida se fôssemos incapazes de amar, mas sei que a vida de quem ama é cheia de afazeres e compromissos.

Quando um bebê nasce é uma festa, mas quando o seu bebê nasce, ele é o seu mundo. Um mundo que ocupa 24 horas do seu dia. Que não se alimenta sozinho, nem se troca, nem toma banho. E, ainda que exaustos, passando noites insones, não sabemos como podemos amar mais aquela pessoinha, aquela parte de nós. Isso é amor.

É chato ir em reunião escolar? Na maioria das vezes é. Mas você precisa saber o rendimento escolar do filho e como se relaciona com as os outros no ambiente acadêmico e, por isso mesmo, ajusta a agenda, dá um jeito e está lá. E quase morre de orgulho se um profissional o elogia. Isso é amor.

Muitos pais, mesmo depois de um dia exaustivo, levam e pegam o filho na festa com medo de que ele vá embora sozinho, pegue carona com amigos embriagados ou chame um motorista de aplicativo tarde da noite. Isso é amor.

Quando o pai, mãe, filho, cônjuge, irmão ou amigo estão doentes, você se preocupa em fazer a sua comida preferida, comprar um livro, baixar uma série, mandar mensagens de apoio ou qualquer outra coisa para fazer o dia dela melhor. Isso é amor.

Quando a gente ama a gente cuida, se entrega, se preocupa. Às vezes tira forças de onde nem sabia que existia para fazer bem a pessoa que depende de você. Ou depende naquele momento. Por isso mesmo, o amor nos fortalece – e nos torna humanos.

Amor não é foto de porta-retrato, festas, presentes, beijos e abraços. Amor é doação e responsabilidade. É providenciar o que comer, o que vestir, em que escola estudar, deixar de comprar algo para você para comprar para o outro, é ligar para saber se está tudo bem, acompanhar no médico, anotar os horários dos remédios.

Amar é se preocupar com outra pessoa além de você mesmo. E, ainda que dê trabalho e às vezes canse, é a melhor coisa que existe na vida, pois só amando somos amados. E só amando descobrimos o tamanho da nossa existência.

linhaassinatura_GISELI

 

Etiquetado , , , , , ,

Quem ama se importa

amornavegandoVocê liga e seu filho não atende, o coração dispara. Seu telefone toca e aparece no visor o nome da escola, seu coração quase para. Sua irmã não chegou em casa na hora combinada, falta o ar. Seu noivo não responde uma mensagem, você se preocupa. Sua mãe passa mal e você perde o chão. Seu pai não está bem, você sente-se mal.

Provavelmente não sou a única que prevejo coisas ruins e sinto calafrios quando, simplesmente, alguém que amo não atende um telefonema ou não responde uma mensagem. Só quem ama se importa. Em estar presente, em ver o outro feliz, em saber se já chegou, se já comeu, que horas volta. Em chegar mais rápido em casa para jogar conversa fora, comprar uma barra de chocolate que o outro adora ou apenas fazer uma visita relâmpago para ganhar aquele abraço aconchegante.

O amor, queridos, é bom. Mas é também uma fonte de dor inesgotável. É fonte de saudade, de desavenças, de desentendimentos, de controvérsias, de preocupações, de expectativas, de conciliações, de consensos, ponderações e muito aprendizado. Porque só quem ama se importa. Com o que o outro sente, o que o outro deseja, o que o outro fala.

“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.”

José Saramago

Cuidamos dos nossos amigos, familiares e amores, mesmo que por vezes de maneira sufocante, não por eles. Mas por nós mesmos. Seria possível viver sem essas pessoas que povoam nossas vidas, fazem parte da nossa jornada e estão conosco todos os dias? Ainda que todos os dias não sejam presencialmente, 24h por dia?

Imagine como seria encantadora a vida se não nos importássemos com nada nem ninguém? Não conheceríamos o desespero, nem com um familiar internado no hospital nem com uma ligação não atendida. Nem nos preocuparíamos nunca em avisar coisa alguma. Se a pessoa amada traiu, mentiu, não apareceu, caiu, passou mal, também não iria significar coisa alguma. Seríamos indiferentes. E viveríamos uma liberdade inigualável. Mas é possível viver sem se importar? Sem ter a quem amar? Sem ter com quem se preocupar?

As pessoas que amamos vão sofrer, se frustrar, adoecer, morrer e nos trair. Independente da nossa vontade e de todo amor e cuidado que dedicamos a elas. E, inevitavelmente, sofreremos com isso. E, ao mesmo tempo em que amar nos faz sofrer, amar nos torna humanos. Faz-nos perceber o quanto somos pequenos diante do mundo e de todos os seus acontecimentos. Porque, demonstrando nosso total egoísmo, cuidamos deles por nós mesmos.

“O outro é uma complementaridade que nos torna a nós maiores, mais inteiros, mais autênticos. Essa é a minha própria vivência.”
José Saramago

Por quem amamos choramos até nos afogar em nossas próprias lágrimas e ver o corpo desidratar e doer. Mas a dor nos faz vivos. E nos dá forças para recomeçar. Seja lá o que isso venha a significar. E, amando os outros e a nós mesmos, conseguimos nos colocar no lugar das pessoas que nem sequer conhecemos. Ou nunca vimos. Porque só quem ama se importa.

Por mais que amar às vezes cause sofrimento ou nos sufoque, a vida seria desoladora se não tivéssemos com quem nos importar. E se não existisse alguém que se importasse conosco. Porque é o amor que faz a vida valer a pena.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

Alianças Invisíveis e Indivisíveis

Alianças Invisíveis

Eu nunca usei aliança, aquela de metal, de prata ou de ouro, nem mesmo de bijuteria. Nunca fiquei noiva, ainda não casei de papel passado e não troquei alianças diante de um padre numa igreja toda decorada com flores. Acho tudo isso lindo, lindo, de verdade. Sou romântica, sim, e não só respeito o ritual da cerimônia do casamento como gosto.

Pretendo, algum dia, vestir um vestido branco, colocar flores no cabelo, casar descalça numa praia ou num jardim bonito e dizer sim para o homem que amo diante de um belo pôr-do-sol. Mas mesmo antes disso acontecer, eu quero falar sobre o que eu aprendi a respeito de alianças.

Quero falar das alianças que não enfeitam os dedos das mãos, das alianças que não são simbólicas, daquelas que ninguém além de você e o seu parceiro enxergam, das alianças invisíveis, indivisíveis e de valor imensurável. Em suma: as alianças mais preciosas que existem.

O que eu aprendi sobre a verdadeira aliança é o que eu vejo se construindo no dia-a-dia, a cada amanhecer preguiçoso de caras amassadas com vontade de ficar grudado na cama até mais tarde, no café que se prepara com a quantidade de açúcar que o outro gosta, na vontade de ir para casa correndo depois de um longo dia de trabalho, na saudade aguda que se sente depois de um dia atarefado, quando mal dá tempo de falar ao telefone, no alívio de repousar naquele colo, mas só serve se for aquele, o dele, o dela.

Nos momentos únicos, nas coisas exclusivas, nas histórias que só pertencem aos dois, nos segredos da intimidade, na sutileza dos detalhes. As alianças estão ali. Na forma como só ele sabe fazer para acalmá-la, na fórmula mágica que só ela conhece de como desarmá-lo. A magia está na rotina. Eu jamais pensei que diria isso algum dia, mas o que eu descobri sobre o amor que se constrói diariamente é que ele está mesmo na rotina. Não naquela rotina de acordar, preparar o café, desejar bom dia, sair para trabalhar, voltar, desejar boa noite, dormir, acordar e fazer tudo de novo.

Falo da rotina do cuidado, do carinho, da entrega, da generosidade, da vontade de ver o outro bem, do desejo de vê-lo se realizando, de procurar meios de fazer o seu dia mais feliz. Mas isso só funciona, é claro, quando é uma via de mão dupla. Qualquer um, com o tempo, cansa dessas boas intenções quando se está sozinho com elas.

É possível enxergar melhor a força dessa aliança quando o momento é ruim ou a fase é difícil. É na hora que as coisas não vão bem que aquela rotina do cuidado e da entrega ganha um peso maior. O amor se fortalece nos momentos bons para tornar as alianças de aço nas horas difíceis.

Um casal que decide juntar suas escovas de dentes, independente de existir uma troca de alianças de compromisso ou não, deve ser, acima de tudo, aliado. Ser aliado é muito mais importante do que ser casado.

Os aliados, esses sim, são os eternos parceiros, amigos e amantes. Esses, possivelmente, serão aqueles que farão valer a frase: “E foram felizes para sempre…”

linhaassinatura_BETA

Etiquetado , , , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: