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Cada história tem os seus desafios

Manter um relacionamento duradouro não é tarefa simples. Mais do que amor é preciso vontade. De estar junto, de querer compartilhar a vida, de entrar em consenso, de investir no relacionamento, de apoiar, de pedir ajuda, de fazer com que o amor dê certo.

Com o passar do tempo o relacionamento vai mudando. Por uma razão muito simples: as pessoas vão mudando. Dentro de uma relação isso significa que, constantemente, os acordos precisam ser reavaliados, os desejos revistos, os planos refeitos. Uma relação é composta do eu e do nós.

É muito importante alimentar a individualidade, lutar pelos seus próprios objetivos, se dedicar às suas paixões. Isso torna as pessoas mais interessantes. Você lembra quando, no início do relacionamento, admirava a garra, o entusiasmo e a paixão com que o seu amor se dedicava a alguma coisa?

Se a individualidade é importante, os rituais a dois também são. Ter momentos a dois, prazer na companhia um do outro, encontrar uma atividade que possam fazer juntos, num mundo tão conturbado e cheio de responsabilidades, é essencial para a conexão amorosa.

Conversas pouco significativas, medo de falar alguma coisa, não se sentir livre para expor emoções, ter dúvida sobre o que sente pelo outro, não existir momentos a dois ou ser proibido de fazer suas atividades são sinais de que as coisas não estão bem.

Relacionamentos longos passam por diversas fases. Nascimento e crescimento dos filhos, problemas financeiros, mudança de residência, doenças familiares, morte de ente queridos. Cada fase tem também seu desafio e, claro, nestes momentos é possível que a conexão emocional seja prejudicada.

Portanto, é importante olhar para a relação e perceber se é uma fase ou não. Se não for é provável que a insatisfação aumente cada vez mais, até que não seja possível restabelecer a conexão e sintonia amorosa.

O maior desafio de uma relação amorosa está no óbvio: é preciso que os dois queiram estar juntos. E existe muita gente maluca, corajosa, que acredita no amor e está disposta a amar. Mesmo sabendo que terá desafios pela frente.

Cada casal tem a sua história. Cada história os seus desafios.

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Permita-se estar triste

Vivemos em um mundo em que a maioria das pessoas parece desconhecer a tristeza, onde só há sorrisos, boas festas, filmes incríveis, trabalhos magníficos, viagens, mesa de bar com os amigos. Aparentemente só há alegrias e felicidade. E, se por alguma razão, você está triste o problema é seu.

Compre um livro, procure um coaching, siga as digas de um youtuber, olhe o Instagram incrível de alguém mais incrível ainda. Seja rico. Seja famoso. Seja feliz. Seja magro. Seja bonito. Se você quer, você pode. Você consegue. É só ter força, foco e fé.

Não acho que devemos expor nossas dificuldades para todos e entendo, perfeitamente, uma enxurrada de posts felizes, motivacionais e inspiradores nas redes sociais. Mas, fora das redes, também encontramos sorrisos que escondem tristezas, pessoas aparentemente bem-sucedidas que estão frustradas, casais que demonstram estar felizes e não se suportam.

Mas não é sobe isso que desejo falar, pois a intimidade de cada um pertence a si mesmo. Quero dizer que toda essa aura de felicidades, de contentamento, de obrigação de ser feliz o tempo todo, faz com que as pessoas não tolerem algo tão humano e simples: a tristeza.

Não importa o motivo todos nós ficamos tristes vez ou outra. E ficar triste, embora seja condenado atualmente, faz parte da vida. Precisamos aceitar a tristeza e lidar com ela. Sofreu uma desilusão, foi acometido por uma doença, perdeu alguém querido, ficou sem emprego, o plano deu errado. E um direito seu ficar triste, chorar e sofrer.

Eu sei que estou falando o óbvio, mas já vi gente dizendo “não chore” para alguém que acabou de perder um ente querido. Não é desumano exigir que uma pessoa fique bem, não derrame uma lágrima após o falecimento de alguém?

Ninguém quer sofrer, mas o sofrimento faz parte da vida. Não significa que a pessoa esteja depressiva, seja fraca, não saiba lidar com as suas emoções. Pelo contrário. Quem finge estar feliz quando na verdade está infeliz, está ignorando a si mesmo e sabotando a própria felicidade.

Não se culpe quando estiver triste e o mundo parece estar feliz. Permita-se viver seus momentos de fraqueza, de dor, de insegurança, de medo, de insatisfação. Respire. Chore. Escreva sobre isso. Converse. Se preciso for, peça ajuda. E se não conseguir lidar com o problema, procure ajuda profissional.

Mas entenda: não há nada de errado em estar triste, decepcionado, frustrado, desanimado uma vez ou outra. Errado é ignorar os nossos sentimentos e emoções, perseguir uma felicidade inexistente e mentir para nós mesmos.

E acredite: a tristeza tem fim.

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Todo dia é dia dos namorados

Quando nos conhecemos eu seria capaz de jurar que o nosso relacionamento não seria nada além de um passatempo e alguns encontros casuais. Tenho certeza que você teria jurado o mesmo. Tudo que eu menos queria era me envolver com alguém naquele momento. E você também. Não levávamos muita fé na gente e ficamos ali, sem criar expectativas sobre um futuro a dois.

Como não temos controle sobre as coisas do coração, estamos juntos. Contrariando a expectativa de amigos, familiares e, principalmente, de nós mesmos. E hoje é o nosso oitavo dia dos namorados. Lembro-me do primeiro, em Santa Catarina. Naquele dia ainda não tínhamos assumido um namoro, não houve troca de presentes e não podemos dizer que foi um jantar romântico. Mas a viagem foi divertida e o jantar também, você lembra?

Aliás, naquele dia não poderíamos imaginar muitas outras coisas que estariam por vir. Quem de nós iria prever que aquela seria a primeira viagem de muitas? Que faríamos listas dos lugares que queremos visitar? Que iríamos viver sob o mesmo teto e teríamos uma casa decorada com vários objetos comprados em viagens? Nenhum de nós. Aquela viagem foi um prenúncio que não tivemos maturidade de compreender.

Já tivemos a oportunidade de comemorar o Valentine´s Day em Londres, lembra? Comemoramos por acaso, é verdade. Percebemos que tinha corações espalhados pela cidade, o restaurante estava todo decorado e tinha um cardápio especial. Foi uma noite alegre, divertida, teve boa comida e o melhor presente que poderíamos dar um ao outro: a felicidade de conhecer mais uma cidade do mundo em boa companhia.

Alguns dizem que o Dia dos Namorados é uma data meramente comercial, que não serve de nada, que é desnecessário, que é puro capitalismo. Eu respeito a opinião de cada um e a decisão de cada pessoa comemorar a seu modo. Ou não comemorar. Cada casal, sem dúvida alguma, tem suas próprias regras, seus rituais, seus acordos e suas próprias comemorações. Só que hoje em dia eu vejo graça e beleza na possibilidade de comemorar qualquer dia com você. E o Dia dos Namorados ganhou um significado para mim.

A data é importante para as pessoas que elas devem ser gentis, dar presentes, elogiar, agradar e surpreender quem se ama. E quem não tem oportunidade de fazer isso com frequência pode fazer nesse dia. Essas mesmas pessoas podem perceber que, ainda que exista uma data específica, podem fazer de vários outros dias do ano um dia especial, feliz e dos namorados.

Podem comemorar o Dia dos namorados aqueles que ainda não sabem se estão namorando ou não, como não soubemos um dia. Aqueles que já sabem que estão namorando. Os que estão noivos. Os que são casados. Porque cada 12 de junho é diferente um do outro e ganha um significado quando estamos com quem é importante para nós.

Existe dia dos namorados em todos os meses e em qualquer dia da semana. Quer exemplos? Quando você faz um jantar à luz de velas para me receber cansada, depois de uma aula estressante. Quando se arrisca a fazer um prato novo, pois sabe que eu adoro. Quando compramos algo que o outro gosta. Quando fazemos um elogio inesperado. Quando nos divertimos. Quando escrevemos um para o outro. Quando decidimos mais um destino de viagem. Quando eu resolvo assistir um filme que não gosto e fico lutando contra o sono.

Namorar é fazer pacto com a felicidade, independente do estado civil. E sabemos: a felicidade está nas pequenas coisas, o amor só floresce quando plantamos e o melhor lugar do mundo é ao lado de quem amamos, em qualquer dia do ano.

Feliz Dia dos Namorados!

Crônica publicada em 12 de junho de 2016.

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Cuidado com o que você deseja

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Era uma vez um casal que desejava muito ter filhos e não conseguia. Fez vários tratamentos, tentou de todas as formas e, não conseguindo, resolveu adotar uma criança. Hoje só fazem discutir por causa do filho e reclamar que a criança é uma peste.

Era uma vez uma mulher que desejava ser promovida a gestora. Estudou, se dedicou ao trabalho e conseguiu. Pouco tempo depois de ter comemorado a promoção estava se questionando se o cargo de liderança era para ela, se era mesmo competente para isso e se estava mais realizada agora.

Era uma vez uma mulher que sonhava em casar. Encontrou o amor da sua vida, fez uma linda festa e viajou para Europa na lua de mel. E foram felizes para sempre. Mentira. Ela está entediada, frustrada que o marido não colabora com as atividades domésticas, brigam constantemente e não quer nem comemorar o aniversário de casamento.

Era uma vez uma mulher que queria ser engenheira. Estudou muito, passou no vestibular, concluiu o curso com louvor e agora está sofrendo com a falta de oportunidades na sua área, os baixos salários e as condições oferecidas para trabalhar. E se culpa por não ter feito outro curso.

São quatro histórias cotidianas. Mas poderia ser muito mais. Você mesmo já deve ter feito muita questão de alguma coisa e, ao conquistar, conheceu a frustração de ter o que queria. Ou conhece alguém que depois de uma conquista está se lamentando justamente pelo que acreditava ser o que faltava para a sua completa felicidade.

Em relação aos exemplos apresentados, a culpa não está na criança adotada, na promoção dada, no casamento ou na conclusão de um curso. Nem nos protagonistas terem desejado ser pais, chefe, esposa ou ter uma graduação. Está na nossa capacidade de imaginar que conquistas são objetos inanimados e acabados quando são apenas o começo de uma nova caminhada.

Todas as conquistas trazem consequências, responsabilidades e situações que não havíamos imaginado antes de ter conseguido realizar nossos sonhos. A vida não é uma sequência de cenas perfeitas, com realizações seguidas de momentos de paz, serenidade e felicidade plena.

Tudo que desejamos pode se tornar, de uma hora para outra, em algo desesperador. Ou se mostrar muito diferente do que idealizamos. Nesse momento muitos se tornam amargos: se arrependem e reclamam dos filhos que tiveram, do casamento conquistado, da promoção tão sonhada, da graduação escolhida. Outros se abrem a novos aprendizados, repensam sua existência, abrem a mente e compreendem que o fascínio da vida está justamente naquilo que não foi idealizado. E seguem felizes.

Tenha em mente que o que você deseja é sempre muito mais e maior do que o seu desejo. E neste momento, ainda que não seja exatamente como você idealizou, pode vir a ser muito melhor. Basta você aceitar o desafio, repensar e aprender com as oportunidades que a vida dá.

É sempre muito melhor conquistar o que queria do que ficar a vida toda imaginando como seria.

“Cuidado com o que você deseja, pois você vai obter.”

Goethe

Crônica publica em 11 de janeiro de 2017 no blog pessoal da autora.

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Um amor leve

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A maior parte das pessoas, para não dizer todas, tem uma história de desilusão amorosa para contar. De relacionamento conturbado, não correspondido, mentiras, traições. Relacionamento é coisa difícil de dar certo. E, até que dê, vamos colecionando mágoas, marcas, traumas e histórias.

Qualquer que seja a história de amor malsucedida, ela não pode nos impedir de olhar para frente e acreditar que o amor é uma coisa boa. Muitos ficam com medo de amar de novo e evitam se relacionar para não sofrer, não chorar, não se desiludir. Ainda que compreensível, evitar se relacionar por medo de se decepcionar é deixar de viver.

Viver é experimentar vários sentimentos e sensações. Ter momentos felizes e infelizes. Lidar com ciúmes, inseguranças, medos, desconfianças, começos e fins. Ninguém é feliz o tempo todo. Mas há os que escolhem olhar a vida com leveza enquanto outros preferem carregar o peso de uma vida amarga.

No amor também é assim: existem aqueles que acreditam que amar é sofrer e nunca terão um relacionamento feliz, e outros que acreditam que o amor é bom e fazem de tudo que está ao seu alcance para fazer com que seu relacionamento dê certo. E, neste caso, as frustrações podem servir de aprendizado. 

Amores devem fazer bem. Pessoas podem ser felizes juntas. Um relacionamento pode trazer enriquecimento pessoal. Mas o amor não chega para quem tem medo, para quem não acredita e vive desconfiando que coisas boas nunca irão lhe acontecer.

Amor é bom quando é leve. Quando só a companhia basta. Quando trocas de olhares são capazes de comunicações incríveis. Quando o casal aprende junto. Quando há respeito. Quando a simples presença faz feliz. Quando há mais risos do que lágrimas. Quando um cuida do outro. Quando as pessoas cuidam de si mesmas para não sobrecarregar o outro.

O amor não tem que ser um fardo, um peso, um status de relacionamento. Não exige esforço para vivê-lo. Simplesmente faz parte da vida e da rotina. Torna as coisas mais fáceis. Mas, sinto dizer: um amor leve não chega para pessoas pesadas. E nem para aquelas que estão com medo de viver. 

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