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Tudo novo

Toda virada de ano nos pegamos fazendo planos que se perdem facilmente antes do carnaval – que, segundo a lenda, é quando o ano realmente inicia. Parece até dieta: segunda-feira eu começo! Segunda eu paro de fumar. Segunda eu entro na academia. Segunda eu paro de beber. Segunda eu mudo de emprego. Segunda eu arrumo um namorado. Segunda eu me separo daquele pilantra. Segunda!

E, de promessa em promessa, você está aí, com a bunda gorda sentada na mesma cadeira, cercada de pessoas que você preferia que explodissem como fogos de réveillon, esperando. Esperando o quê? Milagre? Eu até acredito em milagres, mas aqueles que você faz por merecer.

Às vezes, ficamos arrumando desculpas pra não fazer o que realmente queremos. Mas arrumar soluções produz o mesmo esforço mental, eu garanto. E, quando traçar sua meta, não se assuste com a distância: apenas dê o primeiro passo. Como dizia Chico Science, ele é o suficiente para que você já não esteja no mesmo lugar. O resto é consequência. Mas ninguém pode dar esse passo por você. Confie. Em VOCÊ. Porque você PODE. Cultivar o amor-próprio é a forma mais simples de conquistar a felicidade.

Hoje, não vou desejar a você aquele clichê de boas festas: saúde, paz, prosperidade, harmonia… Com certeza muitos entes queridos já fizeram esses votos! Amigo do Amor Crônico, desejo a você CORAGEM. Com ela, você pode alcançar o que quiser.

Lembre-se: o ano não vai ser realmente novo se você continuar igual.

Peixe

Que venha 2014!

linha

Lina Vieira

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O preço da independência feminina

Mulheres Independentes

A maioria das mulheres solteiras que eu conheço possuem uma característica em comum: são independentes. E isso é uma coisa que me intriga há muito tempo mas só agora resolvi trazer à tona. Não só porque é um assunto delicado, que mexe com o tão polêmico movimento feminista e toca na ferida dos machistas mas, porque, acima de tudo, eu demorei muito tempo para entender – eu disse entender, não aceitar – que mulheres independentes sofrem preconceitos reais.

Há poucos dias uma amiga veio me contar, indignada, que estava saindo com um sujeito que, depois de alguns encontros, virou-se pra ela e disse: “eu jamais namoraria você… não dá para controlar uma mulher tão livre e independente assim.”. Comigo o mesmo já aconteceu, só que de maneira mais sutil e menos franca. O rapaz aí em questão assumiu seu machismo, coisa que, nos dias de hoje, a maioria dos homens disfarça ou mascara e nós só vamos descobrir que o bom moço por quem nos apaixonamos é um tremendo machista enrustido tempos depois, quando a parte racional do nosso cérebro já está seriamente comprometida.

Minha mãe sempre me disse que eu assusto os homens e eu sempre me assustei com essa afirmação tão segura e enfática dela. E inconformada, questionava, “mas, por que isso, mãe?”. A resposta é simples e mesmo assim, meia volta eu preciso que ela desenhe novamente para mim, especialmente quando saio frustada e despedaçada das minhas relações.

Aos 13 anos de idade comecei a trabalhar e a ganhar meu próprio dinheiro. Aos 18, saí de casa e fui morar em outra cidade, sozinha. Trabalhei, estudei, estagiei, viajei e paguei, sem a ajuda de ninguém, minha própria faculdade, minha carteira de motorista, meu aluguel e as calcinhas que visto. Em dez anos, morei em várias cidades, tive diversos endereços e atualmente moro sozinha num apartamento pequeno que cabe no meu orçamento de jornalista freelancer e, apesar de ainda ter um caminho longo a percorrer para realizar meus sonhos e objetivos, sou feliz na minha condição de mulher livre, contudo, hoje, perto de completar 30 anos, sinto o peso das minhas conquistas.

Isso mesmo, o peso. Nessa década de caminhada solitária em busca da minha realização pessoal e profissional me envolvi com homens que, em sua maioria, admiravam a minha postura mas que, no entanto, não seguraram o rojão de ter ao lado uma mulher que toma suas próprias decisões, que não pede permissão para ir ao bar com as amigas ou para ir ali rapidinho em Ilha Grande no fim de semana se isolar para pensar um pouco na vida. Mas, ao que me parece, para eles o FIM mesmo é quando notam que não somos dependentes deles, financeira ou emocionalmente. Em contrapartida, nós, mulheres, jamais suportaríamos um companheiro emocionalmente dependente de nós, e isso não tem nada a ver com machismo ou feminismo, mas com amor, ou melhor, com a nossa forma de amar.

Mulheres independentes amam de forma diferente, amam de forma, digamos… independente. É como se, com as nossas atitudes, disséssemos assim para eles: “Olha, meu amor, eu te amo, mas precisar, precisar mesmo, eu preciso do meu trabalho, dos meus projetos, preciso me realizar, mas quero ter você ao meu lado em cada conquista. Você topa seguir de mãos dadas comigo?”. E eles entendem assim: “Querido, eu até gosto de você, mas como eu sou uma mulher livre e independente, eu saio por aí dando para quem eu quiser, tudo bem?”. E é claro, eles não aceitam, não entendem e se recusam a ter ao lado uma mulher cuja a vida, ela própria controla.

E o que temos é uma geração de mulheres bem-sucedidas, com carreiras cada vez mais sólidas e… sozinhas. Mulheres independentes dependentes de carinho, com um potencial surpreendente para amarem e serem amadas, mas que assustam tanto os homens com sua auto-suficiência que acabam se vendo abrindo mão – não por escolha, mas por imposição subconsciente da sociedade – a não terem uma vida amorosa (sim, eu tô falando de amor, não de sexo!) para continuarem conquistando seu espaço.

É claro que existem homens que não só não se importam, como também se orgulham e vibram por terem ao lado uma parceira com essas características mas, garanto, eles estão em minoria. O machismo persiste até os dias de hoje e os homens ainda se sentem intimidados e inseguros com mulheres decididas e determinadas a serem, acima de tudo, felizes e plenas.

Da mesma forma que cabe a eles, cabe a nós também o desejo e a capacidade de desempenhar diversos papéis com maestria. Eu quero ser uma profissional reconhecida e bem remunerada, quero ser uma boa mãe e quero também ter um parceiro que não só compreenda como compartilhe dos mesmos desejos e vontades, inclusive da necessidade de distração e diversão nos intervalos disso tudo, seja individualmente ou em dupla. E, tenho certeza, não é querer demais.

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