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Como melhorar a vida a dois

Se você começou a ler esse texto pensando em encontrar fórmulas prontas, pode parar por aqui. Quando se trata de relacionamento, qualquer que seja ele, não existe receita, bula, fórmula ou mágica. Existe comprometimento, vontade de fazer dar certo e muito amor. Então esse texto nem precisaria ser escrito, certo? Errado. O óbvio também precisa ser dito.

Dividir a vida com alguém é um desafio, os casais podem confirmar. Mas quando a gente se apaixona e comete a loucura de morar sob o mesmo teto, juntar as escovas de dentes e compartilhar a vida, começa a ter a real compreensão do que é um relacionamento e a ver as relações familiares sob uma nova perspectiva.

Cada um foi criado de uma maneira, são mundos distintos que se unem e, em algum momento, isso traz conflitos. Passada a paixão, as diferenças trarão conflitos. Mas se há amor e maturidade também haverá aprendizado, crescimento e consolidação da relação. De todas as coisas que lemos sobre relacionamento, a mais verdadeira e importante é que o amor se constrói no dia a dia. Todos os dias.

É fundamental expressar o que incomoda, mas essencial reconhecer que o outro não é uma extensão de si mesmo e não nasceu para suprir as suas expectativas. Pense nas coisas que realmente são importantes e que fazem diferença no dia a dia, não fique discutindo o que não é primordial. Vários relacionamentos se desgastam por pequenas discussões desnecessárias.

Tão importante quanto falar o que desagrada, é reconhecer o que é positivo. Com o passar dos anos o hábito de agradecer ao outro por pequenas gentilezas e reconhecer os méritos acaba sendo esquecido, recupere isso. Elogie, agradeça, reconheça. Não acredite que o outro já sabe o que você acha.

Estar junto precisa significar parceria, amizade, confiança e cumplicidade. E talvez esteja aqui a grande lição deste texto: isso não depende só de você. Ame, se comprometa, se dedique, demonstre amor, mas não insista em uma relação que não é recíproca. Por maior que seja o amor, não dá para amar pelos dois.

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Como se formam os casais

É engraçado pensar que pessoas que nunca se viram antes, não tinham qualquer vínculo, de repente se tornam casais. Alguns se conhecem no transporte público, em aplicativos de relacionamento, na escola, no trabalho, numa praça, na praia, em um show, durante uma viagem. Conversam, trocam telefones, se beijam, marcam encontros, ficam, namoram, se casam, têm filhos.

Completos desconhecidos e estranhos se tornam uma das pessoas mais importantes na vida um do outro. Compartilham experiências, vivem momentos tristes e felizes, constroem uma vida em comum, que pode levar muitos ou poucos anos. Mas que deixam memórias, criam histórias e fazem com que este encontro, de uma maneira ou de outra, influencie a sua existência.

O amor é uma força potente. E, chega assim, meio de repente. Por mais que muitas pessoas sonhem em encontrar alguém para amar e ser amado, não imaginam que justamente aquele perfeito desconhecido vai se tornar essa pessoa. Ou alguém imaginou, depois do primeiro beijo ou do primeiro encontro, que a história estava só começando e viria muito mais?

É verdade que há casais formados por pessoas que já se conheciam, amigos de infância ou pessoas próximas da família, mas a maioria é construída por pessoas que nem imaginavam que se conheceriam um dia. E, de repente, estão ali traçando planos, sonhando juntas, construindo a própria família.

As pessoas estão lá, entretidas com a vida, fazendo suas coisas, conhecem alguém, se apaixonam e escrevem uma história. E isso é lindo. Prova que as pessoas são capazes de confiar umas nas outras, assumir riscos e se empenhar para contribuir com a felicidade de alguém.

Você encontrou o seu amor? Era alguém que já conhecia ou um completo desconhecido? Onde se conheceram? Se ainda não encontrou, lembre-se: um dia, quando menos esperar, um estranho fará parte da sua vida – se for isso que você desejar, claro.

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O amor não precisa ser complicado

Eu me deparei com um tweet que dizia que ninguém fala que ter um bom relacionamento te faz sentir falta de sofrer por amor. Li, reli e não paro de pensar na ideia de que a maioria das pessoas tem de amar é sofrer, que amor não correspondido é romântico, que ter relacionamento exige sacrifícios, que aprendemos pela dor, só damos valor quando perdemos.

É impossível negar que o sofrimento amoroso nos presenteou com diversas músicas, poesias, livros e filmes maravilhosos. E que ter vivenciado experiências dolorosas em relacionamentos amorosos nos tornou melhores. Ou mais fortes. Ou mais conhecedores de nós mesmos. Ou, no mínimo, mais experientes.

Precisamos desconstruir a ideia de que o amor é capaz de mudar o outro, que o relacionamento tem mais valor depois de muitos obstáculos, de que conquistar alguém é um jogo, que amar é sofrer, que o sexo é melhor depois de uma briga, que reatar depois de dar um tempo faz as coisas melhorarem. Não caia nessa cilada de que amor verdadeiro é aquele que exige sacrifícios e renúncias.  O amor precisa ser fácil.

A vida, por si só, já é muito complicada para se envolver com alguém que só traz dor de cabeça. Todo e qualquer relacionamento vai ter seus desafios: problema financeiro, desavenças com a família, doenças, falecimento de alguém próximo, mudança de emprego, necessidade de reavaliar a dinâmica da família. Ou qualquer outra coisa, porque a vida é constante mudança. E você ainda precisa sofrer por amor? Sofrer com um relacionamento que deveria ser um dos motivos de sua felicidade?

Não sofra imaginando se a pessoa gosta de você ou não. Não tente se convencer de que o outro não ligou para fazer charme. Não acredite que o ciúme das suas roupas é zelo. Não assuma a responsabilidade de mudar o outro. Não acredite que a falta de carinho e atenção é para disfarçar o que sente por você.

Queira estar com quem quer estar com você. Com quem te liga no dia seguinte. Com quem diz que vai e aparece. Com quem te trata bem. Com quem te elogia. Com quem te apoia. Com quem te incentiva. Com quem te apresenta aos amigos. Com quem se orgulha de você. Com quem entende que o amor não precisa trazer dor, nem sofrimento para ser forte e verdadeiro.

Queira a sorte de um amor tranquilo.

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É autocuidado ou medo de amar?

“Eu não quero me envolver”, “melhor pegar sem se apegar”, “não vou criar expectativas”, “as coisas estão indo bem, mas não quero nada sério”. Essas e muitas outras são frases que ouvimos constantemente. Quando se trata de amor, a prudência é sempre válida. Mas até que ponto é autocuidado ou medo de amar?

Às vezes, o que parece autocuidado e proteção nada mais é do que uma barreira que impede de amar, se envolver e permitir a construção de um novo relacionamento amoroso. Experiências passadas, como rejeição, abandono e traição criam feridas e a necessidade de se proteger de novas desilusões.

Muitos medos podem se disfarçar de precaução, criar mecanismos para evitar uma relação e fazer com que a pessoa se feche, impedindo que o bom se aproxime e um relacionamento saudável seja construído. Evitar se relacionar é, também, deixar de viver.

À medida que amadurecemos e temos experiências não é prudente se envolver de cabeça, se jogar sem saber onde está se metendo, não se preocupar com o futuro, não pesquisar o outro, agir por impulso. Entender os seus desejos e respeitar seus limites, assim como os da outra pessoa, é importante para avaliar o envolvimento e construir uma boa relação.

Mas criar estratégias para não se apegar, fazer joguinhos para desmarcar encontros que você deseja, dar gelo, não atender ligações, tratar mal a pessoa com medo de criar vínculo quando a pessoa demonstrou ser alguém especial, é medo de amar. E medo não é autocuidado nem proteção.

Todas as pessoas que amaram já sofreram alguma vez. Já se desiludiram, já se decepcionaram, já se magoaram, já foram traídas, já foram abandonadas, já foram enganadas. É perfeitamente compreensível que tenham medo de se entregar novamente, que tenham mais cuidado, que pensem melhor antes de se envolver.

Eu estou aqui para dizer que uma relação é diferente da outra. Que uma pessoa é diferente da outra. Que ter sofrido um dia não significa que vai sofrer sempre. E que todos nós merecemos amar e ser amados. Portanto, tenha cuidado, mas não crie barreiras. Só recebe amor quem tem coragem de amar.

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Meia palavra basta?

Eu gosto muito dos ditados populares. Eles fazem parte da nossa cultura, da nossa tradição e transmitem a sabedoria popular. Eu utilizo com frequência os ditados que ouvi na infância e acredito que muitas pessoas também se apropriem deles para advertir, aconselhar, pontuar uma colocação. Mas às vezes repetimos frases que nos foram ditas sem refletir, de maneira automática e mecânica.

Esta semana, depois de ouvir “para bom entendedor, meia palavra basta”, eu me vi refletindo sobre o ditado que já reproduzi inúmeras vezes. Meia palavra basta mesmo? Será que quem diz que entende realmente entendeu? Por que esperar que o outro compreenda sem darmos todas as explicações? Deixar de falar com clareza não é correr o risco de ser interpretado de maneira equivocada?

Compreendo que precisamos prestar atenção no outro, tentar entender o que as palavras não são capazes de explicar, perceber que há algo estranho ou diferente e procurar saber o que é. A observação é valiosa para a manutenção dos relacionamentos. Faz com que a gente se conecte ao outro e nos ajuda a perceber as suas emoções.

Por outro lado, principalmente quando se trata de relacionamento amoroso, não é justo deixar que o outro adivinhe o que sentimos e se passa na nossa mente. A ideia do amor romântico nos leva a crer que quem ama tudo entende, que os apaixonados conversam no olhar e que não há necessidade de explicar os sentimentos. Mas eu vos digo: há.

Eu, que prefiro escrever a falar, sei o quanto é difícil colocar as emoções, traduzir os sentimentos em palavras e falar abertamente o que acha, pensa ou quer da relação. Com o passar do tempo, no entanto, aprendi que não podemos transferir a responsabilidade emocional para o outro desejando que tudo seja compreendido sem que seja explicado.

Converse. Exponha suas emoções, revele suas expectativas, deixe claro o que deseja. Não fique esperando que o outro interprete o que você quer. Fale todas as frases, com todas as letras. Inteirinhas.  A comunicação, tão negligenciada, é muito importante para a construção de um vínculo saudável e duradouro.

Meia palavra não basta não. Se houve alguma situação inconveniente e você não deseja discutir naquele momento, tudo bem. Mas volte ao assunto depois, esclareça seu ponto de vista, ouça. Se já é difícil compreender e ser compreendido usando palavras inteiras, imagina quando as deixamos pela metade.

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