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O amor não precisa ser complicado

Eu me deparei com um tweet que dizia que ninguém fala que ter um bom relacionamento te faz sentir falta de sofrer por amor. Li, reli e não paro de pensar na ideia de que a maioria das pessoas tem de amar é sofrer, que amor não correspondido é romântico, que ter relacionamento exige sacrifícios, que aprendemos pela dor, só damos valor quando perdemos.

É impossível negar que o sofrimento amoroso nos presenteou com diversas músicas, poesias, livros e filmes maravilhosos. E que ter vivenciado experiências dolorosas em relacionamentos amorosos nos tornou melhores. Ou mais fortes. Ou mais conhecedores de nós mesmos. Ou, no mínimo, mais experientes.

Precisamos desconstruir a ideia de que o amor é capaz de mudar o outro, que o relacionamento tem mais valor depois de muitos obstáculos, de que conquistar alguém é um jogo, que amar é sofrer, que o sexo é melhor depois de uma briga, que reatar depois de dar um tempo faz as coisas melhorarem. Não caia nessa cilada de que amor verdadeiro é aquele que exige sacrifícios e renúncias.  O amor precisa ser fácil.

A vida, por si só, já é muito complicada para se envolver com alguém que só traz dor de cabeça. Todo e qualquer relacionamento vai ter seus desafios: problema financeiro, desavenças com a família, doenças, falecimento de alguém próximo, mudança de emprego, necessidade de reavaliar a dinâmica da família. Ou qualquer outra coisa, porque a vida é constante mudança. E você ainda precisa sofrer por amor? Sofrer com um relacionamento que deveria ser um dos motivos de sua felicidade?

Não sofra imaginando se a pessoa gosta de você ou não. Não tente se convencer de que o outro não ligou para fazer charme. Não acredite que o ciúme das suas roupas é zelo. Não assuma a responsabilidade de mudar o outro. Não acredite que a falta de carinho e atenção é para disfarçar o que sente por você.

Queira estar com quem quer estar com você. Com quem te liga no dia seguinte. Com quem diz que vai e aparece. Com quem te trata bem. Com quem te elogia. Com quem te apoia. Com quem te incentiva. Com quem te apresenta aos amigos. Com quem se orgulha de você. Com quem entende que o amor não precisa trazer dor, nem sofrimento para ser forte e verdadeiro.

Queira a sorte de um amor tranquilo.

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É autocuidado ou medo de amar?

“Eu não quero me envolver”, “melhor pegar sem se apegar”, “não vou criar expectativas”, “as coisas estão indo bem, mas não quero nada sério”. Essas e muitas outras são frases que ouvimos constantemente. Quando se trata de amor, a prudência é sempre válida. Mas até que ponto é autocuidado ou medo de amar?

Às vezes, o que parece autocuidado e proteção nada mais é do que uma barreira que impede de amar, se envolver e permitir a construção de um novo relacionamento amoroso. Experiências passadas, como rejeição, abandono e traição criam feridas e a necessidade de se proteger de novas desilusões.

Muitos medos podem se disfarçar de precaução, criar mecanismos para evitar uma relação e fazer com que a pessoa se feche, impedindo que o bom se aproxime e um relacionamento saudável seja construído. Evitar se relacionar é, também, deixar de viver.

À medida que amadurecemos e temos experiências não é prudente se envolver de cabeça, se jogar sem saber onde está se metendo, não se preocupar com o futuro, não pesquisar o outro, agir por impulso. Entender os seus desejos e respeitar seus limites, assim como os da outra pessoa, é importante para avaliar o envolvimento e construir uma boa relação.

Mas criar estratégias para não se apegar, fazer joguinhos para desmarcar encontros que você deseja, dar gelo, não atender ligações, tratar mal a pessoa com medo de criar vínculo quando a pessoa demonstrou ser alguém especial, é medo de amar. E medo não é autocuidado nem proteção.

Todas as pessoas que amaram já sofreram alguma vez. Já se desiludiram, já se decepcionaram, já se magoaram, já foram traídas, já foram abandonadas, já foram enganadas. É perfeitamente compreensível que tenham medo de se entregar novamente, que tenham mais cuidado, que pensem melhor antes de se envolver.

Eu estou aqui para dizer que uma relação é diferente da outra. Que uma pessoa é diferente da outra. Que ter sofrido um dia não significa que vai sofrer sempre. E que todos nós merecemos amar e ser amados. Portanto, tenha cuidado, mas não crie barreiras. Só recebe amor quem tem coragem de amar.

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Meia palavra basta?

Eu gosto muito dos ditados populares. Eles fazem parte da nossa cultura, da nossa tradição e transmitem a sabedoria popular. Eu utilizo com frequência os ditados que ouvi na infância e acredito que muitas pessoas também se apropriem deles para advertir, aconselhar, pontuar uma colocação. Mas às vezes repetimos frases que nos foram ditas sem refletir, de maneira automática e mecânica.

Esta semana, depois de ouvir “para bom entendedor, meia palavra basta”, eu me vi refletindo sobre o ditado que já reproduzi inúmeras vezes. Meia palavra basta mesmo? Será que quem diz que entende realmente entendeu? Por que esperar que o outro compreenda sem darmos todas as explicações? Deixar de falar com clareza não é correr o risco de ser interpretado de maneira equivocada?

Compreendo que precisamos prestar atenção no outro, tentar entender o que as palavras não são capazes de explicar, perceber que há algo estranho ou diferente e procurar saber o que é. A observação é valiosa para a manutenção dos relacionamentos. Faz com que a gente se conecte ao outro e nos ajuda a perceber as suas emoções.

Por outro lado, principalmente quando se trata de relacionamento amoroso, não é justo deixar que o outro adivinhe o que sentimos e se passa na nossa mente. A ideia do amor romântico nos leva a crer que quem ama tudo entende, que os apaixonados conversam no olhar e que não há necessidade de explicar os sentimentos. Mas eu vos digo: há.

Eu, que prefiro escrever a falar, sei o quanto é difícil colocar as emoções, traduzir os sentimentos em palavras e falar abertamente o que acha, pensa ou quer da relação. Com o passar do tempo, no entanto, aprendi que não podemos transferir a responsabilidade emocional para o outro desejando que tudo seja compreendido sem que seja explicado.

Converse. Exponha suas emoções, revele suas expectativas, deixe claro o que deseja. Não fique esperando que o outro interprete o que você quer. Fale todas as frases, com todas as letras. Inteirinhas.  A comunicação, tão negligenciada, é muito importante para a construção de um vínculo saudável e duradouro.

Meia palavra não basta não. Se houve alguma situação inconveniente e você não deseja discutir naquele momento, tudo bem. Mas volte ao assunto depois, esclareça seu ponto de vista, ouça. Se já é difícil compreender e ser compreendido usando palavras inteiras, imagina quando as deixamos pela metade.

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12 de junho. E daí?

Dia dos Namorados. Lojas cheias, restaurantes lotados, cartões escritos, troca de mensagens, juras de amor. Ou não. Alguns casais optam por comemorar o relacionamento em outra data, não trocam presentes e veem esse dia como apenas mais uma data comercial. As datas têm significados diferentes para cada um de nós. Isso inclui o tão famoso 12 de junho.

Algumas pessoas ficam eufóricas e ansiosas nos dias que antecedem a data. Estou ou não namorando? Compro presente ou não? Combino algo especial? Faço uma surpresa? E ficam ali consumidas em dúvidas sem saber o que fazer. Até que o dia chega, tudo se resolve, para o bem ou para o mal, e fim.

Ninguém precisa se endividar comprando o que não pode nem preparando eventos mirabolantes. Mas qualquer um pode fazer um jantar especial, escrever um cartão, fazer uma declaração, se oferecer para fazer uma massagem, comprar algo simbólico, se organizar para assistir um filme com mozão. Mesmo depois de casados, a pouco ou muito tempo, pode demonstrar interesse genuíno em…namorar!

Namorar faz bem ao relacionamento. É flertar, seduzir, cortejar. Coisa que muitos casais, com o passar do tempo, deixam de fazer. E depois reclamam. Você tem direito de achar o 12 de junho brega e ridicularizar o valentine´s day, mas crie oportunidades de celebrar o namoro, o relacionamento, o casamento em uma outra data qualquer. O dia em que se conheceram. O dia que reataram. O dia do casamento.

Eu, no entanto, entendo que toda e qualquer data comemorativa é um (bom!) pretexto para dar e receber presente, trocar afeto e cuidar do relacionamento. Não precisamos, obviamente, esperar datas consideradas especiais para demonstrar sentimentos, mas que mal há em expressá-los nesses dias também?

Se você não vai fazer nada hoje, pois o companheiro está longe, falta dinheiro, acha perda de tempo enfrentar filas nos estabelecimentos e julga todas essas datas desnecessárias, tudo bem. Mas certifique-se de que o outro pensa isso também. Se pensar, ótimo. Mas não deixe de namorar. De comemorar. De festejar. De celebrar. Relações precisam ser valorizadas. Sentimentos demonstrados. Apaixonados retribuídos. Em qualquer dia. Todo dia. No seu dia.

Feliz Dia dos Namorados.
Hoje ou outro dia.

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Elogie quem você ama

Você lembra do início do seu relacionamento? Como ele era antes dele ganhar o rótulo que tem hoje, na fase em que estavam se conhecendo? Onde se conheceram? Como trocaram telefones? Qual o lugar do primeiro encontro? Alguém os apresentou ou um de vocês se apresentou? Você lembra de como se sentia a cada mensagem, a cada telefonema?

No início de todo relacionamento, ansiosos em agradar, com receio de falhar, querendo conquistar, apresentamos o melhor de nós. Ou tentamos. E enxergamos o melhor do outro. Ou o que ele mostra. E não cansamos de demonstrar a satisfação de estar ao lado daquela pessoa, e não outra, e a elogiamos frequentemente. Imagino que não tenha sido diferente com você e, por isso mesmo, você se apaixonou.

Ficou feliz a cada olhar de desejo, a cada frase de incentivo, a cada palavra de admiração, a cada elogio. “Como é lindo o seu sorriso”, “como você é inteligente”, “essa roupa lhe caiu bem”, “esta cor combina com seus olhos”, “eu gosto do seu cheiro”, “ficou lindo seu corte de cabelo”, “como você canta/escreve/fala/toca um instrumento bem”. Eram frases simples, ressaltavam situações cotidianas, mas demonstram que você chamava atenção. Se não do mundo, de uma pessoa no meio de tantas.

Depois da conquista, no entanto, muitas pessoas perdem o hábito de elogiar o parceiro. Pior do que isso: deixam de observá-lo. Não notam o corte de cabelo, a cor da unha, a roupa nova, o cheiro diferente. Nem se sensibilizam com uma aprovação num concurso, uma nota alta na prova, a conquista de algo importante. A rotina é estafante, dizem. Não têm tempo para essas pequenezas.

Pouco a pouco, de indiferença a indiferença, relacionamento acaba. Acaba pela falta de cuidado, falta de interesse, falta de admiração. Pela incapacidade de apreciar as qualidades da pessoa que está a seu lado, reconhecê-las e manifestar felicidade em relação a elas.

Depois da conquista não há nada conquistado. O jogo não está ganho, porque amor não é jogo. Não há felizes para sempre, porque a vida real está bem distante de ser um conto de fadas. Tenha certeza de que há sempre mais a descobrir sobre quem você ama e, se descobrir coisas boas, o que custa elogiar?

Elogie. O elogio é uma demonstração de carinho. E amor.

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