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Faça a mágica durar

No início do relacionamento tudo é fantástico. As pessoas querem ficar juntas o tempo todo, mandam mensagens, compram presentes, escrevem cartões, dão um jeito de se encontrar apesar da louca rotina, fazem elogios, acham lindo (quase) tudo o que o outro faz, admiram o outro como ele é.

Passada a fase da conquista, a paixão vai dando lugar ao amor. O relacionamento vai se transformando, as pessoas não precisam mostrar apenas o seu lado bom nem se preocupar em agradar e conquistar o outro. E, com o passar do tempo, muitos casais começam a reclamar da rotina e sentem falta da magia do início de namoro.

O tempo não volta e o início de namoro nunca irá ser vivido novamente. Por isso mesmo é preciso curtir cada fase. Do relacionamento e da vida. Olhar para trás e ver o quanto caminharam, o que conquistaram, os planos que se realizaram, outros que mudaram no meio do caminho é algo tão bonito!

Perceber o quanto vocês mudaram como pessoas, que não são mais as mesmas de quando se apaixonaram, mas que escolhem estar juntos a cada dia é motivo de orgulho. E uma linda demonstração de amor. Sinal de que estão crescendo juntos, contribuindo um com o desenvolvimento do outro, que são parceiros e companheiros de vida.

Há beleza na rotina e amor nas coisas cotidianas. O amor permite que a gente olhe o outro com lentes de realidade. Enxergamos suas qualidades, mas conhecemos seus defeitos. Diferente da paixão, não vemos apenas o lado bom do outro nem o endeusamos.

Infelizmente muitas pessoas reclamam da rotina, do dia a dia, da convivência e preferiam viver sempre como se o amor estivesse começando. Sentem faltam das mãos geladas, do coração disparado, das surpresas. E reclamam que isso acabou, que o outro mudou, que o relacionamento não é como esperavam.

Será que essas pessoas se lembram das inseguranças, dos desencontros e dos desacertos que viveram até encontrar prazer em ser quem são ao lado de quem amam? Será que entendem que o amor se transforma, que as pessoas mudam e que mudamos também ao longo do tempo?

Por outro lado, viver ao lado de alguém durante muito tempo deve ser algo prazeroso. Não é porque conquistou que não vai mais se importar com que o outro pensa, com o que ele faz, deixar de elogiar ou não se declarar, por acreditar que o outro já sabe o que você sente. Em meio a tantos afazeres, obrigações e responsabilidades sempre dá para ser amoroso, afetivo e presente.

Independentemente do tempo que estão juntos, é possível fazer a magia durar. Nas pequenas coisas, como um café de manhã preparado com cuidado, uma mensagem enviada no meio do dia, um presente sem que seja dia de nada, uma declaração de amor.

O cuidado diário com a relação faz com que o dia a dia se torne mais leve, que os desentendimentos sejam tratados de maneira mais civilizada, que a rotina não seja um fardo e que viver junto de alguém seja algo que valha a pena.

Não reclame dos dias que não voltam mais. Experimente fazer com que os atuais sejam ainda mais bonitos, alegres, leves, cheios de significado e muito amor.

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Eu não queria, mas…

Lembro com perfeição do dia em que nos conhecemos (e o achei super sério!), do dia em que esbarramos no banco enquanto íamos pagar contas (cena digna de novela!), do dia em que me convidou para sair (e o achei tão cara de pau!), do dia em que resolvi aceitar seu convite, do dia em saímos pela primeira vez.

Protagonizamos muitas cenas. Lindas, divertidas, alegres, cômicas, inflamadas, românticas, singelas. Só não sei em qual delas eu, tão dona de mim, não resisti e me entreguei. Hoje, aonde quer que eu vá, eu não quero ir sozinha – mesmo que saiba o caminho. E, quando não sei, tenho certeza de que será mais divertido me perder, para logo me encontrar, em sua companhia.

Você fez com que eu perdesse o medo. Medo de me envolver. Medo de amar. Medo de me entregar. Medo de me comprometer. Medo de sofrer. Um monte de “pequenos” medos que juntos, eram um só: medo de viver. Aprendi que evitar a dor e o sofrimento é possível, sim, mas dessa forma evitamos, também, o prazer e a felicidade.

Não sei o momento exato em que meu coração baixou a guarda e isso já não importa. Importa que gosto da sua voz. Das suas palavras. Do seu bom humor. Do seu senso de responsabilidade. Do seu sorriso. Da sua mania de organização. Do seu romantismo nada convencional. Da sua inteligência. Do seu beijo. Dos verbos que conjuga no plural. Da maneira como me acorda. Da forma como trata os amigos. Do modo educado e firme com que fala com as pessoas. Da sua objetividade. Da sua praticidade. Da sua espontaneidade.

Mas sabe do que eu mais gosto? Jura que não vai rir? Eu gosto mesmo é da pessoa que sou quando estou com você. De qualquer jeito. Do jeito que for. Porque você me entende. E me aceita. Bagunçada. Estabanada. Desastrada. Bem humorada. Mal humorada. Tepeêmica. Indecisa. Decidida. Implicante. Animada. Cansada. Preguiçosa. Ignorante. Intelectual. Sensata. Insensata. Equilibrada. Desequilibrada. Alegre. Triste. Menina. Mulher.

Ao seu lado eu posso ser eu mesma. De salto alto, sandálias havainas ou descalça. Penteada ou com cabelos desgrenhados. De biquíni ou vestido longo. Calma ou nervosa. Lendo Saramago ou revista Caras. Falando feito uma louca desvairada ou concentrada feito uma autista. Há maior felicidade de ser quem se é, sem medo de parecer ridículo?

Com você aprendi que não existe metade da laranja, tampa da panela, príncipe encantado, alma gêmea, mas, sim, pessoas que se completam – e se somam. Que decidem estar juntas, acreditam que se relacionar é possível, são verdadeiras com os seus sentimentos e se respeitam.

Por tudo isso, repenso a vida, a maneira como vejo o mundo, o modo com que me relaciono com as pessoas e fico com uma vontade enorme de ser cada dia melhor, porque você merece que eu seja o melhor de mim mesma. O que pode ser isso, se não o amor?

…agora quero cada dia mais!

P.S.: Esta crônica foi publicada no dia 20 de outubro de 2009, no Mulé Burra, site em que escrevia na época. Sete anos se passaram, a paixão virou amor, o namoro virou casamento e eu estou aqui para afirmar que o amor sempre vale a pena.

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O amor morre aos pouquinhos

 

Já escrevi várias crônicas defendendo que o amor é construído todos os dias, que não importa o tempo de relacionamento é preciso cuidado, que uma relação a dois é resultado de uma escolha consciente e pode melhorar cada dia mais. E continuo acreditando nisso. Mas, assim como o amor cresce e se fortifica aos pouquinhos, com o fim do amor acontece exatamente a mesma coisa.

Ninguém acorda num dia, olha para o parceiro, descobre que não o ama mais, vira as costas e vai embora. O fim do amor não é repentino, mas o resultado de uma convivência desarmônica, sem diálogo, brigas constantes, falta de respeito, desatenção e desvalorização do outro. Todos nós já tivemos a oportunidade de conhecer diversos casais que se amavam muito, pareciam feitos um para o outro e se separaram.

Por que os amores chegam ao fim? Alguns afirmam que se chegou ao fim não era amor. Mas a verdade é que o amor, embora imprescindível para os relacionamentos, não basta para que eles deem certo. O pragmatismo da vida cotidiana exige empenho, dedicação e cuidado com a relação.

Algumas pessoas olham para o seu par e não sentem mais admiração, nem desejo, nem vontade de compartilhar a vida com ela. Às vezes nem se dão conta disso. Inconscientemente, vão criando maneiras para ficarem sozinhas, deixando de conversar sobre o futuro, esquecendo os planos que tinham em comum, deixando de cobrar a presença do outro, de pensar na vida a dois.

Geralmente o amor acaba por pequenos detalhes. Não resolver os pequenos dilemas cotidianos, aceitar atitudes com as quais não concorda, deixar de demonstrar afeto, seja por meio de palavras ou gestos, agir de maneira grosseira, expor o outro em público, não fazer acordos. Atitudes como essas, por exemplo, com o passar do tempo vão se tornando barreiras intransponíveis e distanciando as pessoas umas das outras.

Muitos acreditam que depois de conquistar a pessoa amada não é mais necessário se preocupar com a relação, que o outro estará sempre disponível e aceitará todas as suas atitudes. Ledo engano. O amor não é um jogo. E, se fosse, não estaria ganho depois que o casal junta as escovas de dente e vive sob o mesmo teto.

É aos poucos que o amor se transforma, solidifica, cria raízes e aumenta mais a cada dia, também é aos poucos que ele morre. Dia após dia. Sem que você perceba. Portanto, cuide bem do seu amor.

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O amor acontece

Existem casais que estão juntos desde sempre, se conheceram jovens, na época da escola, e continuam um ao lado do outro. Conheço alguns assim e acho lindo. Deve ser bonita a experiência de ser o primeiro amor na vida um do outro, crescer junto, mudar e permanecer ao lado do mesmo alguém. Mas, a maioria de nós, não tem essa vivência.

É mais comum que, ao longo da vida, tenhamos a oportunidade de conhecer muitas pessoas, nos apaixonar e desapaixonar mais de uma vez, sermos correspondidos ou ignorados. E jurar nunca mais amar novamente até que, em algum momento, o amor acontece. Simplesmente acontece. E não temos forças para fugir.

Se hoje você está com quem você ama, consegue responder o porquê essa pessoa e não outra? Em que momento você descobriu que era para valer? O que fez você pensar que, dessa vez sim, seria diferente? O que essa pessoa tem de diferente das outras? Talvez você não consiga. Porque amar não é fácil de explicar.

Provavelmente você admira muitas coisas em seu parceiro. Gosta de muitas de suas características. Queria ser como ele em algumas coisas. Mas também tem aquelas coisinhas com as quais você não concorda e faria diferente. E você ama essa pessoa assim mesmo. Com todas as qualidades e defeitos. Se preocupa e gosta da companhia dela. Vocês sempre têm sobre o que conversar, se divertem juntos, fazem planos.

Agora você sabe: encontrou o amor da sua vida. Você pode lembrar do primeiro encontro, do primeiro beijo, de como e quando começaram a namorar, mas não saber exatamente o porquê esse amor tomou conta de seu coração. E de sua vida. Mas ele está lá. Na sua vida. No seu coração. No seu pensamento. No seu dia a dia. Na sua casa. Nos seus planos.

Aconteceu. Hoje são vocês dois contra o mundo. Um com o outro. Um pelo outro. Mesmo discordando de muitas coisas quando estão a sós, vocês estão juntos. Querem estar juntos. Movem esforços para fazer o relacionamento dar certo e permanecerem juntos. São mais apaixonados num dia do que no outro, mas se amam como nunca imaginaram amar alguém.

O amor é isso. Não adianta ter medo de amar de novo e fugir de relações duradouras. Um dia você vai estar distraído. E o amor vai acontecer outra vez.

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Só tinha de ser com você

beauty

Esta semana revi o filme “500 dias com ela”. Um homem e uma mulher se envolvem. Ela avisou, com todas as letras, que não queria um relacionamento sério com ninguém. Viveram momentos felizes. Ele se apaixonou. Ela terminou com ele e disse que queria só sua amizade. Tempos depois ela casa. Com outro. Na última cena do filme há um diálogo fantástico:

Ele: Você nunca quis ser a namorada de ninguém e agora é a esposa de alguém…
Ela: Me surpreendeu também.
Ele: Acho que nunca vou entender. Quer dizer, não faz sentido.
Ela: Só aconteceu.
Ele: É, mas é isso que não entendo. O que só aconteceu?
Ela: Só acordei um dia e soube.
Ele: Soube o quê?
Ela: O que eu nunca tive certeza com você.

Em que momento você teve certeza que a pessoa com quem você está é exatamente a pessoa com quem deveria estar? É difícil traduzir sentimentos em palavras. Mas uma hora ou outra acontece alguma coisa dentro da gente. E nessa hora fica claro se é para valer. Ou não. Se é perda de tempo. Ou se vale todo tempo perdido olhando para o nada com aquela pessoa.

Alguns demoram meses para perceber que estão diante de um amor que vale ser vivido. Outros percebem logo. Alguns precisam de um desentendimento ou uma briga para sentir um medo enorme de perder e, assim, ter certeza dos seus sentimentos. Há quem perceba quando encontrou a pessoa certa quando não imagina mais a vida sem ela, a inclui em todos os planos e compartilha seus sonhos. Outros simplesmente acordam um dia e, do nada, sentem que dessa vez é diferente.

Não importa como cada um descobre se está ou não diante do amor da sua vida. O importante é que descubra. Ou melhor, que dê atenção aos seus sentimentos, que ouça o que diz o coração, que perceba os sinais. Somos criativos o bastante para criar verdadeiras histórias de relacionamentos que mal são correspondidos.

Às vezes está tudo ali diante dos olhos de quem tiver coragem de ver. Mas muita gente prefere se iludir a aceitar que o outro não está na mesma sintonia, não corresponde igualmente aos seus sentimentos, não quer o mesmo que você, está em outra fase, outro momento, tem outra pessoa e até mesmo já explicou que não quer nada sério.

Quando tem que ser a gente sabe. Cedo ou tarde a gente sabe. De uma maneira difícil de explicar, mas fácil de entender, a gente sabe. Todas as dúvidas se dissipam. Fica só a certeza de que tinha que ser com aquela pessoa e nenhuma outra. Como a personagem do filme, a gente acorda e sabe.

Por tudo isso, não se preocupe: quando for amor você saberá.

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