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O casal e a coxa de frango

Li, já faz muito tempo, uma história que não sei exatamente como era, mas, em resumo, dizia que um casal de idosos, juntos há mais de sessenta anos, estavam reunidos com a família para comer um frango assado desses de padaria. Quando a filha pergunta qual a parte que a mãe mais gosta ela responde que é a coxa. O marido fica surpreso, pois ela sempre comeu o peito. E ela explica que sempre comeu o peito por saber que ele preferia a coxa.

O final do texto vocês já devem imaginar: a filha fica emocionada e a moral da história é que relações bem-sucedidas são assim, um renunciando a alguma coisa pelo outro. Pois bem. Muitos devem concordar com isso, achar a história fofa e romântica, mas, sinceramente, eu não achei. Passar a vida inteira com alguém sem falar da sua preferência? Comer por anos seguidos algo que não gosta muito para satisfazer o outro? E pior: sem permitir que o outro conheça seus verdadeiros gostos?

Por que estou trazendo essa história? Porque muitas vezes tomamos decisões, não falamos a verdade, agimos para agradar o outro e não levamos em conta as nossas preferências. E isso está errado. E, se voltarmos a história do frango, os dois podiam comer felizes, já que o frango tem duas coxas! Por que dificultar a vida?

Em um relacionamento duradouro, certamente, você vai fazer coisas que não deseja, renunciar a alguma coisa, ir a lugares que não gosta, aturar um parente inconveniente. Faz parte. A vida, até mesmo solitária, tem dessas coisas. Mas daí a fazer sempre algo que você não gosta para fazer o outro feliz, sem que o outro nem saiba que você está abdicando de alguma coisa, não é um pouco demais?

Não seja essa pessoa. Seja lá qual for a coxa de frango da sua vida a dois, repense. Fale a verdade. Diga o que gosta. Você não precisa renunciar sempre. Permita que o outro também deixe de comer a coxa para te dar. Permita que o outro também demonstre carinho e cuidado por você. Relacionamento é isso: um pelo outro, não um fazendo tudo pelo outro sempre.

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Como se formam os casais

É engraçado pensar que pessoas que nunca se viram antes, não tinham qualquer vínculo, de repente se tornam casais. Alguns se conhecem no transporte público, em aplicativos de relacionamento, na escola, no trabalho, numa praça, na praia, em um show, durante uma viagem. Conversam, trocam telefones, se beijam, marcam encontros, ficam, namoram, se casam, têm filhos.

Completos desconhecidos e estranhos se tornam uma das pessoas mais importantes na vida um do outro. Compartilham experiências, vivem momentos tristes e felizes, constroem uma vida em comum, que pode levar muitos ou poucos anos. Mas que deixam memórias, criam histórias e fazem com que este encontro, de uma maneira ou de outra, influencie a sua existência.

O amor é uma força potente. E, chega assim, meio de repente. Por mais que muitas pessoas sonhem em encontrar alguém para amar e ser amado, não imaginam que justamente aquele perfeito desconhecido vai se tornar essa pessoa. Ou alguém imaginou, depois do primeiro beijo ou do primeiro encontro, que a história estava só começando e viria muito mais?

É verdade que há casais formados por pessoas que já se conheciam, amigos de infância ou pessoas próximas da família, mas a maioria é construída por pessoas que nem imaginavam que se conheceriam um dia. E, de repente, estão ali traçando planos, sonhando juntas, construindo a própria família.

As pessoas estão lá, entretidas com a vida, fazendo suas coisas, conhecem alguém, se apaixonam e escrevem uma história. E isso é lindo. Prova que as pessoas são capazes de confiar umas nas outras, assumir riscos e se empenhar para contribuir com a felicidade de alguém.

Você encontrou o seu amor? Era alguém que já conhecia ou um completo desconhecido? Onde se conheceram? Se ainda não encontrou, lembre-se: um dia, quando menos esperar, um estranho fará parte da sua vida – se for isso que você desejar, claro.

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O amor precisa de cuidado

Amar uma pessoa não nos impede de magoá-la. Cometemos erros, somos mal compreendidos, às não entendemos as necessidades do outro, em alguns momentos negligenciamos o que para o outro é importante. Mas, diante de tudo isso, o que torna uma relação feliz é a capacidade de mostrarmos que nos preocupamos com os sentimentos do outro.

Relações amorosas são desafiantes, porque ninguém é capaz de fazer o outro feliz a não ser ele mesmo. E muitas pessoas se unem na esperança de que só o fato de estarem em um relacionamento trará felicidades. Ou ainda, que a pessoa irá mudar drasticamente o seu comportamento por assumir um compromisso.

Pessoas são diferentes, foram criadas de maneiras diferentes, veem o mundo de maneiras diferentes e, para que consigam uma relação feliz, cada um precisa cuidar de si. E do outro. Ter olhos atentos para perceber que algo não vai bem, um ouvido paciente para escutar, disposição para encontrar soluções que sejam boas para os dois.

Amar não tem que ser difícil – e não é. Desde que a pessoa se disponha, de todo coração, a cuidar da relação todos os dias. Aqui estou falando de relacionamento amoroso, pois muitos, depois de conquistarem a pessoa amada, não dão a mesma atenção, não valorizam as pequenas coisas, não se preocupam em fazer com que o outro se sinta especial. Mas qualquer tipo de amor exige cuidado.

Para que os relacionamentos sejam duradouros é preciso vontade e dedicação. Cuidado e atenção dia após dia. Mas, quando é amor, isso não é sacrifício, pois a alegria e felicidade de quem amamos é a nossa também.

Cuide-se bem. E cuide de quem você ama.

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“Casamento não é só trepar!”

Dias desses, enquanto desci para ir à farmácia, passei por um casal de idosos que, pelo que entendi, estava falando de outro, porque ouvi a seguinte frase “eu disse para ela que casamento não é só trepar!”. O homem ficou sem graça quando me viu, a mulher baixou a voz e continuaram o caminho, provavelmente falando da vida alheia.

Eu já conheci jovens que se casaram para ter liberdade para transar, principalmente religiosos, que prezam pela virgindade, têm família rígida e julgam certo ter relações sexuais só depois do casamento. Não estou aqui para julgar quem casa cedo ou tarde, virgem ou não. Desde que seja uma escolha consciente, é válido respeitar seus valores e fazer o que acha correto.

Mas, convenhamos, quem acha que casamento é só transar, como ouvi da senhorinha na rua, está fudido mesmo. E, neste caso, nem é literalmente. Viver sob o mesmo teto, administrar casa, vida pessoal, vida profissional e acadêmica, dar conta dos filhos, ter um monte de boleto para pagar e ficar assoberbado pela rotina pode ser desafiador para o tesão.

A verdade é que, vivendo todos os dias com a mesma pessoa, fica difícil ter tesão se não tem mais nada interessante além de sexo. Se a pessoa não é parceira, não torce pelo seu sucesso, não ajuda nos afazeres, não está presente, não conversa. Amor e paixão são coisas diferentes. Os mais maduros vão me entender. E, para o amor durar, é necessário muito mais do que sexo.

Embora, claro, o sexo seja importante. É ele, afinal, que diferencia um amor de amizade. O pai de um amigo, advogado que atua em direito de família, falava que se o casal ainda tivesse desejo um pelo outro geralmente voltava. E que dava para sentir a tensão (ou seria tesão?) entre eles. Por que, mesmo apaixonados estavam ali, discutindo e prestes a separar? Porque não conseguiam se entender na vida cotidiana.

É a rotina, o dia a dia, que sustenta um relacionamento amoroso. É claro que sexo é importante. Um casamento sem sexo vira amizade. Mas um casamento só com sexo é o que? É preciso ter uma vida compartilhada, sonhos a serem concretizados, conquistas a serem comemoradas, problemas a serem resolvidos, planos a serem desfeitos e refeitos. Que vão além da cama, do desejo e do tesão.

Eu não conheço a senhorinha que passou por mim e muito menos de quem ela estava falando. Espero que o casal se acerte e consiga criar uma conexão que vai além do desejo, tão importante, principalmente, no início de qualquer relacionamento, mas que não se sustenta sozinho durante muitos anos.

“Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte”

Rita Lee

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Amor e Carnaval

Eu não sou – e nunca fui – a mais animada das foliãs. O que não significa que não goste de Carnaval. Torço pela Portela e pela Viradouro, respeito todo o trabalho dedicado às escolas de samba durante o ano inteiro. Carnaval é arte, é crítica, é resistência, é cultura, é samba. Mas também é frevo, axé, funk. E o feriado é bom para todo mundo. Para quem gosta de se jogar nos blocos, desfilar nas escolas de samba, ficar em casa, viajar, ir para um retiro espiritual, colocar as séries em dia, estudar. Não importa.

Mas este texto não é uma crítica sobre carnaval nem sobre feriado. É uma tentativa de escrever sobre amor em tempos de carnaval. Conheço muitas histórias de casais que se conheceram nesta época, se apaixonaram e formaram uma família. Conheço outros que se separaram, algumas vezes por motivos fúteis, porque um deles queria curtir os dias a sós. Assim como conheço pessoas que curtiam Carnaval, desfilavam em escolas de samba, iam a blocos, mas deixaram de festejar por terem se casado com quem não, simplesmente, não gosta de “bagunça”.

Sobre terminar para festejar os dias sozinho não há muito o que dizer: falta interesse pela pessoa, não é mesmo? Que apaixonado abdica da oportunidade de ficar vários dias com quem faz seu coração vibrar? Conhecer alguém em meio aos festejos eu acho lindo. De verdade. Meu coração canceriano fica feliz com histórias de amor, ainda mais quando acontecem em momentos que a maioria diz ser improvável.

Já pessoas que deixam de curtir o Carnaval, porque o companheiro não gosta eu acho tão triste! Ouvi recentemente de uma senhora com mais de setenta anos: “eu gostava muito de carnaval, mas meu marido nunca gostou e desde então não fui mais”. Eu sei que a vida muda e muitas vezes não é possível colocar o bloco na rua, ou não como antes. Crianças pequenas, por exemplo, exigem um tipo atenção, tem uma rotina e, claro, deixam os pais cansados. Mesmo aqueles que sempre pularam dias seguidos podem curtir de maneira diferente neste período. Mas a vida toda?

Imagina: você gosta de chocolate, mas não pode comer nunca mais, porque seu marido não gosta. Não faz sentido. Seria bem mais fácil se as pessoas se apaixonassem por quem gosta das mesmas coisas, mas nem sempre isso acontece. Por que é tão difícil conciliar os gostos, respeitar as diferenças e fazer os dois felizes? Por que um tem que abrir mão totalmente do que sempre gostou para fazer a relação ir adiante?

Como você aproveita estes dias de folia? Se refugia bem longe das festas? Se enche de purpurina da cabeça aos pés? Torce por alguma escola de samba? Está buscando um amor no carnaval? Quer continuar sem um par ou já tem um há vários carnavais? Seja como for, aproveite com muita alegria e amor, porque, como todos sabem, “todo carnaval tem seu fim.”

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