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Amor, ganhamos!

Dia desses, voltando do trabalho para casa, desviei o caminho. Centro do Rio de Janeiro você sabe como é: melhor evitar rua deserta demais. O novo percurso era mais movimentado, iluminado e considerei mais seguro. Foi quando entre tantas pessoas, um homem, com um telefone na mão, passou na minha frente. E não pude deixar de ouvir a conversa. Ou uma parte dela.

Muito animado, com uma voz eufórica, andando rápido, gritou quando foi atendido: amor, ganhamos! Enquanto ele falava entendi que era advogado e a causa que defendia tinha muita importância para ele. Falou em valores de indenização, em como foi a defesa, até que me distanciei e não pude ouvir mais.

Naquele dia fui para casa pensando no quanto é bacana ter alguém para ligar quando algo bom acontece. E que maravilhoso é quando o seu amor é o seu amigo. A pessoa para quem você quer ligar, contar as novidades e comemorar. Demonstrar todo alívio, se sentir vitorioso, compartilhar as experiências vividas.

Aquela ligação me tocou. Quantos casais tem no parceiro o seu amigo, confidente e companheiro? Quantos pensam em ligar primeiro para o cônjuge quando tem alguma novidade? Quantos têm a certeza de que o companheiro está torcendo pelo seu sucesso? Quantos confiam que são ouvidos e têm suas falas acolhidas?

As pequenas situações cotidianas revelam a importância da relação amorosa na vida das pessoas. Poder contar com o companheiro é uma delas. Talvez a mais importante. Ter para quem dar a mão, receber um abraço de conforto, uma palavra de estímulo, um colo ou um sorriso é revigorante. Saber que tem alguém que torce por você também.

Por mais que as pessoas vivam juntas, compartilhem o mesmo teto e dividam a cama, cada pessoa tem a sua história, a sua trajetória, o seu jeito de ser, e uma maneira própria de olhar para o relacionamento. Mas de que vale compartilhar a vida com alguém se não é para somar esforços? Se não é para ter um amor, amante, amigo, companheiro na mesma pessoa?

Quantos podem pegar o telefone no meio da rua e falar “amor, ganhamos!”? Sentir que do outro lado da linha há uma vibração positiva, uma voz animada, alguém que ficou feliz por saber que o outro está feliz?

Todo mundo precisa de companheiro que ouve com entusiasmo as conquistas do outro, torce, vibra e incentiva. Seja essa pessoa. E ame alguém que faça o mesmo sobre as suas conquistas. Afinal, em uma relação amorosa saudável, quando um ganha, ganham os dois.

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Só pedir desculpa não vai adiantar

Vez ou outra as pessoas têm comportamentos que ofendem, trazem desentendimentos, geram desavenças e fazem mal ao outro de alguma maneira. Nós mesmos já magoamos quem amamos e já fomos magoados por eles. E, ao passo que não podemos aceitar tudo em nome do amor e não podemos nos colocar em segundo plano em uma relação, vamos aprendendo que não podemos agir sem pensar nas pessoas que fazem parte da nossa trajetória.

Quando escolhemos estar com alguém, caminhar ao seu lado e compartilhar nossa história de vida, precisamos estar atentos aos sentimentos do outro e considerá-los. Amar exige responsabilidade. Não dá para construir uma relação saudável se pensarmos apenas em nós mesmos, se não abrirmos mão de nada, se não levarmos em conta os desejos do outro, se não conciliarmos interesses.

Mesmo considerando o sentimento alheio, validando sua presença em nossa vida e se preocupando com o impacto de suas ações na vida do outro, às vezes o decepcionamos. E pedimos desculpas. Sem dúvida alguma reconhecer um erro ou perceber que o seu comportamento provocou algum mal ao outro é importantíssimo. Mas não é o bastante.

De nada adianta chorar, mandar flores, fazer declarações nas redes sociais, escrever cartas, ou comprar presentes sem mudar o comportamento que causou a mágoa, a tristeza, a ofensa. Sem se colocar no lugar do outro, sem validar o que o outro sentiu e sem se esforçar para agir de uma maneira diferente nos dias seguintes.

Infelizmente, muitas pessoas pedem desculpas, se mostram arrependidas, mas não refletem sobre suas atitudes. Não se esforçam para mudar seus comportamentos e viver de forma harmoniosa. Têm em mente que o outro deve aceitar tudo que fazem, que o amor aceita tudo, que ele é assim e ponto final.

Não estou dizendo que devemos nos tornar um fantoche, fazendo somente o que o outro quer e da maneira que ele deseja. Estou dizendo que compartilhar a vida com alguém exige abrir mão de alguma coisa, chegar a um consenso, conciliar interesses, admitir que o que para nós não têm relevância pode ter para o outro. E fazemos parte disso a partir do momento que aceitamos sua presença em nossa vida e decidimos caminhar ao seu lado.

Temos sempre a opção de andar sozinhos. Ao escolher estar com alguém não podemos fazer apenas o que nos vem à cabeça, não se importar com a opinião do outro e ignorar que nosso comportamento ofendeu. Amar é se afetar pela presença do outro. Deixar de pensar apenas em nós mesmos. Deixar de lado nossa arrogância e prepotência e reconhecer que podemos fazer diferente e melhor.

Se a pessoa que ama está magoada, se sentiu ofendida, ficou triste ou incomodada com qualquer coisa que você tenha feito, por favor, mesmo que não consiga entender o que ela está sentindo, dê atenção ao que está sendo dito. Ela tem direito de se sentir mal, uma vez que foi educada de maneira diferente, pensa diferente, e é diferente. E, se julgar pertinente, faça alguma coisa para mudar.

Só pedir desculpa pode resolver a curto prazo, mas o efeito duradouro vem com a mudança de comportamento, porque o amor é muito mais do que palavras.

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A beleza está no bem querer

Quando criança minha avó costumava dizer frases das quais lembro até hoje e às vezes repito: “o saber não ocupa lugar”, “seguro morreu de velho”, “quem ama o feio bonito lhe parece”, “vão os anéis, ficam os dedos”, “beleza não põe mesa”, “a beleza está no bem querer”. Não quero escrever sobre ditados populares. Quero falar de beleza, atração física e amor.

É difícil explicar o porquê as pessoas se interessem umas pelas outras, o que faz com que olhem alguém e sintam atração. Quando desconhecidos se veem pela primeira vez é provável que o que chame atenção é a beleza, a aparência física. Mas isso não é só. Alguns admiram a voz, o jeito de andar, se encantam por alguém que nada tem a ver com o seu padrão de beleza e nem sabem explicar a razão.

Química? Sintonia? Estava escrito nas estrelas? Amor de outras vidas? São tantas as justificativas que dão a atração que as pessoas sentem umas pelas outras… talvez estejam todas corretas. Talvez estejam todas erradas. Talvez cada um de nós tenha a sua própria explicação. Mas eu acredito que o amor não nasce instantaneamente de um olhar e nem brota à primeira vista.

Às vezes nos deparamos com pessoas que conhecemos há anos em companhia de outras que jamais imaginaríamos. Totalmente diferentes do padrão de beleza que dizem gostar ou com comportamentos que não imaginávamos que fossem admirar. E elas estão lá apaixonadas, felizes, radiantes, transbordando felicidade. E, claro, ficamos felizes por elas também.

Pela maneira como as pessoas se olham, se tocam, se tratam, percebemos o quanto se amam. Que estão apaixonadas. Que são felizes juntas. E, sobretudo, que acham a pessoa amada a mais linda do mundo. E aí eu entendo o que minha avó queria dizer quando afirmava que a beleza está no bem querer.

A beleza não está na cor dos olhos, no peso, na altura, na maquiagem perfeita, nas roupas de grife, nos cabelos de comercial de shampoo, nas unhas bem-feitas, na barriga negativa. Longe de mim dizer que não devemos cuidar do nosso corpo e da nossa aparência. Quero dizer que quem ama vê além de um corpo, além de uma imagem refletida no espelho.

Como são lindas as pessoas que amamos! Mesmo que não estampem capas de revistas, não desfilem para marcas famosas e passem despercebidas para muitas pessoas. Elas nos querem bem – e queremos o bem delas também.

Para quem ama a beleza está no amor. No querer bem ao outro, no cuidado, na gentileza, na delicadeza, na demonstração de afeto. O coração vê o mundo com outras lentes.

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Por um casamento feliz

A definição de felicidade varia de pessoa para pessoa, claro. A de felicidade no amor também. Cada casal tem o seu ideal imaginário do que é um casamento feliz. Ou: cada um dos cônjuges tem sua própria definição do que é ser feliz e como almejá-la, o que, neste caso, pode gerar uma insatisfação generalizada se os anseios forem muito diferentes.

Confesso que não tenho pretensão de dar uma solução, encontrar uma resposta ou dar uma equação milagrosa para que todos sejam felizes e satisfeitos com os seus relacionamentos amorosos. Até porque, no dia em que eu descobrir a fórmula do amor, escrevo um livro e ganho muito dinheiro com ele.

Escrevo agora pelo incômodo que sinto ao ouvir que os casamentos de antigamente que eram bons, que hoje em dia não existe tolerância, as pessoas se separam por qualquer motivo, só querem o lado bom da vida e desfazem relacionamentos com mais facilidade.

Das histórias de casamentos antigos que ouço, percebo que muitas pessoas estavam conformadas, não felizes. Alguns de nossos avós ou pais não podiam se separar, seja lá por quais razões, mas sofreram muito em suas relações e teriam sido mais felizes se tivessem opção de seguir a vida longe um do outro.

Hoje queremos o melhor da vida, dos relacionamentos, de nós mesmos. A complexidade da vida moderna e a mudança dos papeis sociais exigem novos acordos, novos arranjos, novos consensos. E isso não significa que os casamentos de hoje em dia estejam piores. Acredito que estão mais autênticos e verdadeiros.

Uma relação amorosa exige comprometimento de ambos e, claro, vai contar com momentos bons e ruins. Mas ela pode ser boa, se ao invés de se basear no relacionamento alheio, nos livros de autoajuda, nos conselhos de milhares de pessoas, o casal estabelecer a sua própria equação, com base em negociações e ajustes dos desejos de cada um.

É preciso enxergar fraquezas e fortalezas da relação e entender o que pode ou não fazer você feliz no seu casamento. E a felicidade depende de cuidado. Não transformar pequenas divergências em brigas, não destratar o outro, se preocupar com as palavras ditas. Estar junto há muito tempo não dá o direito de falar de qualquer jeito um com o outro.

Se você deseja um casamento feliz precisa construí-lo todos os dias. Com dedicação e amor.

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