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Ninguém é perfeito

Com o passar do tempo descobrimos que a pessoa por quem nos apaixonamos não é perfeita e cultiva hábitos irritantes. Morando sob o mesmo teto eles ficam ainda mais evidentes e caímos na tentação de apontar os erros do outro constantemente. O pote mal fechado, objetos largados pela casa, louça deixada na pia, demora para se arrumar, nunca saber onde estão as coisas.

O seu amor tem hábitos que te incomodam? Você já falou quais são? E quais dos seus hábitos incomodam o outro? Já viveu a experiência de ter os defeitos apontados? Apontar os erros e defeitos do outro é fácil, todos nós sabemos desde pequenos. E, em uma relação amorosa, temos direito de expor nosso sentimento e falar com clareza sobre os hábitos que nos incomodam.

O problema é viver em uma relação onde só há críticas. É se transformar em pais que cobram por tudo “arruma a cama”, “não lavou a louça’, “como você demora para se arrumar” e, ao final do dia, depois de apontar tantos defeitos não ter percebido uma coisa boa feita pelo outro. Realmente não há nada que o outro faz bem? Só existe coisas irritantes nessa relação? Ao fim do dia não existe nada que possa elogiar, só criticar?

Ninguém é perfeito. Nenhum de nós. Consideramos defeitos coisas que o outro não considera e vice-versa, pois fomos educados de maneira diferentes, vivemos experiências diferentes, somos pessoas diferentes. Pessoas comprometidas com a relação tentam chegar em acordo, lidar com os hábitos diferentes e, muitas vezes, relevam pequenas atitudes irritantes e se apegam aos gestos positivos.

Preste atenção nas vezes que recebe apoio, no abraço carinhoso nos momentos difíceis, nas gargalhadas compartilhadas, no estímulo que recebe para começar um novo projeto, no lanche que o outro deixou pronto, no modo como ficou feliz com uma conquista sua. Olhe o lado bom. Se não tem lado bom, já é outra história.

Muitas pessoas lidam com as atitudes positivas do outro como se não passassem de obrigação, como se elas precisassem satisfazer seus desejos e atender seus caprichos. Mas relação amorosa não é isso. Você não namora, vive sob o mesmo teto e casa para ter alguém que só diga sim e faça tudo que você quer.

Elogie, agradeça, aponte o lado bom das coisas ao invés de reclamar de tudo que te incomoda. Escolha ser feliz.

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Amar vale a pena

Os relacionamentos transformam as nossas vidas e todos eles nos influenciam de alguma maneira. Por meio da convivência com os pais, os filhos, os irmãos, os amigos, tocamos e somos tocados. Sofremos, nos preocupamos, torcemos, ficamos alegres, ajudamos, ensinamos e aprendemos. E mudamos.

Se olharmos para a pessoa que fomos conseguimos identificar diferenças em relação a pessoa que somos agora. Mudamos hábitos, repensamos atitudes, concordamos com coisas que julgávamos erradas e vice-versa. Ou deveríamos, já que com o passar do tempo e o avançar da idade, vem a sabedoria e maturidade.

Todas as situações que vivemos e, principalmente, as relações que construímos, são responsáveis por nos tornar quem somos. Por isso falar de amor e, principalmente, de relações amorosas, é tão fascinante para mim: ser parte de um casal é uma experiência significativa e transformadora.

Apaixonados conhecemos uma parte de nós até então desconhecida. Quando amamos aprendemos diariamente sobre liberdade, compreensão, tolerância, felicidade, visão de futuro. Na prática. Dia após dia. Os conflitos, ainda que inevitáveis, revelam características de cada um e servem para ajustar as arestas.

Sempre defenderei que é possível ser feliz sozinho e que é melhor estar só do que mal acompanhado. Mas somos ridiculamente felizes quando amamos e somos amados. Quando temos ao lado alguém que nos faz sentir seguros e nos ajude a enfrentar os obstáculos que surgem pelo caminho.

Amar é ser, viver e sentir. E vale a pena.

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É autocuidado ou medo de amar?

“Eu não quero me envolver”, “melhor pegar sem se apegar”, “não vou criar expectativas”, “as coisas estão indo bem, mas não quero nada sério”. Essas e muitas outras são frases que ouvimos constantemente. Quando se trata de amor, a prudência é sempre válida. Mas até que ponto é autocuidado ou medo de amar?

Às vezes, o que parece autocuidado e proteção nada mais é do que uma barreira que impede de amar, se envolver e permitir a construção de um novo relacionamento amoroso. Experiências passadas, como rejeição, abandono e traição criam feridas e a necessidade de se proteger de novas desilusões.

Muitos medos podem se disfarçar de precaução, criar mecanismos para evitar uma relação e fazer com que a pessoa se feche, impedindo que o bom se aproxime e um relacionamento saudável seja construído. Evitar se relacionar é, também, deixar de viver.

À medida que amadurecemos e temos experiências não é prudente se envolver de cabeça, se jogar sem saber onde está se metendo, não se preocupar com o futuro, não pesquisar o outro, agir por impulso. Entender os seus desejos e respeitar seus limites, assim como os da outra pessoa, é importante para avaliar o envolvimento e construir uma boa relação.

Mas criar estratégias para não se apegar, fazer joguinhos para desmarcar encontros que você deseja, dar gelo, não atender ligações, tratar mal a pessoa com medo de criar vínculo quando a pessoa demonstrou ser alguém especial, é medo de amar. E medo não é autocuidado nem proteção.

Todas as pessoas que amaram já sofreram alguma vez. Já se desiludiram, já se decepcionaram, já se magoaram, já foram traídas, já foram abandonadas, já foram enganadas. É perfeitamente compreensível que tenham medo de se entregar novamente, que tenham mais cuidado, que pensem melhor antes de se envolver.

Eu estou aqui para dizer que uma relação é diferente da outra. Que uma pessoa é diferente da outra. Que ter sofrido um dia não significa que vai sofrer sempre. E que todos nós merecemos amar e ser amados. Portanto, tenha cuidado, mas não crie barreiras. Só recebe amor quem tem coragem de amar.

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“Os jovens casam pensando em separar”

Recentemente ouvi uma pessoa dizer que os jovens de hoje se casam já pensando em separar, que são desapegados, não constroem relações duradouras, temem compromissos e engatam um relacionamento no outro sem qualquer cerimônia. Imediatamente contestei, pois tenho uma percepção bastante diferente.

Eu vejo que os jovens querem relações verdadeiras, terminam quando não estão felizes e casam cada vez mais tarde depois de terem pensado muito a respeito. E pensam muito por acreditarem que o casamento não deve ser prioridade em suas vidas. Antes de firmarem compromisso eles querem realizar seus objetivos pessoais e profissionais. O que não considero errado.

Vejo jovens casais apaixonados, tendo filhos, fazendo planos juntos. E todos que conheci casaram pensando em ficar juntos para sempre. Até os que separaram. Mas, ainda que seja triste ver um relacionamento chegar ao fim, mais triste é ver um casal que se desrespeita, se agride, é infeliz, mas não tem coragem de separar. Ou não pode por alguma razão.

Romântica incorrigível eu adoraria que todos os casais do mundo fossem felizes para sempre. Mas sabemos: não são. E que bom que todos, ao menos no nosso país, têm a oportunidade de separar e começar de novo quando julgam que o casamento acabou. Isso ainda é um direito que devemos respeitar.

E, antes que culpem os jovens, há velhos que casaram e descasaram. Mais de uma vez. Esse não é um privilégio dos jovens, muito pelo contrário. Talvez as motivações para o casamento sejam diferentes de acordo com a época. Atualmente poucos apressam uma relação para ter sexo, para assumir uma gravidez não planejada, fazer a vontade dos pais casando com quem não gostam ou se relacionando para não ficarem sozinhos.

A maioria dos jovens se unem por paixão, por amor, por desejo de dividir o mesmo teto, compartilhar a vida, dormir e acordar juntos todos os dias, construir uma família, realizar sonhos em comum. Deve existir quem case por conveniência, por obrigação ou mesmo para dar um golpe – como mostram os livros, filmes e novelas. Afinal, existe de tudo nesse mundo. Mas isso não é regra, é exceção.

Não vejo pessoas colocando prazo de validade em seus relacionamentos e planejando separações. Vejo apenas que hoje em dia as pessoas têm a possibilidade de estar ou não com alguém e fazem uso do direito de se separarem quando não estão felizes. São outros tempos. E a possibilidade de pôr fim a uma relação, por exemplo, foi um grande avanço.

A maioria das pessoas põe o coração em suas relações e faz de tudo para que seu relacionamento dê certo. Mas às vezes não dá. Precisamos respeitar isso e aceitar “que seja eterno enquanto dure” – ainda que a gente fique torcendo para que dure para sempre.

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A relação não está garantida

Histórias sobre relações amorosas sempre despertam minha atenção. E, talvez por isso, atraio quem queira falar das suas experiências – ou relatar a dos outros. Hoje mesmo, enquanto participava de um churrasco, uma convidada falou que sua irmã se separou recentemente. Depois de vinte e cinco anos de casada. “Ela não estava aguentando mais”, ela disse.

Falou que a irmã está se cuidando mais, passou a correr, está mais vaidosa, voltou a estudar, melhorou a relação com o filho. Contou que depois que tudo se ajeitou ela está mais feliz, confiante e disposta. Pegou o celular e mostrou uma foto no Instagram “olha como ela está bonita!” e realmente estava.

Vinte cinco anos de casados. Uma vida. E me peguei refletindo no quanto as pessoas investem em suas relações amorosas, o quanto cedem, aprendem, discutem, conversam, chegam a acordos, mudam de ideia, pedem desculpas, perdoam. Vinte cinco anos não são vinte e cinco dias. Imagino que não chegaram a decisão de romper a parceria da noite para o dia.

Mas eu sei que muitas relações terminam antes de terem terminado formalmente. Casais que vivem sob o mesmo teto, mas não conversam, não têm momentos a dois, não compartilham suas ideias e opiniões, não se interessam pela vida do parceiro, não vibram com as conquistas do outro. Ou nem sabem o que o companheiro faz.

O casal precisa se sentir vivo dentro da relação. Mas a rotina e as obrigações cotidianas fazem com que as pessoas deixem de prestar atenção no companheiro, não observem as mudanças, não façam surpresas nem encontrem um momento para sair a dois. Principalmente numa relação longa é fundamental que haja esforços para se conectar com o outro.

Certamente nem toda relação irá durar até que a morte os separe. Ainda bem. Ninguém é obrigado a ficar em uma relação que faz mal, que tira sua paz ou que não há amor. Mas estou tentando dizer que, independente do tempo que o casal está junto, nada está garantido. O jogo nunca está ganho. E você, sozinho, não garantirá o futuro da relação.

Para estar casado é preciso que os dois digam sim todos os dias. Que ambos escolham um ao outro. Que ambos queiram compartilhar. Que ambos tenham interesse em conquistar a mesma pessoa repetidas vezes.

Não há garantias em uma relação amorosa. Mas acreditar que ela será eterna sem fazer nada para que seja é o primeiro passo para que ela se acabe muito antes do que se imaginava. Então reafirme seu sentimento. Demonstre. Esteja presente com toda alma e coração.

Conquiste quem você ama todos os dias.

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