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É autocuidado ou medo de amar?

“Eu não quero me envolver”, “melhor pegar sem se apegar”, “não vou criar expectativas”, “as coisas estão indo bem, mas não quero nada sério”. Essas e muitas outras são frases que ouvimos constantemente. Quando se trata de amor, a prudência é sempre válida. Mas até que ponto é autocuidado ou medo de amar?

Às vezes, o que parece autocuidado e proteção nada mais é do que uma barreira que impede de amar, se envolver e permitir a construção de um novo relacionamento amoroso. Experiências passadas, como rejeição, abandono e traição criam feridas e a necessidade de se proteger de novas desilusões.

Muitos medos podem se disfarçar de precaução, criar mecanismos para evitar uma relação e fazer com que a pessoa se feche, impedindo que o bom se aproxime e um relacionamento saudável seja construído. Evitar se relacionar é, também, deixar de viver.

À medida que amadurecemos e temos experiências não é prudente se envolver de cabeça, se jogar sem saber onde está se metendo, não se preocupar com o futuro, não pesquisar o outro, agir por impulso. Entender os seus desejos e respeitar seus limites, assim como os da outra pessoa, é importante para avaliar o envolvimento e construir uma boa relação.

Mas criar estratégias para não se apegar, fazer joguinhos para desmarcar encontros que você deseja, dar gelo, não atender ligações, tratar mal a pessoa com medo de criar vínculo quando a pessoa demonstrou ser alguém especial, é medo de amar. E medo não é autocuidado nem proteção.

Todas as pessoas que amaram já sofreram alguma vez. Já se desiludiram, já se decepcionaram, já se magoaram, já foram traídas, já foram abandonadas, já foram enganadas. É perfeitamente compreensível que tenham medo de se entregar novamente, que tenham mais cuidado, que pensem melhor antes de se envolver.

Eu estou aqui para dizer que uma relação é diferente da outra. Que uma pessoa é diferente da outra. Que ter sofrido um dia não significa que vai sofrer sempre. E que todos nós merecemos amar e ser amados. Portanto, tenha cuidado, mas não crie barreiras. Só recebe amor quem tem coragem de amar.

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“Os jovens casam pensando em separar”

Recentemente ouvi uma pessoa dizer que os jovens de hoje se casam já pensando em separar, que são desapegados, não constroem relações duradouras, temem compromissos e engatam um relacionamento no outro sem qualquer cerimônia. Imediatamente contestei, pois tenho uma percepção bastante diferente.

Eu vejo que os jovens querem relações verdadeiras, terminam quando não estão felizes e casam cada vez mais tarde depois de terem pensado muito a respeito. E pensam muito por acreditarem que o casamento não deve ser prioridade em suas vidas. Antes de firmarem compromisso eles querem realizar seus objetivos pessoais e profissionais. O que não considero errado.

Vejo jovens casais apaixonados, tendo filhos, fazendo planos juntos. E todos que conheci casaram pensando em ficar juntos para sempre. Até os que separaram. Mas, ainda que seja triste ver um relacionamento chegar ao fim, mais triste é ver um casal que se desrespeita, se agride, é infeliz, mas não tem coragem de separar. Ou não pode por alguma razão.

Romântica incorrigível eu adoraria que todos os casais do mundo fossem felizes para sempre. Mas sabemos: não são. E que bom que todos, ao menos no nosso país, têm a oportunidade de separar e começar de novo quando julgam que o casamento acabou. Isso ainda é um direito que devemos respeitar.

E, antes que culpem os jovens, há velhos que casaram e descasaram. Mais de uma vez. Esse não é um privilégio dos jovens, muito pelo contrário. Talvez as motivações para o casamento sejam diferentes de acordo com a época. Atualmente poucos apressam uma relação para ter sexo, para assumir uma gravidez não planejada, fazer a vontade dos pais casando com quem não gostam ou se relacionando para não ficarem sozinhos.

A maioria dos jovens se unem por paixão, por amor, por desejo de dividir o mesmo teto, compartilhar a vida, dormir e acordar juntos todos os dias, construir uma família, realizar sonhos em comum. Deve existir quem case por conveniência, por obrigação ou mesmo para dar um golpe – como mostram os livros, filmes e novelas. Afinal, existe de tudo nesse mundo. Mas isso não é regra, é exceção.

Não vejo pessoas colocando prazo de validade em seus relacionamentos e planejando separações. Vejo apenas que hoje em dia as pessoas têm a possibilidade de estar ou não com alguém e fazem uso do direito de se separarem quando não estão felizes. São outros tempos. E a possibilidade de pôr fim a uma relação, por exemplo, foi um grande avanço.

A maioria das pessoas põe o coração em suas relações e faz de tudo para que seu relacionamento dê certo. Mas às vezes não dá. Precisamos respeitar isso e aceitar “que seja eterno enquanto dure” – ainda que a gente fique torcendo para que dure para sempre.

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A relação não está garantida

Histórias sobre relações amorosas sempre despertam minha atenção. E, talvez por isso, atraio quem queira falar das suas experiências – ou relatar a dos outros. Hoje mesmo, enquanto participava de um churrasco, uma convidada falou que sua irmã se separou recentemente. Depois de vinte e cinco anos de casada. “Ela não estava aguentando mais”, ela disse.

Falou que a irmã está se cuidando mais, passou a correr, está mais vaidosa, voltou a estudar, melhorou a relação com o filho. Contou que depois que tudo se ajeitou ela está mais feliz, confiante e disposta. Pegou o celular e mostrou uma foto no Instagram “olha como ela está bonita!” e realmente estava.

Vinte cinco anos de casados. Uma vida. E me peguei refletindo no quanto as pessoas investem em suas relações amorosas, o quanto cedem, aprendem, discutem, conversam, chegam a acordos, mudam de ideia, pedem desculpas, perdoam. Vinte cinco anos não são vinte e cinco dias. Imagino que não chegaram a decisão de romper a parceria da noite para o dia.

Mas eu sei que muitas relações terminam antes de terem terminado formalmente. Casais que vivem sob o mesmo teto, mas não conversam, não têm momentos a dois, não compartilham suas ideias e opiniões, não se interessam pela vida do parceiro, não vibram com as conquistas do outro. Ou nem sabem o que o companheiro faz.

O casal precisa se sentir vivo dentro da relação. Mas a rotina e as obrigações cotidianas fazem com que as pessoas deixem de prestar atenção no companheiro, não observem as mudanças, não façam surpresas nem encontrem um momento para sair a dois. Principalmente numa relação longa é fundamental que haja esforços para se conectar com o outro.

Certamente nem toda relação irá durar até que a morte os separe. Ainda bem. Ninguém é obrigado a ficar em uma relação que faz mal, que tira sua paz ou que não há amor. Mas estou tentando dizer que, independente do tempo que o casal está junto, nada está garantido. O jogo nunca está ganho. E você, sozinho, não garantirá o futuro da relação.

Para estar casado é preciso que os dois digam sim todos os dias. Que ambos escolham um ao outro. Que ambos queiram compartilhar. Que ambos tenham interesse em conquistar a mesma pessoa repetidas vezes.

Não há garantias em uma relação amorosa. Mas acreditar que ela será eterna sem fazer nada para que seja é o primeiro passo para que ela se acabe muito antes do que se imaginava. Então reafirme seu sentimento. Demonstre. Esteja presente com toda alma e coração.

Conquiste quem você ama todos os dias.

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Goste de quem gosta de você

Depois de ouvir mais uma daquelas histórias de amor mal resolvido, em que a pessoa fica entre idas e vindas com o amado, eu fiquei me perguntando: por que algumas pessoas insistem em se relacionar com quem já demonstrou que não gosta delas? Será que não percebem? Ou desejam mudar o sentimento do outro?

A pessoa se envolve com quem é comprometido, acredita que a mulher do cara é doente, que ele não termina por causa dos filhos, que não tem tesão nenhum pela mulher, que vai chegar o dia em que ele terminará seu compromisso para eles ficarem juntos e felizes. Conheço uma mulher que esperou sete anos. Em vão, claro.

Conheço mulheres que se apaixonaram por homens que não queriam compromisso, alegando que não era o momento certo, o famoso “o problema não é você, sou eu”, mas assumiram compromisso, não com elas, tempo depois. Ou seja: o problema não era o momento, era a falta de amor mesmo. Não queriam compromisso com elas.

Mas ainda tem pior: algumas mulheres ainda continuaram ficando com esses homens. Algumas depois que o relacionamento deles terminam. Outras mesmo quando eles ainda estavam comprometidos com as mulheres por quem elas foram “trocadas”. Ficaram à disposição, como um produto na estante, para satisfazer o capricho e os desejos do outro. Acima dos seus.

Eu acho errado jurar amor quando não se ama, prometer o mundo para ter uma noite de sexo, fingir interesse se não deseja levar o relacionamento adiante, conquistar alguém por capricho, iludir alguém. Mas pessoas antiéticas, mentirosas e egoístas existem. Estão por aí espalhadas pelo mundo e não agiriam de maneira correta quando o assunto é relação amorosa.

Também entendo que é difícil tomar decisões conscientes quando se trata de paixão e compreendo quem, em algum momento da vida, age de maneira descompensada, desequilibrada e impulsiva na esperança de demonstrar amor e querer estar junto. Liga insistentemente, manda flores, coloca carro de som, dá presentes, escreve cartas, bate na porta do outro de madrugada. Mas para algumas pessoas esses comportamentos viram rotina e duram anos.

Quando o amor é recíproco ele não é difícil, não causa mal nem leva anos para se solidificar. Ninguém muda de ideia – e passa a amar – depois de insistência. Infelizmente. E as pessoas ficam ali, estagnadas, sem levar outro amor adiante na esperança de que aquele, enfim, um dia irá virar sua alma gêmea.

Não existiriam belas músicas de amor se todos os relacionamentos fossem correspondidos, perfeitos e felizes. Nem tão belas poesias, livros e filmes. A dor de amor está aí, em toda parte. Mas ela precisa ter fim.

Se você chora mais do que sorri, dá mais do que recebe e só se prejudica nessa relação, repense. Goste mais de você do que do outro, porque você é a única pessoa que ficará do seu lado até o fim.

E ouça Caetano. Aprenda a gostar de quem gosta de você.

“Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim”

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Se não quer relacionamento não culpe os outros

Eu vejo muita gente reclamando que hoje em dia ninguém quer nada sério, que ninguém quer compromisso, que não tem ninguém que valha a pena. Se você é uma dessas pessoas, por favor, responda com sinceridade: você quer um relacionamento sério? Você quer compromisso? Você vale a pena? Não precisa responder para mim, responda a si mesmo.

Essas perguntas, ainda que pareçam sem sentido, tem uma justificativa: vejo muita gente falando que quer compromisso, que problemáticos, desapegados e descompromissados são os outros, sem ter vontade genuína de viver um relacionamento duradouro.

Sempre defenderei o amor, a vida a dois, o casamento e relacionamentos longos. Embora o mundo tenha evoluído bastante, se apaixonar por alguém e se permitir viver uma relação continua atual. Amar nunca está fora de moda. Nem antigo. Nem passado.

Esclareço, no entanto, que manter longos relacionamentos não é obrigatório. Assim como casar também não. E, mais do que isso: ninguém é mais feliz por ter alguém. Somos seres completos. Não somos partes, não nos completamos em ninguém a não ser em nós mesmos. É Claro que quem ama quer ver o outro feliz e se preocupa com a sua felicidade, mas a felicidade do outro não é sua responsabilidade.

Eu não sei ao certo o porquê estou escrevendo essas coisas. Mas vendo tanta gente infeliz no amor, ou infeliz por estar sem um amor, eu queria dizer que não é possível sem feliz com alguém sem antes ser feliz sozinho. Também quero dizer que muita gente está sozinha por sua própria causa, e não do outro.

Amar exige cuidado responsabilidade e entrega. Exige prestar atenção no outro e não só em si mesmo. O amor é bom, mas é um compromisso. Diário. Que muitas pessoas que vejo reclamar da ausência de um alguém não estão dispostas a ter. E não precisam estar dispostas, entende?

O que me incomoda é o discurso de que a causa de estar sozinho é um problema de outra pessoa. Com a incapacidade que algumas pessoas têm de se responsabilizar pela própria vida. Você está sozinho porque quis. E isso é ótimo. Está sozinho por ter se livrado de um traste, por não ter se apaixonado na mesma medida que o outro, porque viu que não amava tanto assim. Ou porque alguém terminou com você, o que faz parte. Ou ainda: você prefere ficar só.

Eu sei que em uma sociedade como a nossa às vezes é difícil admitir para si mesmo que prefere ficar sozinho do que acompanhado. Sei também que ninguém precisa ficar dando satisfação sobre a sua vida pessoal. Mas precisa, sim, ser verdadeiro com as suas vontades. Quer mesmo alguém com quem compartilhar a vida? Quais relacionamentos você está cultivando?

Não vai adiantar se relacionar com quem quer algosério, se você não quer. Como não é honesto encher o outro de esperança se não deseja manter um relacionamento. A vida pode ser mais simples. Sobretudo se você parar de reclamar, pensar no que quer, não culpar ninguém e respeitar a si mesmo.

Há amor no mundo, sim. Há quem queira amar.

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