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A finitude do amor

Lembro da comoção que foi quando William Bonner e Fátima Bernardes se separaram. E quando Angelina Jolie e Brad Pitt colocaram um ponto final em seu casamento. Recentemente um site de fofocas noticiou que Michelle e Barack Obama estão se separando e, mais uma vez, a internet foi à loucura.

Eu entendo o desalento que essas notícias causam: elas escancaram a certeza de que o amor pode não durar para sempre, que relações aparentemente perfeitas também chegam ao fim e de que nada é definitivo na vida. Nem mesmo o amor. E, educados para acreditar que o amor só acontece uma vez, que é perfeito e eterno, não nos conformamos.

Mas a verdade é que por mais que os casais famosos tenham suas vidas expostas como capítulos de novelas, não sabemos exatamente como vivem em sua intimidade. São amigos e companheiros? Dividem sonhos? Que problemas enfrentam quando estão frente a frente? Embora muitas pessoas se espelham neles e desejam um relacionamento igual ao que veem, não sabem exatamente o que veem.

Relações chegam ao fim. É claro que dói, traz consequências, faz com que as pessoas sofram e se reinventem. Mas o lado bom ao ver que casais se separaram é concluir que hoje em dia as pessoas têm a possibilidade de terminar uma relação que traz insatisfação, infelicidade e desamor. Que ninguém precisa ficar junto porque tem filhos, porque possui bens em comum, porque precisa agradar a família ou tem uma imagem a zelar.

Por enquanto ninguém confirmou a separação do casal Obama. E, canceriana que sou, estou torcendo para que seja mentira. Tarcísio Meira e Glória Menezes também continuam juntos, firmes e fortes, mesmo depois de mais de cinquenta anos de casados. Seguem inspirando os românticos a acreditarem no amor eterno, no felizes para sempre, e no amor perfeito.

Casamentos duradouros estão cada vez mais raros, é verdade. Mas isso não é necessariamente ruim, uma vez que no passado muitos continuavam juntos contra vontade, mesmo sofrendo violências e abusos, pois não havia outra alternativa. A possibilidade de terminar uma relação é demonstração de liberdade.

Eu continuo acreditando que é possível construir uma relação duradoura, escolher amar a mesma pessoa todos os dias, compartilhar uma vida em comum, formar uma família e comemorar muitos anos de casamento. Mas isso não é para todo mundo. Pode chegar em um momento da estrada em que cada um quer seguir um caminho.

O amor não tem definição e nem segredo. Algumas pessoas se gostam e se entendem – por um dia, dois, alguns anos ou a vida toda. São felizes e plenas dentro da relação que construíram. Outras não. Mas todo relacionamento deve perdurar até o dia em que exista amor.

Não adianta torcer pelos casais famosos, nem desejar uma relação como a deles. Só podemos conhecer, construir e transformar as nossas. E, como já escreveu o poeta, que seja eterno enquanto dure. Mas a gente pode torcer para que a nossa dure para sempre.

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Olhe para quem você ama

olhar apaixonado

A maior parte das pessoas deseja construir um relacionamento amoroso que dure para sempre. Conhecem alguém, se apaixonam, casam, vivem juntas. Fazem planos, se comprometem e esperam que o outro preencha todo o vazio da sua existência. Porque, verdade seja dita, aprendemos que o amor é o bastante.

É possível que um relacionamento dure até que a morte os separe. Desde que os dois queiram. Desde que ambos façam algo simples e eficaz diariamente: olhar para o outro. Mas olhar verdadeiramente. Conseguir enxergar o cansaço. O nervosismo. O medo. A vontade de falar alguma coisa que não quer sair. Interpretar o silêncio. Olhar a alma.

Depois da conquista é que o relacionamento começa. E ele só é capaz de vencer a passagem dos anos se conseguimos olhar para o outro com toda alma e coração. Se conseguimos prestar atenção no que outro está dizendo, se preocupar com o que está sentindo, olhar e ouvir além das palavras ditas. E se preocupar com as não ditas.

A rotina, o cotidiano, o dia a dia, muitas vezes fazem com que as pessoas se acostumem umas com as outras e julguem que as conhecem inteiramente. Mas a verdade é que cada um de nós é um mundo inteiro, permanentemente em construção.

Então olhe para quem você ama. Lembre-se dos motivos que o fizeram morrer de paixão por essa pessoa e fazer com que decidisse estar ao lado dela para o que der e vier. Ela mudou. E você também. Provavelmente aprenderam muito um com o outro. Cresceram. Mudaram. São pessoas diferentes depois de tantos anos, mas continuam juntos.

Olhe para quem você ama. Você vê felicidade nela? Admira quem está ao seu lado? Consegue perceber se ela tem algo para te falar? Enxerga se ela precisa de ajuda para alguma coisa? Pergunte. E ouça atentamente. Veja através das palavras. Elas são importantes, mas não dizem muitas coisas quando sozinhas. Elas são acompanhadas de olhares, gestos. Olhe o não dito.

Quem é a pessoa que você ama? Você a conhece? Ou acha que conhece? Ou criou uma pessoa fictícia e nem sabe mais quem é seu companheiro verdadeiramente. Olhe. Não seja egoísta. Pense no que ela quer, no que a faz feliz e em como vocês podem viver as experiências juntos.

Amar não é ser capacho e fazer tudo que o outro quer. Mas é se preocupar com o outro. É fazer com que a pessoa que escolhemos tenha um lugar central em nossa vida. Seja motivo de nossa preocupação, cuidado e torcida. É estabelecer uma parceria.

Olhe para quem você ama. O amor precisa ser simples, leve, descomplicado e gostoso. E ele pode durar para sempre se você se comprometer a olhar de verdade – e com vontade – para a pessoa que você escolheu para acompanhar os seus passos.

Olhe para quem você ama. Olhe agora. Hoje. Amanhã. Depois. E depois. O amor da sua vida olhará para você também. Cada dia mais atentamente, intensamente e apaixonadamente.

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