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Ame a sua própria companhia

 

Eu nem sei quantos textos já escrevi sobre a importância de amar a si mesmo. Mas hoje, enquanto escrevo sozinha, com a casa em silêncio e todos os aparelhos eletrônicos desligados, sinto vontade de dizer: ame a sua própria companhia.

Convivo com pessoas que frequentemente afirmam que jamais iriam ao cinema sozinhos, que não fariam uma viagem sem companhia, que ao chegar em casa a primeira coisa que fazem é ligar a tv para não se sentir sozinho. Eu gosto da companhia das pessoas que amo e prefiro estar com elas do que sozinha – mas nunca precisei me distrair de mim mesma.

Aprendi a aproveitar os momentos em que estou em minha própria companhia. Seja escrevendo, lendo um livro, assistindo uma série ou perdida em meus próprios devaneios. Eu converso muito comigo mesma. Não preciso de música ou programa de tv para fingir que tenho companhia e, sozinha, me conheço mais.

Se a solidão é um incômodo para você é importante perguntar o porquê. É preciso aprender a escutar nosso coração, identificar nossos sentimentos, apreciar quem somos e se alegrar com o que existe dentro de nós. A aprovação dos outros, principalmente de quem amamos, pode ser importante, mas a nossa felicidade não estará (e nunca estará) a não ser em nós mesmos.

Ignorar a própria companhia, fazer questão de estar rodeado de pessoas e não entender a si mesmo pode fazer com que, algumas vezes, você se sinta desconectado do mundo e sozinho, mesmo estando rodeado de gente. Se você não ama a sua companhia, não sabe o que sua alma gosta e não entende as próprias necessidades, pode se sentir sozinho tendo um companheiro e dividindo com ele o mesmo teto.

Somos inteiros, não pela metade. E apreciaremos melhor a companhia de quem amamos quando nos sentirmos bem com a nossa. Quando soubermos que com ou sem alguém temos capacidade de sermos felizes e encontrar prazer na vida.

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Solidão a dois de dia…

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Algumas pessoas acreditam que ao casar nada mais irá lhe faltar, que terão todas as suas necessidades atendidas pelo outro, que encontraram a metade da laranja, a tampa da sua panela, a alma gêmea e que juntos formam uma só pessoa. Ou uma só carne. Não demora muito, no entanto, para que essas expectativas se mostrem muito diferentes da realidade, fazendo com que o casal, digno de comercial de margarina no intervalo do telejornal, se distancie um do outro.

São muitos os casais que conhecemos que vivem na mesma casa, mas não estão juntos. Não compartilham dos mesmos interesses, não têm planos em comum, não fazem companhia um ao outro e fazem praticamente tudo separados. Têm diferentes agendas, não frequentam os mesmos lugares, não têm amigos em comum.

Certamente a individualidade é muito importante para o relacionamento, afinal de contas não deixamos de ser um quando vivemos a dois. Encontrar os amigos, praticar esportes, estudar, acessar a internet, ler um livro ou qualquer outra atividade não será feita sempre em conjunto. No entanto, relacionamento pressupõe parceria e companhia.

Então pergunto: qual é a pior solidão? Sentir-se sozinho por não ter encontrado alguém ou sentir-se sozinho estando com a pessoa amada? Infelizmente, o medo da solidão é responsável por muitas decisões equivocadas, incluindo a decisão de permanecer junto quando tudo que o casal faz é estar separado o tempo todo.

Se antes os momentos de silêncio que existiam entre os dois eram reconfortantes e eles conseguiam se entender mesmo com a ausência das palavras, agora são ensurdecedores. E constrangedores. Tentam desviar o olhar, não têm o que conversar e nem o que discutir. A vida de um parece não interessar ao outro, mesmo sob o mesmo teto, mesmo casados, mesmo oficialmente juntos.

Por que é tão difícil sair de uma relação até quando o casal não está mais nela? Por que as pessoas reclamam que se sentem sozinhas, mas preferem deixar tudo como está? Por que as pessoas mantêm relações que não as fazem felizes? Por que as pessoas se acomodam em suas frustrações?

Cada um tem as suas razões para permanecer ao lado de alguém. Dependência financeira, medo da solidão, acomodação, esperança de que as coisas mudem. Mas, observando os tantos relacionamentos que vemos por aí, não é difícil imaginar que para muita gente estar ao lado de alguém consiste em ter uma rotina vazia, sem novidade, sem desejo, sem troca.

Ainda nos dias de hoje o fim de um relacionamento é considerado um fracasso que a sociedade não consegue perdoar. O que faz com que muitas pessoas prefiram manter as coisas como estão a viver verdadeiramente sozinhas e ter que se explicar – como se precisasse se explicar. E, na incapacidade de viver plenamente com alguém, não vivem plenamente com elas mesmas.

…faz calor depois faz frio.

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Ame-se

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Todos os dias somos bombardeados por mensagens que dizem que só seremos felizes se encontrarmos um par amoroso. Propagandas de margarina com uma família feliz, filmes, novelas, desenhos animados e revistas femininas com todas as dicas para conquistar namorado e ser a mulher ideal são exemplos disso.

Não vejo nenhum mal em desejar compartilhar a vida com alguém, casar e ter filhos. Mas a ideia de que só podemos ser felizes se estivermos com alguém sempre me incomodou profundamente. E observo que ela tem deixado muitas pessoas frustradas, vivendo um relacionamento decadente só para não estar só.

Já ouvi diversos relatos de pessoas que têm um relacionamento que se sentem sozinhas, que não têm planos em comum, que não dividem mais a mesma cama, que não saem juntos em momento algum. Isso é ser um casal? Eu não tenho lá muita experiência de vida, mas penso que viver com alguém é muito mais do que dividir o mesmo teto.

Essa realidade demonstra que, independente de ter um relacionamento ou não, podemos estar só. Além disso, inevitavelmente, por mais que tenhamos um relacionamento bom e feliz, por vezes nos sentiremos sozinhos, porque ninguém nasceu para suprir o vazio de ninguém. Porque essa história de que um completa o outro é pura balela e que se não damos conta de nós mesmos não é outra pessoa que vai conseguir – por melhor que ela seja.

Se a nossa própria companhia é a única com a qual podemos contar incondicionalmente, por que não nos ensinam, desde pequenos, a amar a nós mesmos? Por que continuam ensinando a esperar pelo príncipe encantado? A imaginar que o melhor da vida só será vivido se encontrarmos a quem amar? Isso é mentira.

A vida é muito boa quando temos a quem dar a mão e já escrevi sobre isso aqui nesse blog. Mas relacionamentos não são prêmios e pessoas não são troféus. Ter alguém não nos faz melhor do que ninguém, embora a sociedade insista em nos dizer que sim. E não é garantia nenhuma de que sua vida seria melhor do que é.

Por que estou dizendo tudo isso? Só para lembrar que, antes de amar alguém, é preciso amar a si mesmo. E ponto.

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