Arquivo da tag: terapia de casal

“Seu marido não te atrapalha?”

Como a maior parte das pessoas, eu tenho uma rotina atribulada. Acordo cedo todos os dias, trabalho, estudo, faço atividade física, sou mãe, casada e tenho afazeres domésticos. Como todo mundo. Ou não. Constantemente tem alguém para me perguntar: seu marido não te atrapalha?

Não sei se todas as mulheres ouvem o mesmo. Ou se os homens já ouviram isso uma vez. Mas eu ouço sempre. “Seu marido não atrapalha sua dieta?”, “seu marido não atrapalha você a fazer atividade física?”, “seu marido não atrapalha seus estudos?”. E, sinceramente: por que eu ficaria com alguém que atrapalha minha vida ao invés de ajudar?

Infelizmente, no entanto, são muitos os maridos que atrapalham os objetivos de suas parceiras. Chegam com uma caixa de bombom em casa quando justamente no dia em que a mulher começou a dieta, criam empecilhos para a mulher estudar, inventam barreiras para que trabalhe, agendam compromisso quando a mulher vai iniciar na academia, se recusam a ficar com o filho do casal quando a mulher precisa cumprir um compromisso.

Atitudes como estas são vistas com normalidade pela maior parte das pessoas que esperam que as mulheres abdiquem de suas vidas em detrimento do casamento, satisfaçam as vontades do marido, aceitem tudo o que eles fazem e estejam à disposição deles. Muitas mulheres ainda têm obrigação de chegar em casa depois de um dia exaustivo e esquentar a comida do marido, sentado no sofá jogando Playstation.

Por que conviver com alguém que dificulta sua rotina, atrapalha seus planos, não incentiva nem apoia as suas iniciativas? Existe amor quando a pessoa só atrapalha? Que não incentiva as mínimas coisas? Sobrecarrega o dia a dia do outro? Toma decisões sem se importar (ou até comunicar) ao parceiro? O amor não é egoísta. Quem ama verdadeiramente quer ver o outro feliz e contribui para que isso aconteça.

Não julgue normal estar com alguém que te atrapalha. Não é. Não pode ser. E em algum momento, ainda que você se acostume, irá se sentir mal. Peça ajuda. Não ache bonitinho um homem com ciúme de você ir para academia ou te enchendo te vinhos e bombons quando você disse que quer emagrecer. Quem não te ajuda, incentiva e apoia nas pequenas coisas não se comportará de maneira diferente em momentos mais importantes.

Case com alguém que contribua com a sua vida. Que faça a salada no seu primeiro dia de dieta. Que vista o tênis para correr com você. Que diga que você está linda. Que compre o livro da faculdade. Que pede uma pizza no dia em que ambos estão exaustos. Que fica feliz com a sua felicidade. Que vibra com as suas conquistas.

Amor é para somar. Para alegrar. Para encher de vida o coração.

linhaassinatura_GISELI

 

Etiquetado , , , , ,

Amor em banho-maria

Acredito que todo mundo conhece alguém que vive uma relação que não ata nem desata, que não sabe ao certo o que é, que quando pensa que acabou o outro ressurge ou que, por alguma razão, não acaba. Isso acontece mais na juventude, quando as paixões são mais fugazes e as pessoas, principalmente os homens, gostam de ter sempre alguém “na estante”.

Por alguma razão algumas pessoas continuam se contentando com menos do que merecem, se sujeitando a ser segunda opção na vida de alguém ou cedendo sempre às vontades do outro e não às suas. O amado desaparece, não liga, marca encontro e desmarca em cima da hora, mas a pessoa permanece à disposição dias, meses ou até anos.

Quem aceita uma relação que nunca vai adiante, a qual não é dada uma denominação, em que não se sabe o que pode ou não cobrar, que parece que chegou ao fim e recomeça, desperdiça a oportunidade de conhecer pessoas que têm interesse em viver um relacionamento sem altos e baixos, sem esconde-esconde, sem incertezas.

O problema da paixão é que ela não é algo simples e racional. Muitas vezes, apaixonadas, as pessoas aceitam coisas que jamais aceitariam em sã consciência. E em uma relação em banho-maria ficam esperando que o outro tome uma decisão, que mude de comportamento, que o status do relacionamento seja definido. Em vão.

Por pior que seja levar um não, ouvir que que o outro não tem interesse em construir um relacionamento ou que o amor chegou ao fim e deseja terminar, acredite: é melhor do que viver em uma eterna indecisão, a angústia da espera e viver estagnado em uma relação que não existe.

Se hoje você vive um amor em banho-maria, que você não sabe exatamente o que é, e está satisfeito com isso, tudo bem. Mas se não está permita-se desejar mais, colocar os pontos nos is, explicitar o que deseja. E, se tiverem interesses divergentes, ainda que sofra, termine e vá em busque do amor que merece.

linhaassinatura_GISELI

 

Etiquetado , , , , ,

A relação não está garantida

Histórias sobre relações amorosas sempre despertam minha atenção. E, talvez por isso, atraio quem queira falar das suas experiências – ou relatar a dos outros. Hoje mesmo, enquanto participava de um churrasco, uma convidada falou que sua irmã se separou recentemente. Depois de vinte e cinco anos de casada. “Ela não estava aguentando mais”, ela disse.

Falou que a irmã está se cuidando mais, passou a correr, está mais vaidosa, voltou a estudar, melhorou a relação com o filho. Contou que depois que tudo se ajeitou ela está mais feliz, confiante e disposta. Pegou o celular e mostrou uma foto no Instagram “olha como ela está bonita!” e realmente estava.

Vinte cinco anos de casados. Uma vida. E me peguei refletindo no quanto as pessoas investem em suas relações amorosas, o quanto cedem, aprendem, discutem, conversam, chegam a acordos, mudam de ideia, pedem desculpas, perdoam. Vinte cinco anos não são vinte e cinco dias. Imagino que não chegaram a decisão de romper a parceria da noite para o dia.

Mas eu sei que muitas relações terminam antes de terem terminado formalmente. Casais que vivem sob o mesmo teto, mas não conversam, não têm momentos a dois, não compartilham suas ideias e opiniões, não se interessam pela vida do parceiro, não vibram com as conquistas do outro. Ou nem sabem o que o companheiro faz.

O casal precisa se sentir vivo dentro da relação. Mas a rotina e as obrigações cotidianas fazem com que as pessoas deixem de prestar atenção no companheiro, não observem as mudanças, não façam surpresas nem encontrem um momento para sair a dois. Principalmente numa relação longa é fundamental que haja esforços para se conectar com o outro.

Certamente nem toda relação irá durar até que a morte os separe. Ainda bem. Ninguém é obrigado a ficar em uma relação que faz mal, que tira sua paz ou que não há amor. Mas estou tentando dizer que, independente do tempo que o casal está junto, nada está garantido. O jogo nunca está ganho. E você, sozinho, não garantirá o futuro da relação.

Para estar casado é preciso que os dois digam sim todos os dias. Que ambos escolham um ao outro. Que ambos queiram compartilhar. Que ambos tenham interesse em conquistar a mesma pessoa repetidas vezes.

Não há garantias em uma relação amorosa. Mas acreditar que ela será eterna sem fazer nada para que seja é o primeiro passo para que ela se acabe muito antes do que se imaginava. Então reafirme seu sentimento. Demonstre. Esteja presente com toda alma e coração.

Conquiste quem você ama todos os dias.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , , ,

Casal no divã

couple

Todos os casais que conheço que recorreram à terapia de casal hoje estão separados. Todos. Sem exceção. Dizem que o processo de terapia foi muito importante para terminar o relacionamento de maneira menos dolorida, dividir os bens sem brigas, fazer acordos sobre a guarda dos filhos e falar de maneira civilizada sobre o fim do casamento.

O objetivo desta crônica, no entanto, não é provar a ineficiência da Terapia de Casal. Muito pelo contrário. Eu acredito que Terapia de Casal funciona sim. É possível melhorar o relacionamento, aprender a se comunicar melhor, entender o que cada um espera de uma relação a dois e construir uma convivência saudável se ambos buscarem ajuda profissional. E isso não é vergonha nenhuma.

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que buscar ajuda profissional é sinônimo de fracasso e, envergonhadas, só marcam uma consulta depois de muitas brigas e mágoas. Quando há rancores e o desrespeito já ultrapassou os limites. Quando nenhuma das partes acredita verdadeiramente que a terapia trará resultados e tornará o relacionamento possível. Quando a via de comunicação já se esgotou.

O objetivo da terapia de casal, no entanto, não é a reconciliação. Pode ser que o casal descubra que a separação é a decisão mais acertada para que cada um consiga atingir seus objetivos pessoais, tenha mais qualidade de vida, possa investir em novos planos, seja mais feliz e consiga lidar com o outro de maneira educada. Mas a terapia pode ser uma ótima aliada para auxiliar a construção de uma relação saudável e feliz.

Com ajuda de um terapeuta, o casal pode mudar a maneira de se relacionar, melhorar a comunicação, interagir de forma positiva e chegar à conclusão de que é válida a experiência de compartilhar a vida com o outro. Casais com dificuldade de conversar e expor seus sentimentos encontram no consultório um espaço seguro para falar, ouvir, ser ouvido e, principalmente, começar a mudar.

Geralmente a terapia é procurada em meio a uma crise onde ao menos um dos parceiros não aguenta mais e já falou em separação. Traição e suspeita de traição, questões ligadas à sexualidade, dificuldade de lidar com os filhos e falta de amor são algumas das razões que levam a desentendimentos e faz com que o casal procure o divã.

No entanto, não é preciso chegar ao ponto de querer jogar tudo para o alto para procurar ajuda. As questões do dia a dia influenciam a relação e geram desgaste. Todo mundo deseja viver em harmonia e com prazer. E, se não está conseguindo isso em sua relação, deve redescobrir maneiras de viver seu relacionamento e ser feliz. Ou ao menos tentar.

O terapeuta ajuda o casal a desvendar o que está por trás das brigas repetidas e aparentemente fúteis que normalmente impedem que o casal consiga ter uma conversa. Infelizmente, não nos ensinaram a comunicar nossos sentimentos de maneira adequada e às vezes fica o dito pelo não dito. Mas sempre podemos aprender. Sempre é tempo de aprender.

Durante a terapia o casal passa a ter clareza dos seus comportamentos, toma consciência dos motivos pelos quais um escolheu o outro como parceiro, descobre o que levou ao desencontro e chega a conclusão de que em uma relação não existe um único culpado e que os dois precisam se comprometer com o relacionamento que construíram – ou desejam construir.

No amor não há garantias. Buscar a felicidade amorosa é uma obrigação de todos. Na caminhada a dois há sempre o risco de se machucar pelo caminho. Mas é sempre melhor arriscar do que desistir do amor da sua vida. Por isso, deixe seu orgulho de lado. Não espere uma crise grave para melhorar o seu relacionamento. Esteja aberto para reavaliar sua relação e entender que o sucesso de um casal depende de ambas as partes, de mãos dadas, tentando ser felizes juntos.

E, se no meio do caminho ficar claro que cada um deve ir para um lado, a terapia de casal não foi ineficaz. Você não é um fracassado. Fracassado é quem não busca novas possibilidades, se envergonha de procurar ajuda, acredita que não tem responsabilidade sobre suas ações e deixa um amor terminar antes mesmo de tentar.

O amor é para quem tem coragem.

linhaassinatura_GISELI

Etiquetado , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: