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Deixe o amor entrar

A maior parte das pessoas quer encontrar um grande amor e viver um relacionamento duradouro, mas, depois de algumas decepções, ainda que não tenham desistido, o coração, cheio de cicatrizes, está mais endurecido.

Como confiar em alguém depois de ter sido traído? Como se entregar novamente depois de ter sido magoado? Viver deixa marcas, não tem jeito. E, infelizmente, momentos dolorosos também fazem parte da nossa história. E, se existe um lado bom nisso, quando se trata de relação amorosa, as experiências nos levam a errar menos das próximas vezes.

Não acredite que você “tem dedo podre”, que não sabe escolher, que se envolve somente com quem não presta, pois não merece coisa melhor e que relacionamento amoroso não é para você. E, se identificar que, realmente, escolhe sempre o mesmo perfil, procure terapia. Sério. Às vezes é importante saber o porquê nos sabotamos, inclusive no amor.

Cedo ou tarde, o amor vai surgir na sua vida novamente, mas você não irá perceber se não tiver aberto a isso. Se, cheio de mágoas e rancores, não der uma chance para conhecer alguém que está disposto a fazer parte da sua vida.

Eu sei que, em meio a tanto ódio e violência, é difícil acreditar nas pessoas e permitir conhecê-las. Mas existe muita gente boa nesse mundo. Gente disposta a amar, a compartilhar, a contribuir, a somar. A construir uma relação saudável e feliz.

Você não precisa insistir em relações infelizes nem aceitar qualquer tipo de relacionamento para por medo de ficar só. Ame-se. Aprecie sua própria companhia. Saiba o valor que tem. Faça programas que lhe agradem. Viva. É mais fácil identificar alguém que vale a pena quando não está buscando alguém para ser feliz. Ninguém é responsável pela sua felicidade a não ser você mesmo.

E, quando o amor chegar, deixe ele entrar.

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Lavando roupa suja nas redes sociais

A maioria das pessoas utiliza redes sociais e, provavelmente, já se deparou com desabafos de todo tipo. Há uma quantidade enorme de indiretas, de gente que se acha alvo de inveja, de críticas de todo tipo e, não raro, publicações que sabemos que são para o cônjuge, namorado ou até o crush.

Eu não tenho nada com isso, claro. E, como diz o ditado, se conselho fosse bom ninguém dava, vendia. Mas vou dar assim mesmo: não seja essa pessoa. Falando em ditado popular (adoro e conheço muitos!), roupa suja se lava em casa. É provável que essas publicações tragam ainda mais problemas para a relação.

Além disso: nem todos torcem pela sua felicidade. Há pessoas que pela frente demostram apoio e por trás fazem críticas e, mesmo aquelas que gostam de você não podem solucionar seus problemas. Cuidar do seu relacionamento e resolver as dificuldades é uma delas.

Quer desabafar? Procure um familiar ou amigo de confiança que realmente se interesse pelo seu bem-estar, que irá ouvir suas dificuldades e prestará o apoio que precisa. Nas redes sociais as pessoas nem têm tempo. E muitas vezes estão ali só para saber da vida alheia. Preserve-se.

Já vi muita gente fazer publicações sobre as crises amorosas e, tempo depois, publicar fotos lindas e românticas. Sem contar as pessoas que falam mal do ex e depois reatam o relacionamento. Antes de publicar alguma coisa negativa sobre o seu relacionamento nas redes sociais, respire. E reflita: é necessário? Vai ajudar em alguma coisa? Vou solucionar o problema? O outro vai se sentir invadido?

Se as coisas andam tão mal que a vontade de publicar nas redes sociais e dizer ao mundo o que está acontecendo é grande, vale pensar se não é hora de buscar ajuda profissional. Ou terminar a relação. Quando um relacionamento é saudável as pessoas querem fazer declarações, exibir fotos, não ficar enviando indiretas (ou diretas mesmo!), reclamando e brigando aos olhos de todo mundo.

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Viva o hoje

A maioria das pessoas tem dificuldade em viver o presente. Ou pensam demasiadamente no que fizeram ou deixaram de fazer no passado ou se preocupam com o futuro. Lidar com as responsabilidades do dia a dia, as consequências das próprias decisões e planejar o futuro exige um equilíbrio que não temos – ou não temos o tempo todo.

O excesso de passado ou de futuro talvez seja uma das razões de tanta depressão e crise de ansiedade, os males do nosso tempo. Se martirizar pelo que já aconteceu ou sofrer por antecipação pode ser mais comum para algumas pessoas do que para outras, mas, certamente, todos nós já vivemos essas experiências e sabemos que não é boa.

Sofrer por antecipação por algo que não temos controle e não depende exclusivamente de nós pode fazer com que a gente sofra duas vezes – uma antes e outra quando o que temíamos acontece – ou que soframos em vão. Quando nos imaginamos em determinada situação e nos preocupamos com ela estamos vivendo todas as sensações – positivas e negativas – como se fossem realmente reais.

Por que viver o hoje, o agora, o presente, é tão difícil? Muitas vezes deixamos de aproveitar a família, os amigos, cuidar da nossa saúde física e mental, prestar atenção ao que acontece a nossa volta e nos entregar de corpo e alma acreditando que daremos atenção a nós mesmos e a quem amamos quando conquistarmos nosso objetivo – seja ele qual for.

Sofrendo pelo passado ou tentando prever o futuro, deixamos de estar, de corpo e alma, no tempo presente. O único que realmente podemos viver integralmente. Que dia você quer viver hoje? Que lembranças deseja ter sobre o dia de hoje? Que experiência você está adiando? O que deixou de dizer?

Por mais que seja difícil, concentre-se no agora. Procure viver o hoje. Evite sofrer pelo futuro que ainda não chegou. Às vezes, dependendo do período que esteja vivendo, você não vai conseguir. E tudo bem. Mas se você nunca consegue procure ajuda profissional para conquistar o equilíbrio emocional necessário para não sofrer pelo que não pode mudar nem pelo que ainda não aconteceu.

O que você está vivendo hoje? O tempo que já passou ou aquele que nem chegou?

Crônica publicada no blog de Giseli Rodrigues no dia 27 de novembro de 2018.

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Os danos da impulsividade

Eu não sou e nunca fui uma pessoa impulsiva. Penso muito antes de agir, remoo um pensamento ou sentimento por muito tempo até tomar uma decisão e não escolho recompensas imediatas em detrimento de um bem maior ou uma responsabilidade que assumi. Tenho medo de me arrepender depois, tenho medo de correr riscos, medo de errar e falhar.

É claro que ser como eu também gera frustrações. Por medo de perder, errar e falhar já perdi algumas oportunidades e me arrependi do que deixei de fazer. Mas, ainda assim, prefiro as dores de ser comedida a lidar com os danos vividos pelas pessoas impulsivas, que não têm controle de suas ações, põe suas vidas em riscos, não medem as consequências dos seus atos e sofrem constantemente por não conseguir fazer o que queriam.

Pessoas impulsivas prejudicam suas relações afetivas e profissionais. Gastam mais do que ganham, não conseguem esperar o dia seguinte para resolver uma situação, não pensam no que falam, tomam decisões sem pensar nas consequências, bebem além do limite, estão em uma festa e não vão embora mesmo tendo um compromisso na manhã seguinte.

Geralmente perdem o compromisso e se arrependem, traem o parceiro e se arrependem, falam o que não deveriam e se arrependem, pedem demissão num rompante e se arrependem, adiam a conclusão de projetos e se arrependem, se envolvem em uma briga e se arrependem. O que traz uma sensação de fracasso, mal-estar, culpa e vergonha.

Pensar demais antes de agir pode ser ruim, mas não pensar é muito pior. Aprender a dominar impulsos, avaliar as consequências dos próprios atos e pensar antes de agir é muito importante para conquistar uma vida feliz, viver em harmonia e alcançar objetivos. Se você é uma pessoa impulsiva precisa compreender em que situações se deixa levar sem pensar, quando a impulsividade prejudica a sua vida e se ela é resultado de ansiedade, nervosismo, medo. Ou qualquer outro sentimento.

É possível se tornar uma pessoa ponderada e consciente. Mas isso requer um esforço diário. Nas pequenas situações do dia a dia. Não responder a uma provocação imediatamente, não comprar só porque está na promoção, sair cedo de uma festa para arcar com um compromisso no dia seguinte, vencer a preguiça de dormir mais um pouco para fazer atividade física tão prometida, não responder de forma grosseira um colega de trabalho petulante.

Às vezes pessoas impulsivas não conseguem encontrar um equilíbrio sozinhas e precisam buscar ajuda profissional. E estão certíssimas. O tempo não volta atrás. Tudo que foi feito não pode ser corrigido, mas é preciso lidar com as consequências das nossas decisões da melhor maneira possível. E isso pode ser aprendido.

Se suas decisões causam mais mal-estar do que prazer, se constantemente se arrepende de determinada ação e percebe que seus objetivos poderiam ser alcançados se agisse de maneira mais ponderada, mude. Sempre é tempo de parar e recomeçar a caminhada de uma maneira diferente.

Não seja sua própria destruição.

Crônica publicada em 18 de novembro de 2018 no blog de Giseli Rodrigues.

 

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Casal no divã

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Todos os casais que conheço que recorreram à terapia de casal hoje estão separados. Todos. Sem exceção. Dizem que o processo de terapia foi muito importante para terminar o relacionamento de maneira menos dolorida, dividir os bens sem brigas, fazer acordos sobre a guarda dos filhos e falar de maneira civilizada sobre o fim do casamento.

O objetivo desta crônica, no entanto, não é provar a ineficiência da Terapia de Casal. Muito pelo contrário. Eu acredito que Terapia de Casal funciona sim. É possível melhorar o relacionamento, aprender a se comunicar melhor, entender o que cada um espera de uma relação a dois e construir uma convivência saudável se ambos buscarem ajuda profissional. E isso não é vergonha nenhuma.

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que buscar ajuda profissional é sinônimo de fracasso e, envergonhadas, só marcam uma consulta depois de muitas brigas e mágoas. Quando há rancores e o desrespeito já ultrapassou os limites. Quando nenhuma das partes acredita verdadeiramente que a terapia trará resultados e tornará o relacionamento possível. Quando a via de comunicação já se esgotou.

O objetivo da terapia de casal, no entanto, não é a reconciliação. Pode ser que o casal descubra que a separação é a decisão mais acertada para que cada um consiga atingir seus objetivos pessoais, tenha mais qualidade de vida, possa investir em novos planos, seja mais feliz e consiga lidar com o outro de maneira educada. Mas a terapia pode ser uma ótima aliada para auxiliar a construção de uma relação saudável e feliz.

Com ajuda de um terapeuta, o casal pode mudar a maneira de se relacionar, melhorar a comunicação, interagir de forma positiva e chegar à conclusão de que é válida a experiência de compartilhar a vida com o outro. Casais com dificuldade de conversar e expor seus sentimentos encontram no consultório um espaço seguro para falar, ouvir, ser ouvido e, principalmente, começar a mudar.

Geralmente a terapia é procurada em meio a uma crise onde ao menos um dos parceiros não aguenta mais e já falou em separação. Traição e suspeita de traição, questões ligadas à sexualidade, dificuldade de lidar com os filhos e falta de amor são algumas das razões que levam a desentendimentos e faz com que o casal procure o divã.

No entanto, não é preciso chegar ao ponto de querer jogar tudo para o alto para procurar ajuda. As questões do dia a dia influenciam a relação e geram desgaste. Todo mundo deseja viver em harmonia e com prazer. E, se não está conseguindo isso em sua relação, deve redescobrir maneiras de viver seu relacionamento e ser feliz. Ou ao menos tentar.

O terapeuta ajuda o casal a desvendar o que está por trás das brigas repetidas e aparentemente fúteis que normalmente impedem que o casal consiga ter uma conversa. Infelizmente, não nos ensinaram a comunicar nossos sentimentos de maneira adequada e às vezes fica o dito pelo não dito. Mas sempre podemos aprender. Sempre é tempo de aprender.

Durante a terapia o casal passa a ter clareza dos seus comportamentos, toma consciência dos motivos pelos quais um escolheu o outro como parceiro, descobre o que levou ao desencontro e chega a conclusão de que em uma relação não existe um único culpado e que os dois precisam se comprometer com o relacionamento que construíram – ou desejam construir.

No amor não há garantias. Buscar a felicidade amorosa é uma obrigação de todos. Na caminhada a dois há sempre o risco de se machucar pelo caminho. Mas é sempre melhor arriscar do que desistir do amor da sua vida. Por isso, deixe seu orgulho de lado. Não espere uma crise grave para melhorar o seu relacionamento. Esteja aberto para reavaliar sua relação e entender que o sucesso de um casal depende de ambas as partes, de mãos dadas, tentando ser felizes juntos.

E, se no meio do caminho ficar claro que cada um deve ir para um lado, a terapia de casal não foi ineficaz. Você não é um fracassado. Fracassado é quem não busca novas possibilidades, se envergonha de procurar ajuda, acredita que não tem responsabilidade sobre suas ações e deixa um amor terminar antes mesmo de tentar.

O amor é para quem tem coragem.

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