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Como ajudar uma pessoa traída?

Histórias de infidelidade conhecemos várias, mas o que fazer quando uma pessoa próxima revela que foi traída? Primeiro, tenha em mente que a maior parte das pessoas, por vergonha, não revela esta intimidade. E se alguém revelou para você é sinal de é alguém de confiança.

O impulso inicial geralmente é sugerir que abandone o amado, mas nem todas as pessoas optam pela separação. A maioria deseja reconstruir a relação. É fácil julgar e criticar a escolha de quem quer investir na relação depois da traição. Mas devemos ouvir, tentar compreender, amparar e ajudar.

Certamente, a pessoa já está devastada pela experiência da infidelidade e ao compartilhar seu sofrimento com alguém que confia nem sempre vai em busca de conselhos. Só a própria pessoa é capaz de determinar se deve romper ou continuar a relação.

Você pode ajudar muito sem dar conselhos, falar mal do parceiro infiel ou sugerir o término da relação. Como? Ouvindo com atenção, dando abertura para que a pessoa ferida exponha seus sentimentos, não fazendo juízo de valor, principalmente, se ela afirmar que ainda ama o parceiro, ajudando a pessoa a organizar os seus sentimentos.

A pessoa já está machucada o bastante, é importante que você não conte o episódio para outras pessoas, não transforme o tema em assunto nas rodas de amigos e familiares. Seja discreto, respeite a dor do outro, não quebre a confiança de quem já foi traído.

Demonstre seu apoio, diga que está disponível para o que precisar e que não irá julgar sua decisão. Dê seu colo e seu abraço. Ajude e acalme. Fale que não é preciso tomar nenhuma decisão imediatamente, que ela tem direito de se sentir triste, decepcionada, com medo do futuro. Mas que tudo acabará bem.

Ninguém merece viver uma relação que não faz feliz, mas não somos nós que ditamos como as pessoas devem ser felizes e o que é melhor para elas.

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Deslealdade

Por mais que seja comum em nossa sociedade, eu sempre fico chocada com histórias de infidelidade. Mais ainda quando conheço os personagens. Fico pensando no quanto as pessoas são desleais, falsas, hipócritas e cínicas mentindo descaradamente para os seus parceiros enquanto eles nem imaginam o que está acontecendo.

“Ah, acontece se apaixonar por outra pessoa”, “ninguém é de ninguém”, “paixão é assim, repentina”. Sei lá. Infidelidade não é um acidente. Você não tropeça em alguém na rua e se apaixona. Não é atropelado e se apaixona. Não cai e se apaixona. Para que duas pessoas se relacionem elas precisam se envolver e, para haver envolvimento, elas precisam permitir.

Dito isso, quero dizer mais uma vez que eu considero traição uma completa falta de respeito e honestidade com alguém que te ama. É também de um profundo egoísmo se envolver com outra pessoa e viver como se estivesse sozinho quando já tem um compromisso e, muitas vezes, uma família. Às vezes o traidor mente para tanto para o cônjuge quanto para o amante, que nem sabe onde está se metendo.

As coisas não vão bem? O amor acabou? O desejo sumiu? Converse. Procure ajuda terapêutica, separa. Começou a se envolver com alguém sendo que você já tem um compromisso? Se não tem intenção de se separar, afaste-se. Evite problema. Não faça os outros sofrerem. Precisa viver um relacionamento às escondidas, que nunca é tão escondido, e expor a pessoa que está ao seu lado ao ridículo?

Amor tem a ver com compromisso e responsabilidade. É ter genuíno interesse no outro, cuidar, se dedicar, pensar que suas atitudes têm impacto na vida do outro. Amar exige maturidade, sabe? E não importa quantos anos algumas pessoas tenham elas continuam imaturas. Sem qualquer responsabilidade emocional.

Nem todo relacionamento dura para sempre. Mas, enquanto durar, pode ser honesto e verdadeiro. E o mínimo que cada um deve fazer é andar de mãos dadas com alguém sem que ele corra o risco de ser apontado na rua por ser enganado. Entende o que estou dizendo?

Ninguém é obrigado a ficar com ninguém e, por isso mesmo, trair é de uma enorme crueldade. E não entra na minha cabeça. Não seja desleal com quem te ama.

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Trair dá muito trabalho

A infidelidade continua sendo um dos principais problemas dos relacionamentos amorosos, levando a separação de muitos casais e, em alguns casos, aos consultórios para terapia de casal. Conhecemos diversos casos de infidelidade. Ou já vivenciamos algum.

Esta semana uma mulher me contou a causa de sua separação, ocorrida há alguns anos: chegou em casa e viu o seu marido com outra. A outra era a sua melhor amiga, também casada. Os casais saiam juntos, frequentavam a casa um dos outros e ela não desconfiou que estava sendo traída.

Eu imagino a decepção, a raiva, a falta de confiança nas pessoas depois de ser duplamente traída. Mas não é sobre isso que desejo falar. Eu quero falar do trabalho que as pessoas têm para enganar a outra, esconder um relacionamento durante meses ou anos. Da falta de ética que existe em uma relação extraconjugal.

Tenho dificuldade em entender o que leva uma pessoa comprometida a se envolver com outra, porque isso envolve algo que não acontece instantaneamente: escolha. Trair não é como tropeçar no meio da rua. É uma escolha consciente. Tanto é assim que existe até aplicativo para pessoas casadas traírem os seus parceiros.

Muitas pessoas, mesmo amando os seus companheiros e tendo uma relação satisfatória, encontram prazer em viver aventuras. Mas pessoas éticas têm dificuldade em entender isso. Pessoas que levam uma vida reta, que gostam de estar em dia, que têm medo de dar um passo em falso, que apreciam uma vida tranquila, simplesmente não conseguem entender isso.

Nesta mesma semana eu assisti o vídeo “Trair dá muito trabalho”, de Leandro Karnal, um trecho da sua palestra “Ética e o Brasil” e eu adorei. Compreendi a minha incapacidade de compreender a traição. Pessoas verdadeiramente éticas não conseguem trair. E, se traírem, não vão conseguir esconder.

Algumas pessoas não têm talento para dizer que estão em um lugar quando estão em outro, em alugar carro para ir no motel para que sua placa não seja vista, sacar dinheiro ao invés de usar o cartão para que o outro não veja uma compra suspeita, apagar todas as mensagens do whatsapp o tempo todo, criar perfil falso em redes sociais, ir em eventos com amante e ter que fugir das fotos. Trair, como Karnal fala, dá trabalho. E por mais que o tempo passe, há sempre a possibilidade de ser pego.

Algumas pessoas gostam da sorte de um amor tranquilo. Gostam de uma vida tranquila. Enquanto outras gostam da aventura e de adrenalina. Querem sempre mais e nunca estão satisfeitas com o que tem, inclusive no amor. Preferem o jeitinho, o caminho mais curto, a conquista mais fácil, mesmo que na verdade, seja mais trabalhoso, porque viver mentindo e tendo que lembrar das mentiras que inventou não deve ser fácil.

Que tipo de pessoa você é? Quanto vale o relacionamento que você vive? O que você pensa sobre infidelidade?

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O prazer da conquista

Há muitos anos eu trabalhei com um cafajeste nato. Dava em cima de todas as mulheres que via e não perdia o hábito nem quando namorava. O típico homem que vai para o happy hour com os colegas de trabalho e quando a namorada liga diz que ainda está trabalhando. E, claro, tinha também um affair no trabalho. Sempre. O que me impressionava.

O que leva uma mulher a se relacionar com um homem, que sabidamente, não vale nada e nem faz questão de esconder? Só passatempo, pegar sem se apegar, sexo e nada mais, diziam elas. Depois estavam lá choramingando pelos cantos, reclamando que ele já estava em outra, que não retornava as ligações.

Lembro de uma festa de final de ano em que o marido de uma funcionária foi busca-la e ela não estava mais na festa. Ele ligava para mulher, ela insistia que estava na festa, ele fez um barraco querendo procura-la e, na verdade, ela já tinha saído faz tempo com vocês sabem quem: ele, o cafajeste. Noutra ocasião ele chegou no escritório cabisbaixo, pois tinha saído com uma mulher na noite anterior e a namorada o encontrou com a outra. Um barraco. As mulheres brigaram entre elas e brigaram com ele. Ou seja: ele sempre estava envolvido em confusão.

Eu não conseguia entender o porquê de tudo aquilo. Ele tinha várias mulheres interessantes aos seus pés. Eram muito mais inteligentes do que ele, mais bonitas do que ele, mais bem-sucedidas do que ele. E nenhuma era suficiente. Até que um dia, enquanto eu saboreava meu Big Mac no na hora do almoço, ele apareceu, começamos a conversar e eu perguntei o porquê ele se envolvia com tantas pessoas, fazia promessas, mantinha contato se não tinha interesse em levar adiante qualquer relacionamento.

A resposta? “O prazer da conquista”. Ele explicou que gostava de saber se a mulher retribuiria suas investidas, que se sentia bem quando despertava a paixão delas e que a graça da coisa não era o envolvimento em si, mas convidar para sair, ficar na expectativa da resposta, enviar mensagens no dia seguinte e fazer com que a mulher se sentisse desejada. Despertar o interesse e conquistar alguém era o seu desafio. O resto não importava.

Disse mais: “a maioria dos homens é assim”. Argumentou que muitos homens se envolvem em relações extraconjugais não por amar pouco a parceira, não sentir prazer, não ter desejo ou admiração. Mas pelo prazer da conquista. Para ter certeza de que ainda conseguem despertar o interesse de alguém e são convincentes.

Eu, que não sou homem, não posso afirmar que esse colega de trabalho, do qual nunca mais ouvir falar, tem alguma razão. Mas acho que sim. Muitos homens querem aprovação, têm desejo de afirmação, gostam do êxtase da paixão e não têm paciência para construir uma relação duradoura. Para alguns essa é apenas uma fase. Para outros dura a vida inteira: uma coleção de conquistas que não vingam, porque vivem buscando uma nova paixão.

Talvez sejam homens inseguros, que desconfiam não ser capazes de manter as mulheres apaixonadas por muito tempo e preferem descartá-las antes que o envolvimento casual se transforme em algum tipo de relacionamento. Difícil encontrar respostas. Tipos como esse, no entanto, estão por toda parte. E nem sempre são tão descarados.

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Perfeitos Desconhecidos

Procurando um filme para assistir, me deparei com “Perfeitos Desconhecidos”, do qual nunca tinha ouvido falar. A história? Sete amigos de longa data se reúnem para um jantar e resolvem fazer a seguinte brincadeira: colocar todos os aparelhos de celular na mesa e compartilhar o conteúdo de cada mensagem de texto, e-mail e ligações que recebem. No jogo, muitos segredos começam a se revelar, provando que nem todos se conhecem de verdade.

O filme não é uma obra de arte, mas é interessante e divertido. Afinal, conhecemos verdadeiramente as pessoas com as quais convivemos? Elas são exatamente como se apresentam para nós? Nossos pais, irmãos, amigos, cônjuges, guardam segredos? O filme não é profundo, mas nos leva a refletir sobre os relacionamentos, sobretudo os conjugais.

Quem colocaria o celular sobre a mesa, desbloqueado, sem se preocupar? Acredito que poucos. Pelas tantas histórias que conheço de homens em redes de relacionamento mesmo sendo casados, de pessoas em grupo de WhatsApp que só compartilham fotos e vídeos impróprios, de gente que mantém contato com ex mesmo tendo jurado que não  faz isso, não são poucas. E, tenho certeza, você também conhece.

No filme os relacionamentos amorosos entram em colapso quando as mensagens começam a ser compartilhadas. Não só pelas provas de traição. Mas por diversos segredos que, pouco a pouco, começam a ser revelados, como a esposa que está buscando asilo para sogra sem que o marido saiba, o amigo que procura hospedagem mais barata ao programar uma viagem por acreditar que o outro não tem dinheiro suficiente, e muito mais.

E pergunto: você é uma pessoa congruente? Seus comportamentos correspondem com exatidão ao que você demonstra no cotidiano? Ou você é uma capa, uma fraude, um personagem? Talvez o objetivo da nossa vida seja, cada vez mais, ser o que somos. Sem máscaras, mentiras e segredos.

Não raro nos surpreendemos com as atitudes das pessoas. Algumas consideradas exemplares chegam a ser criminosas. Homens de “bem” presos por pedofilia, líderes religiosos que cometem abusos sexuais, políticos presos por corrupção depois de fazer campanhas eleitorais em que juravam que combateriam este crime. Pessoas que falam uma coisa e fazem outra estão presentes em nosso dia a dia. Todos os dias.

O que você é? O que você deseja ser? O comportamento que você tem hoje quando longe de seus amigos, familiares e cônjuges destruiria esses relacionamentos se fossem descobertos? Tudo o que fazemos impacta, de alguma maneira, na vida de outras pessoas. Principalmente daquelas que amamos.

Não acho que devemos compartilhar nossas senhas, ter perfil de casal nas redes sociais nem contar cada detalhe da rotina. Um relacionamento amoroso precisa ser baseado no respeito e na confiança. Mas é sempre importante refletir se o que fazemos, nas redes sociais ou fora delas, são compatíveis com as relações que desejamos construir e, principalmente, cultivar.

Num mundo de filtros, sorrisos mentirosos, fotos posadas, declarações falsas e notícias inventadas, não há nada mais subversivo do que a verdade. Seja verdadeiro. Ser verdadeiro é ser livre.

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