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Solidão a dois de dia…

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Algumas pessoas acreditam que ao casar nada mais irá lhe faltar, que terão todas as suas necessidades atendidas pelo outro, que encontraram a metade da laranja, a tampa da sua panela, a alma gêmea e que juntos formam uma só pessoa. Ou uma só carne. Não demora muito, no entanto, para que essas expectativas se mostrem muito diferentes da realidade, fazendo com que o casal, digno de comercial de margarina no intervalo do telejornal, se distancie um do outro.

São muitos os casais que conhecemos que vivem na mesma casa, mas não estão juntos. Não compartilham dos mesmos interesses, não têm planos em comum, não fazem companhia um ao outro e fazem praticamente tudo separados. Têm diferentes agendas, não frequentam os mesmos lugares, não têm amigos em comum.

Certamente a individualidade é muito importante para o relacionamento, afinal de contas não deixamos de ser um quando vivemos a dois. Encontrar os amigos, praticar esportes, estudar, acessar a internet, ler um livro ou qualquer outra atividade não será feita sempre em conjunto. No entanto, relacionamento pressupõe parceria e companhia.

Então pergunto: qual é a pior solidão? Sentir-se sozinho por não ter encontrado alguém ou sentir-se sozinho estando com a pessoa amada? Infelizmente, o medo da solidão é responsável por muitas decisões equivocadas, incluindo a decisão de permanecer junto quando tudo que o casal faz é estar separado o tempo todo.

Se antes os momentos de silêncio que existiam entre os dois eram reconfortantes e eles conseguiam se entender mesmo com a ausência das palavras, agora são ensurdecedores. E constrangedores. Tentam desviar o olhar, não têm o que conversar e nem o que discutir. A vida de um parece não interessar ao outro, mesmo sob o mesmo teto, mesmo casados, mesmo oficialmente juntos.

Por que é tão difícil sair de uma relação até quando o casal não está mais nela? Por que as pessoas reclamam que se sentem sozinhas, mas preferem deixar tudo como está? Por que as pessoas mantêm relações que não as fazem felizes? Por que as pessoas se acomodam em suas frustrações?

Cada um tem as suas razões para permanecer ao lado de alguém. Dependência financeira, medo da solidão, acomodação, esperança de que as coisas mudem. Mas, observando os tantos relacionamentos que vemos por aí, não é difícil imaginar que para muita gente estar ao lado de alguém consiste em ter uma rotina vazia, sem novidade, sem desejo, sem troca.

Ainda nos dias de hoje o fim de um relacionamento é considerado um fracasso que a sociedade não consegue perdoar. O que faz com que muitas pessoas prefiram manter as coisas como estão a viver verdadeiramente sozinhas e ter que se explicar – como se precisasse se explicar. E, na incapacidade de viver plenamente com alguém, não vivem plenamente com elas mesmas.

…faz calor depois faz frio.

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Festa estranha com gente esquisita

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O mundo tá cheio de gente, repleto, lotado… é verdade. Agora, tenta achar alguém que te interesse de verdade nessa multidão pra você ver como o mundo não começa, de repente, a parecer despovoado, deserto, terra de ninguém.

Nem se eu usasse todos os dedos das minhas mãos (e dos meus pés) daria para contar a quantidade de gente bacana que eu conheço e que está solteira à procura de uma pessoa minimamente compatível para tomar milkshake no mesmo canudo enquanto conversam sobre trivialidades, dormir (depois passar a noite em claro) na mesma cama e, com sorte, compartilhar os sonhos e dividir a conta do jantar. Assim, nada muito sofisticado…

E eu nem estou falando só da quantidade de mulheres interessantes, legais e inteligentes que estão sozinhas, mas dos homens também. Não estão em quantidade tão numerosa quanto as mulheres, mas reclamam exatamente da mesma coisa: só tem gente maluca!

Nós reclamamos que só encontramos homens malucos e eles reclamam que só aparece mulher louca! Gente, o hospício é aqui e agora. Ninguém percebe porque toda essa gente doida anda fantasiada de sanidade por aí, disfarçados dentro de vestidos tubinho na night carioca, de terno e gravata na Avenida Paulista, por trás de sorrisos lindos artificialmente clareados, em páginas de Facebook, @s de Twitter e fotos com filtros bonitinhos no Instagram.

Como identificá-los? Simples! Pena eu não fazer a menor ideia, caso contrário nunca teria permitido que malucos tivessem entrado na minha vida, feito estragos consideráveis e depois tivessem saído por aí, bagunçando a vida de outras mocinhas indefesas como eu. Ok, nem tão indefesas, nem tão mocinhas assim, mas, no mínimo, ingênuas.

Agora, quer atrair gente doida de todas as idades, cores, tamanhos e classes sociais? Pergunte-me como.

Veja bem, não me refiro aos esquizofrênicos diagnosticados e tratados em clínicas psiquiátricas. Costumo me entender muito melhor com eles do que com gente considerada “normal” pela sociedade. Me refiro aos loucos que sequer supõem que são loucos.

A maluca disfarçada de auto-suficiente que fala em casamento no segundo encontro. O doido travestido de bom moço que se apaixona pela moça, manda flores, pede em namoro e, uma semana mais tarde, se nega a beijá-la porque perdeu o interesse na menina. A desesperada que parece sensata e manda 20 torpedos por dia. O conservador que se passa por liberal e desmerece a mulher que transou com ele no primeiro encontro. A bandida que incorpora a santa e se nega a sair com o cara depois de não saber mais como se insinuar pra ele. O medroso que banca o destemido e foge ao primeiro sinal de envolvimento. E assim caminha a humanidade…

Passar por situações como essas tem lá suas vantagens. Eu só não descobri ainda quais são. Talvez seja bom porque pode-se eliminar, logo de cara, qualquer possibilidade de levar adiante alguma coisa com alguém que apresente um desses comportamentos suspeitos. O problema é quando os sinais não são tão claros e só começam a ficar evidentes depois de um tempo: o bonzinho-bonitinho-da-mamãe só revela que é sadomasoquista depois de um ano de namoro. Ela só confessa que é fã do NX Zero na porta da igreja. Tenso.

Enquanto isso, gente interessante de verdade se esconde em casa porque perdeu a fé na humanidade ou porque está com medo e/ou preguiça de se relacionar de novo.

E lá fora tá rolando aquela festa estranha com gente esquisita que eu ando me recusando a participar.

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