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“Casamento não é só trepar!”

Dias desses, enquanto desci para ir à farmácia, passei por um casal de idosos que, pelo que entendi, estava falando de outro, porque ouvi a seguinte frase “eu disse para ela que casamento não é só trepar!”. O homem ficou sem graça quando me viu, a mulher baixou a voz e continuaram o caminho, provavelmente falando da vida alheia.

Eu já conheci jovens que se casaram para ter liberdade para transar, principalmente religiosos, que prezam pela virgindade, têm família rígida e julgam certo ter relações sexuais só depois do casamento. Não estou aqui para julgar quem casa cedo ou tarde, virgem ou não. Desde que seja uma escolha consciente, é válido respeitar seus valores e fazer o que acha correto.

Mas, convenhamos, quem acha que casamento é só transar, como ouvi da senhorinha na rua, está fudido mesmo. E, neste caso, nem é literalmente. Viver sob o mesmo teto, administrar casa, vida pessoal, vida profissional e acadêmica, dar conta dos filhos, ter um monte de boleto para pagar e ficar assoberbado pela rotina pode ser desafiador para o tesão.

A verdade é que, vivendo todos os dias com a mesma pessoa, fica difícil ter tesão se não tem mais nada interessante além de sexo. Se a pessoa não é parceira, não torce pelo seu sucesso, não ajuda nos afazeres, não está presente, não conversa. Amor e paixão são coisas diferentes. Os mais maduros vão me entender. E, para o amor durar, é necessário muito mais do que sexo.

Embora, claro, o sexo seja importante. É ele, afinal, que diferencia um amor de amizade. O pai de um amigo, advogado que atua em direito de família, falava que se o casal ainda tivesse desejo um pelo outro geralmente voltava. E que dava para sentir a tensão (ou seria tesão?) entre eles. Por que, mesmo apaixonados estavam ali, discutindo e prestes a separar? Porque não conseguiam se entender na vida cotidiana.

É a rotina, o dia a dia, que sustenta um relacionamento amoroso. É claro que sexo é importante. Um casamento sem sexo vira amizade. Mas um casamento só com sexo é o que? É preciso ter uma vida compartilhada, sonhos a serem concretizados, conquistas a serem comemoradas, problemas a serem resolvidos, planos a serem desfeitos e refeitos. Que vão além da cama, do desejo e do tesão.

Eu não conheço a senhorinha que passou por mim e muito menos de quem ela estava falando. Espero que o casal se acerte e consiga criar uma conexão que vai além do desejo, tão importante, principalmente, no início de qualquer relacionamento, mas que não se sustenta sozinho durante muitos anos.

“Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte”

Rita Lee

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O cuidado não é tarefa das mulheres

Somos ensinadas, desde pequenas, a cuidar e a servir. Lembram da infância? Ganhávamos bonecas, panelinhas e tudo que fosse ligado ao universo doméstico. Quando os meninos queriam fazer parte das nossas brincadeiras, geralmente, eram desestimulados pelos adultos e incentivados a brincar de outra coisa. Não na minha casa, mas essa é outra história que pode virar texto em outro momento.

Quem nunca ouviu que toda mulher tem instinto maternal? Que afazeres domésticos é coisa de mulher? Que se cozinha bem já pode se casar? Que mulheres têm mais habilidades para trabalhos manuais? Que os filhos precisam mais das mães? Poderia citar outros milhares de exemplos, mas não é necessário, pois creio que todos compreenderam o que quis dizer.

Por que estou dizendo isso, afinal? Porque, quando nos tornamos adultos, somos levados a acreditar que o cuidado é tarefa das mulheres. Em um relacionamento, portanto, muitas vezes as mulheres se veem sobrecarregadas com os afazeres domésticos, cuidados com os filhos e com os maridos – que, segundo pesquisas, chegam a dar mais trabalho que os filhos!

Maridos não são filhos. Mulheres não são responsáveis, sozinhas, pelo sucesso da relação. Filhos não precisam só das mães. O cuidado não é tarefa exclusiva das mulheres, embora a todo momento sejamos levados a acreditar que sim. Está cada vez mais claro para mim que não dá para edificar uma casa sozinha. Carregar esse fardo é desumano e cruel – e leva muitas mulheres à exaustão e sobrecarga.

No mundo em que eu vivo alguns homens preparam almoços e jantares, planejam viagens, lavam louça, limpam a pia, lavam roupa, separam o lixo, cuidam dos filhos – que algumas vezes não são seus. Atribuir a capacidade de cuidar somente às mulheres é ultrapassado, mas ainda há quem viva no século errado, não é verdade?

Cuidar implica em assumir afazeres chatos, como lavar louça, ir ao supermercado, trocar fralda de criança. Mas quando a gente ama e faz isso em conjunto, ou faz pelo cuidado com o outro, essas atividades ganham outra dimensão e aprendemos que o melhor nos relacionamentos são as vivências diárias com as pessoas que amamos.

É no cuidado com o outro que os laços familiares são solidificados, as conexões emocionais são fortalecidas, as relações com os filhos se tornam mais próximas e a nossa existência mais enriquecida. Quem ama cuida. Não num dia de festa ou ocasião especial, mas diariamente.

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Ninguém é perfeito

Com o passar do tempo descobrimos que a pessoa por quem nos apaixonamos não é perfeita e cultiva hábitos irritantes. Morando sob o mesmo teto eles ficam ainda mais evidentes e caímos na tentação de apontar os erros do outro constantemente. O pote mal fechado, objetos largados pela casa, louça deixada na pia, demora para se arrumar, nunca saber onde estão as coisas.

O seu amor tem hábitos que te incomodam? Você já falou quais são? E quais dos seus hábitos incomodam o outro? Já viveu a experiência de ter os defeitos apontados? Apontar os erros e defeitos do outro é fácil, todos nós sabemos desde pequenos. E, em uma relação amorosa, temos direito de expor nosso sentimento e falar com clareza sobre os hábitos que nos incomodam.

O problema é viver em uma relação onde só há críticas. É se transformar em pais que cobram por tudo “arruma a cama”, “não lavou a louça’, “como você demora para se arrumar” e, ao final do dia, depois de apontar tantos defeitos não ter percebido uma coisa boa feita pelo outro. Realmente não há nada que o outro faz bem? Só existe coisas irritantes nessa relação? Ao fim do dia não existe nada que possa elogiar, só criticar?

Ninguém é perfeito. Nenhum de nós. Consideramos defeitos coisas que o outro não considera e vice-versa, pois fomos educados de maneira diferentes, vivemos experiências diferentes, somos pessoas diferentes. Pessoas comprometidas com a relação tentam chegar em acordo, lidar com os hábitos diferentes e, muitas vezes, relevam pequenas atitudes irritantes e se apegam aos gestos positivos.

Preste atenção nas vezes que recebe apoio, no abraço carinhoso nos momentos difíceis, nas gargalhadas compartilhadas, no estímulo que recebe para começar um novo projeto, no lanche que o outro deixou pronto, no modo como ficou feliz com uma conquista sua. Olhe o lado bom. Se não tem lado bom, já é outra história.

Muitas pessoas lidam com as atitudes positivas do outro como se não passassem de obrigação, como se elas precisassem satisfazer seus desejos e atender seus caprichos. Mas relação amorosa não é isso. Você não namora, vive sob o mesmo teto e casa para ter alguém que só diga sim e faça tudo que você quer.

Elogie, agradeça, aponte o lado bom das coisas ao invés de reclamar de tudo que te incomoda. Escolha ser feliz.

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