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Quando o otimismo é negativo

Muito se fala sobre o poder do pensamento positivo e a importância do otimismo para termos uma vida mais feliz, saudável e realizada. Não paro de ver publicações, textos, mensagens, anúncios de lives e webinares sobre positividade. A onda good vibe, gratidão, “mantenha a fé”, “inspire e expire”, “veja o lado bom das coisas”, “mentalize seus desejos” já era bastante presente, mas parece que foi intensificada com a pandemia. Ou eu passei prestar mais atenção agora, não sei.

Acredito que ter uma postura mais confiante traz benefícios. Algumas pesquisas apontam que ver a metade do copo meio cheio reduz o estresse, protege da depressão e ansiedade, diminui os riscos de doenças cardiovasculares e processos inflamatórios. Mas existe o lado ruim do excesso de otimismo. Como tudo nesta vida, o excesso nunca faz bem. Inclusive o excesso de otimismo.

Algumas pesquisas apontam que acreditar excessivamente que tudo dará certo pode causar justamente o contrário, pois as pessoas acabam criando falsas expectativas, subestimando os riscos, agindo sem pensar nas consequências ou esperando que as coisas caiam do céu –  e acabam tendo resultados negativos.

Segundo as descobertas da neurociência, somos mais otimistas do que realistas. Se não fosse assim, não beberíamos água fora de casa por medo de sermos contaminados. A neurologia explica que o otimismo é a formação de imagens no cérebro, na mesma região em que ficam as lembranças e a projeção do futuro é feita em comparação ao passado. O problema é projetar o futuro por meio da fantasia.

Somos estimulados a acreditar que o bem sempre triunfará, que o correto é ser feliz o tempo todo e que alcançamos a realização pessoal e profissional mentalizando positivamente. Isso faz com que muitas pessoas ignorarem e desvalorizarem as emoções negativas, que fazem parte da vida e ajudam a tomar decisões. Para emagrecer, passar em um concurso, conquistar um bem material, ter um bom relacionamento, tratar uma doença, não basta mentalizar. É preciso se esforçar.

Confie em você, acredite no seu potencial, pense positivo, mas mantenha os pés no chão. A noção de realidade é essencial para um futuro feliz. Ficamos melhores quando não pensamos no melhor nem no pior, temos noção de realidade e conseguimos nos adaptar às circunstâncias.

Crônica publicada no blog pessoal da autora em 02 de agosto de 2020.

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O amor não precisa ser complicado

Eu me deparei com um tweet que dizia que ninguém fala que ter um bom relacionamento te faz sentir falta de sofrer por amor. Li, reli e não paro de pensar na ideia de que a maioria das pessoas tem de amar é sofrer, que amor não correspondido é romântico, que ter relacionamento exige sacrifícios, que aprendemos pela dor, só damos valor quando perdemos.

É impossível negar que o sofrimento amoroso nos presenteou com diversas músicas, poesias, livros e filmes maravilhosos. E que ter vivenciado experiências dolorosas em relacionamentos amorosos nos tornou melhores. Ou mais fortes. Ou mais conhecedores de nós mesmos. Ou, no mínimo, mais experientes.

Precisamos desconstruir a ideia de que o amor é capaz de mudar o outro, que o relacionamento tem mais valor depois de muitos obstáculos, de que conquistar alguém é um jogo, que amar é sofrer, que o sexo é melhor depois de uma briga, que reatar depois de dar um tempo faz as coisas melhorarem. Não caia nessa cilada de que amor verdadeiro é aquele que exige sacrifícios e renúncias.  O amor precisa ser fácil.

A vida, por si só, já é muito complicada para se envolver com alguém que só traz dor de cabeça. Todo e qualquer relacionamento vai ter seus desafios: problema financeiro, desavenças com a família, doenças, falecimento de alguém próximo, mudança de emprego, necessidade de reavaliar a dinâmica da família. Ou qualquer outra coisa, porque a vida é constante mudança. E você ainda precisa sofrer por amor? Sofrer com um relacionamento que deveria ser um dos motivos de sua felicidade?

Não sofra imaginando se a pessoa gosta de você ou não. Não tente se convencer de que o outro não ligou para fazer charme. Não acredite que o ciúme das suas roupas é zelo. Não assuma a responsabilidade de mudar o outro. Não acredite que a falta de carinho e atenção é para disfarçar o que sente por você.

Queira estar com quem quer estar com você. Com quem te liga no dia seguinte. Com quem diz que vai e aparece. Com quem te trata bem. Com quem te elogia. Com quem te apoia. Com quem te incentiva. Com quem te apresenta aos amigos. Com quem se orgulha de você. Com quem entende que o amor não precisa trazer dor, nem sofrimento para ser forte e verdadeiro.

Queira a sorte de um amor tranquilo.

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O amor vive em paz

Você lembra do dia em que conheceu seu parceiro, começaram a sair e resolveram namorar? Lembra da ansiedade para chegar a hora do encontro, do coração disparado a cada mensagem, das mãos suadas, da insegurança que sentia? Mesmo que esteja sozinho agora, provavelmente já se apaixonou algum dia e passou por essas situações.

A paixão é imediatista, desesperada, insegura e nos tira um pouco a razão. Já o amor é calmaria, aconchego e paz. É o que fica depois que o coração deixa de disparar com uma ligação, as mãos não ficam frias a cada encontro e esperar a hora de ver a pessoa querida não vira um desespero e, ainda assim, você ainda sente vontade de compartilhar os momentos com esse alguém.

Amor é colo, carinho, cuidado, silêncio, música fora do tom, cabelos despenteados, olhos marejados, segredos confessados, planos partilhados. É espontaneidade. É não se preocupar em mostrar o que é. E ser, simplesmente. É não precisar esconder os seus sentimentos, é confiar, é ser verdadeiro.

Pessoas que se amam se desentendem, discordam, enfrentam problemas. Mas estão juntas. Torcem uma pela outra. Levam a calma quando o outro está uma pilha de nervos, percebem quando há dor por trás de um sorriso, são poesia quando tudo parece sem vida e sem cor, dão a mão quando o outro acredita estar sozinho.

No entanto, mesmo amando muito, o relacionamento não é perfeito o tempo todo. Ninguém corresponde integralmente aos ideais e expectativas do outro. Mas amar é reconhecer a relação tal como ela é, enxergar os defeitos do outro e continuar com vontade de compartilhar a sua vida e percorrer caminhos comuns.

Se faz sofrer, gera insegurança, é conturbado, traz receios, te deixa fora de si, não é amor. Por mais que você goste do outro e seja correspondido, isso não é amor. Pode ser atração. Ou paixão. O amor traz calmaria e paz ao coração. Que você vai reconhecer quando sentir.

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