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“Aumenta a EMOÇÃO, senhora?”

Olhando pra mim é fácil perceber que não sou uma pessoa bem organizada. O cabelo nem sempre está bem aprumado, minhas unhas só são feitas em dia de festa, roupa pra trabalhar tem que ser confortável (tipo, quase um pijama de corrida, saca?). Vivo esquecendo coisas. Me falta atenção e o “Sem-jeito” nunca me mandou lembranças porque né… acho que sou O PRÓPRIO.

Esculhambação. Pressa. Tropeços. Atrasos. O resultado dessa equação é o quê? É o CAOS, minha gente. É minha vida.

Sou do tipo que nunca faz nada direito. As coisas vão acontecendo e geralmente opto por deixar a vida me levar, como diria o grande Zeca.

Não planejei ser professora. Não planejei me casar (e de fato, não me casei, no sentido burocrático da palavra). Não fiquei noiva. Não fiz enxoval. Não construí minha casa (não a decorei também). E nem os filhos eu tive a decência de ponderar a melhor hora.

Se a vida fosse um fast food eu seria aquela que passa o tempo na fila jogando conversa fora sem se preocupar com o que vai pedir (ou como vai pagar). Chega minha vez, eu tomo um susto, faço meu pedido no uni-duni-tê. E quando autorizo a mocinha a aumentar a porção de “EMOÇÃO”, é porque respondi sem entender o que ela me perguntou.

Vou lidando com as consequências e circunstâncias conforme elas vão se apresentando. O que está além da curva, para mim, ainda não existe, é ficção científica.

Tudo isso piorou quando me percebi irremediavelmente apaixonada. E o dito cujo nem fez a decência de estar por perto quando isso aconteceu. Me apaixonei a distância pelo meu ex-namorado. (Tô dizendo que faço tudo errado…)

Por sorte ele voltou. E quando decidi ir morar com ele foi meio-completamente sem me dar conta do que aquilo significava.

Não pensei em construir uma vida juntos. Não passou pela minha cabeça ter filhos. Fui morar com ele pura e simplesmente para corrigir uma distorção bizarra que do nada se apresentou: numa manhã ensolarada, acordei no mesmo quarto de sempre, mas me vi morando fora de casa.

TIVE que me mudar, entendem? Porque minha casa já não era mais onde eu dormia. Minha casa era onde ele estava.

De lá pra cá, não sei nem como explicar a incrível sucessão de fatos. Gravidez, Jô Soares, filho, livro, viagem, falência, gravidez, aborto, gravidez, filho, incêndio, falência, amigos, família, vida que segue. Viver com pouco planejamento gera poucas expectativas, o que acho até bom. Mas paga-se um preço alto, porque é preciso estar com o coração em dia. Consulte seu cardiologista antes de embarcar nessa.

Às vezes tenho surtos psicóticos de NOÇÃO e percebo que tudo poderia ter sido mais fácil se eu tivesse ao menos tentado fazer as coisas do jeito certo. Enxoval, noivado, planejamento familiar, economia doméstica. Certamente não faria mal algum saber cozinhar e dar conta de outras tarefas do lar (e isso é importante tanto para homens quanto para mulheres, que fique claro. A única coisa mais estressante do que ter que aprender no susto como se virar fora da casa da mamãe, é ir morar com uma pessoa que não sabe se virar fora da casa da mamãe).

No entanto, até hoje não entendo quem decide dividir a cama e o teto por qualquer outra razão mais ponderável que as minhas.

Porque não há planejamento que resista aos momentos em que você sente a incrível necessidade de escolher com os olhos bem fechados.

Se você nunca sentiu isso, talvez sua vida ainda não tenha começado de verdade. Talvez você ainda esteja na fila do fast food imaginando o sabor de tudo isso que ainda não provou.

Mas um dia eu reencarno e faço tudo direito. Deve ser uma experiência interessante também.

linhaAna Márcia Cordeiro

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