Arquivo da categoria: Crônicas

Terminar numa boa. Existe isso?

Histórias de relações que chegam ao fim sempre me entristecem. Romântica incorrigível, queria eu que todos os amores vivessem felizes para sempre, como nos contos de fadas infantis. Mas na vida real as coisas são bem diferentes e, vez ou outra, o que era para ser “felizes para sempre” se transforma em “que seja infinito enquanto dure”.

Certamente defendo que as pessoas terminem relações abusivas ou terminem com seus parceiros quando as coisas não vão bem. A paixão acabou, o tesão acabou, os planos em comum mudaram, a pessoa se transformou em alguém que não se encaixa mais em seu projeto de vida. Relações chegam ao fim por motivos diversos.

O problema é geralmente a relação já não faz mais sentido para uma pessoa, enquanto a outra continua apaixonada. O fim não chega ao mesmo tempo para ambos. Ou pelo menos é dessa maneira que eu percebo os términos, principalmente de longos relacionamentos. E por isso mesmo não fico muito conformada quando alguém afirma que “terminaram numa boa”. Numa boa para quem?

Eu acredito que nenhum relacionamento termine numa boa. E não cito aqui relações doentias em que há violência, ameaça, perseguição. Estou falando apenas de relacionamentos cujo um dos parceiros teve a honestidade de falar que não estava mais satisfeito, tem outros planos para sua vida, deseja seguir a vida sem o companheiro.

Mesmo quem decide terminar um relacionamento não fica bem. Se a pessoa não é irresponsável, egocêntrica e narcisista, ela sofre ao saber que o outro irá sofrer. Se preocupa com o impacto dessa decisão da vida do outro. Sem dúvida alguma quem decide sair da relação fica melhor do que aquele que até então acreditava que as coisas iam bem. Mas dificilmente fica feliz.

Términos abalam as vidas das pessoas envolvidas. Inclusive dos filhos, caso existam. Dos familiares. Dos amigos. Quando as pessoas namoram e simplesmente viram as costas pode ser dolorido, mas quando as pessoas moram juntas, constituem família, constroem uma vida juntos o sofrimento é maior.

Se você quer terminar o relacionamento com alguém, não pode evitar o sofrimento do outro. Mas pode ser honesto e verdadeiro sobre os seus sentimentos e conversar abertamente. Se terminaram com você, tenha certeza que a dor vai passar, você vai refazer a sua rotina e logo você vai encontrar motivos para sorrir novamente – e ainda se apaixonará novamente por mais que agora jure que não.

O importante é lembrar que o sofrimento faz parte da vida. Mas não dura para sempre. Uma hora ou outra as coisas se ajeitam e a dor que parecia infinita acaba.

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Não basta amar, tem que demonstrar

No início do relacionamento, quando as pessoas ainda estão naquela fase de conquista, não falta demonstração de afeto. Flores, bombons, convites para sair, elogios, mensagens ao longo do dia, cartões, e-mails, ligações. Faço aqui uma observação: se você está iniciando um romance e desde já é só problema, caia fora, como já diz uma amiga minha, “nada é tão ruim que não possa piorar”.

Voltando ao tema da crônica, é comum pensar que após a conquista as pessoas já conhecem o sentimento uma das outras e não precisam mais dizer eu te amo, comprar presentes, lembrar datas comemorativas, enviar mensagens, elogiar. Embalados pela rotina, os compromissos, os afazeres domésticos e, principalmente, que o amor não precisa ser verbalizado, vão pouco a pouco esquecendo as declarações de amor.

Palavras podem ser só palavras. Ou não. Elas têm graça, cor, magia, paixão e, ainda que não consigam traduzir os sentimentos com perfeição, podem auxiliar àqueles que também não economizam nas ações. Abuse delas. Compre um cartão, escreva uma dedicatória num livro, envie uma mensagem, diga que está com saudades. É claro adianta dizer eu te amo e agredir a pessoa, enviar mensagens de amor e fazer grosseria, elogiar e ridicularizar o companheiro, por exemplo.

As palavras são apenas uma maneira de demonstrar o que você sente. Existem outras. Ouvir é uma delas. Ser um ouvido amigo no momento preciso, dedicar atenção, estar presente, notar o outro em sua existência é, também, uma demonstração de amor. Ninguém pode negar a importância da comunicação na vida cotidiana e, principalmente, numa relação amorosa. Querer compreender o outro, ouvir suas queixas, opiniões e novidades abre oportunidade para que o casal reflita sobre diferentes pontos de vista e fique mais próximo.

Engana-se quem pensa que para demonstrar amor precisa de gestos grandiosos, presentes caros e surpresas mirabolantes. O amor está na sutileza. No prato preferido feito com carinho, na flor colhida no jardim, no “eu te amo” numa hora improvável, no chocolate caribe que você odeia, mas comprou porque o outro ama.

Cada pessoa demonstra o amor de uma maneira e, claro, cada uma delas interpreta as demonstrações do companheiro do seu jeito. Portanto, perceba o que o seu amor valoriza, do que ele gosta, o que entende por demonstração de afeto. Algumas mulheres acham brega receber flores enquanto outras adoram, por exemplo. Demonstre o seu sentimento de modo que o outro compreenda. E tente reconhecer quando está diante de uma demonstração espontânea.

Só não caia da cilada de acreditar que, por estar em um relacionamento longo e amar o parceiro, as demonstrações cotidianas de carinho e afeto são dispensáveis. Não são. O amor é como uma plantinha que, para se desenvolver sempre saudável, precisa de atenção todos os dias.

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Infidelidade emocional

Traição é um tema espinhoso e muitas vezes dolorido. É difícil encontrar alguém que nunca tenha sido traído. Mas, afinal, o que é traição? Quando falamos em infidelidade a maioria das pessoas imagina um relacionamento com conotação sexual. No entanto, muitos casos de infidelidade começam muito antes da relação sexual em si, com uma “amizade especial”. Que, justamente por não ter beijos, carícias e encontros sexuais, os envolvidos nem se dão conta de que estão traindo os seus parceiros.

É claro que pessoas comprometidas não estão proibidas de terem amigos e conviver com outras pessoas. Mas amigos não têm atração um pelo outro, não compartilham coisas em segredo, não se encontram às escondidas, não precisam omitir ou esconder as conversas que possuem nas redes sociais. Se você mantêm uma amizade em segredo, ainda que não tenha tido relação sexual, não deixa de ser traição. E isso tem um nome: infidelidade emocional.

Quais são os limites que separam uma amizade da infidelidade? Como avaliar se a amizade é só amizade? Para início de conversa: você apresentou o novo amigo ao parceiro? Ou faz questão de inventar pretextos para encontra-lo a sois? Das vezes que se encontram comenta com o parceiro? Ou faz questão de omitir os encontros?

Se você depende emocionalmente desta terceira pessoa, revela coisas íntimas do seu relacionamento, apaga as mensagens, inventa desculpas para encontrá-la e conversa sobre assuntos que o companheiro não pode saber, provavelmente você está traindo mesmo que não tenha se dado conta disso.

A infidelidade, seja ela física ou emocional, traz sequelas ao relacionamento amoroso, pois a aproximação emocional com outra pessoa direciona a atenção para além do relacionamento do casal. Uma amizade não significa infidelidade, mas uma necessidade de aproximação, atração e desejo de contar coisas para o amigo e não para o companheiro, é traição sim.

Amizades não trazem culpa, não são misteriosas, não precisam são escondidas. Se você precisa esconder o seu amigo do companheiro e ficar justificando a todo momento “somos apenas amigos”, há algo errado. Seja um contato virtual ou um almoço aparentemente inocente, se não pode ser compartilhado com o seu companheiro, não é só uma amizade.

Em um relacionamento saudável as pessoas não sentem obrigação de prestar contas todos os dias, não há a obrigatoriedade de relatar cada passo, cada mensagem e cada telefonema, mas também não há necessidade de esconder ou omitir a existência de conversas e pessoas específicas.

É muito comum acreditar que só há traição quando existe sexo, mas se distanciar do parceiro, priorizar uma pessoa fora da relação, querer contar as boas novas para outra pessoa e se sentir mais à vontade com ela é envolvimento emocional. Tão ou ainda mais grave do que uma relação sexual.

Cuide bem da sua relação amorosa.

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Amor, ganhamos!

Dia desses, voltando do trabalho para casa, desviei o caminho. Centro do Rio de Janeiro você sabe como é: melhor evitar rua deserta demais. O novo percurso era mais movimentado, iluminado e considerei mais seguro. Foi quando entre tantas pessoas, um homem, com um telefone na mão, passou na minha frente. E não pude deixar de ouvir a conversa. Ou uma parte dela.

Muito animado, com uma voz eufórica, andando rápido, gritou quando foi atendido: amor, ganhamos! Enquanto ele falava entendi que era advogado e a causa que defendia tinha muita importância para ele. Falou em valores de indenização, em como foi a defesa, até que me distanciei e não pude ouvir mais.

Naquele dia fui para casa pensando no quanto é bacana ter alguém para ligar quando algo bom acontece. E que maravilhoso é quando o seu amor é o seu amigo. A pessoa para quem você quer ligar, contar as novidades e comemorar. Demonstrar todo alívio, se sentir vitorioso, compartilhar as experiências vividas.

Aquela ligação me tocou. Quantos casais tem no parceiro o seu amigo, confidente e companheiro? Quantos pensam em ligar primeiro para o cônjuge quando tem alguma novidade? Quantos têm a certeza de que o companheiro está torcendo pelo seu sucesso? Quantos confiam que são ouvidos e têm suas falas acolhidas?

As pequenas situações cotidianas revelam a importância da relação amorosa na vida das pessoas. Poder contar com o companheiro é uma delas. Talvez a mais importante. Ter para quem dar a mão, receber um abraço de conforto, uma palavra de estímulo, um colo ou um sorriso é revigorante. Saber que tem alguém que torce por você também.

Por mais que as pessoas vivam juntas, compartilhem o mesmo teto e dividam a cama, cada pessoa tem a sua história, a sua trajetória, o seu jeito de ser, e uma maneira própria de olhar para o relacionamento. Mas de que vale compartilhar a vida com alguém se não é para somar esforços? Se não é para ter um amor, amante, amigo, companheiro na mesma pessoa?

Quantos podem pegar o telefone no meio da rua e falar “amor, ganhamos!”? Sentir que do outro lado da linha há uma vibração positiva, uma voz animada, alguém que ficou feliz por saber que o outro está feliz?

Todo mundo precisa de companheiro que ouve com entusiasmo as conquistas do outro, torce, vibra e incentiva. Seja essa pessoa. E ame alguém que faça o mesmo sobre as suas conquistas. Afinal, em uma relação amorosa saudável, quando um ganha, ganham os dois.

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Invista na sua relação

Todos nós já ouvimos dizer – e já repetimos de alguma maneira – que é necessário investir diariamente na relação. Mas, no final das contas, como se faz isso? Que comportamentos devemos ter para que o amor continue dando certo? De que maneira alimentamos uma relação de maneira saudável? Isso ninguém explica direito. E, embora cada relacionamento seja único, eu vou tentar ajudar.

1) A importância do toque
No início da relação os casais se beijam, abraçam, fazem carinhos e se tocam o tempo inteiro. Já aqueles que estão juntos há muito tempo nem sempre se lembram da importância do toque. Depois da conquista e com uma rotina cheia de compromissos e obrigações, as pessoas têm pouco tempo para estar junto e fazer carinhos. Mas tocar o outro é a forma mais simples e clara de demonstrar seu amor e fazer com que o outro se sinta amado.

2) Parceria
Assumir um compromisso a dois é uma maneira de estar próximo, demonstrar atenção e incentivar o outro. Se o parceiro precisa perder peso, você pode ajudar a encontrar receitas saudáveis e fazer companhia nas atividades físicas. Se um quer ir ao estádio torcer pelo seu time de coração, não custa fazer companhia. É importante também encontrar atividades que ambos gostem – viajar, cozinhar, assistir determinada série. Poucas coisas no mundo são mais gostosas do que saber que o outro está ao nosso lado para o que der e vier, não é mesmo?

3) Recordar os bons momentos
Rever fotografias dos momentos felizes que passaram juntos – festas, viagens, encontros familiares – ajuda a prolongar a sensação de que o relacionamento vale a pena, apesar das dificuldades. E hoje em dia fotografia é que não falta! Pegue o celular agora mesmo e encontrará um monte delas.

4) Enviar mensagens
A maior parte das pessoas trabalha muitas horas por dia e, por isso mesmo, fica distante do parceiro por horas. Ou dias, caso o trabalho exija viagens recorrentes. Então mande mensagens. Fotos. Pergunte se a reunião que tirou o sono do parceiro correu bem. Elogie. Diga eu te amo. Dá para estar distante fisicamente, sem estar longe emocionalmente. Todo mundo quer um um abrigo, um porto seguro onde possa atracar em segurança.

5) Lide com as diferenças
Muito se fala em alma gêmea, mas para que um relacionamento seja feliz não é preciso que as pessoas sejam idênticas. Por outro lado, é essencial que respeitem as diferenças uma da outra. As pessoas precisam se sentir valorizadas em uma relação. Não zombe da música sertaneja do outro, do escritor preferido nem impeça de ter um quadro de Romero Brito em casa só porque você não gosta. Se um gosta de falar sem parar e o outro precisa de momentos de silêncio, compreenda. Quando há amor dá para negociar. Cada um tem um jeito.

6) Esteja presente
Se esforce para estar presente. Desde a participação num evento familiar, a uma viagem ou curso. Incentive. Encontre soluções para tornar o desejo do outro possível. Valorize os momentos, situações e desejos que têm relevância para outro. E envolva-se.

7) Reconheça as dificuldades
Cada casal tem um ponto sensível. Dinheiro, sogra, filhos de relacionamentos anteriores, ex, religião, divergências políticas. Ou qualquer outro tema. Ou todos esses, vai saber. Reconheça os seus próprios pontos fracos, os assuntos que trazem desconforto e tensão. E, nos assuntos desconfortáveis para o outro, tente se colocar no lugar dele. Às vezes é melhor voltar ao ponto numa outra hora. Entender que o consenso vai demorar e tentar uma conversa quando os ânimos estiverem menos exaltados.

Que outras dicas você daria para quem quer saber como investir na relação amorosa? É claro que as pessoas são diferentes, cada casal tem a sua história e um jeito de lidar com a vida a dois, mas todos gostam de se sentir valorizados, respeitados, importantes, queridos e, principalmente amados. Portanto, demonstrante todo o seu amor.

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