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Os danos da impulsividade

Eu não sou e nunca fui uma pessoa impulsiva. Penso muito antes de agir, remoo um pensamento ou sentimento por muito tempo até tomar uma decisão e não escolho recompensas imediatas em detrimento de um bem maior ou uma responsabilidade que assumi. Tenho medo de me arrepender depois, tenho medo de correr riscos, medo de errar e falhar.

É claro que ser como eu também gera frustrações. Por medo de perder, errar e falhar já perdi algumas oportunidades e me arrependi do que deixei de fazer. Mas, ainda assim, prefiro as dores de ser comedida a lidar com os danos vividos pelas pessoas impulsivas, que não têm controle de suas ações, põe suas vidas em riscos, não medem as consequências dos seus atos e sofrem constantemente por não conseguir fazer o que queriam.

Pessoas impulsivas prejudicam suas relações afetivas e profissionais. Gastam mais do que ganham, não conseguem esperar o dia seguinte para resolver uma situação, não pensam no que falam, tomam decisões sem pensar nas consequências, bebem além do limite, estão em uma festa e não vão embora mesmo tendo um compromisso na manhã seguinte.

Geralmente perdem o compromisso e se arrependem, traem o parceiro e se arrependem, falam o que não deveriam e se arrependem, pedem demissão num rompante e se arrependem, adiam a conclusão de projetos e se arrependem, se envolvem em uma briga e se arrependem. O que traz uma sensação de fracasso, mal-estar, culpa e vergonha.

Pensar demais antes de agir pode ser ruim, mas não pensar é muito pior. Aprender a dominar impulsos, avaliar as consequências dos próprios atos e pensar antes de agir é muito importante para conquistar uma vida feliz, viver em harmonia e alcançar objetivos. Se você é uma pessoa impulsiva precisa compreender em que situações se deixa levar sem pensar, quando a impulsividade prejudica a sua vida e se ela é resultado de ansiedade, nervosismo, medo. Ou qualquer outro sentimento.

É possível se tornar uma pessoa ponderada e consciente. Mas isso requer um esforço diário. Nas pequenas situações do dia a dia. Não responder a uma provocação imediatamente, não comprar só porque está na promoção, sair cedo de uma festa para arcar com um compromisso no dia seguinte, vencer a preguiça de dormir mais um pouco para fazer atividade física tão prometida, não responder de forma grosseira um colega de trabalho petulante.

Às vezes pessoas impulsivas não conseguem encontrar um equilíbrio sozinhas e precisam buscar ajuda profissional. E estão certíssimas. O tempo não volta atrás. Tudo que foi feito não pode ser corrigido, mas é preciso lidar com as consequências das nossas decisões da melhor maneira possível. E isso pode ser aprendido.

Se suas decisões causam mais mal-estar do que prazer, se constantemente se arrepende de determinada ação e percebe que seus objetivos poderiam ser alcançados se agisse de maneira mais ponderada, mude. Sempre é tempo de parar e recomeçar a caminhada de uma maneira diferente.

Não seja sua própria destruição.

Crônica publicada em 18 de novembro de 2018 no blog de Giseli Rodrigues.

 

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Seu relacionamento é uma prisão?

Escrever sobre relacionamento amoroso me fez mais observadora em relação ao comportamento das pessoas e, principalmente, dos casais. Eu ando na rua e presto atenção em como conversam, se olham, trocam confidências ou parecem distantes mesmo quando estão próximos. Também observo o que falam de seus parceiros quando estão longe. E como falam com ele ao telefone.

Transporte público é um bom local para observar as pessoas. Muitas falam sem nenhum pudor ao telefone, durante toda a viagem. Não ligam, portanto, se alguém presta atenção. Há casais apaixonados que se beijam, se abraçam, riem cúmplices. E há aqueles que brigam, ficam de cara de feia, trocam farpas e indiretas. Aos olhos de todos, sem constrangimento algum.

Mesmo não conhecendo as pessoas somos capazes de perceber a maneira como lidam com seus parceiros. Com respeito, amor, paciência, parceria. Ou o contrário. Vemos se, mesmo acompanhados, olham para outras pessoas ou dão em cima delas num momento de distração do parceiro.

Dos casais que conheço, infelizmente, na maior parte das vezes, vejo que o discurso não converge com a prática. Casais super apaixonados nas redes socais parecem desconhecidos quando vemos pessoalmente. Homem com foto da esposa e filhos na mesa de trabalho, com caso extraconjugal escancarado. Cônjuges que vivem falando mal dos seus parceiros e depois posam ao seu lado como se nada tivesse acontecido. Esses são apenas alguns exemplos.

Certamente você conhece casais que juram amor eterno e se desrespeitam. Pessoas que têm compromisso, mas vivem atrás de aventuras amorosas. Mulheres que vivem elogiando seus maridos, mas são menosprezadas por eles. Ou que vivem criticando e na sua presença parece que ele é a melhor pessoa do mundo.

A impressão que dá é que as pessoas vivem um mundo de mentiras, se escondem em uma relação, deixam de ser quem gostariam para demonstrar ao mundo que são confiáveis, têm uma família, possuem um casamento sólido. Dia desses ouvi de uma mulher recém-separada uma frase que me marcou: “eu me libertei!”.

Fiquei feliz que tenha se libertado, embora eu não a conheça e não saiba exatamente a quais correntes ela estava presa. Mas fui embora pensando que muitos relacionamentos são como prisões. Há uma crença de que casar é abandonar a própria vida, viver em função do outro e negar sua individualidade.

Relacionamento é um compromisso e exige responsabilidade. Cada escolha individual implicará numa consequência para o casal. Mas não pode ser uma prisão. Amar não é sofrer e abdicar de nós mesmos como nos ensinaram a vida toda – embora não seja um mar de rosas o tempo inteiro

O amor precisa revelar o melhor de nós mesmos, não o inverso. E amar se aprende amando. Buscando soluções diárias para o relacionamento e fazendo com que a relação seja enriquecedora todos os dias.

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“Os jovens casam pensando em separar”

Recentemente ouvi uma pessoa dizer que os jovens de hoje se casam já pensando em separar, que são desapegados, não constroem relações duradouras, temem compromissos e engatam um relacionamento no outro sem qualquer cerimônia. Imediatamente contestei, pois tenho uma percepção bastante diferente.

Eu vejo que os jovens querem relações verdadeiras, terminam quando não estão felizes e casam cada vez mais tarde depois de terem pensado muito a respeito. E pensam muito por acreditarem que o casamento não deve ser prioridade em suas vidas. Antes de firmarem compromisso eles querem realizar seus objetivos pessoais e profissionais. O que não considero errado.

Vejo jovens casais apaixonados, tendo filhos, fazendo planos juntos. E todos que conheci casaram pensando em ficar juntos para sempre. Até os que separaram. Mas, ainda que seja triste ver um relacionamento chegar ao fim, mais triste é ver um casal que se desrespeita, se agride, é infeliz, mas não tem coragem de separar. Ou não pode por alguma razão.

Romântica incorrigível eu adoraria que todos os casais do mundo fossem felizes para sempre. Mas sabemos: não são. E que bom que todos, ao menos no nosso país, têm a oportunidade de separar e começar de novo quando julgam que o casamento acabou. Isso ainda é um direito que devemos respeitar.

E, antes que culpem os jovens, há velhos que casaram e descasaram. Mais de uma vez. Esse não é um privilégio dos jovens, muito pelo contrário. Talvez as motivações para o casamento sejam diferentes de acordo com a época. Atualmente poucos apressam uma relação para ter sexo, para assumir uma gravidez não planejada, fazer a vontade dos pais casando com quem não gostam ou se relacionando para não ficarem sozinhos.

A maioria dos jovens se unem por paixão, por amor, por desejo de dividir o mesmo teto, compartilhar a vida, dormir e acordar juntos todos os dias, construir uma família, realizar sonhos em comum. Deve existir quem case por conveniência, por obrigação ou mesmo para dar um golpe – como mostram os livros, filmes e novelas. Afinal, existe de tudo nesse mundo. Mas isso não é regra, é exceção.

Não vejo pessoas colocando prazo de validade em seus relacionamentos e planejando separações. Vejo apenas que hoje em dia as pessoas têm a possibilidade de estar ou não com alguém e fazem uso do direito de se separarem quando não estão felizes. São outros tempos. E a possibilidade de pôr fim a uma relação, por exemplo, foi um grande avanço.

A maioria das pessoas põe o coração em suas relações e faz de tudo para que seu relacionamento dê certo. Mas às vezes não dá. Precisamos respeitar isso e aceitar “que seja eterno enquanto dure” – ainda que a gente fique torcendo para que dure para sempre.

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Ame a sua própria companhia

 

Eu nem sei quantos textos já escrevi sobre a importância de amar a si mesmo. Mas hoje, enquanto escrevo sozinha, com a casa em silêncio e todos os aparelhos eletrônicos desligados, sinto vontade de dizer: ame a sua própria companhia.

Convivo com pessoas que frequentemente afirmam que jamais iriam ao cinema sozinhos, que não fariam uma viagem sem companhia, que ao chegar em casa a primeira coisa que fazem é ligar a tv para não se sentir sozinho. Eu gosto da companhia das pessoas que amo e prefiro estar com elas do que sozinha – mas nunca precisei me distrair de mim mesma.

Aprendi a aproveitar os momentos em que estou em minha própria companhia. Seja escrevendo, lendo um livro, assistindo uma série ou perdida em meus próprios devaneios. Eu converso muito comigo mesma. Não preciso de música ou programa de tv para fingir que tenho companhia e, sozinha, me conheço mais.

Se a solidão é um incômodo para você é importante perguntar o porquê. É preciso aprender a escutar nosso coração, identificar nossos sentimentos, apreciar quem somos e se alegrar com o que existe dentro de nós. A aprovação dos outros, principalmente de quem amamos, pode ser importante, mas a nossa felicidade não estará (e nunca estará) a não ser em nós mesmos.

Ignorar a própria companhia, fazer questão de estar rodeado de pessoas e não entender a si mesmo pode fazer com que, algumas vezes, você se sinta desconectado do mundo e sozinho, mesmo estando rodeado de gente. Se você não ama a sua companhia, não sabe o que sua alma gosta e não entende as próprias necessidades, pode se sentir sozinho tendo um companheiro e dividindo com ele o mesmo teto.

Somos inteiros, não pela metade. E apreciaremos melhor a companhia de quem amamos quando nos sentirmos bem com a nossa. Quando soubermos que com ou sem alguém temos capacidade de sermos felizes e encontrar prazer na vida.

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O que não é amor?

É difícil definir o que é amor, traduzir em palavras, identificar exatamente o que o outro sente, se certificar de que é correspondido na mesma proporção. O amor é subjetivo. É demonstrado diariamente e explicitado em gestos, palavras e comportamentos. Saber o que NÃO é amor, no entanto, é mais fácil.

Uma relação saudável não é uma relação perfeita. Todo relacionamento passa por momentos de turbulências, divergências, brigas, discussões, afastamentos, mágoas. Não há mar de rosas permanente, porque estar ao lado de alguém não é – e nunca será – uma tarefa fácil. Pelo menos não o tempo todo.

Como perceber, então, que a relação não é saudável? Ou que o amor não está presente? Responda honestamente: você pode contar com a pessoa que ama? Sente segurança, amparo e tem a sensação de que pode ser você mesmo? Ter certeza de que que a pessoa que escolheu para viver te incentiva, impulsiona, acolhe e faz parte do seu time é experimentar o amor.

Se, por outro lado, você tem medo de falar alguma coisa, esconde seus sentimentos, é desestimulado pelo parceiro toda vez que tem um novo objetivo, sofre chantagem emocional, é alvo de humilhações, é vítima de algum tipo de intimidação e nunca sabe como lidar com o outro por medo de suas reações, é hora de avaliar essa relação.

Gostar de alguém pode impedir de ver com clareza os comportamentos inadequados e abusivos do parceiro, mas quanto mais reparar na forma como as coisas são ditas, e não apenas o que é dito, aumenta a probabilidade de identificar se a relação é saudável ou não. Conviver durante muito tempo com quem lhe faz mal causa mal-estar físico e mental, além de trazer uma sensação de culpa pela desarmonia da relação.

Procurar o bem-estar na vida amorosa é fundamental para todas as áreas da vida. Por isso não aceite um relacionamento qualquer, invista numa relação que merece ser vivida. Que traga paz, amor e satisfação. Ame e sinta-se amado.

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