Arquivo da categoria: Crônicas

Que você encontre um novo amor

Conhecemos pessoas que, por razões que não conseguimos compreender, ficam presas a relacionamentos passados, mesmo quando eles já terminaram. Ficam ali paradas no tempo, afogadas em lembranças, assombradas pelo que poderia ter sido, sem se permitir seguirem em frente.

O objeto de seu amor já seguiu o seu caminho, encontrou um novo amor. Mas a pessoa insiste, liga, manda mensagem, vai ao seu encontro. Arrisca conhecer outras pessoas, mas não se entrega, certa de que o melhor amor que poderia ter sido simplesmente não foi. É como se ficassem esperando o tempo voltar para poder fazer alguma coisa diferente.

Mas, sabemos, o tempo não volta e não é possível fazer com que alguém ame por obrigação. Quando um não quer dois não brigam, como já diz o conhecido – e velho – ditado. Então o que fazer? Eu não posso fazer nada por quem insiste em criar raízes no passado, não se permite seguir em frente e vive alimentando ilusões. Só elas mesmas.

No entanto, posso desejar, de todo coração, que encontrem um novo amor. Um amor capaz de curar todas as feridas do passado, fazer com que valha a pena investir em uma nova relação, reacenda o desejo de construir algo novo e faça com que as pessoas que conheceu antes deste encontro fiquem onde devem estar: no passado.

Um amor que traga novas sensações, descobertas e a certeza de que amar não é sofrer. Que mostre o quanto compartilhar a vida com alguém pode ser mágico, leve e alegre. Que traga sorrisos, cafunés, chamegos, mãos dadas, abraços apertados, beijos apaixonados. E traga a paz que um coração já tão machucado merece.

Mas, antes de conhecer um novo amor, é preciso que essas pessoas desfaçam as amarras do passado, aceitem que nem todas as coisas podem ser como desejam e sigam adiante, por mais que dar um passo em direção ao futuro possa doer.

É possível que um novo amor chegue de repente. Mas ele só chega para quem tem coragem de recomeçar.

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A finitude do amor

Lembro da comoção que foi quando William Bonner e Fátima Bernardes se separaram. E quando Angelina Jolie e Brad Pitt colocaram um ponto final em seu casamento. Recentemente um site de fofocas noticiou que Michelle e Barack Obama estão se separando e, mais uma vez, a internet foi à loucura.

Eu entendo o desalento que essas notícias causam: elas escancaram a certeza de que o amor pode não durar para sempre, que relações aparentemente perfeitas também chegam ao fim e de que nada é definitivo na vida. Nem mesmo o amor. E, educados para acreditar que o amor só acontece uma vez, que é perfeito e eterno, não nos conformamos.

Mas a verdade é que por mais que os casais famosos tenham suas vidas expostas como capítulos de novelas, não sabemos exatamente como vivem em sua intimidade. São amigos e companheiros? Dividem sonhos? Que problemas enfrentam quando estão frente a frente? Embora muitas pessoas se espelham neles e desejam um relacionamento igual ao que veem, não sabem exatamente o que veem.

Relações chegam ao fim. É claro que dói, traz consequências, faz com que as pessoas sofram e se reinventem. Mas o lado bom ao ver que casais se separaram é concluir que hoje em dia as pessoas têm a possibilidade de terminar uma relação que traz insatisfação, infelicidade e desamor. Que ninguém precisa ficar junto porque tem filhos, porque possui bens em comum, porque precisa agradar a família ou tem uma imagem a zelar.

Por enquanto ninguém confirmou a separação do casal Obama. E, canceriana que sou, estou torcendo para que seja mentira. Tarcísio Meira e Glória Menezes também continuam juntos, firmes e fortes, mesmo depois de mais de cinquenta anos de casados. Seguem inspirando os românticos a acreditarem no amor eterno, no felizes para sempre, e no amor perfeito.

Casamentos duradouros estão cada vez mais raros, é verdade. Mas isso não é necessariamente ruim, uma vez que no passado muitos continuavam juntos contra vontade, mesmo sofrendo violências e abusos, pois não havia outra alternativa. A possibilidade de terminar uma relação é demonstração de liberdade.

Eu continuo acreditando que é possível construir uma relação duradoura, escolher amar a mesma pessoa todos os dias, compartilhar uma vida em comum, formar uma família e comemorar muitos anos de casamento. Mas isso não é para todo mundo. Pode chegar em um momento da estrada em que cada um quer seguir um caminho.

O amor não tem definição e nem segredo. Algumas pessoas se gostam e se entendem – por um dia, dois, alguns anos ou a vida toda. São felizes e plenas dentro da relação que construíram. Outras não. Mas todo relacionamento deve perdurar até o dia em que exista amor.

Não adianta torcer pelos casais famosos, nem desejar uma relação como a deles. Só podemos conhecer, construir e transformar as nossas. E, como já escreveu o poeta, que seja eterno enquanto dure. Mas a gente pode torcer para que a nossa dure para sempre.

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Não precisa ser perfeito para ser amor

Quem vive um relacionamento amoroso duradouro percebe que as suas atitudes mudam com o passar do tempo – e as do parceiro também. Visitamos novos lugares, experimentamos novos sabores, lemos autores diferentes, discutimos temas inimagináveis, desenvolvemos projetos, conhecemos a nós mesmos. As experiências nos transformam diariamente e não somos os mesmos eternamente. Ainda bem.

Em constante movimento, algumas pessoas chegam à conclusão de que a pessoa que está do seu lado não é mais o parceiro ideal para embarcar na sua viagem. Não se reconhecem mais, não têm planos em comum, não conseguem se imaginar seguindo a mesma estrada. Por mais que seja dolorido romper uma relação, permanecer em uma que não condiz com os seus ideais pode ser bem mais doloroso.

Mas eu não quero falar sobre isso. Quero falar dos tantos casais que, a cada divergência separam. Que ao menor sinal de diferença desistem. Que cogitam ir embora a cada atrito. Que, ao perceber que não são as mesmas pessoas de anos atrás, ficam se perguntando se isso é amor. Que pensam em desistir da relação a cada dificuldade.

Se é amor ou não é, somente você pode dizer. Eu só quero lembrar que, mesmo sentindo o maior amor do mundo, o seu relacionamento não vai ser perfeito. Porque não existe pessoa perfeita. Não há quem fique de bom humor 24h por dia, concorde com tudo que o outro fale, aceite todas as opiniões, esteja à postos para ir onde você quiser e a qualquer hora, só use palavras doces e faça declarações, adivinhe os seus pensamentos.

Pessoas são imperfeitas. E isso é o mais lindo do amor. Pessoas completamente diferentes, errantes e imperfeitas escolhendo permanecer juntas. Apesar do tempo, apesar do quanto tenham mudado, apesar das diferenças, apesar de suas limitações, apesar de seus compromissos, apesar do seu jeito de ser. Querendo fazer a relação dar certo.

Vejo que muitas pessoas desistem facilmente de uma relação por acreditar que amar é encontrar alguém que caiba no seu ideal imaginário. Que quando as pessoas amam se completam, se bastam, fazem tudo um pelo outro, não discordam, são almas gêmeas, se falam no olhar, se compreendem instantaneamente.

Uma relação amorosa não tem que ser complicada, cheia de brigas, levar as pessoas às lágrimas, trazer preocupações constantes. Se o seu relacionamento é assim, por favor, pare e pense se realmente vale a pena insistir. O amor nos deixa um pouco burros e cegos, fazendo com que alguém cheio de defeitos, que nos desrespeita e machuca seja endeusada.

Em contrapartida, parar de endeusar a pessoa pela qual se apaixonou – e a própria relação amorosa – pode ser o melhor a se fazer para ter um relacionamento saudável e feliz. Não há príncipes e princesas que sustentem a realidade de um amor duradouro.

No amor há pessoas comuns, cheias de qualidades e defeitos, tentando ser melhores, querendo que a vida seja feliz, demonstrando em pequenas atitudes que deseja permanecer ao lado de outro alguém. Não precisa ser perfeito para ser amor.

Crônica publicada, em 17 de abril de 2017, aqui no blog.

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O amor vive em paz

Você lembra do dia em que conheceu seu parceiro, começaram a sair e resolveram namorar? Lembra da ansiedade para chegar a hora do encontro, do coração disparado a cada mensagem, das mãos suadas, da insegurança que sentia? Mesmo que esteja sozinho agora, provavelmente já se apaixonou algum dia e passou por essas situações.

A paixão é imediatista, desesperada, insegura e nos tira um pouco a razão. Já o amor é calmaria, aconchego e paz. É o que fica depois que o coração deixa de disparar com uma ligação, as mãos não ficam frias a cada encontro e esperar a hora de ver a pessoa querida não vira um desespero e, ainda assim, você ainda sente vontade de compartilhar os momentos com esse alguém.

Amor é colo, carinho, cuidado, silêncio, música fora do tom, cabelos despenteados, olhos marejados, segredos confessados, planos partilhados. É espontaneidade. É não se preocupar em mostrar o que é. E ser, simplesmente. É não precisar esconder os seus sentimentos, é confiar, é ser verdadeiro.

Pessoas que se amam se desentendem, discordam, enfrentam problemas. Mas estão juntas. Torcem uma pela outra. Levam a calma quando o outro está uma pilha de nervos, percebem quando há dor por trás de um sorriso, são poesia quando tudo parece sem vida e sem cor, dão a mão quando o outro acredita estar sozinho.

No entanto, mesmo amando muito, o relacionamento não é perfeito o tempo todo. Ninguém corresponde integralmente aos ideais e expectativas do outro. Mas amar é reconhecer a relação tal como ela é, enxergar os defeitos do outro e continuar com vontade de compartilhar a sua vida e percorrer caminhos comuns.

Se faz sofrer, gera insegurança, é conturbado, traz receios, te deixa fora de si, não é amor. Por mais que você goste do outro e seja correspondido, isso não é amor. Pode ser atração. Ou paixão. O amor traz calmaria e paz ao coração. Que você vai reconhecer quando sentir.

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Amar é arriscar o chão sob os pés

Vivemos em um mundo em que muitas pessoas se orgulham de viver sozinhas, serem autônomas e donas de si mesmas. E se gabam da capacidade de não depender de ninguém e não ter obrigação de dar satisfação sobre a sua vida. Às vezes chega a ser embaraçoso confessar que deseja se relacionar e compartilhar a vida com alguém.

É maravilhoso viver a própria vida, não se prender a ninguém e fazer o que bem entende a hora que julgar necessário. Mas conviver com alguém e compartilhar a vida também pode ser. Não há nada de mal em ser feliz sozinho ou acompanhado. Mas há quando as pessoas deixam de estar acompanhadas, mesmo apaixonadas, porque têm medo de perder a liberdade, de depender de alguém, de adequar os seus planos para encaixar os planos de outro alguém.

Vocês entendem o que quero dizer? Ninguém deve ficar com alguém porque o outro quer, porque chegou em determinada idade, porque todo mundo casa. Os tempos são outros e ninguém é obrigado a ficar com quem não quer estar. Mas se privar de viver um relacionamento é covardia. E amar exige mesmo muita coragem.

Amar é se arriscar num abismo, é tirar o chão sob os seus pés, é rever todos os seus valores, é aprender a cada dia, é dar oportunidade de apreciar novas cores e sabores, é confrontar suas verdades. É amar num minuto, odiar no seguinte, mas querer todos os dias. É ter consciência das falhas do outro, mas ter muito mais do que se orgulhar e admirar.

Viver um relacionamento amoroso, quando muitas pessoas bradam pela solidão, resistem ao amor e querem ter controle sobre todos os seus sentimentos, é também um ato revolucionário. Um ato de fé, esperança e crença de que juntos somos mais fortes. É construir em conjunto, é dialogar, conciliar interesses, se responsabilizar pelo outro, se comprometer com uma relação.

Não acho que todos devem namorar, casar e construir uma família. Cada um deve viver da maneira que se sente feliz e em paz consigo mesmo. Mas aqueles que encontraram a quem amar, mas estão morrendo de medo: por que não arriscar? Às vezes é preciso ouvir a voz do coração, seguir os próprios sentimentos e estender a mão para uma nova experiência.

Pode ser que você tenha o coração partido um dia, chore e sofra. Mas deixar de viver por medo de perder é acreditar que essa relação vai terminar antes mesmo de começar. Deixe que comece. Você pode se surpreender.

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