Arquivo da categoria: Crônicas

Você transa sem vontade?

Hoje escrevo para as mulheres. Especialmente para aquelas que acreditam que precisam transar mesmo sem vontade. Já li e escutei diversos relatos assim. São mulheres que não dizem não por acreditar que são obrigadas a satisfazer todos os desejos do parceiro, têm medo de causar uma briga e querem manter a qualidade da relação.

Se o que escrevo parece fantasioso para você, converse com as mulheres que conhece. Elas já devem ter cedido a uma transa sem vontade ou conhecem alguma mulher que já. Ou consulte o google. Hoje todas as informações estão a um clique e você encontrará um mundo de matérias, artigos e relatos.

Ano passado Deborah Secco gravou um vídeo dizendo que a mulher deve transar mesmo sem vontade, porque homem não fica sem transar e se não for com a companheira vai encontrar outra para satisfazer suas vontades. Ela é jovem, rica, bonita, famosa e, na época, sua declaração gerou uma enorme polêmica. Mas o que ela disse representa o pensamento de muitas outras mulheres.

Opiniões como a dela demonstram a crença de que as mulheres só serão felizes se servirem todos os desejos dos homens. Caso contrário serão trocadas por outras, serão traídas, ficarão sozinhas e tristes. Mas há como ser feliz sem levar em conta suas próprias vontades?

Segundo uma pesquisa publicada pela Super, transar sem vontade, só para agradar o parceiro e manter a relação, não é saudável. Os pesquisadores mediram a quantidade de cortisol na saliva dos participantes, hormônio que é produzido quando passamos por estresse físico ou psicológico, e identificou que as pessoas que transavam mais do que queriam tinham os níveis mais altos.

Tentando agradar o parceiro e manter a qualidade da relação, muitas mulheres não percebem que não expressar seus desejos, não poder falar abertamente com o parceiro, fazer o que não tem vontade só para agradar é o contrário de uma relação saudável e de uma sexualidade plena.

Mesmo morrendo de amor não existe mais desejo pelo parceiro e nunca tem vontade de transar? Fatores físicos e psicológicos podem interferir na libido e é possível identificá-los procurando ajuda. Sexo não é sofrimento nem obrigação. Não é para ser feito sem vontade, só para suprir o desejo do outro e não ter prazer.

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O prazer da conquista

Há muitos anos eu trabalhei com um cafajeste nato. Dava em cima de todas as mulheres que via e não perdia o hábito nem quando namorava. O típico homem que vai para o happy hour com os colegas de trabalho e quando a namorada liga diz que ainda está trabalhando. E, claro, tinha também um affair no trabalho. Sempre. O que me impressionava.

O que leva uma mulher a se relacionar com um homem, que sabidamente, não vale nada e nem faz questão de esconder? Só passatempo, pegar sem se apegar, sexo e nada mais, diziam elas. Depois estavam lá choramingando pelos cantos, reclamando que ele já estava em outra, que não retornava as ligações.

Lembro de uma festa de final de ano em que o marido de uma funcionária foi busca-la e ela não estava mais na festa. Ele ligava para mulher, ela insistia que estava na festa, ele fez um barraco querendo procura-la e, na verdade, ela já tinha saído faz tempo com vocês sabem quem: ele, o cafajeste. Noutra ocasião ele chegou no escritório cabisbaixo, pois tinha saído com uma mulher na noite anterior e a namorada o encontrou com a outra. Um barraco. As mulheres brigaram entre elas e brigaram com ele. Ou seja: ele sempre estava envolvido em confusão.

Eu não conseguia entender o porquê de tudo aquilo. Ele tinha várias mulheres interessantes aos seus pés. Eram muito mais inteligentes do que ele, mais bonitas do que ele, mais bem-sucedidas do que ele. E nenhuma era suficiente. Até que um dia, enquanto eu saboreava meu Big Mac no na hora do almoço, ele apareceu, começamos a conversar e eu perguntei o porquê ele se envolvia com tantas pessoas, fazia promessas, mantinha contato se não tinha interesse em levar adiante qualquer relacionamento.

A resposta? “O prazer da conquista”. Ele explicou que gostava de saber se a mulher retribuiria suas investidas, que se sentia bem quando despertava a paixão delas e que a graça da coisa não era o envolvimento em si, mas convidar para sair, ficar na expectativa da resposta, enviar mensagens no dia seguinte e fazer com que a mulher se sentisse desejada. Despertar o interesse e conquistar alguém era o seu desafio. O resto não importava.

Disse mais: “a maioria dos homens é assim”. Argumentou que muitos homens se envolvem em relações extraconjugais não por amar pouco a parceira, não sentir prazer, não ter desejo ou admiração. Mas pelo prazer da conquista. Para ter certeza de que ainda conseguem despertar o interesse de alguém e são convincentes.

Eu, que não sou homem, não posso afirmar que esse colega de trabalho, do qual nunca mais ouvir falar, tem alguma razão. Mas acho que sim. Muitos homens querem aprovação, têm desejo de afirmação, gostam do êxtase da paixão e não têm paciência para construir uma relação duradoura. Para alguns essa é apenas uma fase. Para outros dura a vida inteira: uma coleção de conquistas que não vingam, porque vivem buscando uma nova paixão.

Talvez sejam homens inseguros, que desconfiam não ser capazes de manter as mulheres apaixonadas por muito tempo e preferem descartá-las antes que o envolvimento casual se transforme em algum tipo de relacionamento. Difícil encontrar respostas. Tipos como esse, no entanto, estão por toda parte. E nem sempre são tão descarados.

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Seu melhor amigo é o seu amor?

É de se esperar que ninguém se comprometa amorosamente com um inimigo. Embora muitas pessoas, principalmente mulheres, se envolvam em relacionamentos abusivos e sofram violência de seus parceiros, isso não deve ser visto como algo tolerável e saudável. Casais devem se respeitar, confiar e viver de maneira harmoniosa.

Conheço pessoas que se casaram com seus amigos. De infância. Adolescência. Juventude. Faculdade. Trabalho. Não importa. Em um determinado momento a amizade virou amor. Como? Sexo. As pessoas gostam de complicar, mas é bastante simples e Rita Lee já explicou em uma música: “amor sem sexo é amizade”. Ninguém deseja um amigo. E é isso que o torna amigo e nada mais.

Portanto, toda vez que alguém afirma que seu companheiro é seu melhor amigo eu acho esquisito. O casal precisa, necessariamente, ter o que conversar, gostar da companhia um do outro, fazer planos. Dependendo da fase do casal, a chegada de um bebê, por exemplo, o sexo vai ficar em segundo plano. E tudo bem. Mas quando o sexo fica em segundo plano para sempre, ou sai de cena, algo vai mal.

Seu marido não tem que ser seu melhor amigo. Ele não tem que ser alguém que você acha incrível, inteligente, admira, pede opinião, faz planos. Tem que ser alguém que, além disso tudo, você deseja. Sexualmente falando. Essa é graça da coisa. Essa é a dificuldade da coisa. Dentre milhares de afazeres diários, a rotina, os compromissos, as responsabilidades, muitas pessoas deixam o sexo para depois e se distanciam do parceiro.

Deixam de ter um companheiro, um parceiro, um namorado, um marido e ganham um amigo. Às vezes é pior: ganham um filho. E isso faz mal à relação. Quando não há desejo nem adianta comprar lingerie nova, fazer escova no cabelo, mudar o perfume, ler as dez dicas para uma noite de sexo incrível das tantas revistas femininas.

Amor é uma coisa. Amizade é outra. E se você quer tudo de todo tipo de relação periga ficar sem nenhuma satisfatória. Você me entende? Um longo relacionamento não vai ter doses diárias de romantismo, presentes, café na cama, viagens repentinas e sexo selvagem. Mas precisa ter toque. Beijo. Carinho. E sexo.

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Casamento e afazeres domésticos

Recentemente assisti um vídeo do Içami Tiba sobre família. Falava que as mulheres precisam se livrar da culpa de trabalhar fora de casa e não cuidar dos filhos em tempo integral e que os homens precisam se responsabilizar tanto quanto as mulheres pelos afazeres domésticos e educação das crianças, principalmente quando suas esposas também se dedicam às carreiras tanto quanto eles.

Parece simples. Básico. Óbvio. Mas, infelizmente, compartilhar os fazeres domésticos e responsabilidade pela educação dos filhos ainda não é uma realidade em todas as famílias. Com certeza em pouquíssimos lares é o pai que escreve o bilhete escolar, arruma a mochila do filho para o dia seguinte, dá mamadeira, troca fraldas e não espera a mulher chegar do trabalho para esquentar o jantar.

Conheço muitas mulheres que trabalham tanto quanto seus maridos e, ainda assim, são as responsáveis pela organização da casa. Quando têm empregada ou diarista são elas que sabem quais materiais de limpeza comprar, fazem lista do mês, dão as orientações para a limpeza e organização da casa, planejam a ida e volta dos filhos da escola, se preocupam com o lanche das crianças e muito mais.

Quando o homem se responsabiliza com alguma tarefa as pessoas olham com espanto e um tanto de inveja e afirmam “que bom que ele te ajuda!’. Com toda revolução sexual, independência feminina e brados de empoderamento, ainda cabem aos homens só ajudar. Muitos são coadjuvantes em relação à vida doméstica e podem se dar ao luxo de dizer que tiveram um dia exaustivo no trabalho, sentar no sofá e não fazer nada mais.

Uma pesquisa do IBGE, realizada em 2016, indica que nove em cada dez mulheres realizam algum tipo de tarefa doméstica por, no mínimo, uma hora semanal. Já entre os homens, sete em cada dez realizam tarefas em casa, mas dedicam metade do tempo em relação às mulheres.

Não por acaso muitas mulheres estão estafadas, sobrecarregadas, cansadas e culpadas. Educadas para estudar, ter uma carreira, ser independente e contribuir de maneira igualitária com as responsabilidades financeiras, não se livraram da carga de cuidar dos afazeres domésticos, invisíveis aos olhos dos outros. No vídeo que assisti Içami Tiba toca num ponto importante: os homens hoje se beneficiam da emancipação das mulheres, sexual e financeira, mas não dividem as responsabilidades domésticas e familiares.

Se você é mulher e está sobrecarregada com milhares de responsabilidades, converse com o seu parceiro. Proponha nova divisão de tarefas, peça ajuda. Muitas de nós estão tão acostumadas a assumir as responsabilidades do lar, ser a dona de casa, assistir, na vida e na arte que é nossa obrigação cuidar de tudo e de todos que, inconscientemente, reproduzimos este padrão. Por mais esclarecidas, estudadas e abertas que somos.

Se você é homem e leu até aqui, não espere a sua namorada ou esposa pedir ajuda e dizer o que fazer. Não espere ela chegar para esquentar seu jantar, arrumar a mesa e arrumar seu prato. Não espere ela decidir o que fazer para comer. Não espere que ela abra a mochila dos filhos de vocês e coloque a roupa molhada para secar. Não espere que sempre ela falte o trabalho para levar as crianças no médico ou vá numa reunião escolar. Não espere. Seja lá como for a rotina de vocês, não espere. Contribua.

É lógico que cada família tem o seu jeito, seus valores e a sua rotina. Não há nada de errado em uma mulher que abdica da vida profissional para cuidar da casa e dos filhos. Como também não há mal nenhum em um homem que faz o mesmo, embora essa realidade seja bem menos comum. Geralmente é a mulher que abre mão de seus sonhos para manter os outros membros da família sonhando. Por que, pergunto eu, em uma relação alguém tem que deixar de sonhar? Por que nos ensinaram que quando um ganha o outro tem que perder? Por que alguém tem que sofrer para o outro ser feliz?

Viver a dois se torna mais leve, fácil e prazeroso quando ambos se responsabilizam pela casa que vivem, a dinâmica da rotina, a educação dos filhos, a divisão de tarefas. Dificilmente alguém gosta de lavar louça, colocar roupa na máquina, fazer comida todo dia, recolher o lixo, ir ao supermercado, brigar para o filho tomar banho/escovar os dentes, trocar fralda de criança, fazer bilhete para professora. Faz por necessidade, por cuidado, por obrigação. E por amor. Amor exige cuidados e responsabilidades.

Não adianta sobrecarregar o outro e depois esperar noites maravilhosas de sexo, declarações de amor, demonstrações de carinho. Quem anda estafado, cansado, sobrecarregado e preocupado em manter a vida de todos funcionando perfeitamente não tem tempo para pensar no seu próprio prazer nem no lazer. E o pouco tempo que tem prefere descansar.

Por outro lado, se você conhece algum homem que participa da vida doméstica e compartilha a responsabilidade da casa, por favor, pare de olhar para a mulher dele e dizer “como você tem sorte!”, “que bom que fulano de ajuda!”. O casal que divide a vida e mora sob o mesmo teto precisa ser o dono da casa. Igualmente. O que não deve causar espanto algum.

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12 de junho. E daí?

Dia dos Namorados. Lojas cheias, restaurantes lotados, cartões escritos, troca de mensagens, juras de amor. Ou não. Alguns casais optam por comemorar o relacionamento em outra data, não trocam presentes e veem esse dia como apenas mais uma data comercial. As datas têm significados diferentes para cada um de nós. Isso inclui o tão famoso 12 de junho.

Algumas pessoas ficam eufóricas e ansiosas nos dias que antecedem a data. Estou ou não namorando? Compro presente ou não? Combino algo especial? Faço uma surpresa? E ficam ali consumidas em dúvidas sem saber o que fazer. Até que o dia chega, tudo se resolve, para o bem ou para o mal, e fim.

Ninguém precisa se endividar comprando o que não pode nem preparando eventos mirabolantes. Mas qualquer um pode fazer um jantar especial, escrever um cartão, fazer uma declaração, se oferecer para fazer uma massagem, comprar algo simbólico, se organizar para assistir um filme com mozão. Mesmo depois de casados, a pouco ou muito tempo, pode demonstrar interesse genuíno em…namorar!

Namorar faz bem ao relacionamento. É flertar, seduzir, cortejar. Coisa que muitos casais, com o passar do tempo, deixam de fazer. E depois reclamam. Você tem direito de achar o 12 de junho brega e ridicularizar o valentine´s day, mas crie oportunidades de celebrar o namoro, o relacionamento, o casamento em uma outra data qualquer. O dia em que se conheceram. O dia que reataram. O dia do casamento.

Eu, no entanto, entendo que toda e qualquer data comemorativa é um (bom!) pretexto para dar e receber presente, trocar afeto e cuidar do relacionamento. Não precisamos, obviamente, esperar datas consideradas especiais para demonstrar sentimentos, mas que mal há em expressá-los nesses dias também?

Se você não vai fazer nada hoje, pois o companheiro está longe, falta dinheiro, acha perda de tempo enfrentar filas nos estabelecimentos e julga todas essas datas desnecessárias, tudo bem. Mas certifique-se de que o outro pensa isso também. Se pensar, ótimo. Mas não deixe de namorar. De comemorar. De festejar. De celebrar. Relações precisam ser valorizadas. Sentimentos demonstrados. Apaixonados retribuídos. Em qualquer dia. Todo dia. No seu dia.

Feliz Dia dos Namorados.
Hoje ou outro dia.

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