“Quando você for mãe vai aprender o que é o amor”

Inicio dizendo que: sou mãe e amo meu filho. Aliás, ele é uma pessoa incrível e às vezes sinto um orgulho enorme pela pessoa que se tornou. Como mulher e mãe, no entanto, fico incomodada com frases que ouço sobre maternidade e considero equivocadas.

“Quando você for mãe vai aprender o que é amor” é uma delas. O amor que sentimos por um filho é enorme, sim. Mas a gente ama tanta gente ao longo da vida. Os pais, os irmãos, os amigos. Filho é mais uma maneira de amar. Não substitui nenhuma delas. Se a pessoa nunca amou ninguém antes da chegada de um filho ela tem problema.

Também fico bastante desconfortável quando alguém diz: “se ela tivesse filho não teria agido dessa forma”. Existe tanta mulher que é mãe e nem por isso deixa de ser escrota! De onde tiram a ideia de que se uma mulher tivesse filho teria tomado uma atitude mais altruísta diante de determinada situação?

Aliás vejo muitas mulheres mães que não se solidarizam com outras igualmente mães. E, pior do que isso, algumas são ruins com os próprios filhos. Ou seja: existem pessoas boas e más, com filhos ou sem. Um filho não vai tornar ninguém bom. Maternidade não é atestado de bondade nem de santidade.

A ideia de que a maternidade é solução para tudo, uma dádiva e torna as mulheres melhores me incomoda muito. Certamente a maternidade ensina muita coisa. É uma experiência revolucionária e arrebatadora. É um aprendizado constante. Que não se esgota nem mesmo quando o filho se torna adulto ou sai de casa.

“Você seria muito mais feliz se tivesse filhos” também me dói o coração toda vez que ouço alguém falando. Por razões bem simples: coloca a felicidade na responsabilidade de quem nem nasceu (ou nem vai nascer!) e coloca quem não tem filhos como uma pessoa incompleta.

Por favor, parem de repetir frases como essas e tantas outras. Não somos melhores do que ninguém por sermos mães. Ninguém é obrigado a viver a maternidade para ser melhor. Mulheres com filhos não têm poderes sobrenaturais nem são especiais. E não sabem mais sobre amor do que outras.

O amor está pelo mundo sob diferentes formas. Filho é só mais uma delas. Não é preciso competir com outras mulheres, olhar com superioridade quem não tem filho e se sentir mais poderosa. Ame o seu filho e todos os seus amores sem julgar menor ou menos importante o amor dos outros. Porque amor é amor.

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Se não quer relacionamento não culpe os outros

Eu vejo muita gente reclamando que hoje em dia ninguém quer nada sério, que ninguém quer compromisso, que não tem ninguém que valha a pena. Se você é uma dessas pessoas, por favor, responda com sinceridade: você quer um relacionamento sério? Você quer compromisso? Você vale a pena? Não precisa responder para mim, responda a si mesmo.

Essas perguntas, ainda que pareçam sem sentido, tem uma justificativa: vejo muita gente falando que quer compromisso, que problemáticos, desapegados e descompromissados são os outros, sem ter vontade genuína de viver um relacionamento duradouro.

Sempre defenderei o amor, a vida a dois, o casamento e relacionamentos longos. Embora o mundo tenha evoluído bastante, se apaixonar por alguém e se permitir viver uma relação continua atual. Amar nunca está fora de moda. Nem antigo. Nem passado.

Esclareço, no entanto, que manter longos relacionamentos não é obrigatório. Assim como casar também não. E, mais do que isso: ninguém é mais feliz por ter alguém. Somos seres completos. Não somos partes, não nos completamos em ninguém a não ser em nós mesmos. É Claro que quem ama quer ver o outro feliz e se preocupa com a sua felicidade, mas a felicidade do outro não é sua responsabilidade.

Eu não sei ao certo o porquê estou escrevendo essas coisas. Mas vendo tanta gente infeliz no amor, ou infeliz por estar sem um amor, eu queria dizer que não é possível sem feliz com alguém sem antes ser feliz sozinho. Também quero dizer que muita gente está sozinha por sua própria causa, e não do outro.

Amar exige cuidado responsabilidade e entrega. Exige prestar atenção no outro e não só em si mesmo. O amor é bom, mas é um compromisso. Diário. Que muitas pessoas que vejo reclamar da ausência de um alguém não estão dispostas a ter. E não precisam estar dispostas, entende?

O que me incomoda é o discurso de que a causa de estar sozinho é um problema de outra pessoa. Com a incapacidade que algumas pessoas têm de se responsabilizar pela própria vida. Você está sozinho porque quis. E isso é ótimo. Está sozinho por ter se livrado de um traste, por não ter se apaixonado na mesma medida que o outro, porque viu que não amava tanto assim. Ou porque alguém terminou com você, o que faz parte. Ou ainda: você prefere ficar só.

Eu sei que em uma sociedade como a nossa às vezes é difícil admitir para si mesmo que prefere ficar sozinho do que acompanhado. Sei também que ninguém precisa ficar dando satisfação sobre a sua vida pessoal. Mas precisa, sim, ser verdadeiro com as suas vontades. Quer mesmo alguém com quem compartilhar a vida? Quais relacionamentos você está cultivando?

Não vai adiantar se relacionar com quem quer algosério, se você não quer. Como não é honesto encher o outro de esperança se não deseja manter um relacionamento. A vida pode ser mais simples. Sobretudo se você parar de reclamar, pensar no que quer, não culpar ninguém e respeitar a si mesmo.

Há amor no mundo, sim. Há quem queira amar.

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Você transa sem vontade?

Hoje escrevo para as mulheres. Especialmente para aquelas que acreditam que precisam transar mesmo sem vontade. Já li e escutei diversos relatos assim. São mulheres que não dizem não por acreditar que são obrigadas a satisfazer todos os desejos do parceiro, têm medo de causar uma briga e querem manter a qualidade da relação.

Se o que escrevo parece fantasioso para você, converse com as mulheres que conhece. Elas já devem ter cedido a uma transa sem vontade ou conhecem alguma mulher que já. Ou consulte o google. Hoje todas as informações estão a um clique e você encontrará um mundo de matérias, artigos e relatos.

Ano passado Deborah Secco gravou um vídeo dizendo que a mulher deve transar mesmo sem vontade, porque homem não fica sem transar e se não for com a companheira vai encontrar outra para satisfazer suas vontades. Ela é jovem, rica, bonita, famosa e, na época, sua declaração gerou uma enorme polêmica. Mas o que ela disse representa o pensamento de muitas outras mulheres.

Opiniões como a dela demonstram a crença de que as mulheres só serão felizes se servirem todos os desejos dos homens. Caso contrário serão trocadas por outras, serão traídas, ficarão sozinhas e tristes. Mas há como ser feliz sem levar em conta suas próprias vontades?

Segundo uma pesquisa publicada pela Super, transar sem vontade, só para agradar o parceiro e manter a relação, não é saudável. Os pesquisadores mediram a quantidade de cortisol na saliva dos participantes, hormônio que é produzido quando passamos por estresse físico ou psicológico, e identificou que as pessoas que transavam mais do que queriam tinham os níveis mais altos.

Tentando agradar o parceiro e manter a qualidade da relação, muitas mulheres não percebem que não expressar seus desejos, não poder falar abertamente com o parceiro, fazer o que não tem vontade só para agradar é o contrário de uma relação saudável e de uma sexualidade plena.

Mesmo morrendo de amor não existe mais desejo pelo parceiro e nunca tem vontade de transar? Fatores físicos e psicológicos podem interferir na libido e é possível identificá-los procurando ajuda. Sexo não é sofrimento nem obrigação. Não é para ser feito sem vontade, só para suprir o desejo do outro e não ter prazer.

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O prazer da conquista

Há muitos anos eu trabalhei com um cafajeste nato. Dava em cima de todas as mulheres que via e não perdia o hábito nem quando namorava. O típico homem que vai para o happy hour com os colegas de trabalho e quando a namorada liga diz que ainda está trabalhando. E, claro, tinha também um affair no trabalho. Sempre. O que me impressionava.

O que leva uma mulher a se relacionar com um homem, que sabidamente, não vale nada e nem faz questão de esconder? Só passatempo, pegar sem se apegar, sexo e nada mais, diziam elas. Depois estavam lá choramingando pelos cantos, reclamando que ele já estava em outra, que não retornava as ligações.

Lembro de uma festa de final de ano em que o marido de uma funcionária foi busca-la e ela não estava mais na festa. Ele ligava para mulher, ela insistia que estava na festa, ele fez um barraco querendo procura-la e, na verdade, ela já tinha saído faz tempo com vocês sabem quem: ele, o cafajeste. Noutra ocasião ele chegou no escritório cabisbaixo, pois tinha saído com uma mulher na noite anterior e a namorada o encontrou com a outra. Um barraco. As mulheres brigaram entre elas e brigaram com ele. Ou seja: ele sempre estava envolvido em confusão.

Eu não conseguia entender o porquê de tudo aquilo. Ele tinha várias mulheres interessantes aos seus pés. Eram muito mais inteligentes do que ele, mais bonitas do que ele, mais bem-sucedidas do que ele. E nenhuma era suficiente. Até que um dia, enquanto eu saboreava meu Big Mac no na hora do almoço, ele apareceu, começamos a conversar e eu perguntei o porquê ele se envolvia com tantas pessoas, fazia promessas, mantinha contato se não tinha interesse em levar adiante qualquer relacionamento.

A resposta? “O prazer da conquista”. Ele explicou que gostava de saber se a mulher retribuiria suas investidas, que se sentia bem quando despertava a paixão delas e que a graça da coisa não era o envolvimento em si, mas convidar para sair, ficar na expectativa da resposta, enviar mensagens no dia seguinte e fazer com que a mulher se sentisse desejada. Despertar o interesse e conquistar alguém era o seu desafio. O resto não importava.

Disse mais: “a maioria dos homens é assim”. Argumentou que muitos homens se envolvem em relações extraconjugais não por amar pouco a parceira, não sentir prazer, não ter desejo ou admiração. Mas pelo prazer da conquista. Para ter certeza de que ainda conseguem despertar o interesse de alguém e são convincentes.

Eu, que não sou homem, não posso afirmar que esse colega de trabalho, do qual nunca mais ouvir falar, tem alguma razão. Mas acho que sim. Muitos homens querem aprovação, têm desejo de afirmação, gostam do êxtase da paixão e não têm paciência para construir uma relação duradoura. Para alguns essa é apenas uma fase. Para outros dura a vida inteira: uma coleção de conquistas que não vingam, porque vivem buscando uma nova paixão.

Talvez sejam homens inseguros, que desconfiam não ser capazes de manter as mulheres apaixonadas por muito tempo e preferem descartá-las antes que o envolvimento casual se transforme em algum tipo de relacionamento. Difícil encontrar respostas. Tipos como esse, no entanto, estão por toda parte. E nem sempre são tão descarados.

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Seu melhor amigo é o seu amor?

É de se esperar que ninguém se comprometa amorosamente com um inimigo. Embora muitas pessoas, principalmente mulheres, se envolvam em relacionamentos abusivos e sofram violência de seus parceiros, isso não deve ser visto como algo tolerável e saudável. Casais devem se respeitar, confiar e viver de maneira harmoniosa.

Conheço pessoas que se casaram com seus amigos. De infância. Adolescência. Juventude. Faculdade. Trabalho. Não importa. Em um determinado momento a amizade virou amor. Como? Sexo. As pessoas gostam de complicar, mas é bastante simples e Rita Lee já explicou em uma música: “amor sem sexo é amizade”. Ninguém deseja um amigo. E é isso que o torna amigo e nada mais.

Portanto, toda vez que alguém afirma que seu companheiro é seu melhor amigo eu acho esquisito. O casal precisa, necessariamente, ter o que conversar, gostar da companhia um do outro, fazer planos. Dependendo da fase do casal, a chegada de um bebê, por exemplo, o sexo vai ficar em segundo plano. E tudo bem. Mas quando o sexo fica em segundo plano para sempre, ou sai de cena, algo vai mal.

Seu marido não tem que ser seu melhor amigo. Ele não tem que ser alguém que você acha incrível, inteligente, admira, pede opinião, faz planos. Tem que ser alguém que, além disso tudo, você deseja. Sexualmente falando. Essa é graça da coisa. Essa é a dificuldade da coisa. Dentre milhares de afazeres diários, a rotina, os compromissos, as responsabilidades, muitas pessoas deixam o sexo para depois e se distanciam do parceiro.

Deixam de ter um companheiro, um parceiro, um namorado, um marido e ganham um amigo. Às vezes é pior: ganham um filho. E isso faz mal à relação. Quando não há desejo nem adianta comprar lingerie nova, fazer escova no cabelo, mudar o perfume, ler as dez dicas para uma noite de sexo incrível das tantas revistas femininas.

Amor é uma coisa. Amizade é outra. E se você quer tudo de todo tipo de relação periga ficar sem nenhuma satisfatória. Você me entende? Um longo relacionamento não vai ter doses diárias de romantismo, presentes, café na cama, viagens repentinas e sexo selvagem. Mas precisa ter toque. Beijo. Carinho. E sexo.

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