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Amar vale a pena

Os relacionamentos transformam as nossas vidas e todos eles nos influenciam de alguma maneira. Por meio da convivência com os pais, os filhos, os irmãos, os amigos, tocamos e somos tocados. Sofremos, nos preocupamos, torcemos, ficamos alegres, ajudamos, ensinamos e aprendemos. E mudamos.

Se olharmos para a pessoa que fomos conseguimos identificar diferenças em relação a pessoa que somos agora. Mudamos hábitos, repensamos atitudes, concordamos com coisas que julgávamos erradas e vice-versa. Ou deveríamos, já que com o passar do tempo e o avançar da idade, vem a sabedoria e maturidade.

Todas as situações que vivemos e, principalmente, as relações que construímos, são responsáveis por nos tornar quem somos. Por isso falar de amor e, principalmente, de relações amorosas, é tão fascinante para mim: ser parte de um casal é uma experiência significativa e transformadora.

Apaixonados conhecemos uma parte de nós até então desconhecida. Quando amamos aprendemos diariamente sobre liberdade, compreensão, tolerância, felicidade, visão de futuro. Na prática. Dia após dia. Os conflitos, ainda que inevitáveis, revelam características de cada um e servem para ajustar as arestas.

Sempre defenderei que é possível ser feliz sozinho e que é melhor estar só do que mal acompanhado. Mas somos ridiculamente felizes quando amamos e somos amados. Quando temos ao lado alguém que nos faz sentir seguros e nos ajude a enfrentar os obstáculos que surgem pelo caminho.

Amar é ser, viver e sentir. E vale a pena.

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Cada história tem os seus desafios

Manter um relacionamento duradouro não é tarefa simples. Mais do que amor é preciso vontade. De estar junto, de querer compartilhar a vida, de entrar em consenso, de investir no relacionamento, de apoiar, de pedir ajuda, de fazer com que o amor dê certo.

Com o passar do tempo o relacionamento vai mudando. Por uma razão muito simples: as pessoas vão mudando. Dentro de uma relação isso significa que, constantemente, os acordos precisam ser reavaliados, os desejos revistos, os planos refeitos. Uma relação é composta do eu e do nós.

É muito importante alimentar a individualidade, lutar pelos seus próprios objetivos, se dedicar às suas paixões. Isso torna as pessoas mais interessantes. Você lembra quando, no início do relacionamento, admirava a garra, o entusiasmo e a paixão com que o seu amor se dedicava a alguma coisa?

Se a individualidade é importante, os rituais a dois também são. Ter momentos a dois, prazer na companhia um do outro, encontrar uma atividade que possam fazer juntos, num mundo tão conturbado e cheio de responsabilidades, é essencial para a conexão amorosa.

Conversas pouco significativas, medo de falar alguma coisa, não se sentir livre para expor emoções, ter dúvida sobre o que sente pelo outro, não existir momentos a dois ou ser proibido de fazer suas atividades são sinais de que as coisas não estão bem.

Relacionamentos longos passam por diversas fases. Nascimento e crescimento dos filhos, problemas financeiros, mudança de residência, doenças familiares, morte de ente queridos. Cada fase tem também seu desafio e, claro, nestes momentos é possível que a conexão emocional seja prejudicada.

Portanto, é importante olhar para a relação e perceber se é uma fase ou não. Se não for é provável que a insatisfação aumente cada vez mais, até que não seja possível restabelecer a conexão e sintonia amorosa.

O maior desafio de uma relação amorosa está no óbvio: é preciso que os dois queiram estar juntos. E existe muita gente maluca, corajosa, que acredita no amor e está disposta a amar. Mesmo sabendo que terá desafios pela frente.

Cada casal tem a sua história. Cada história os seus desafios.

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É autocuidado ou medo de amar?

“Eu não quero me envolver”, “melhor pegar sem se apegar”, “não vou criar expectativas”, “as coisas estão indo bem, mas não quero nada sério”. Essas e muitas outras são frases que ouvimos constantemente. Quando se trata de amor, a prudência é sempre válida. Mas até que ponto é autocuidado ou medo de amar?

Às vezes, o que parece autocuidado e proteção nada mais é do que uma barreira que impede de amar, se envolver e permitir a construção de um novo relacionamento amoroso. Experiências passadas, como rejeição, abandono e traição criam feridas e a necessidade de se proteger de novas desilusões.

Muitos medos podem se disfarçar de precaução, criar mecanismos para evitar uma relação e fazer com que a pessoa se feche, impedindo que o bom se aproxime e um relacionamento saudável seja construído. Evitar se relacionar é, também, deixar de viver.

À medida que amadurecemos e temos experiências não é prudente se envolver de cabeça, se jogar sem saber onde está se metendo, não se preocupar com o futuro, não pesquisar o outro, agir por impulso. Entender os seus desejos e respeitar seus limites, assim como os da outra pessoa, é importante para avaliar o envolvimento e construir uma boa relação.

Mas criar estratégias para não se apegar, fazer joguinhos para desmarcar encontros que você deseja, dar gelo, não atender ligações, tratar mal a pessoa com medo de criar vínculo quando a pessoa demonstrou ser alguém especial, é medo de amar. E medo não é autocuidado nem proteção.

Todas as pessoas que amaram já sofreram alguma vez. Já se desiludiram, já se decepcionaram, já se magoaram, já foram traídas, já foram abandonadas, já foram enganadas. É perfeitamente compreensível que tenham medo de se entregar novamente, que tenham mais cuidado, que pensem melhor antes de se envolver.

Eu estou aqui para dizer que uma relação é diferente da outra. Que uma pessoa é diferente da outra. Que ter sofrido um dia não significa que vai sofrer sempre. E que todos nós merecemos amar e ser amados. Portanto, tenha cuidado, mas não crie barreiras. Só recebe amor quem tem coragem de amar.

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A crueldade das datas comemorativas

Todas as datas comemorativas sempre foram dias muito felizes para mim. Por mais que a maioria diga que não passam de datas comercias, que o intuito é vender produtos e que o verdadeiro sentido de cada uma fique perdido, eu sempre valorizei cada uma.

Sempre interpretei como uma possibilidade de estar com quem amo e dar presentes. Se não for em datas comemorativas fazemos isso quando? Envolvidos na rotina, cheios de compromissos, com dias cada vez mais atribulados, sempre deixamos para depois o telefonema, o encontro, o almoço em família, a compra de um presente.

As datas religiosas, embora não tenham sentido para mim, tinham para minha mãe, sempre muito católica. E eram motivo de festa, de doces, de comemorações, de reuniões, de encontros, de bolos maravilhosos. Eram verdadeiros eventos que a mobilizavam e contagiavam a todos.

Hoje todas as datas que eu gostava, incluindo a Páscoa, minha preferida, não fazem sentido algum. Consigo perceber o quanto essas festividades são ingratas e cruéis com quem, como eu, perdeu alguém que muito amava e que comemorava cada uma delas. Ou com quem, por alguma razão, nunca teve a presença dos pais ou nunca pôde festejar essas datas.

Não adianta falar que preciso acreditar em deus. Não é sobre isso que estou escrevendo. É sobre convenção social. É sobre hábitos. É sobre costume. Que, independente da crença de cada um, interfere, de alguma maneira, na vida de todos nós. Aproveito o momento para indicar a leitura do livro “Religião para ateus”, que pode ser tema para outra crônica.

O calendário ocidental está aí. Os feriados estão aí. As festividades estão aí. Quer queira, quer não. A sua dor não impede o curso da vida. Seus traumas não paralisam a existência das coisas. Seu luto não evita que os demais estejam alegres. E, por mais que um dia você se acostume, as mesmas datas têm um novo significado. Ou nenhum. E, ainda que não façam sentido, não tem como ficar indiferente a elas.

As pessoas vão sair da missa com ramos, lojas vão estar abarrotadas de ovos de páscoa, as pessoas vão falar do dia das mães. Não há como fugir, como evitar, como se esconder, como impedir. Só se acostumar. E tentar criar outros rituais.

Mas, quem ainda não entende o que estou dizendo (e espero que não entenda nunca!) eu peço: sejam empáticos. Nem todos estão tão alegres quanto você. Nem todos valorizam essas datas. Nem todos estão animados. Cada pessoa é um mundo desconhecido, passa por situações diferentes e pode não ver essas datas com o mesmo entusiasmo. E tem lá suas razões.

Não critique. Não julgue. Não faça sermão. Aproveite todas as datas como julgar mais conveniente para você. E deixe que os outros façam o mesmo, a seu modo.

Feliz Páscoa. E feliz todas as datas.

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Permita-se estar triste

Vivemos em um mundo em que a maioria das pessoas parece desconhecer a tristeza, onde só há sorrisos, boas festas, filmes incríveis, trabalhos magníficos, viagens, mesa de bar com os amigos. Aparentemente só há alegrias e felicidade. E, se por alguma razão, você está triste o problema é seu.

Compre um livro, procure um coaching, siga as digas de um youtuber, olhe o Instagram incrível de alguém mais incrível ainda. Seja rico. Seja famoso. Seja feliz. Seja magro. Seja bonito. Se você quer, você pode. Você consegue. É só ter força, foco e fé.

Não acho que devemos expor nossas dificuldades para todos e entendo, perfeitamente, uma enxurrada de posts felizes, motivacionais e inspiradores nas redes sociais. Mas, fora das redes, também encontramos sorrisos que escondem tristezas, pessoas aparentemente bem-sucedidas que estão frustradas, casais que demonstram estar felizes e não se suportam.

Mas não é sobe isso que desejo falar, pois a intimidade de cada um pertence a si mesmo. Quero dizer que toda essa aura de felicidades, de contentamento, de obrigação de ser feliz o tempo todo, faz com que as pessoas não tolerem algo tão humano e simples: a tristeza.

Não importa o motivo todos nós ficamos tristes vez ou outra. E ficar triste, embora seja condenado atualmente, faz parte da vida. Precisamos aceitar a tristeza e lidar com ela. Sofreu uma desilusão, foi acometido por uma doença, perdeu alguém querido, ficou sem emprego, o plano deu errado. E um direito seu ficar triste, chorar e sofrer.

Eu sei que estou falando o óbvio, mas já vi gente dizendo “não chore” para alguém que acabou de perder um ente querido. Não é desumano exigir que uma pessoa fique bem, não derrame uma lágrima após o falecimento de alguém?

Ninguém quer sofrer, mas o sofrimento faz parte da vida. Não significa que a pessoa esteja depressiva, seja fraca, não saiba lidar com as suas emoções. Pelo contrário. Quem finge estar feliz quando na verdade está infeliz, está ignorando a si mesmo e sabotando a própria felicidade.

Não se culpe quando estiver triste e o mundo parece estar feliz. Permita-se viver seus momentos de fraqueza, de dor, de insegurança, de medo, de insatisfação. Respire. Chore. Escreva sobre isso. Converse. Se preciso for, peça ajuda. E se não conseguir lidar com o problema, procure ajuda profissional.

Mas entenda: não há nada de errado em estar triste, decepcionado, frustrado, desanimado uma vez ou outra. Errado é ignorar os nossos sentimentos e emoções, perseguir uma felicidade inexistente e mentir para nós mesmos.

E acredite: a tristeza tem fim.

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