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Assuma a sua responsabilidade

Para mim relacionamento, qualquer que seja ele, é compromisso e responsabilidade. Nos primeiros dias de vida os bebês precisam de alguém que os alimente, faça a higiene, mantenha a sua sobrevivência. Os pais, claro, fazem com amor, mas fazem porque são responsáveis. No trabalho precisamos cumprir horários, realizar atividades dentro do prazo, cuidar do trabalho que nos foi delegado. Poderia citar diversas outras formas de interações, mas quero falar da minha preferida: relação amorosa.

É fácil bater no peito e afirmar que não somos responsáveis pelo que o outro entende, só pelo que dizemos, culpar o outro pelo rumo da relação e não se preocupar com o próprio comportamento. Mas o que vejo, rotineiramente, é um bando de adulto mimado, que quer ver satisfeitas as suas vontades e não se preocupa com o outro. Pior: acha que o outro tem que atender seus caprichos.

Vamos por partes. Ninguém é responsável pela felicidade de ninguém. Por mais pessoas que tenhamos ao nosso lado, por melhor que seja para a saúde física e mental cultivar relacionamentos, somos sozinhos. E somos nós os responsáveis pela nossa própria felicidade. O outro não tem que nos fazer felizes. Nós é que temos.

Embora pareça que estou fugindo do assunto, e talvez esteja, eu quero dizer que, se não precisamos de alguém do lado para sermos felizes e temos, qual a dificuldade de assumir compromisso e se responsabilizar por isso? Falou algo que o outro interpretou diferente não custa esclarecer. Não custa falar o que quer ao invés de ficar fazendo o outro adivinhar. Não custa fazer sua parte, desde lavar a louça a compartilhar sentimentos.

Uma relação amorosa não é feita sozinha, é claro. É necessário que ambos queiram estar juntos, preocupem-se um com o outro, tenham empatia. Mas existem pessoas que não sabem o que querem e iniciam relações sem qualquer compromisso. Iludindo, ludibriando, envolvendo o outro em confusões que não dizem respeito a mais ninguém e depois reclamam que seus relacionamentos sempre dão errado.

Assuma a sua responsabilidade, aja com verdade, demonstre o que sente, comprometa-se. Se não quer um relacionamento não finja querer. Não trate o outro como um objeto na estante que você pode usar quando bem entender. Esteja de coração. Ou não esteja. Isso é ser responsável e comprometido. Com você mesmo e com o outro.

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Trair dá muito trabalho

A infidelidade continua sendo um dos principais problemas dos relacionamentos amorosos, levando a separação de muitos casais e, em alguns casos, aos consultórios para terapia de casal. Conhecemos diversos casos de infidelidade. Ou já vivenciamos algum.

Esta semana uma mulher me contou a causa de sua separação, ocorrida há alguns anos: chegou em casa e viu o seu marido com outra. A outra era a sua melhor amiga, também casada. Os casais saiam juntos, frequentavam a casa um dos outros e ela não desconfiou que estava sendo traída.

Eu imagino a decepção, a raiva, a falta de confiança nas pessoas depois de ser duplamente traída. Mas não é sobre isso que desejo falar. Eu quero falar do trabalho que as pessoas têm para enganar a outra, esconder um relacionamento durante meses ou anos. Da falta de ética que existe em uma relação extraconjugal.

Tenho dificuldade em entender o que leva uma pessoa comprometida a se envolver com outra, porque isso envolve algo que não acontece instantaneamente: escolha. Trair não é como tropeçar no meio da rua. É uma escolha consciente. Tanto é assim que existe até aplicativo para pessoas casadas traírem os seus parceiros.

Muitas pessoas, mesmo amando os seus companheiros e tendo uma relação satisfatória, encontram prazer em viver aventuras. Mas pessoas éticas têm dificuldade em entender isso. Pessoas que levam uma vida reta, que gostam de estar em dia, que têm medo de dar um passo em falso, que apreciam uma vida tranquila, simplesmente não conseguem entender isso.

Nesta mesma semana eu assisti o vídeo “Trair dá muito trabalho”, de Leandro Karnal, um trecho da sua palestra “Ética e o Brasil” e eu adorei. Compreendi a minha incapacidade de compreender a traição. Pessoas verdadeiramente éticas não conseguem trair. E, se traírem, não vão conseguir esconder.

Algumas pessoas não têm talento para dizer que estão em um lugar quando estão em outro, em alugar carro para ir no motel para que sua placa não seja vista, sacar dinheiro ao invés de usar o cartão para que o outro não veja uma compra suspeita, apagar todas as mensagens do whatsapp o tempo todo, criar perfil falso em redes sociais, ir em eventos com amante e ter que fugir das fotos. Trair, como Karnal fala, dá trabalho. E por mais que o tempo passe, há sempre a possibilidade de ser pego.

Algumas pessoas gostam da sorte de um amor tranquilo. Gostam de uma vida tranquila. Enquanto outras gostam da aventura e de adrenalina. Querem sempre mais e nunca estão satisfeitas com o que tem, inclusive no amor. Preferem o jeitinho, o caminho mais curto, a conquista mais fácil, mesmo que na verdade, seja mais trabalhoso, porque viver mentindo e tendo que lembrar das mentiras que inventou não deve ser fácil.

Que tipo de pessoa você é? Quanto vale o relacionamento que você vive? O que você pensa sobre infidelidade?

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Demonstre afeto

A maioria das pessoas cresce com a ideia de que no amor é necessário fazer jogos de sedução. Fingem que não esperam ligações, se o crush liga não atende ou atende e diz que tem compromisso, e várias outras simulações que conhecemos bem. Ou já fizemos igual ou já vimos fazer ou já fizeram com a gente.

Jogos de sedução consistem em demonstrar que nada está garantido. E, para isso, o artifício é não mostrar com clareza o que sente. Eu vejo problema nesse jeito de se relacionar, mas não estou aqui para julgar e criticar quem prefere se relacionar dessa maneira. A questão é: com frequência vejo casais que estão juntos há muito tempo agindo dessa maneira.

Uma relação duradoura se mantém viva a medida em que as pessoas demonstram os seus sentimentos. São mais felizes os casais que mostram, de maneira verbal ou não verbal, o amor, a gratidão, a admiração que sentem um pelo outro. Vocês escolheram ficar juntos, já disseram incontáveis vezes “eu te amo”, mas, ainda assim é importante dizer mais uma vez.

E, mais importante ainda do que dizer eu te amo, é ser coerente com as declarações de amor. É dar apoio, demonstrar afeto, ajudar, elogiar, incentivar, agradecer. Diga obrigado(a) pelas pequenas coisas que o outro faz por você, isso significa que você reconhece que ele(a) não é obrigado(a) a fazer nada por você e faz por amor. Por carinho. Por gentileza. Por cuidado.

Cuide do seu relacionamento, peça por favor, diga obrigada, fale bom dia, boa tarde, boa noite. Com beijos, preferencialmente. E não fique esperando que leia seus pensamentos. Entendo quem, depois de um aborrecimento, não quer expor o que está sentindo e discutir o assunto, mas se não encontrar um momento para falar não fique esperando que amarrar a cara fará com que o outro entenda exatamente o que está sentindo.

Você já demonstrou seu amor hoje? Mande uma mensagem, compre um cartão, faça um elogio, abrace, diga eu te amo. Quem não gosta de se sentir valorizado, amparado e amado?

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Ninguém é perfeito

Com o passar do tempo descobrimos que a pessoa por quem nos apaixonamos não é perfeita e cultiva hábitos irritantes. Morando sob o mesmo teto eles ficam ainda mais evidentes e caímos na tentação de apontar os erros do outro constantemente. O pote mal fechado, objetos largados pela casa, louça deixada na pia, demora para se arrumar, nunca saber onde estão as coisas.

O seu amor tem hábitos que te incomodam? Você já falou quais são? E quais dos seus hábitos incomodam o outro? Já viveu a experiência de ter os defeitos apontados? Apontar os erros e defeitos do outro é fácil, todos nós sabemos desde pequenos. E, em uma relação amorosa, temos direito de expor nosso sentimento e falar com clareza sobre os hábitos que nos incomodam.

O problema é viver em uma relação onde só há críticas. É se transformar em pais que cobram por tudo “arruma a cama”, “não lavou a louça’, “como você demora para se arrumar” e, ao final do dia, depois de apontar tantos defeitos não ter percebido uma coisa boa feita pelo outro. Realmente não há nada que o outro faz bem? Só existe coisas irritantes nessa relação? Ao fim do dia não existe nada que possa elogiar, só criticar?

Ninguém é perfeito. Nenhum de nós. Consideramos defeitos coisas que o outro não considera e vice-versa, pois fomos educados de maneira diferentes, vivemos experiências diferentes, somos pessoas diferentes. Pessoas comprometidas com a relação tentam chegar em acordo, lidar com os hábitos diferentes e, muitas vezes, relevam pequenas atitudes irritantes e se apegam aos gestos positivos.

Preste atenção nas vezes que recebe apoio, no abraço carinhoso nos momentos difíceis, nas gargalhadas compartilhadas, no estímulo que recebe para começar um novo projeto, no lanche que o outro deixou pronto, no modo como ficou feliz com uma conquista sua. Olhe o lado bom. Se não tem lado bom, já é outra história.

Muitas pessoas lidam com as atitudes positivas do outro como se não passassem de obrigação, como se elas precisassem satisfazer seus desejos e atender seus caprichos. Mas relação amorosa não é isso. Você não namora, vive sob o mesmo teto e casa para ter alguém que só diga sim e faça tudo que você quer.

Elogie, agradeça, aponte o lado bom das coisas ao invés de reclamar de tudo que te incomoda. Escolha ser feliz.

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Amar vale a pena

Os relacionamentos transformam as nossas vidas e todos eles nos influenciam de alguma maneira. Por meio da convivência com os pais, os filhos, os irmãos, os amigos, tocamos e somos tocados. Sofremos, nos preocupamos, torcemos, ficamos alegres, ajudamos, ensinamos e aprendemos. E mudamos.

Se olharmos para a pessoa que fomos conseguimos identificar diferenças em relação a pessoa que somos agora. Mudamos hábitos, repensamos atitudes, concordamos com coisas que julgávamos erradas e vice-versa. Ou deveríamos, já que com o passar do tempo e o avançar da idade, vem a sabedoria e maturidade.

Todas as situações que vivemos e, principalmente, as relações que construímos, são responsáveis por nos tornar quem somos. Por isso falar de amor e, principalmente, de relações amorosas, é tão fascinante para mim: ser parte de um casal é uma experiência significativa e transformadora.

Apaixonados conhecemos uma parte de nós até então desconhecida. Quando amamos aprendemos diariamente sobre liberdade, compreensão, tolerância, felicidade, visão de futuro. Na prática. Dia após dia. Os conflitos, ainda que inevitáveis, revelam características de cada um e servem para ajustar as arestas.

Sempre defenderei que é possível ser feliz sozinho e que é melhor estar só do que mal acompanhado. Mas somos ridiculamente felizes quando amamos e somos amados. Quando temos ao lado alguém que nos faz sentir seguros e nos ajude a enfrentar os obstáculos que surgem pelo caminho.

Amar é ser, viver e sentir. E vale a pena.

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