Não basta amar, tem que demonstrar

No início do relacionamento, quando as pessoas ainda estão naquela fase de conquista, não falta demonstração de afeto. Flores, bombons, convites para sair, elogios, mensagens ao longo do dia, cartões, e-mails, ligações. Faço aqui uma observação: se você está iniciando um romance e desde já é só problema, caia fora, como já diz uma amiga minha, “nada é tão ruim que não possa piorar”.

Voltando ao tema da crônica, é comum pensar que após a conquista as pessoas já conhecem o sentimento uma das outras e não precisam mais dizer eu te amo, comprar presentes, lembrar datas comemorativas, enviar mensagens, elogiar. Embalados pela rotina, os compromissos, os afazeres domésticos e, principalmente, que o amor não precisa ser verbalizado, vão pouco a pouco esquecendo as declarações de amor.

Palavras podem ser só palavras. Ou não. Elas têm graça, cor, magia, paixão e, ainda que não consigam traduzir os sentimentos com perfeição, podem auxiliar àqueles que também não economizam nas ações. Abuse delas. Compre um cartão, escreva uma dedicatória num livro, envie uma mensagem, diga que está com saudades. É claro adianta dizer eu te amo e agredir a pessoa, enviar mensagens de amor e fazer grosseria, elogiar e ridicularizar o companheiro, por exemplo.

As palavras são apenas uma maneira de demonstrar o que você sente. Existem outras. Ouvir é uma delas. Ser um ouvido amigo no momento preciso, dedicar atenção, estar presente, notar o outro em sua existência é, também, uma demonstração de amor. Ninguém pode negar a importância da comunicação na vida cotidiana e, principalmente, numa relação amorosa. Querer compreender o outro, ouvir suas queixas, opiniões e novidades abre oportunidade para que o casal reflita sobre diferentes pontos de vista e fique mais próximo.

Engana-se quem pensa que para demonstrar amor precisa de gestos grandiosos, presentes caros e surpresas mirabolantes. O amor está na sutileza. No prato preferido feito com carinho, na flor colhida no jardim, no “eu te amo” numa hora improvável, no chocolate caribe que você odeia, mas comprou porque o outro ama.

Cada pessoa demonstra o amor de uma maneira e, claro, cada uma delas interpreta as demonstrações do companheiro do seu jeito. Portanto, perceba o que o seu amor valoriza, do que ele gosta, o que entende por demonstração de afeto. Algumas mulheres acham brega receber flores enquanto outras adoram, por exemplo. Demonstre o seu sentimento de modo que o outro compreenda. E tente reconhecer quando está diante de uma demonstração espontânea.

Só não caia da cilada de acreditar que, por estar em um relacionamento longo e amar o parceiro, as demonstrações cotidianas de carinho e afeto são dispensáveis. Não são. O amor é como uma plantinha que, para se desenvolver sempre saudável, precisa de atenção todos os dias.

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  1. […] publicada no Amor Crônico em 11 de outubro de […]

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